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[Feliz Dia dos Namorados!] Ships – Os Adoráveis Casais da Ficção

Aposto que você também já shippou. Que você já torceu com afinco por algum casal de filme, série, livro, HQ ou telenovela. Bem, hoje é Dia dos Namorados, portanto, não poderia ter uma data mais apropriada para um post sobre ships de séries.

Ship é a forma pela qual os fãs se referem aos casais da cultura pop. O termo vem de relationship (relacionamento) e surgiu em meados da década de 1990 com o Ship X, designação criada pelos fãs que viam uma ligação afetiva entre Dana Scully (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchovny), a brilhante dupla/casal da série Arquivo X. Enquanto alguns espectadores se preocupavam com os seres estranhos que apareciam na calada da noite e davam verdadeira dor de cabeça a Mulder e Scully, outros fãs da série estavam mais interessados no romance entre a dupla e em quando eles iriam finalmente ficar juntos para a alegria das shippers de plantão.

Shippers, por sua vez, tratam-se das pessoas que torcem por um casal.

Há quem diga que se você não shippou Mulder&Scully, nem mesmo pode se considerar um shipper legítimo. Exageros à parte, é fato incontestável que eles foram os pioneiros. Houve outros casais de seriados que arrebataram o público antes deles, é verdade (Capitão Kirk e Spock de Star Trek que o digam… ainda que nem se tratasse realmente de um casal). Entretanto, foi com o ship X que surgiu a rivalidade nos fóruns (entre shippers e noromos, que compreendem aqueles que são contra a ideia de um casal); a interação entre as shippers de diferentes lugares do mundo (incluindo os encontros de fãs, tanto virtuais quanto físicos); as diversas fanfictions explorando o relacionamento entre os personagens; e, obviamente, o termo em si.

Mas como nem tudo é fluffy nos fandoms da vida, existe também as ship wars: quando o grupo de fãs de um determinado casal entra em conflito com outro que torce por um casal rival da mesma obra. No fandom da série Lost, por exemplo, a principal shipper war se dava entre as Jaters (Jack e Kate) e as Skaters (Sawyer e Kate). No fim das contas, as Jaters levaram a melhor. No fandom de House a briga era entre as Huddy (House e Cuddy) e as Hameron (House e Cameron), só para citar alguns exemplos.

Confesso que já fui mais shipper. Atualmente, em muitos casos, acho que os casais acabam prejudicando as tramas dos seriados. Talvez não exatamente os ships em si que prejudiquem, mas as shippers. O pessoal que torce e morre pelo casal, que adoram se envolver nas famigeradas ship wars. Isso me desanima um pouco a acompanhar certas produções; pois, os roteiristas, de olho na audiência que o casal atrai e no buzz que o ship gera, acabam dando ênfase demais ao romance em detrimento de outros aspectos da narrativa. O que desestimula até mesmo a participar dos grupos de discussão no facebook. Isto é, tem tantas séries incríveis que contam com mitologias extremamente envolventes… Porém, as pessoas se prendem apenas aos casais.

É frustrante reduzir uma série a um ship.

De qualquer modo, eu ainda tenho meus casais favoritos e separei os melhores fanvideos em tributo a eles para celebrar o Dia dos Namorados por aqui:

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[O que ver na quarentena] Fleabag

A protagonista de Fleabag não tem nome. 

Ela atende por essa alcunha de Fleabag que significa literalmente “saco de pulgas”, mas pode ainda ser adaptado para algo como “vira-lata”, como se ela estivesse sempre por aí, pelas ruas sujas da cidade, sendo jogada pra lá e pra cá, sem raízes, sem afeto. Por não ter um nome e carregar um apelido tão desagradável, a personagem defendida (brilhantemente, diga-se de passagem) por Phoebe Waller-Bridge (também criadora e roteirista da série), converte-se em um símbolo, bem como os outros personagens sem nomes, tais quais o pai interpretado por Bill Paterson e a madrasta, vivida pela genial Olivia Colman. E o fato de quebrar a quarta parede desde a primeira cena, olhando diretamente para a câmera e dialogando com o espectador, torna mais visível o propósito da personagem. Afinal, a medida que avançamos pelos episódios, percebemos que Fleabag não está necessariamente falando com quem a assiste do outro lado da tela, mas com ela mesma. 

O que quer dizer que a ideia de Fleabag é a de nos projetarmos na personagem e reconhecer nela nossos próprios fracassos, inseguranças e problemas. Mas não em busca de aprender a lidar com isso, se aceitar ou encontrar uma resolução. É humor britânico, não livro de autoajuda. Não à toa, a série acionou em mim gatilhos para os quais eu não estava preparada. A identificação ocorreu em diversas passagens, chegando a ser dolorosa e até perturbadora de se constatar. Mas produção boa é aquela que aponta para você, insere o dedo na ferida e sacode com vontade. E isso Fleabag faz com louvor. Continuar lendo [O que ver na quarentena] Fleabag

[O que ver na quarentena] Quicksand – e uma reflexão sobre os casos de massacres em escolas

20 de abril de 1999. Dylan Klebold e Eric Harrys, 17 e 18 anos, respectivamente, entraram armados em uma escola no Colorado, Estados Unidos, e dispararam contra estudantes e docentes. Mataram 13 alunos e um professor, trocaram tiros com policiais que chegaram ao local e se suicidaram durante o confronto. Tornou-se um dos casos de massacres em escolas mais emblemáticos da história americana, mas, infelizmente, não foi o último.

