O Som do Silêncio

Da rotina barulhenta dos palcos para um cotidiano de brutal silêncio. Ruben (Riz Ahmed) é baterista em um duo de heavy metal com a namorada, Lou (Olivia Cooke). Ambos moram juntos em um trailer, que é o veículo que os conduz a diferentes cidades dos Estados Unidos, a fim de cumprirem a agenda de shows de sua turnê. A banda não é famosa, portanto, seu público ainda é bastante restrito e alternativo. Em uma dessas ironias cruéis do destino, Ruben perde a audição abruptamente. É óbvio que isso produz um impacto negativo certeiro em sua carreira.  Mas também impacta em outros aspectos de sua vida. É quando o músico parece, enfim, se dar conta da importância dos pequenos sons, ruídos e vibrações do cotidiano, do quão dolorosa é a ausência deles e, mais ainda, se ver repentinamente forçado a conviver com o peso esmagador do silêncio total.  Continuar lendo O Som do Silêncio

Vencedores do BAFTA 2021

A Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas anunciou seus ganhadores neste fim de semana, 10 e 11 de abril, em cerimônia híbrida – com um tapete vermelho reduzido no Royal Albert Hall, em Londres, na Inglaterra, por onde desfilaram alguns dos apresentadores dos prêmios, e contando com a participação virtual dos indicados.

Os apresentadores e radialistas Edith Bowman e Dermot O’Leary deram início à cerimônia virtual, que não contou com público devido às restrições sociais consequentes do momento pandêmico. O evento começou com um tributo ao Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, que faleceu na última sexta-feira, dia 9, aos 99 anos.

Nomadland confirmou seu favoritismo ao vencer quatro categorias no BAFTA 2021. O filme de Chloé Zhao levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (para Frances McDormand) e Melhor Fotografia (merecidíssimo!).

Bela Vingança, longa dirigido por Emerald Fennell, foi outro dos destaques da premiação, sagrando-se Melhor Filme Britânico e Melhor Roteiro Original.

A maravilhosa Youn Yuh-Jung saiu vitoriosa na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por Minari e aproveitou o momento para dar uma alfinetada nos britânicos durante seu discurso de agradecimento, ressaltando o quão significativo é vencer um prêmio que simboliza o reconhecimento de seu desempenho pelos britânicos, conhecidos (nas palavras dela) como pessoas muito esnobes, uma visão que parte de sua experiência pessoal.

Daniel Kaluuya se destacou como o Melhor Ator Coadjuvante por Judas e o Messias Negro. Trata-se da segunda vitória do ator na premiação. Em 2018, ele faturou o prêmio de Estrela em Ascenção no evento, quando também concorreu na categoria de Melhor Ator por Corra!.

Anthony Hopkins foi premiado Melhor Ator pelo longa Meu Pai (também merecido), filme que ainda levou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado.

E o ótimo O Som do Silêncio, sem surpresas, levou o prêmio de Melhor Som.

Abaixo, você confere os vencedores da 74ª edição do British Academy Film Awards:

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Nomadland

“O que é lembrado, vive”.

É de conhecimento comum que há um mito em torno da saudade, isto é, da palavra saudade que apregoa que esta só existe no idioma português, muito embora se trate de um sentimento universal. Fato é que a palavra “saudade” existe sim em algumas outras línguas românicas, porém, o seu sentido está mais próximo da “nostalgia de casa” do que do nosso significado em português, que é muito mais abrangente. Existem vocábulos equivalentes em outros idiomas, mas que não exatamente correspondem ao sentimento luso-brasileiro, por se tratar, sobretudo, de uma característica cultural, que conferiu a devida amplidão e magnitude à palavra saudade.

Algumas expressões estrangeiras funcionam de maneira análoga, porém, se tratam de traduções inexatas, termos que até se aproximam da nossa saudade, mas que não expressam tão bem o nosso conceito… É uma pena, pois saudade é uma palavra forte, intensa e delicada, que alcança o perfeito equilíbrio entre o doce e o amargo, entre a dor e o prazer, entre a tristeza e a alegria. Nostalgia é de uma melancolia brutal e dolorosa. A saudade até dói, mas é aquela dor bem vinda, que a gente recebe de braços abertos, com um sorriso no rosto e um suspiro entrecortado que tanto fere quanto alivia o peito. Pode até não existir equivalente à palavra em outro idioma (ou, pelo menos, um equivalente que lhe faça justiça), mas Nomadland da diretora sino-americana já altamente nesta award season, Chloé Zhao, traduz perfeitamente o seu significado.  Continuar lendo Nomadland

