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Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Conhecido do público brasileiro que consumia as histórias da Marvel na época dos formatinhos como Mestre do Kung Fu, Shang Chi enfim ganhou as telas estrelando um dos mais competentes e bem realizados filmes de origem da Marvel Studios. O personagem criado em 1973, durante a Era de Bronze dos Quadrinhos, por Steve Engleheart e Jim Starlin viveu seu auge naquela década, devido à popularidade desfrutada por filmes e seriados de artes marciais. Por aqui, o herói foi visto estrelando diversas aventuras em publicações hoje extintas como Grandes Heróis Marvel, Superaventuras Marvel e Heróis da TV – que traziam compilações de histórias avulsas mutiladas dos personagens da Casa das Ideias. No entanto, em sua mídia de origem, Shang-Chi foi relegado ao ostracismo. Com a estreia de seu longa, esse cenário muda, fazendo o personagem voltar a figurar no imaginário dos MCU Stans, convertendo-se no primeiro herói asiático da Marvel a protagonizar um filme solo do estúdio. Continuar lendo Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

O Esquadrão Suicida

“Típicos americanos. Mal chegam e já vão atirando”.

A DC é falha na construção de um universo cinematográfico estruturado e compartilhado nas telas, sendo pouco eficiente ao tentar conectar suas tramas devido à falta de unidade entre os filmes que compõem o DCEU (termo não oficial utilizado para se referir ao Universo Estendido DC ou, no original, DC Extended Universe). Em contrapartida, ganha do rival, MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), em estilo e por apostar em abordagens mais autorais em seus longas, distanciando-se do formulaico e da zona de conforto da Marvel Studios. A longeva parceria entre a DC e os estúdios Warner Bros. investe em produtos ousados e se mostra mais disposta a correr riscos que, por vezes, acabam por condenar seus filmes nas bilheterias.

Portanto, ninguém pode dizer que a DC não tenta. Abraçar propostas diferenciadas, ainda que se trate de um negócio arriscado, é louvável. Enquanto as realizações do bem-sucedido MCU são o que chamamos de filmes de produtor ou de estúdio, é visível que os cineastas por trás dos longas-metragens da DC buscam imprimir seu estilo e assinatura nas aventuras que levam às telas protagonizadas pelos heróis da marca. Continuar lendo O Esquadrão Suicida

[Catálogo: Especial] Han Solo: Uma História Star Wars

O sucesso estrondoso e sempre crescente de Star Wars permitiu que a grife se expandisse para além das telonas, tornando-se uma franquia extremamente lucrativa, que inclui além dos filmes, histórias em quadrinhos, obras literárias, séries animadas e em live-action, jogos de videogame e outros produtos licenciados. O fã que segue o culto Star Wars religiosamente, corre atrás de todo e qualquer produto que carregue a marca no nome e conhece cada planeta, cada personagem secundário, cada figurante, cada linha dos livros e cada diálogo dos filmes e séries de cor e salteado. Há muito na rica mitologia idealizada por George Lucas a ser explorado, então existe fundamento em criar novas narrativas que resultam em spin-offs sem parecer que se trata de puro caça-níquel. Especialmente após o domínio do MCU nos cinemas, tornou-se comum produzir filmes focados em personagens menores, desconhecidos do grande público, anti-heróis, vilões… Convém lembrar que o pontapé inicial do MCU nas telonas foi com um personagem, na época, considerado menor, o Homem de Ferro

E considerando que a história dos Skywalker, que constitui o plot central da franquia, não precisa ser a única a ser contada nas telonas, por que não fazer filmes centrados nos demais personagens? Após a recepção positiva do ótimo Rogue One, que se passa pouco antes dos acontecimentos de Uma Nova Esperança, a Lucasfilm resolveu investir em outro misto de spin-off com prequel. Um longa protagonizado por um dos personagens mais queridos e carismáticos da trilogia original: o anti-herói Han Solo.

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[Catálogo: Especial] Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith

Image from Darth Sunflower

“É assim que a liberdade morre. Com um estrondoso aplauso…”

Esse é um dos quotes mais brilhantes desse que pode ser considerado o melhor filme da trilogia prequel, que narra a origem de Anakin Skywalker (Hayden Christensen), sua conversão para o lado sombrio e o início de sua ascensão como Darth Vader. O que não quer dizer muito, uma vez que os dois capítulos que o precedem são não apenas irregulares, como bastante deficientes. O que mais fica evidente ao chegar a esse encerramento dirigido por George Lucas é que, dentre tantos deméritos, os três filmes que compõem o prelúdio sofrem de uma falta de unidade aparente.

Enquanto o primeiro filme carregava a tônica de fantasia infantil, com uma criança fofa como protagonista e um coadjuvante atrapalhado concebido digitalmente – criado para ser um chamariz para os pequenos, mas que acabou se tornando um fiasco odiado por todos -; o segundo já traz uma vibe de história de amor espacial, permeada por demasiadas assembleias e reuniões do conselho Jedi, enquanto procura desesperadamente dar alguma substância para sua trama e falha miseravelmente quando, porventura, se lembra de que Star Wars é também um épico de ação e ficção científica. A Vingança dos Sith, por sua vez, é uma fantasia sombria, com tonalidades cinzentas, distante das cores saturadas do primeiro longa da trilogia e com contornos políticos mais acentuados do que o segundo. Continuar lendo [Catálogo: Especial] Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith

[Catálogo: Especial] Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones

O romance é o foco do segundo longa que compõe a trilogia prelúdio de Star Wars. Por si só, isso nem seria um demérito, não fosse o fato de que George Lucas é falho na direção de atores e não sabe escrever bons diálogos. Era possível se concentrar na história de amor entre Anakin Skywalker e Padmé Amidala (uma vez que a linhagem do casal é uma das principais fundações que sustentam a estrutura de Star Wars), tendo a ação como plano de fundo e, ainda assim, construir uma boa história.

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[Catálogo: Especial] Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma

E tem início a lenda e o conflito…

É até amadorismo começar uma história do começo. George Lucas, ainda que não conscientemente, iniciou sua história do meio, em 1977, para somente anos mais tarde contar o começo de tudo.

Foi durante a produção do texto de O Império Contra-Ataca que Lucas teve um insight e começou a trabalhar em uma história de fundo para Star Wars, especialmente após revelar que Darth Vader (David Prowse) era, na verdade, o pai de Luke Skywalker (Mark Hamill), um outrora cavaleiro Jedi que atendia pelo nome de Anakin e, segundo uma antiga profecia, deveria trazer o equilíbrio à Força. Porém, acabou por trair a ordem dos Cavaleiros Jedi ao se associar ao senador Palpatine (Ian McDiarmid) que, lá pelas tantas, revelou ser um Lord Sith.

Lucas acreditou que todo esse contexto cabia melhor em uma nova trilogia. No episódio final da série clássica de filmes, O Retorno de Jedi, Vader alcança a redenção ao salvar seu filho Luke da morte iminente pelas mãos de Palpatine e acaba morrendo nos braços de seu herdeiro. Vader já era um vilão popular pela sua indumentária característica e sua entonação amedrontadora. Sua redenção só fez despertar alguma simpatia por ele junto ao público. Um prato cheio para que o emblemático antagonista estrelasse sua própria trilogia de filmes, contando sua origem. Continuar lendo [Catálogo: Especial] Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma