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Bons Filmes em Junho (2021)

Fãs de Sailor Moon, uni-vos! Em junho, estreia na Netflix o filme dividido em duas partes, Pretty Guardian Sailor Moon Eternal, dirigido por Chiaki Kon. Ainda no campo das animações, a plataforma lança a produção original America: The Motion Picture de Matt Thompson, um conto revisionista da história da fundação dos Estados Unidos. O suspense Xtremo de Daniel Benmayor é outra das novidades do popular serviço de streaming. A Netflix ainda disponibiliza em seu catálogo um clássico da Sessão da Tarde que marcou a geração de espectadores da década de 1990: Meu Primeiro Amor, dirigido por Howard Zieff e protagonizado pela talentosa duplinha mirim, Anna Chlumsky e Macaulay Culkin.

Dentre os destaques da Amazon Prime Video, estão O Convidado de Michael Winterbottom e, especialmente para os admiradores da cantora Mary J. Blige, o documentário My Life, dirigido por Vanessa Roth.

Disney+ traz a nova animação da Pixar, Luca, além do curta-metragem Nós de Novo, exibido originalmente nas telonas, minutos antes do longa Raya e o Último Dragão, cumprindo uma tradição Disney.

E no Telecine Play entram em cartaz o nacional Talvez Uma História de Amor de Rodrigo Bernardo e Godzilla II: Rei dos Monstros de Michael Dougherty.

Confira abaixo os filmes já disponíveis ou que ainda serão lançados em algumas das principais plataformas de streaming. Lembrando que, para quem não é assinante, existe a possibilidade de alugar ou comprar alguns dos títulos em outros serviços de distribuição digital, como o Google Play.

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Uma Noite em Miami

“This is one strange fucking night!”

Baseado na peça homônima de Kemp Powers, o longa de Regina King é um relato fictício de uma noite transformadora na vida de quatro personalidades lendárias. O que realmente se desenrolou naquele quarto de hotel, em 25 de fevereiro de 1964, apenas os protagonistas desse encontro – Sam Cooke (Leslie Odom Jr), Jim Brown (Aldis Hodge), Malcolm X (Kingsley Ben-Adir) e Cassius Clay (Eli Goree) – saberiam relatar com exatidão, visto que não existem registros da reunião. Mas, partindo do contexto histórico, sócio-político, econômico e cultural da época, bem como das particularidades e características que definem os quatro protagonistas e seus respectivos papéis na sociedade, Uma Noite em Miami imagina quais foram as pautas discutidas naquela informal conversa entre amigos, sem soar forçado, didático ou superficial. Ainda que os eventos tenham sido ficcionalizados, o modo como a trama é conduzida torna a atmosfera crível e natural, fugindo do caráter enfadonho que assombra outros longas adaptados de peças teatrais. Continuar lendo Uma Noite em Miami

Vencedores do Oscar 2021 – In Memoriam

Nomadland foi eleito o Melhor Filme no Oscar 2021

O Oscar em tempos de pandemia se absteve das tradicionais gags. Ainda bem, pois a criatividade tem passado longe dos roteiristas da premiação ano após ano, com piadinhas cada vez mais desgastadas, sem graça e sem criatividade. Mas, acima de tudo, essa foi uma decisão tomada por questão de respeito, afinal estamos em um momento crítico e sombrio. Por mais que a premiação tenha sido presencial, teve de respeitar as normas e orientações de distanciamento social estipuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS); não foi realizada no tradicional Dolby Theatre (embora, também tenha sido um espaço utilizado durante o evento), mas concentrou seus convidados na Union Station, estação de trem desativada localizada em Los Angeles, e ainda contou com outros palcos ao redor do mundo, como na França e em Londres. Desse modo, os diversos nomes que se revezaram para apresentar as categorias e anunciar os vencedores, se restringiram a fazer o serviço de modo breve e direto, sem embromações. O evento foi discreto e sem muita pompa ou glamour; dirigido pelo cineasta Steven Soderbergh que bem poderia concorrer ao Framboesa de Ouro de Pior Direção no ano que vem por esse Oscar que foi o flop dos flops.

Uma série de tomadas de decisões ruins, cerimônia apressada e atropelada (a despeito de suas mais de três horas de duração), com um ar de que foi realizada apenas para cumprir a tabela da temporada. Foi o que definiu a edição deste ano. Seria ressentimento da Academia por conta de tantos longas independentes e egressos de streaming concorrendo aos prêmios ou a melancolia decorrente do período que nos encontramos que fez a organização ser mais comedida (talvez pelo medo de parecer insensível ao realizar uma festa desse nível quando boa parte do mundo ainda está doente e outra se encontra em fase de recuperação)? Quem vai saber?

A realizadora Chloe Zhao foi a segunda mulher a faturar um Oscar de direção em 93 anos de premiação

Em suma, tratou-se de uma cerimônia sem grande emoção. O In Memoriam – momento típico da premiação em que se presta um tributo aos profissionais do cinema que faleceram ao longo do ano anterior – foi muito rápido, desprovido de sentimento e contando com uma trilha sonora equivocada. O próprio Oscar deveria ser incluso na lista, porque, com o perdão do trocadilho (por favor, não me cancelem!), este foi um evento morto.

