Arquivo da tag: Telenovelas

[Especial] Teledramaturgia – Parte 5: Novelas Que Não Tiveram Fim

Calma! Não estamos falando daquelas produções que nunca acabam como Malhação e, sim, de novelas que foram interrompida antes de conhecerem um desfecho.

Atualmente, se uma telenovela não anda muito bem de audiência, o autor trata de fazer mudanças na história na esperança de salvar o folhetim, ou dá um jeito de resolver todos os seus arcos rapidamente, antecipando a conclusão dos personagens de modo a não ficar nenhuma lacuna.

Mas já aconteceu  de não haver meios de salvar a telenovela e cancelaram a trama sem concluir o enredo, deixando a produção sem um desfecho (caso comum entre os seriados norte-americanos). Mas a questão do fracasso de audiência não pode ser atribuída a todas as novelas que foram cortadas antes de serem finalizadas, mas também ao fechamento e falência da emissora que a transmitia.

Vejam abaixo quatro casos de novelas de novelas que não chegaram a terminar.

Continuar lendo [Especial] Teledramaturgia – Parte 5: Novelas Que Não Tiveram Fim

Justiça

justica-1

Nos últimos tempos, as emissoras de televisão abertas têm sofrido com a grande concorrência da TV fechada e da plataforma Netflix no Brasil. Portanto, os canais abertos e mais tradicionais necessitam se reinventar, afinal, o público clama pelo novo. E, pensando nisso, a Rede Globo estreou, no último dia 26 de agosto, a minissérie Justiça. O público ficou absorto. A última vez que eu tinha visto o telespectador brasileiro em tamanho arrebatamento, foi durante a exibição da telenovela de sucesso Avenida Brasil.

Continuar lendo Justiça

[Especial] Teledramaturgia – Parte 4: Novelas que não foram ao ar

Quatro novelas produzidas, mas que nunca foram exibidas. Esse não é um caso muito comum, mas, sim, já aconteceu na teledramaturgia brasileira. Três novelas foram impedidas de serem levadas ao ar e uma delas teve suas gravações interrompidas devido ao fim da emissora que a veiculava. Vejas todos estes casos na lista abaixo e os motivos de terem suas transmissões vetadas:

Continuar lendo [Especial] Teledramaturgia – Parte 4: Novelas que não foram ao ar

[Especial] Teledramaturgia – Parte 3: As Tramas de Benedito Ruy Barbosa

Um pouco mais de dois anos depois, dando continuidade ao Especial Teledramaturgia. No fim do post, estão os links para os outros artigos da série.

Benedito Ruy Barbosa

Novelas são sempre iguais. As mesmas histórias, os mesmos personagens, os mesmos desfechos. Pouca coisa muda de uma novela para outra. As fórmulas, clichês e estereótipos de autores como Manoel Carlos, Gloria Perez e Carlos Lombardi, por exemplo, são públicos e notórios.

Manoel Carlos se habituou a contar os conflitos dos ricos depressivos do Leblon. Gloria Perez já nos “presenteou” diversas vezes com suas saladas demagógicas, multiétnicas e sem sentido nenhum. Carlos Lombardi adora galãs descamisados e inexpressivos, humor rasteiro, personagens caricatos e crianças insuportavelmente mais inteligentes do que os adultos.

No cinema também há autores que repetem fórmulas (vide Christopher Nolan e Zack Snyder). O problema disso nas novelas é que elas se arrastam por meses a fio, então temos a impressão de que passamos nove meses assistindo a uma história que já acompanhamos anteriormente também por outros longos nove meses. O que nos faz chegar à desconcertante conclusão que já perdemos uns quinze anos das nossas vidas assistindo a mesma história contada e recontada pelos mesmos autores e interpretadas pelos mesmos atores…

Aproveitando que há pouco mais de um mês estreou uma nova novela na faixa das nove horas da noite na Rede Globo, Velho Chico, decidi escrever este texto pra falar sobre as tramas de Benedito Ruy Barbosa. Eu gosto dele como autor. Mas a verdade é que Benedito é outro que quase sempre conta as mesmas histórias. Todavia me identifico mais com suas tramas rurais do que com as Heleninhas Leblonescas de Manoel Carlos. Eu nunca visitei uma fazenda (não que eu me lembre), mas as tramas de Ruy Barbosa me despertam uma inexplicável nostalgia bucólica. E, apesar dos estereótipos, seus personagens são sempre muito humanos, simples, humildes. Diferentemente dos ricos amargurados e neuróticos do Leblon de Manoel Carlos…

