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O Fantástico Jaspion

Neste ano de 2020, o Japão vai ocupar a maior parte do meu tempo por aqui. Até porque a Terra do Sol Nascente iria, para todos os efeitos, sediar a 32ª edição dos Jogos Olímpicos de Verão em sua capital: Tóquio. No entanto, de modo consciente, o evento precisou ser adiado para o ano que vem, tendo em vista a pandemia do novo coronavírus

Vou começar cumprindo a promessa que fiz no artigo TOKUSATSUS!, falando do japonês número um dos brasileiros. Trata-se de O Fantástico Jaspion que, neste mês, completa 35 anos de sua estréia oficial. Continuar lendo O Fantástico Jaspion

I Am Not Okay With This

Nestes tempos sombrios de coronavírus, esse título vem bem a calhar, não é mesmo?

Whateva…

Apesar de abordagens completamente distintas, a unidade em comum entre Love, Simon, 13 Reasons Why e Stranger Things, é o fato de se tratarem de produções adolescentes atuais, mas com uma pegada nostálgica. É como se essa geração atual, de jovens pertencentes a um cenário hiperconectado, sentisse saudade de um passado que não viveu – de virar o disco na vitrola, rebobinar o VHS, torcer para a música “caber” enquanto faz uma gravação em fita K7 diretamente do rádio… É uma geração que tem tudo ao seu alcance – literalmente a um clique de seus dedos – mas que curte mesmo coisas antigas, vintage e não tão fáceis ou práticas como o touchscreen de um smartphone. A nostalgia tornou-se tendência de comportamento entre o pessoal da geração Z.

Parece normal que os jovens da atualidade incorporem elementos de outras décadas à sua cultura e cotidiano. Tem quem diga que é porque os anos 1980 tinham um quê de inocência, de mais experimentalismo e os 1990 uma alegria contagiante e uma perspectiva de um mundo globalizado tão diferente do atual culto aos nacionalismos que soam como verdadeiro retrocesso. Estudiosos e pesquisadores apontam os atentados ao World Trade Center, em setembro de 2001, como o fim do sonho, a ruptura, o plot twist que destruiu completamente a positividade e a ilusão de união mundial por meio da globalização.

Antes que vocês se perguntem, eu não estou filosofando à toa. Afinal, essa nostalgia e saudade do que não se viveu presentes na geração Z é justamente a vibe e o mote de I Am Not Okay With This. Continuar lendo I Am Not Okay With This

Y – O Último Homem

Neste momento alarmante de pandemia, em que o número de casos de infecções provocadas pelo coronavírus aumenta exponencialmente a cada dia, a cada hora, temos de fazer nossa parte e sermos conscientes, de forma a evitar que o vírus se alastre ainda mais. Lembrem-se: tudo o que fizermos agora, como forma de prevenção, parecerá a muitos algo exagerado e excessivo. Tudo o que fizermos depois, como forma de reparo, será pouco e insuficiente.

Para quem tem a oportunidade de trabalhar home office, fique em casa e cuide dos seus – especialmente daquelas pessoas da família que pertencem aos grupos de risco, tais quais idosos, diabéticos, hipertensos e pessoas com problemas respiratórios. A recomendação é sair de casa apenas quando for explicitamente necessário, como ir à farmácia ou ao supermercado. Para aqueles como nós, da staff do site, que ainda precisamos nos deslocar até o trabalho, resta redobrar os cuidados e a atenção, não ser negligente com relação à higiene, lavar bem as mãos, cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, se alimentar direito, manter distância social de pelo menos dois metros dos coleguinhas, não compartilhar objetos pessoais, evitar aglomerações, espaços fechados e manter os ambientes bem ventilados.

Ah, e lembrem-se de não estocar álcool em gel e nem alimentos em casa. Não há necessidade.

A cultura pop, por meio de livros, filmes e séries de ficção, já vem nos alertando sobre as possibilidades e os riscos de um apocalipse há séculos. Para quem está em casa, de quarentena, uma ótima alternativa é ler livros, HQs ou assistir filmes e séries distópicas…

Sério, Andrizy? Você acha mesmo que é o momento ideal para isso?

Bem, podemos aprender muito com os personagens que simbolizam a resistência e a sobrevivência em cenários caóticos e apocalípticos. Posso garantir que os personagens da brilhante Y: O Último Homem me ensinaram muitas coisas.

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Spinning Out

A série prometia ser a próxima sensação da Netflix. Mas acabou cancelada devido à recepção aquém do esperado. A produção foi vítima da implementação de um novo sistema de avaliação mensal adotado pela plataforma de streaming. A renovação ou não de uma série original da Netflix depende do número de visualizações, perspectiva de premiações e dos custos relacionados à produção. Mediante a novidade, é fácil concluir que a trama sobre patinação artística no gelo, protagonizada pela atriz anglo brasileira e low profile, Kaya Scodelario, não obteve um retorno expressivo. Mas e aí? Ainda assim vale a pena conferir a primeira e, até onde sabemos, última temporada de Spinning Out?