Meu Pai

Nos planos iniciais de Meu Pai, acompanhamos Anne (Olivia Colman) caminhando apressada pelas ruas, adentrando um edifício e subindo as escadas correndo, embalada por uma música catártica. Ao entrar no apartamento do pai (Anthony Hopkins) e chamar diversas vezes por ele, enfim o encontra, sentado em uma poltrona. A música passa de som não diegético para diegético, escapando pelos fones de ouvido de Anthony (sim, personagem e ator partilham do mesmo nome). E esse é só um dos exemplos de brilhantes transições com os quais nos deparamos ao longo do filme. O recurso é simbólico, pois ilustra perfeitamente a proposta do longa assinado por Florian Zeller – que chega hoje, 8 de abril, às plataformas digitais  – uma vez que nós, espectadores, nos vemos por diversas vezes tão confusos quanto Anthony ao tentar compreender o que faz parte ou não de sua realidade.

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Vencedores do SAG Awards 2021

Sem grande alarde e sem muita chance de pautar o Oscar, a cerimônia de entrega do Screen Actors Guild Awards, prêmio anual concedido pelo Sindicato dos Atores de Hollywood, foi realizada ontem, em plena Páscoa, de maneira virtual, já pré-gravada, com duração de apenas uma hora e sem transmissão simultânea na TV fechada por aqui, como normalmente acontece e como fora noticiado erroneamente no post sobre os indicados.

Nas categorias cinematográficas, destaque para A Voz Suprema do Blues, consagrando Viola Davis como a Melhor Atriz do ano segundo o sindicato, e vitória póstuma de Chadwick Boseman em Melhor Ator. O já altamente premiado Daniel Kaluuya, levou de Melhor Ator Coadjuvante por Judas e o Messias Negro e a excelente Youn Yuh-Jung conquistou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante por Minari – merecidíssimo! Os 7 de Chicago foi o vencedor do principal prêmio da noite, de Melhor Elenco. O casting é realmente a força motriz do longa e a conquista garantiu um boost para o Oscar, mas não parece despontar como ameaça suficiente ao franco favorito Nomadland que, no SAG, foi lembrado apenas na categoria de Melhor Atriz, com a indicação de Frances McDormand. Portanto, a vitória no SAG não deve pavimentar o caminho para a consagração de Os 7 no prêmio da Academia.

Sem surpresas nas categorias televisivas, com The Crown arrematando a estatueta de Melhor Elenco em Série Dramática, Schitt’s Creek faturando em Melhor Elenco em Série de Comédia e a fabulosa Anya Taylor-Joy levando o prêmio de Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme por O Gambito da Rainha – mais um para a sua coleção.

Abaixo, você confere a lista completa dos vencedores da 27ª edição do SAG Awards: Continuar lendo Vencedores do SAG Awards 2021

Nas Prateleiras: Lançamentos de Livros – Abril (2021)

As editoras capricharam ao prepararem vários boxes e edições de colecionador para os amantes da leitura neste mês de abril. A Novo Século traz os box Drácula – A Estaca de Bram Stoker e Espelho de Oscar Wilde que inclui três livros e ainda acompanha pôster, suplemento e marcadores. A Aleph lança um box imperdível para quem quer conhecer três grandes marcos da literatura distópica: Laranja Mecânica, de Anthony Burgess; 1984, de George Orwell; e Nós, de Ievguêni Zamiátin são reunidos no Box Clássicos da Distopia. E para os fãs dos Bridgertons, a Arqueiro preparou uma caixa com a série completa, incluindo todos os nove títulos e mais um livro extra do fenômeno literário assinado por Julia Quinn e que ganhou uma adaptação igualmente bem-sucedida na Netflix. A Darkside publica simultaneamente duas edições de Alice Através do Espelho de Lewis Carroll, sendo a edição limitada e a clássica, contando com as ilustrações de Mika Takahashi e a qualidade que a gente já conhece. Para completar, tem os lançamentos de dois renomados autores japoneses: Terráqueos, segundo romance de Sayaka Murata – a mesma do ótimo Querida Konbini – sai pela Estação Liberdade; e a nova edição de Sul da Fronteira, Oeste do Sol de Haruki Murakami, autor do best-seller 1Q84 e do maravilhoso Sono, é um dos destaques da Alfaguara. Abaixo, você confere capas e sinopses dos principais lançamentos literários de abril.

* Os títulos com asterisco na frente, são aqueles que irão integrar a nossa biblioteca pessoal.

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