Continuar lendo [Especial] Teledramaturgia – Parte 3: As Tramas de Benedito Ruy Barbosa

[Especial] Teledramaturgia – Parte 2: Aberturas de Novelas

Hoje, pela manhã, uma amiga me informou pelo whatsapp que o ator José Wilker havia morrido. Imediatamente fui atrás de detalhes na internet, afinal ele parecia tão bem até pouco tempo… De fato, ainda ontem estava ensaiando uma peça de teatro. Wilker morreu vítima de infarto fulminante enquanto dormia.

No texto anterior, eu disse que atualmente é até incômodo ver novelas entrando e saindo da programação sem contarem com a presença de Rubens De Falco e Raul Cortez em seus elencos. Agora podemos adicionar o nome de José Wilker nesta lista. Dentre seus inúmeros papéis marcantes na teledramaturgia brasileira, destacam-se o personagem-título de Roque Santeiro, o ‘felomenal’ Giovanni Improtta de Senhora do Destino e o Coronel Belarmino de Renascer, dono do inesquecível bordão: “é justo, muito justo, justíssimo”. Falar nisso, achei justo modificar este texto (que já estava pronto) para acrescentar esta informação. Afinal, de Gabriela à Fera Ferida, de Corpo Santo à Amor à Vida, passando por A Próxima Vítima, Wilker foi um dos mais interessantes e versáteis atores a passar pela nossa telinha. Podia cometer suas falhas (gritantes) como crítico de cinema, mas era inegável seu talento para compor personagens memoráveis.

Justo, muito justo, justíssimo tributo 😉

* * *

Não posso dizer seguramente que a qualidade das telenovelas piorou. uma vez que não acompanho novelas há muito tempo como já mencionei no texto anterior. Coloco isso na conta da minha ansiedade. A minha mania de “fazer tudo ao mesmo tempo agora e acabar não fazendo nada” é a grande culpada pelo meu aparente desinteresse em muitas coisas, por exemplo: acompanhar narrativas seriadas pela televisão. Isso porque a TV costuma exibir apenas um capítulo diário ou semanal. Não tenho mais paciência para ficar esperando pelo capítulo de amanhã ou da semana que vem (é por isso que geralmente só começo a assistir seriados quando estes já têm pelo menos uma temporada completa).

Contudo, eu cresci assistindo novelas. Meus pais acompanharam as tramas memoráveis assinadas por Dias Gomes, Ivani Ribeiro, Janete Clair. Felizmente eu tive acesso à obra desses mestres da teledramaturgia por meio do Vale a Pena Ver de Novo. Algumas novelas marcaram minha infância como Quatro Por Quatro, A Indomada, A Viagem e A Próxima Vítima. Essas foram aquelas que realmente acompanhei. Numa era pré-internet e antes de surgir em mim o interesse crescente por cinema, livros e histórias em quadrinhos que ocupam boa parte do meu tempo livre até hoje. Mas apesar de não ter mais paciência para acompanhar novas telenovelas, ainda nutro certo interesse por aberturas. É fato que há muito tempo uma abertura não me conquista. Mas abaixo listei algumas das minhas favoritas. Engraçado que muitas delas são de novelas que não gostei ou que não assisti.

Agora chega de conversa! Aí estão algumas das aberturas que me marcaram em um incomum Top Seven:

7) Belíssima:

Tem quem ache sem graça ou sem aquela centelha de criatividade. Eu acho de um charme inegável. Simples, mas elegante. A modelo faz um strip-tease nada vulgar em uma vitrine, ao som da previsível Você É Linda de Caetano Veloso. Talvez esse seja o único elemento que deponha contra a abertura e garanta a ela uma posição não tão avantajada no meu top seven. Uma vez que essa música já esteve presente em outras duas trilhas sonoras de novelas e, para quem acompanhou Fera Ferida, ela se tornou clássica como tema da personagem Linda Inês interpretada por Giulia Gam. Mas por que exatamente eu gosto tanto dessa abertura? Deve ser porque ela me faz lembrar do videoclipe I Just Don’t Know What To do With Myself dos White Stripes… Sobre a novela em si, confesso me lembrar bem pouco ou quase nada. Não tinha um enredo muito atraente.

