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[O que ver na quarentena] Fleabag

A protagonista de Fleabag não tem nome. 

Ela atende por essa alcunha de Fleabag que significa literalmente “saco de pulgas”, mas pode ainda ser adaptado para algo como “vira-lata”, como se ela estivesse sempre por aí, pelas ruas sujas da cidade, sendo jogada pra lá e pra cá, sem raízes, sem afeto. Por não ter um nome e carregar um apelido tão desagradável, a personagem defendida (brilhantemente, diga-se de passagem) por Phoebe Waller-Bridge (também criadora e roteirista da série), converte-se em um símbolo, bem como os outros personagens sem nomes, tais quais o pai interpretado por Bill Paterson e a madrasta, vivida pela genial Olivia Colman. E o fato de quebrar a quarta parede desde a primeira cena, olhando diretamente para a câmera e dialogando com o espectador, torna mais visível o propósito da personagem. Afinal, a medida que avançamos pelos episódios, percebemos que Fleabag não está necessariamente falando com quem a assiste do outro lado da tela, mas com ela mesma. 

O que quer dizer que a ideia de Fleabag é a de nos projetarmos na personagem e reconhecer nela nossos próprios fracassos, inseguranças e problemas. Mas não em busca de aprender a lidar com isso, se aceitar ou encontrar uma resolução. É humor britânico, não livro de autoajuda. Não à toa, a série acionou em mim gatilhos para os quais eu não estava preparada. A identificação ocorreu em diversas passagens, chegando a ser dolorosa e até perturbadora de se constatar. Mas produção boa é aquela que aponta para você, insere o dedo na ferida e sacode com vontade. E isso Fleabag faz com louvor. Continuar lendo [O que ver na quarentena] Fleabag

[O que ver na quarentena] Kuzu no Honkai (Scum’s Wish)

Mangá do gênero seinen de autoria de Mengo Yokoyari e publicado pela revista mensal Big Gangan – pertencente ao gigante grupo Square Enix – entre 2012 e 2017, totalizando oito volumes, foi adaptado para o formato anime pelo estúdio Lerche e exibido entre 12 de janeiro e 30 de março de 2017 pela Fuji TV, no bloco Noitamina – faixa destinada exclusivamente a animes. Kuzu no Honkai, que recebeu, em inglês, o título de Scum’s Wish (Desejo da Escória, em tradução livre para o português), é uma obra impregnada de melancolia. E não poderia ser diferente, uma vez que o elemento nuclear da narrativa é o amor não correspondido. Continuar lendo [O que ver na quarentena] Kuzu no Honkai (Scum’s Wish)

Bons Filmes em Maio (2020)

Continuamos em casa… Isto é, fazendo o máximo possível para permanecer em casa, mas tendo de sair vez ou outra, quando realmente necessário, certo? Cinemas continuam fechados e totalmente fora de cogitação… Mas há inúmeras opções de streaming para conferirmos filmes novos, antigos, clássicos, etc… Para quem não é assinante de Netflix, Amazon Prime Video, Telecine Play, Globoplay, existe a alternativa de alugar ou comprar filmes avulsos pelas plataformas Google Play, Looke, iTunes, quase como se fossem locadoras online (os mais nostálgicos devem se lembrar como funcionavam as locadoras de vídeo e DVD). Para quem possui TV por assinatura, também há algumas dicas. Abaixo, você confere datas de lançamento ou exibição e sinopses dos principais destaques em filmes do mês de maio nos streamings, bem como as plataformas e canais pelos quais vocês podem assisti-los.

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[O que ver na quarentena] 7 Canais do Youtube Que Vale a Pena Conferir

O Youtube foi fundado em fevereiro de 2005, em San Mateo, no estado da Califórnia, Estados Unidos, por três ex- funcionários do PayPalJawed Karim, Steve Chen e Chad Hurley. Creio que, naquela época, eles nem sonhavam com a potência que sua ferramenta se tornaria dentro de pouco tempo. A mais popular dentre as plataformas de compartilhamento de vídeos é, hoje, de propriedade da Google (que irá dominar o mundo em algum ponto do futuro) e nela estão hospedados vídeos dos mais diversos gêneros, dentre videoclipes, trailers, filmes, reportagens, cenas curiosas, vídeos virais, fotoclipes, videoarte, fanvideos, vídeos amadores, vídeos profissionais, vídeos novos, vídeos antigos…

Grandes veículos de comunicação possuem seu próprio canal no youtube a fim de difundir e reproduzir conteúdos já exibidos em outras de suas mídias e redes, como a televisão ou portais noticiosos. Estúdios de cinema contam com canais oficiais na plataforma para compartilhar material promocional de seus filmes. Grandes nomes da indústria fonográfica, bem como músicos novatos, utilizam a ferramenta para promover seu trabalho. Anônimos gravam vídeos em casa falando sobre os mais diversos assuntos e upam no youtube.