Ocorreram casos semelhantes na Virginia, também nos Estados Unidos, em 2007, sendo um dos mais sangrentos, executado pelo estudante sul-coreano Seung Hui Cho, que assassinou 32 pessoas; em Winnenden, na Alemanha, em 2009, cujo autor era um antigo estudante da escola e vitimou 16 pessoas; e no Realengo, Rio de Janeiro, em 2011,  quando Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos também ex-aluno, armado com dois revólveres, matou 12 estudantes, em sua maioria meninas, e terminou por dar um tiro na própria cabeça. Mais recentemente tivemos outros dois trágicos episódios ocorridos no Brasil. Em março de 2019, em Suzano, na Grande São Paulo, dois jovens armados entraram em um colégio, fazendo cerca de oito vítimas e ferindo outras nove pessoas. Em novembro do mesmo ano, um estudante de 17 anos de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, invadiu a escola em que estudava, trajado de preto da cabeça aos pés, armado com uma garrucha e um facão, ateou fogo a mochilas de colegas e disparou contra os alunos, ferindo dois deles.

E quando crimes como esses ocorrem, a tendência da mídia e do público (geralmente pautado pela primeira) é a de procurar culpados que nunca são, de fato, os atiradores. A culpa, não raramente, recai sobre jogos violentos, o excesso de violência em filmes e programas de televisão, a péssima influência exercida pelo conteúdo que jovens absorvem na internet. É próprio do ser humano terceirizar até mesmo a culpa. A responsabilidade é sempre de fatores externos, quando, na verdade, creio que é preciso um olhar mais atento e cuidadoso para o interior dos jovens.

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O Fantástico Jaspion

Neste ano de 2020, o Japão vai ocupar a maior parte do meu tempo por aqui. Até porque a Terra do Sol Nascente iria, para todos os efeitos, sediar a 32ª edição dos Jogos Olímpicos de Verão em sua capital: Tóquio. No entanto, de modo consciente, o evento precisou ser adiado para o ano que vem, tendo em vista a pandemia do novo coronavírus

Vou começar cumprindo a promessa que fiz no artigo TOKUSATSUS!, falando do japonês número um dos brasileiros. Trata-se de O Fantástico Jaspion que, neste mês, completa 35 anos de sua estréia oficial. Continuar lendo O Fantástico Jaspion

I Am Not Okay With This

Nestes tempos sombrios de coronavírus, esse título vem bem a calhar, não é mesmo?

Whateva…

Apesar de abordagens completamente distintas, a unidade em comum entre Love, Simon, 13 Reasons Why e Stranger Things, é o fato de se tratarem de produções adolescentes atuais, mas com uma pegada nostálgica. É como se essa geração atual, de jovens pertencentes a um cenário hiperconectado, sentisse saudade de um passado que não viveu – de virar o disco na vitrola, rebobinar o VHS, torcer para a música “caber” enquanto faz uma gravação em fita K7 diretamente do rádio… É uma geração que tem tudo ao seu alcance – literalmente a um clique de seus dedos – mas que curte mesmo coisas antigas, vintage e não tão fáceis ou práticas como o touchscreen de um smartphone. A nostalgia tornou-se tendência de comportamento entre o pessoal da geração Z.

Parece normal que os jovens da atualidade incorporem elementos de outras décadas à sua cultura e cotidiano. Tem quem diga que é porque os anos 1980 tinham um quê de inocência, de mais experimentalismo e os 1990 uma alegria contagiante e uma perspectiva de um mundo globalizado tão diferente do atual culto aos nacionalismos que soam como verdadeiro retrocesso. Estudiosos e pesquisadores apontam os atentados ao World Trade Center, em setembro de 2001, como o fim do sonho, a ruptura, o plot twist que destruiu completamente a positividade e a ilusão de união mundial por meio da globalização.

Antes que vocês se perguntem, eu não estou filosofando à toa. Afinal, essa nostalgia e saudade do que não se viveu presentes na geração Z é justamente a vibe e o mote de I Am Not Okay With This. Continuar lendo I Am Not Okay With This

Spinning Out

A série prometia ser a próxima sensação da Netflix. Mas acabou cancelada devido à recepção aquém do esperado. A produção foi vítima da implementação de um novo sistema de avaliação mensal adotado pela plataforma de streaming. A renovação ou não de uma série original da Netflix depende do número de visualizações, perspectiva de premiações e dos custos relacionados à produção. Mediante a novidade, é fácil concluir que a trama sobre patinação artística no gelo, protagonizada pela atriz anglo brasileira e low profile, Kaya Scodelario, não obteve um retorno expressivo. Mas e aí? Ainda assim vale a pena conferir a primeira e, até onde sabemos, última temporada de Spinning Out?

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