6) Ti Ti Ti

A abertura deixava clara a rivalidade entre dois estilistas, com uma disputa de tesouras, agulhas e linhas. Artesanal, mas muito criativa, ela é centenas de vezes mais simpática e charmosa que a abertura da versão de 2010 (feita com modernos recursos de computação gráfica). Da mesma forma que os espectadores da versão de 1985 ainda dizem que a novela original é a suprema, contando com os inspiradíssimos Luis Gustavo e Reginaldo Faria como protagonistas. A música é da banda oitentista Metrô. Não lembra? Foi um dos únicos sucessos do grupo que, com pouco tempo de estrada, logo se dissolveu. A composição é de autoria de Rita Lee.

5) A Próxima Vítima

Embalada pela música genial de Rita Lee, a abertura traduzia bem o conceito da novela. Ágil, bem urbana e com uma alta carga de tensão. Os rostos de alguns dos principais personagens iam aparecendo na tela como alvos de um franco-atirador que os procurava pela cidade, mirava de um prédio diretamente em suas cabeças e então disparava.

4) Quatro Por Quatro

Devido à chatice da censura atual, a música de abertura certamente seria vetada. Uma grande bobagem, visto que a letra da canção interpretada por Sandra de Sá é tão divertida quanto à trama, por vezes absurda de Carlos Lombardi. É certo que a novela começou boa e lá pelas tantas foi se perdendo como grande parte das novelas dos anos 90 pra cá que garantem boa audiência e os novelistas insistem em prolongar. Mas de qualquer forma, graças à desenvoltura do elenco, alguns momentos permanecem na memória, bem como boa parte da ótima (e hoje super nostálgica) trilha sonora e, claro, essa excelente abertura que mostra um grupo de espadachins femininas correndo atrás de homens para fazer justiça, ou melhor, vingança. Repleta de cores vivas e vibrantes, um tanto kitsch e muito bem-humorada, essa é certamente uma das aberturas inesquecíveis que captava bem a essência da trama.

3) A Indomada

Para fazer jus ao título, a Indomada (interpretada na abertura pela, na época, desconhecida Maria Fernanda Cândido), dribla todos os obstáculos à sua frente, transformando-se em fogo, água e pedra. Nem a plantação de cana-de-açucar que parece persegui-la, crescendo em sua direção, ou barreiras de ferro que surgem do nada são capazes de pará-la. Os efeitos especiais, criados a partir de computação gráfica, impressionam (pela época em que foi realizada). E a música, Maracatudo de Sérgio Mendes, é a cereja no topo do bolo. Uma pena que em sua primeira reprise, em 1999, no Vale A Pena Ver de Novo, tenham mudado, sem razão aparente, a música de abertura para Unicamente de Deborah Blando, que não se adequava à entrada da novela.

2) Deus Nos Acuda:

Embora contasse com um bom e afinado elenco, com a presença inspirada da sempre ótima Marieta Severo, e com personagens marcantes como é o caso da Maria Escandalosa de Cláudia Raia, a trama principal era morna e os subplots dispensáveis, sem contar o final decepcionante e constrangedor. Mas a abertura, essa sim, era sensacional, especialmente pela crítica social mordaz. Creio que uma das melhores já produzidas pela Rede Globo. A elite brasileira e o próprio país afundavam na tinta da caneta que assinava um cheque de 9 bilhões de cruzeiros.

1) Renascer

Esta abertura sintetiza em pouco mais de um minuto os sintomas da evolução, da ação do homem sobre a natureza. Tudo começa com uma gota que cai no chão seco, de onde brota uma enorme árvore que, por sua vez, se transforma em um gigantesco edifício que se despedaça, então surge uma fazenda que se racha ao meio. Por último, uma cidade se origina e se dobra – em um efeito que lembra bastante o filme A Origem – para ceder espaço ao logotipo do folhetim. Perfeita escolha musical – Confins de Ivan Lins.

Menção honrosa: O Rei do Gado

Essa não entra no top seven, mas está aqui por motivos puramente  sentimentais. A abertura não tem nada de inovador ou especial, mostrando apenas o gado e campo em planos gerais, peões cavalgando, o nascer do sol, o gado sendo marcado, o Antônio Fagundes posando de Deus do campo, mais gado… Mas além de marcar a minha infância, me faz lembrar do meu pai. Aliada a ao tema musical, então… Me emociona até demais.

Andrizy Bento