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A Menina Que Matou Os Pais / O Menino Que Matou Meus Pais

Lembro-me da notícia como se fosse hoje. E nem falo por conta do tempo que passou voando, mas pelo fato de que a mídia cobriu o caso à exaustão. Em uma época em que grande parte da população brasileira (inclusive eu) não tinha acesso à internet, e se informava exclusivamente pelos meios tradicionais como televisão, jornais e revistas, era muito comum ligar a televisão em qualquer emissora e o crime ser a pauta, mesmo semanas e meses após o ocorrido. Igualmente comum era passar por uma banca de jornais e ver o caso estampando a capa e primeira página de todos os periódicos.

Com a quantidade de informação que consumi e absorvi até meio sem querer naquela época a respeito do crime, confesso que nem me espantei que, ao ver os filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais, dirigidos por Maurício Eça e disponíveis no catálogo da Amazon Prime Video desde o dia 24 de setembro deste ano, os detalhes ainda estivessem tão vivos e parecessem até mesmo frescos em minha memória.

Para recriar e dramatizar os eventos na tela, foram utilizados como base os depoimentos reais de Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos, a mandante e um dos executores do crime. O roteiro do longa, escrito a quatro mãos, é assinado pela criminóloga Ilana Casoy, autora de livros sobre crimes que ficaram famosos no Brasil, dentre eles Quinto Mandamento – Caso de Polícia, que aborda justamente o assassinato do casal Richthofen; e pelo escritor de literatura policial Raphael Montes, que também já colaborou com roteiros de produções televisivas, como séries e novelas. 

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Notas Sobre o Luto – Chimamanda Ngozi Adichie

Tornou-se assustadoramente comum abrirmos o facebook e nos depararmos com notas de luto nestes tempos de pandemia. Portanto, o novo livro de Chimamanda Ngozi Adichie, Notas Sobre o Luto, surge no momento ideal. A escritora nigeriana traduziu a experiência e o sentimento de maneira precisa e poderosa.

Foi por meio de uma chamada de zoom, durante o início do lockdown no ano passado, que a escritora recebeu a notícia de que seu pai havia falecido. Chimamanda recebeu a notícia como muitos de nós receberíamos a notícia da perda de um ente querido: primeiro com descrédito, depois sentiu revolta, entrou em desespero e, por fim, sentiu-se devastada, aos pedaços. Lidar com luto nunca foi fácil, falo por experiência própria. Já lidei algumas vezes com isso nos últimos anos. Porém, nestes tempos em que vivemos, a dor parece ainda mais insuportável diante da certeza de que aqueles responsáveis por gerenciar crises estivessem lidando com o problema de maneira mais responsável, não estaríamos passando por todas essas perdas. 

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Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Conhecido do público brasileiro que consumia as histórias da Marvel na época dos formatinhos como Mestre do Kung Fu, Shang Chi enfim ganhou as telas estrelando um dos mais competentes e bem realizados filmes de origem da Marvel Studios. O personagem criado em 1973, durante a Era de Bronze dos Quadrinhos, por Steve Engleheart e Jim Starlin viveu seu auge naquela década, devido à popularidade desfrutada por filmes e seriados de artes marciais. Por aqui, o herói foi visto estrelando diversas aventuras em publicações hoje extintas como Grandes Heróis Marvel, Superaventuras Marvel e Heróis da TV – que traziam compilações de histórias avulsas mutiladas dos personagens da Casa das Ideias. No entanto, em sua mídia de origem, Shang-Chi foi relegado ao ostracismo. Com a estreia de seu longa, esse cenário muda, fazendo o personagem voltar a figurar no imaginário dos MCU Stans, convertendo-se no primeiro herói asiático da Marvel a protagonizar um filme solo do estúdio. Continuar lendo Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

O Esquadrão Suicida

“Típicos americanos. Mal chegam e já vão atirando”.

A DC é falha na construção de um universo cinematográfico estruturado e compartilhado nas telas, sendo pouco eficiente ao tentar conectar suas tramas devido à falta de unidade entre os filmes que compõem o DCEU (termo não oficial utilizado para se referir ao Universo Estendido DC ou, no original, DC Extended Universe). Em contrapartida, ganha do rival, MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), em estilo e por apostar em abordagens mais autorais em seus longas, distanciando-se do formulaico e da zona de conforto da Marvel Studios. A longeva parceria entre a DC e os estúdios Warner Bros. investe em produtos ousados e se mostra mais disposta a correr riscos que, por vezes, acabam por condenar seus filmes nas bilheterias.

Portanto, ninguém pode dizer que a DC não tenta. Abraçar propostas diferenciadas, ainda que se trate de um negócio arriscado, é louvável. Enquanto as realizações do bem-sucedido MCU são o que chamamos de filmes de produtor ou de estúdio, é visível que os cineastas por trás dos longas-metragens da DC buscam imprimir seu estilo e assinatura nas aventuras que levam às telas protagonizadas pelos heróis da marca. Continuar lendo O Esquadrão Suicida

[Catálogo: Especial] Han Solo: Uma História Star Wars

O sucesso estrondoso e sempre crescente de Star Wars permitiu que a grife se expandisse para além das telonas, tornando-se uma franquia extremamente lucrativa, que inclui além dos filmes, histórias em quadrinhos, obras literárias, séries animadas e em live-action, jogos de videogame e outros produtos licenciados. O fã que segue o culto Star Wars religiosamente, corre atrás de todo e qualquer produto que carregue a marca no nome e conhece cada planeta, cada personagem secundário, cada figurante, cada linha dos livros e cada diálogo dos filmes e séries de cor e salteado. Há muito na rica mitologia idealizada por George Lucas a ser explorado, então existe fundamento em criar novas narrativas que resultam em spin-offs sem parecer que se trata de puro caça-níquel. Especialmente após o domínio do MCU nos cinemas, tornou-se comum produzir filmes focados em personagens menores, desconhecidos do grande público, anti-heróis, vilões… Convém lembrar que o pontapé inicial do MCU nas telonas foi com um personagem, na época, considerado menor, o Homem de Ferro

E considerando que a história dos Skywalker, que constitui o plot central da franquia, não precisa ser a única a ser contada nas telonas, por que não fazer filmes centrados nos demais personagens? Após a recepção positiva do ótimo Rogue One, que se passa pouco antes dos acontecimentos de Uma Nova Esperança, a Lucasfilm resolveu investir em outro misto de spin-off com prequel. Um longa protagonizado por um dos personagens mais queridos e carismáticos da trilogia original: o anti-herói Han Solo.

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