Arquivo da categoria: Resenhas

Rocketman

Eu espero que vocês não se importem que eu expresse em palavras o quão decepcionante foi, para mim, assistir a essa cinebiografia do renomado músico Elton John. O longa inspirado na vida e obra  do prodigioso, porém, introspectivo pianista Reginald Dwight (nome de batismo do lendário artista) foi feito à imagem e semelhança de seu biografado. Isso está longe de desaboná-lo, mas também não pode ser apontado exatamente como seu principal mérito.

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Parasita

“É por isso que as pessoas não deveriam fazer planos. Sem plano, nada pode dar errado. E se algo sair do controle, não importa”.

Drama sul-coreano, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2019, Parasita é brilhante, surpreendente e um verdadeiro soco no estômago. O título do longa não poderia ser mais oportuno. É como parasitas que uma família, cujos membros estão todos desempregados, se infiltra na rica e abastada mansão do clã Park, lançando mão de sua sagacidade, ardis e de um impressionante dom para a vigarice. Mas, ao abordar os vínculos de dependência e dominação e a total ausência de gratidão da família Park por aqueles que os servem, o diretor Bong Joon-ho propõe um questionamento: quem são os verdadeiros parasitas nessa história? Continuar lendo Parasita

Tina: Respeito

Dentre os coadjuvantes da Turma da Mônica, Tina sempre foi a minha favorita – ao lado de Penadinho. Via a personagem como um ótimo exemplo para as jovens garotas. Eu não conheci a Tina hippie da década de 1960, época de sua criação. A que eu costumava ler durante a infância e pré-adolescência era aquela universitária independente, forte, determinada, inteligente, super parceira para seus amigos –  os também clássicos Pipa e Rolo – e de notável personalidade.

E por isso mesmo, fiquei tão feliz e satisfeita ao ler a graphic novel Tina: Respeito da talentosa quadrinista Fefê Torquato, pois a personagem que sempre admirei mantém os traços que a tornaram tão cativante para mim, porém, em uma história mais adulta, que trata de um tema delicado e espinhoso, mas de maneira sutil e muito bem elaborada. Continuar lendo Tina: Respeito

O Conto da Aia (Graphic Novel)

A primeira vez em que ouvi falar de The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia em português), pensei se tratar de uma trama de época. Qual não foi minha surpresa quando descobri que a narrativa de Margaret Atwood era situada em um futuro distópico? Fico ainda mais assustada ao ler determinadas notícias (um exemplo é a resolução do Conselho Federal de Medicina, autorizando médicos a realizar procedimentos invasivos e altamente dolorosos em gestantes, mesmo contra a vontade delas, tirando o direito das mulheres de recusá-los) e perceber que a realidade retratada em O Conto da Aia pode estar mais próxima de nós do que imaginamos. Talvez por isso mesmo tenha me passado pela cabeça se tratar de uma trama de época. O universo apresentado na obra é tão retrógrado e medieval e aquelas práticas narradas parecem pertencer a um passado sombrio, quando mulheres não tinham voz e nem poder de decisão sobre suas vidas e seus corpos. Continuar lendo O Conto da Aia (Graphic Novel)

Ad Astra

É ao mesmo tempo curioso, interessante e sintomático como o cinema acostumou a transformar a exploração espacial em narrativas intimistas que se propõem a mergulhar no universo particular do indivíduo. Assim, a vastidão do espaço parece servir como metáfora ou alegoria, não apenas como plano de fundo, para um profundo estudo do íntimo do ser humano. O final do apoteótico 2001: Uma Odisséia no Espaço, seminal obra de Stanley Kubrick, atesta isso. O mesmo com o belo Gravidade de Alfonso Cuarón e o recente e experimental High Life de Claire Denis. O mote deste Ad Astra de James Gray é o relacionamento entre pai e filho. Desse modo, o cineasta traça um paralelo entre a jornada pelas profundezas do espaço com a jornada pessoal do protagonista em busca de autoconhecimento. Continuar lendo Ad Astra

Nós – David Nicholls

Acompanhar o crescimento da intimidade entre um casal é a melhor maneira de “desromantizar” um relacionamento. Nós é um livro sobre términos e descobertas. Sobre encerramentos e novos começos. O autor David Nicholls analisa o relacionamento a partir de uma perspectiva realista. Mostra como um casamento aparentemente feliz e bem-sucedido entre duas pessoas totalmente distintas, mas que parecem se completar em suas diferenças, pode vir a desmoronar. Continuar lendo Nós – David Nicholls