Love At First Sting (1984) – Scorpions

Data de lançamento: 27 de Março de 1984
Duração: 40:50
Faixas: 9 faixas
Estilo: Hard Rock

Lado A
Bad Boys Running Wild
Rock You Like a Hurricane
I’m Leaving You
Coming Home
The Same Thrill

Lado B:
Big City Nights
As Soon As The Good Times Roll
Crossfire
Still Loving You

Produção: Dieter Dierks
Engenheiros de som: Gerd Rauntenbach
Gravadora: Mercury Records

O Scorpions começou no fim dos anos 1960, em Hanover, na antiga Alemanha Ocidental. O quinteto gravou os seus primeiros discos na década posterior, anos 1970. Porém foi somente nos 1980 que eles conquistaram a indústria fonográfica. Naquela década, o Scorpions contava com sua formação clássica: Klaus Meine (voz), Rudolf Schenker (guitarra), Francis Buccholz (baixo), Matthias Jabs (guitarra) e Herman Rarebell (bateria), cuja sua estréia ocorreu no sexto disco, Lovedrive (1979).

Na turnê do seu disco seguinte, Animals Magnetism (1980) o grupo teve um problema extra-palco: o vocalista Klaus Meine precisou operar as amígdalas para tirar nódulos nas cordas vocais. No tratamento pós-operatório, Klaus chegou a cogitar sair do Scorpions, mas os seus colegas foram pacientes e esperaram ele encerrar o tratamento para retomar as atividades com a banda. A superação de Klaus foi mostrada no oitavo disco do Scorpions, o Blackout (1982), que apresentou a banda ao mercado americano. Na turnê do álbum, pelos Estados Unidos, o quinteto contou com o Iron Maiden como banda de abertura.

O Scorpions é uma espécie de porta-bandeira da música alemã e a mesma foi alvo de interesse mundial entre o fim dos anos 1970 e início dos anos 1980. Por conta disso o planeta acabou conhecendo bandas de metal como o Accept, Kreator, Warlock, Grave Digger, Destruction e Helloween. Artistas de fora do gênero metal também foram beneficiados pelo interesse global no cenário musical alemão, como a cantora Nina Hagen e o grupo Kraftwerk.

Entretanto, a grande consagração do Scorpions foi mesmo com o seu nono disco Love At First Sting. Sua vendagem alcançou a sexta posição na lista dos mais vendidos da Billboard, em 1984. Com a produção do, também, alemão Dieter Dierks, ele foi concebido durante todo o ano de 1983 no estúdio Dierks, em Stommeln, na Alemanha. Dieter era tido como o sexto Scorpion e produziu nove discos da banda, do In Trance (1975) até o Savage Amusement (1988).

A capa causou polêmica nos Estados Unidos. Ela mostrava um homem abraçado a uma mulher, beijando o pescoço dela e, com a mão direita, tatuava duas caldas de escorpião cruzadas na perna esquerda da modelo. A rede de Supermercados Wallmart implicou com o seio da modelo (que não estava totalmente exposto) e se recusou a vender o disco por conta do público infantil que frequentava as lojas da rede. A solução encontrada pela gravadora Mercury foi tirar a capa original de circulação e, em seu lugar, inserir a foto do quinteto presente no encarte com as letras das faixas. Aliás, capas censuradas não são raridade quando se trata de Scorpions; a de Virgin Killer (1976) trazia o nu frontal de uma menina de 11 anos; Taken By Force (1977), crianças brincando de guerrinha em um cemitério; e os já citados In Trance, que apresentava uma modelo mostrando o seio direito, e Lovedrive, trazia chicletes tampando o seio da modelo que ilustrava a capa.

Rudolfo Schenker e Klaus Meine são até hoje os maiores responsáveis pelas canções dos Scorpions. Rudolf cria os riffs e Klaus, as letras. Em rara exceção, o vocalista conta com a ajuda de Herman Rarebell na composição. Nesse álbum em particular, o baterista é co-autor das duas primeiras faixas. O disco abre com Bad Boys Running Wild, que fez sucesso na época. Não tanto quanto a segunda faixa, Rock You Like a Hurricane, que é um clássico indiscutível da banda. Seu videoclipe era exibido constantemente na televisão. A canção esteve presente na trilha sonora de vários filmes que vieram futuramente como em Corrida Rumo ao Sol (1996) e Um Diabo Diferente (2000). A terceira faixa, I’m Leaving You fez sucesso com o seu videoclipe, que mostra o quinteto se hospedando em um hotel de beira de estrada após uma pane no motor do ônibus de turnê. A presença dos alemães mexe com o imaginário de uma equipe inteira de softball feminina (variante do baseball), cujas jogadoras moravam nas proximidades desse hotel.

A quarta faixa é Coming Home. Ela começa de maneira acústica –  durante um minuto e meio. Depois, eles soltam o seu hard rock característico. A canção abria os shows da turnê de Love At First Sting, mas sem a parte acústica gravada no vinil. O lado A é encerrado com The Same Thrill.

 

O lado B tem início com outro clássico dos alemães, Big City Nights. Ela obteve sucesso nos shows e não foi surpresa o seu videoclipe ter sido gravado nas apresentações. Big City Nights é a única faixa do disco em que o guitarrista, Rudolf Schenker, fez solo de guitarra, pois a maioria dos solos foi executado por Matthias Jabs. Na segunda faixa, As Soon As The Good Times Roll, o vocalista Klaus Meine canta com uma voz insinuante nas estrofes. A penúltima faixa, Crossfire, tem como destaque a bateria militarizada de Herman Rarebell – só com caixa e bumbo.

A última faixa de Love At First Sting acabou sendo o seu carro-chefe, a balada Still Loving You. Alguns admiradores do Scorpions não gostaram dela, alegando apelo comercial. Porém, Still Loving You conquistou não só os ouvintes de rock, mas também admiradores de outros estilos musicais que passaram a conhecer melhor o trabalho do grupo. No Brasil, a balada também ficou muito conhecida, principalmente por ter feito parte da trilha sonora da novela Corpo a Corpo, exibida no antigo horário das oito da TV Globo. Ela ganhou uma versão sertaneja da dupla Cleiton & Camargo, que a rebatizou de Meu Anjo Azul. A balada ganhou também uma versão power metal da banda finlandesa Sonata Arctica. Durante seis anos, Still Loving You carregou o estigma de maior sucesso do Scorpions, até ter seu posto tirado por outra balada, Wind of Change, conhecida como o “hino da queda do muro de Berlim”. Wind of Change foi lançada no disco Crazy World (1990), o ultimo com a formação clássica dos anos 1980.

Assim como o disco, a sua turnê repercutiu bastante com ingressos esgotados. Foi através da Love At First Sting Tour que o Scorpions veio ao Brasil pela primeira vez, tocando por duas noites no Rock in Rio, primeiro mega-festival organizado em nosso país. A primeira noite foi no dia 15 de Janeiro, chamada pela imprensa brasileira de “noite das diretas”, pois, no mesmo dia ocorreu a eleição civil de Tancredo Neves. Durante esse show, o vocalista Klaus Meine tremulou uma bandeira do Brasil para delírio do público. No segundo show, no dia 19 do citado mês, o guitarrista Matthias Jabs apareceu no palco usando uma guitarra parecida com a logomarca do festival carioca e com bandeiras do Brasil pintadas nela. Sem contar que, nesse mesmo concerto, Klaus Meine cantou a cappella, Cidade Maravilhosa, o hino da cidade do Rio de Janeiro.

A turnê de Love At First Sting rendeu o segundo disco ao vivo do Scorpions, o World Wide Live, que foi lançado em 20 de Junho de 1985. Ele foi gravado em três shows no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. A contracapa mostra a banda se apresentando no primeiro Rock in Rio. World Wide Live também rendeu o primeiro vídeo ao vivo do quinteto alemão, o qual mostra imagens da banda em várias partes do mundo, incluindo no Rio de Janeiro.

Após o primeiro Rock in Rio, os alemães voltaram ao Brasil mais oito vezes. Em 2019, o Scorpions volta a se apresentar no festival carioca depois de 34 anos. Eles estarão na noite do metal marcado para o dia 4 de Outubro junto de Sepultura, Megadeth e Iron Maiden. Da formação clássica dos anos 1980, apenas o baixista Francis Buccholz e o baterista Herman Rarebell não integram mais o grupo.

Windson Alves

Uma consideração sobre “Love At First Sting (1984) – Scorpions”

  1. E foi assim com o lançamento deste disco que os escorpiões alemães há 35 anos, na minha opinião, quase jogaram sua própria carreira de sucesso no lixo!

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