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Big Bang (1989) – Os Paralamas do Sucesso

Os Paralamas Do Sucesso - Big Bang (1989)

Data de Lançamento: 20 de novembro de 1989
Duração: 35:22
Faixa: 13 faixas
Estilo: Pop Rock, Reggae, Regional, Ska, New Wave
Produção: Carlos Savalla e Paralamas
Gravadora: EMI

Lado A
Perplexo
Dos Restos
Pólvora
Nebulosa do Amor
Vulcão Dub
Se Você Me Quer
Rabicho do Cachorro Rabugento

Lado B
Esqueça o Que Te Disseram Sobre o Amor (Vai Ser Diferente)
Lanterna dos Afogados
Bang Bang
Lá em Algum Lugar
Jubiabá
Cachorro na Feira

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Vencedores do Oscar 2020 – Era Uma Vez em Hollywood… Um Parasita

Era Uma Vez em Hollywood… um Parasita. No ápice de uma cerimônia cuja entrega dos prêmios foi, em sua quase totalidade, óbvia e previsível, um longa sul-coreano venceu o prêmio de Direção e, depois, o principal de Melhor Filme. O que as demais categorias ficaram devendo no quesito surpresa, o final da festa nos proporcionou. E isso quando muitos de nós já nos encontrávamos desacreditados, especialmente após a decepção do ano passado, com a vitória do Livro Verde.

Sejamos francos: há tempos não era tão divertido assistir à uma cerimônia do Oscar.

E não falo apenas do fato de Parasita ser o primeiro filme não falado em língua inglesa a ganhar a estatueta de Melhor Filme. Nem do quão emblemático foi a equipe do longa receber o prêmio das mãos da engajada Jane Fonda (e o medo de que um policial aparecesse do nada para prendê-la em pleno palco do Dolby Theatre?). Nem dos memes maravilhosos com a soneca do Martin Scorsese durante uma despropositada e aleatória performance de Lose Yourself do Eminem – na certa redimindo-se após não comparecer a cerimônia de 2003 (!) para receber o Oscar de Melhor Canção Original.

Nem do fato da vitória de Parasita ser até mesmo metafórica – como no enredo do longa de Bong Joon Hoo, o Parasita sul-coreano adentrou o lar e a festa do cinema americano (porque, sim, Oscar celebra majoritariamente o cinema que é produzido em Hollywood), um lugar em que produções estrangeiras tem pouco ou nenhum espaço, e arrematou quatro dos prêmios mais cobiçados da noite. De modo sorrateiro, foi conquistando seu lugar graças a muita propaganda boca a boca pelo mundo afora e invadiu um território essencialmente americano e conservador, eliminando seus concorrentes um a um e deixando um confiante Sam Mendes a ver navios (seu Titanic naufragou… E ele nem tem mais Kate Winslet para consolá-lo).

Mas, ao contrário da maneira agressiva e parasitária com a qual agem seus protagonistas, o cineasta chegou na humildade. E em seu discurso de agradecimento pela vitória na categoria de Melhor Diretor, exaltou seus rivais. O quão emblemático é receber o prêmio de direção das mãos do lendário Spike Lee e fazer a plateia levantar da cadeira para aplaudir o monstro sagrado do cinema que é Martin Scorsese? Ou mencionar o fato de que Quentin Tarantino, também seu concorrente, sempre fez questão de incluir filmes assinados por ele em suas listas de melhores do ano, o reverenciando como um de seus ídolos? É muita classe…

 

O fato é que o Oscar de 2020 foi, na maior parte das categorias, justo ao eleger seus vencedores (ainda que previsível). E a cerimônia em si foi uma delícia de se assistir, mesmo com algumas aleatoriedades, como a já citada apresentação de Eminem…

Claro que ainda incomoda ouvirmos palavras como “diversidade”, “inclusão”, “representatividade feminina” serem proferidas à exaustão em vários discursos e vermos tantas mulheres e negros no palco, e nenhuma mulher figurar na categoria de direção, ou pior: apenas uma única negra receber indicação este ano.

Eu subestimei a Academia nas minhas apostas, mas a verdade é que há sinais de mudanças aqui e ali. Percebemos uma boa vontade maior este ano – de se mostrar inclusiva, engajada e moderna não apenas na embalagem, mas em seu conteúdo. E muito disso se deve ao Parasita. Longa que fez história na noite de 9 de fevereiro. Acima de qualquer coisa, a conquista de Parasita mostra que existe cinema fora de Hollywood. Algo que muitos de nós já sabíamos, mas que os votantes da Academia preferiam ignorar, fingiam desconhecer.

Espero, no entanto, que isso não acabe por aqui. Que não tenha sido uma exceção à regra. Que o longa de Bong Joon Hoo tenha aberto, de fato, um precedente e as portas para outros filmes estrangeiros invadirem o Oscar futuramente.

Quanto às minhas previsões: nunca fiquei tão feliz por estar errada. Das 24 categorias, acertei 21. Errei apenas em Edição de Som, Direção e Filme 🙂 confira abaixo todos os vencedores da 92ª edição do Oscar na ordem em que foram anunciados:

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