Atípico, também, entregar o prêmio principal da noite, de Melhor Filme, antes de anunciarem os vencedores de Melhor Atriz e Ator. Outra das decisões estapafúrdias dos realizadores.

Yuh-Jung Youn entregou o melhor discurso da noite

Dentre os pontos positivos, podemos citar o ótimo discurso de Yuh-Jung Youn, vencedora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por Minari, que aproveitou para gracejar com Brad Pitt após ele lhe entregar o prêmio, garantindo o melhor momento da noite; Meu Pai vencendo as categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Ator para Anthony Hopkins (merecidíssimo); Daniel Kaluuya levando a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por Judas e o Messias Negro; o belo e devastador Se Algo Acontecer… Te Amo sendo premiado como o Melhor Curta-Metragem de Animação; e Chloe Zhao arrematando o Oscar de Melhor Direção. Aliás, ela é simplesmente a segunda mulher a vencer a categoria de Direção em 93 anos de premiação.

Quanto às minhas apostas… Foi um dos meus piores anos palpitando. 17 acertos em 23 categorias, sendo três possibilidades certeiras. Um verdadeiro desastre tal qual a cerimônia. Abaixo, você confere os vencedores na ordem em que foram anunciados. Os asteriscos indicam os acertos com relação às minhas apostas.

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Mank

“Não se pode capturar a vida de um homem em duas horas”.

A ideia parecia infalível. Uma revisita aos bastidores da criação do roteiro de um dos filmes mais prestigiados da história, constantemente no topo das listas de melhores longas de todos os tempos: o revolucionário Cidadão Kane, dirigido por Orson Welles. Sabemos que Hollywood adora se ver nas telas e isso é atraente e chamativo para a Academia. Quando se adota um verdadeiro clássico como ponto de partida, reproduzindo na tela todas as intrigas e polêmicas que envolveram sua produção, é inegável que irá despertar o interesse e a curiosidade.

Conduzindo essa história, simplesmente um dos mais talentosos cineastas em atividade: o meticuloso e audaz David Fincher. Para completar, o excelente e premiado Gary Oldman foi o ator escalado para protagonizá-la. Assim, temos a Era de Ouro de Hollywood retratada com todo o deslumbre e as polêmicas que caracterizam essa indústria, com direito a grandes intérpretes dando vida à figuras marcantes da época. Apesar de ambientada no final da década de 1930 e início dos anos 1940, o roteiro enfatiza a influência da mídia nos rumos políticos de um país como os Estados Unidos e o poder avassalador das fake news – tópicos, infelizmente, em constante evidência e discussão ainda na atualidade.

Soma-se a isso o fato de se tratar de uma história que, há muito, o pai do cineasta, Jack Fincher (falecido em 2003) desejava contar, tendo escrito o roteiro ainda na década de 1990 e nunca conseguido a oportunidade de filmá-lo. Portanto, era um projeto bastante pessoal e íntimo, no qual Fincher filho vinha trabalhando cuidadosamente ao longo dos anos. Realizado com um orçamento modesto, de cerca de trinta milhões de dólares, todo em preto e branco e com som mono, Mank finalmente garantiu seu espaço, sendo distribuído pela gigante do streaming, Netflix.

Com todos esses atributos, não havia como a produção falhar, certo? Bem…

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Os 7 de Chicago

O ano passado foi atípico por razões amplamente conhecidas. A pandemia do novo coronavírus resultou, dentre outras coisas, na interrupção de gravações de filmes, séries, telenovelas e outros produtos audiovisuais, em respeito à medida de distanciamento social estabelecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde), para evitar que o vírus se difundisse ainda mais e para garantir a preservação da saúde e bem-estar de profissionais atuantes nessa indústria.  Outra recomendação de combate ao contágio e visando a contenção de uma pandemia de escala global, foi evitar aglomerações, tanto em espaços fechados quanto abertos, proibindo a realização de grandes eventos, como shows e convenções, incluindo, também, fechar temporária e indefinidamente as portas dos cinemas.

Isso explica a quantidade de filmes independentes selecionados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para concorrer ao Oscar (como eu citei no post sobre os indicados) e a visibilidade concedida a um filme como Os 7 de Chicago que, em um ano normal, possivelmente seria vítima das esnobadas da Academia. Não se trata de uma obra mediana, mas também é pouco memorável e dificilmente irá figurar como o filme favorito de alguém. É um drama histórico correto, mas estruturalmente problemático.

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O Som do Silêncio

Da rotina barulhenta dos palcos para um cotidiano de brutal silêncio. Ruben (Riz Ahmed) é baterista em um duo de heavy metal com a namorada, Lou (Olivia Cooke). Ambos moram juntos em um trailer, que é o veículo que os conduz a diferentes cidades dos Estados Unidos, a fim de cumprirem a agenda de shows de sua turnê. A banda não é famosa, portanto, seu público ainda é bastante restrito e alternativo. Em uma dessas ironias cruéis do destino, Ruben perde a audição abruptamente. É óbvio que isso produz um impacto negativo certeiro em sua carreira.  Mas também impacta em outros aspectos de sua vida. É quando o músico parece, enfim, se dar conta da importância dos pequenos sons, ruídos e vibrações do cotidiano, do quão dolorosa é a ausência deles e, mais ainda, se ver repentinamente forçado a conviver com o peso esmagador do silêncio total.  Continuar lendo O Som do Silêncio