Arquivo da categoria: Resenhas

True Detective – 3ª Temporada

As séries sempre tiveram nichos a determinar as suas feições, ou melhor: o seu público ideal. As produções da CW, em sua grande maioria, investem em tramas adolescentes recheadas de triângulos amorosos. As séries produzidas pela CBS, geralmente, tratam-se de narrativas policiais e todas as suas possíveis ramificações. Já as séries da HBO não são destinadas a nichos específicos, mas primam sempre pela extrema qualidade, visual e texto rebuscados e alguns críticos as apontam como o biscoito fino da televisão. A emissora não aposta em uma receita como as demais. Só para citar algumas pérolas, A HBO já produziu Família Soprano, Band of Brothers e a aclamada Game of Thrones, que dispensam mais apresentações. Entretanto, o canal tem algumas nódoas em sua carreira como a segunda temporada de True Detective.

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Capitã Marvel

A cena pós-créditos de Vingadores: Guerra Infinita, em que Nick Fury (Samuel L. Jackson), no auge do desespero e vendo todos virarem cinzas à sua volta, saca do bolso um anacrônico pager para enviar um pedido de socorro à Capitã Marvel, suscitou um amplo debate e fez emergir inúmeras teorias pela internet afora. Uma das mais populares era a de que Fury estava contatando a Capitã no passado. Daí a necessidade de um artefato tão datado como um pager. A teoria ganhou ainda mais força quando o estúdio revelou que o filme da Capitã seria ambientado na década de 1990. Depois de uma longa espera e diversas expectativas que cercaram a produção, enfim, o filme centrado nas aventuras de Carol Danvers (Brie Larson) chegou às telas em uma data que não poderia ser mais propícia: o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

E derrubando todas as conjecturas dos fãs por terra.

Pois, assim como Homem-Formiga e a Vespa, o filme apenas se conecta com Guerra Infinita e Ultimato através de sua cena pós-créditos. E a mensagem enviada por Nick Fury, solicitando ajuda, não passou de um longshot. Continuar lendo Capitã Marvel

Infiltrado na Klan

Como um legítimo exemplar de Spike Lee, Infiltrado na Klan é visceral e furioso, mas composto de planos elegantes e filmado de maneira discreta. Trata-se de uma comédia política e de um suspense policial. É um drama biográfico, mas que retrata uma situação absurda até mesmo para os padrões ficcionais hollywoodianos. É de uma importância social inegável, porém, foge com sabedoria do discurso panfletário. Denuncia o radicalismo de uma organização, mas não se rende ao maniqueísmo. Situa-se no fim da década de 1970, no entanto, soa urgente e atual, pois é impossível não traçar paralelos com a realidade que nos cerca. O texto é munido de contrastes e de um tom de ironia intencionais, exatamente por conta do quão surreal é sua premissa: um policial negro que conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan. O genial Spike Lee assina um longa brilhante e necessário ainda hoje. Continuar lendo Infiltrado na Klan

Nasce Uma Estrela

Após ser indicado três vezes consecutivas ao Oscar por suas performances nos longas O Lado Bom da Vida, Trapaça e Sniper Americano – nas categorias de melhor ator e ator coadjuvante – Bradley Cooper fez sua estreia como cineasta com o 4º remake de Nasce Uma Estrela e viu sua chance de concorrer à categoria de direção no tradicional prêmio entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, cada vez mais próxima de se concretizar. Não aconteceu, mas, por outro lado, Cooper foi indicado novamente por seu desempenho como o protagonista de Nasce Uma Estrela. Nada mal para o ator que ganhou projeção com a despretensiosa comédia Se Beber, Não Case – um fenômeno inesperado de bilheteria que gerou duas sequências desnecessárias. Cooper, embora não tenha saído vitorioso em nenhuma cerimônia do Oscar até agora, parece ter se tornado uma espécie de figurinha tarimbada da Academia. No entanto, é intrigante que o ator tenha escolhido justamente uma história que já foi contada e recontada diversas vezes no cinema para inaugurar sua carreira como diretor. Ainda mais por ser uma narrativa de teor tão trágico e previsível. Continuar lendo Nasce Uma Estrela

Vice

Um filme sobre Dick Cheney, mas que é anti-Dick Cheney.

A cota de cinebiografias de personagens históricos e/ou políticos – que exigem de seu ator principal uma transformação admirável e uma mimese acurada – do Oscar deste ano foi preenchida com Vice. Mas não espere algo do teor de um Lincoln de Steven Spielberg ou de O Destino de Uma Nação de Joe Wright. Isto porque o nome que figura nos créditos de direção é o de Adam McKay e isso já diz muito. Continuar lendo Vice

Roma

O talento do cineasta mexicano Alfonso Cuarón já foi comprovado em inúmeras obras díspares entre si – no belo A Princesinha (1995); no realista E Sua Mãe Também (2001); no ótimo terceiro capítulo da franquia Harry PotterO Prisioneiro de Azkaban (2004); e no colossal Gravidade (2013) – demonstrando também sua versatilidade e, sobretudo, criatividade na condução de seus longas. Roma, no entanto, se trata de um projeto mais pessoal, diferente de tudo o que o realizador já apresentou anteriormente. A produção original da plataforma de streaming Netflix, e baseado em memórias da infância do próprio diretor na Cidade do México, leva sua assinatura em cada um de seus frames e, ainda, em cada etapa da produção do longa. Cuarón não apenas dirigiu e roteirizou, como produziu, co-editou e cinematografou Roma.

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