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Vingadores: Ultimato

O fim de uma era… (este texto contém spoilers)

“Avengers Assemble!” – Steve Rogers

Após o estalar de dedos de Thanos (Josh Brolin) que dizimou metade da vida no universo e conferiu um final trágico e melancólico para Vingadores: Guerra Infinita (2018), muito se especulou acerca de como a catástrofe seria abordada em Vingadores: Ultimato e, o mais importante, se seria possível revertê-la. O filme vinha cercado de inúmeras expectativas desde antes mesmo de possuir um trailer. E o burburinho aumentava conforme o material promocional era divulgado. Comum quando se trata de qualquer fenômeno pop.

Portanto, é interessante notar como todas as teorias que circularam pela internet e foram temas de vídeos intermináveis no youtube e posts eloquentes no reddit e outras mídias sociais, não chegaram nem próximas de se concretizar. O fato de o filme da Capitã Marvel (2019) ser situado na década de 1990, por exemplo, dando a ideia de que seria ela a alterar o passado de modo a consertar o futuro, foi uma das primeiras conjecturas derrubadas assim que o filme solo da heroína entrou em cartaz. Presença de Adam Warlock, figura emblemática dos quadrinhos? Existência de universos paralelos que separavam o grupo de sobreviventes dos dizimados? Nem pensar. Ainda que viagem no tempo e o Reino Quântico introduzido em Homem-Formiga (2015) sejam realmente de vital importância para a história – bem como os fãs haviam teorizado – a maneira como estes elementos são empregados, nós nem havíamos chegado a cogitar.

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Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy

A Netflix investe fortemente na linha de documentários e uma de suas últimas aquisições para o catálogo foi a série documental Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy. Para quem não quem conhece a figura, ele é um dos maiores estupradores e assassinos seriais que aterrorizaram os anos 1970, nos Estados Unidos. Bundy era cheio de peculiaridades. Branco, bonito e estudante de Direito. Mantinha um emprego voluntário em uma ONG, prestando apoio emocional a pessoas deprimidas. Tinha como principal arma o seu próprio charme. Seduziu e matou uma quantidade expressiva de mulheres – jamais se chegou a um número definido de assassinatos praticados por ele. Continuar lendo Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy

True Detective – 3ª Temporada

As séries sempre tiveram nichos a determinar as suas feições, ou melhor: o seu público ideal. As produções da CW, em sua grande maioria, investem em tramas adolescentes recheadas de triângulos amorosos. As séries produzidas pela CBS, geralmente, tratam-se de narrativas policiais e todas as suas possíveis ramificações. Já as séries da HBO não são destinadas a nichos específicos, mas primam sempre pela extrema qualidade, visual e texto rebuscados e alguns críticos as apontam como o biscoito fino da televisão. A emissora não aposta em uma receita como as demais. Só para citar algumas pérolas, A HBO já produziu Família Soprano, Band of Brothers e a aclamada Game of Thrones, que dispensam mais apresentações. Entretanto, o canal tem algumas nódoas em sua carreira como a segunda temporada de True Detective.

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Capitã Marvel

A cena pós-créditos de Vingadores: Guerra Infinita, em que Nick Fury (Samuel L. Jackson), no auge do desespero e vendo todos virarem cinzas à sua volta, saca do bolso um anacrônico pager para enviar um pedido de socorro à Capitã Marvel, suscitou um amplo debate e fez emergir inúmeras teorias pela internet afora. Uma das mais populares era a de que Fury estava contatando a Capitã no passado. Daí a necessidade de um artefato tão datado como um pager. A teoria ganhou ainda mais força quando o estúdio revelou que o filme da Capitã seria ambientado na década de 1990. Depois de uma longa espera e diversas expectativas que cercaram a produção, enfim, o filme centrado nas aventuras de Carol Danvers (Brie Larson) chegou às telas em uma data que não poderia ser mais propícia: o Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

E derrubando todas as conjecturas dos fãs por terra.

Pois, assim como Homem-Formiga e a Vespa, o filme apenas se conecta com Guerra Infinita e Ultimato através de sua cena pós-créditos. E a mensagem enviada por Nick Fury, solicitando ajuda, não passou de um longshot. Continuar lendo Capitã Marvel

Infiltrado na Klan

Como um legítimo exemplar de Spike Lee, Infiltrado na Klan é visceral e furioso, mas composto de planos elegantes e filmado de maneira discreta. Trata-se de uma comédia política e de um suspense policial. É um drama biográfico, mas que retrata uma situação absurda até mesmo para os padrões ficcionais hollywoodianos. É de uma importância social inegável, porém, foge com sabedoria do discurso panfletário. Denuncia o radicalismo de uma organização, mas não se rende ao maniqueísmo. Situa-se no fim da década de 1970, no entanto, soa urgente e atual, pois é impossível não traçar paralelos com a realidade que nos cerca. O texto é munido de contrastes e de um tom de ironia intencionais, exatamente por conta do quão surreal é sua premissa: um policial negro que conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan. O genial Spike Lee assina um longa brilhante e necessário ainda hoje. Continuar lendo Infiltrado na Klan