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Joias Brutas

Badalado em festivais de cinema ao redor do mundo, como de Toronto e Telluride, e consagrado na edição de 2020 do Spirit Awards – premiação que celebra o cinema independente – a produção dirigida por Josh e Benny Safdie estreou na plataforma de streaming Netflix em janeiro do ano passado, fazendo barulho. Continuar lendo Joias Brutas

Favoritos 2020 – Filmes, Séries e Leituras

Mais um ano que se encerra e, desta vez, não foi fácil pra ninguém. Infelizmente, 2020 termina nos dando aquela sensação de que o ano foi perdido. Lamentamos inúmeras perdas; os diversos óbitos passaram a ser assustadoramente comuns e recorrentes em nosso dia a dia; muitos negócios cerraram as portas; o índice de desemprego é grande e alarmante… Afetou todos nós, em maior ou menor grau. Muitos planos tiveram de ser postergados, sonhos adiados, compromissos cancelados, espaços que frequentávamos agora se encontram tristemente vazios.

Mas creio que nada é mais triste do que ter de assistir de camarote ao descaso, tanto dos nossos governantes quanto da população, diante de um vírus que parou o mundo todo e encerrou vidas precoce e abruptamente. Irresponsabilidade, falta de consciência e empatia, demonstrações corriqueiras de egoísmo. Fomos assaltados de todos os lados pela pandemia em si e por todas as consequências desastrosas decorrentes dela e da falta de humanidade das pessoas. É cruel fazer um balanço desse ano e prefiro pausar por aqui as minhas reflexões acerca deste sombrio 2020 que se despede sem, infelizmente, sinalizar mudanças positivas em 2021. Por enquanto, ficamos aqui à espera da vacina e terminamos um ano com mundo infelizmente doente, não só devido ao COVID-19, mas também por conta da ignorância de muitos.

Obviamente, tivemos poucas estreias cinematográficas. O momento pandêmico fez com que os cinemas fechassem as portas por tempo indeterminado. Tivemos lançamentos via streamings, mas não foram tantos. E a verdade é que foi difícil se concentrar e assistir a um filme diante de toda essa situação. Eu mesma assisti menos filmes do que o habitual e poucas coisas me cativaram de verdade. Não tivemos nada de muito apaixonante. Foi um momento também para esfriar a cabeça e, precisando de um pouco de humor escapista, descobri e redescobri várias coisas durante a quarentena, como as séries Community e The Good Place e, aos 45 do segundo tempo, curti um romance com o hit recente Bridgerton. Retornando ao campo da comédia, revisitei os longas do Monty Python, assisti Brazil de Terry Gilliam e as leituras não ficaram para escanteio: reli The Outsiders: Vidas Sem Rumo de S.E. Hinton – relançado por aqui pela Instrínseca em uma edição maravilhosa para fã nenhum colocar defeito -, e estou empenhada em terminar Duna de Frank Herbert antes da nova adaptação para as telas, a cargo de Denis Villeneuve, entrar em cartaz.

Abaixo, listo os meus favoritos de 2020, nas categorias Filmes, Séries e Leituras.

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Mangá-Documentário: Virgem Depois dos 30

Embora eu seja uma curiosa e entusiasta da cultura japonesa e consuma obras vindas da terra do sol nascente – como mangás, animes, filmes e mais recentemente livros – tenho zero propriedade para falar de aspectos de sua cultura, tem muita coisa que ainda não consegui assimilar. Portanto, não sei como os japoneses abordam a questão dos gatilhos emocionais e como estes funcionam; e nem qual é a verdadeira dimensão do impacto que a falta de contato íntimo tem na população do país. Portanto, tive de confiar na palavra do autor enquanto lia.

Falo dos gatilhos, pois Virgem Depois dos 30 traz um alto teor de violência, tanto gráfica quanto narrativa, tanto física quanto psicológica. Trata-se de uma obra intensa, agressiva, hardcore, destituída de leveza e sutileza. Continuar lendo Mangá-Documentário: Virgem Depois dos 30

Human Nature – Madonna

O videoclipe, talvez, seja a mídia mais propensa a ficar datada. É uma questão de bater o olho no clipe e, de imediato, identificar a época em que foi lançado. Na maior parte das vezes por conta dos modismos que caracterizam essas épocas. Lógico que a música também é um fator denunciante, especialmente aquelas que seguem a tendência rítmica do momento. O estilo musical, os figurinos, a maquiagem, mesmo a situação que o videoclipe retrata entregam a que momento na história ele pertence. Não se trata de um demérito. É exatamente pelo fato de ser datado que, ao assistir a algum videoclipe, transborde dentro de nós aquela bem-vinda sensação de nostalgia. Mas, sim, também há videoclipes atemporais.

E no caso do clipe do mês, a música também não envelheceu.

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The Mandalorian

“Este é o caminho.”

Os aficionados por Star Wars têm viva na memória a lembrança de Boba Fett, personagem introduzido no melhor exemplar cinematográfico da saga até aqui, o lendário O Império Contra-Ataca, e que permaneceu naquela linha tênue entre vilão e anti-herói. O personagem ficou marcado pela característica armadura mandaloriana que utilizava, obtida através de seu “pai”, Jango Fett. Embora não fosse um mandaloriano legítimo, foi com Boba que os fãs de Star Wars tiveram acesso ao estilo de vida do povo de Mandalore. Tratava-se de um grupo de supercomandos de raças variadas, que trajavam armaduras totalmente impessoais e com aptidão acentuada para as funções de mercenários e caçadores de recompensa. E é um destes guerreiros que protagoniza a série criada por Jon Favreau, produzida originalmente para o serviço de streaming Disney + e baseado na space opera de George Lucas.

Embora o Mandaloriano dê nome à produção, as atenções do público têm se desviado constantemente a outro personagem. Continuar lendo The Mandalorian