A plataforma substituiu a televisão no imaginário de muita gente, especialmente da geração mais jovem. O termo youtuber se popularizou, referindo-se àqueles que criam e compartilham conteúdo para o site. Tem muita gente que encara o termo com preconceito (eu, por exemplo) porque hoje qualquer pessoa tem um canal no youtube para postar o que quiser. Às vezes sem filtro, sem pesquisa, sem responsabilidade, disseminando informações falsas (e aqui aplicamos outro termo que se popularizou: fake news). E, dependendo do número de inscritos em seus canais, portam-se como verdadeiras celebridades por aí… Lembram do que o Andy Warhol costumava dizer? No futuro, todos terão seus quinze minutos de fama. Ele acertou em cheio. Basta postar um vídeo que atraia milhões de espectadores para o seu canal e pronto. A pessoa já se acha no direito de ter camarim exclusivo e fazer pedidos excêntricos do tipo 800 toalhas brancas e 1200 garrafas d’água.

Mas apesar do ego que trouxe a fama negativa ao termo youtuber, existe, sim, uma galera produzindo conteúdo de qualidade para a plataforma. E, nessa quarentena, uma das dicas para ajudar a passar o tempo e enfrentar o tédio, é maratonar os vídeos dos canais listados abaixo. Tem para todos os gostos: nostalgia, cinema, novela mexicana, televisão, música pop, literatura e fofocas. Lembrando que, neste post, só foram elencados canais brasileiros. Quem sabe, em uma próxima oportunidade, não trazemos dicas de canais de outros lugares do mundo?

Por enquanto divirtam-se com as 7 dicas de canais que separamos para vocês.

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[O que ver na quarentena] Quicksand – e uma reflexão sobre os casos de massacres em escolas

20 de abril de 1999. Dylan Klebold e Eric Harrys, 17 e 18 anos, respectivamente, entraram armados em uma escola no Colorado, Estados Unidos, e dispararam contra estudantes e docentes. Mataram 13 alunos e um professor, trocaram tiros com policiais que chegaram ao local e se suicidaram durante o confronto. Tornou-se um dos casos de massacres em escolas mais emblemáticos da história americana, mas, infelizmente, não foi o último.

Ocorreram casos semelhantes na Virginia, também nos Estados Unidos, em 2007, sendo um dos mais sangrentos, executado pelo estudante sul-coreano Seung Hui Cho, que assassinou 32 pessoas; em Winnenden, na Alemanha, em 2009, cujo autor era um antigo estudante da escola e vitimou 16 pessoas; e no Realengo, Rio de Janeiro, em 2011,  quando Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos também ex-aluno, armado com dois revólveres, matou 12 estudantes, em sua maioria meninas, e terminou por dar um tiro na própria cabeça. Mais recentemente tivemos outros dois trágicos episódios ocorridos no Brasil. Em março de 2019, em Suzano, na Grande São Paulo, dois jovens armados entraram em um colégio, fazendo cerca de oito vítimas e ferindo outras nove pessoas. Em novembro do mesmo ano, um estudante de 17 anos de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, invadiu a escola em que estudava, trajado de preto da cabeça aos pés, armado com uma garrucha e um facão, ateou fogo a mochilas de colegas e disparou contra os alunos, ferindo dois deles.

E quando crimes como esses ocorrem, a tendência da mídia e do público (geralmente pautado pela primeira) é a de procurar culpados que nunca são, de fato, os atiradores. A culpa, não raramente, recai sobre jogos violentos, o excesso de violência em filmes e programas de televisão, a péssima influência exercida pelo conteúdo que jovens absorvem na internet. É próprio do ser humano terceirizar até mesmo a culpa. A responsabilidade é sempre de fatores externos, quando, na verdade, creio que é preciso um olhar mais atento e cuidadoso para o interior dos jovens.

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Bons Filmes em Abril (2020)

Olá!

Considerando o cenário atual de pandemia do novo coronavírus, uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de distanciamento e isolamento social, de modo a evitar a proliferação do Covid-19. Assim sendo, obviamente que cinema está fora de questão neste momento. Inúmeros filmes super aguardados tiveram suas datas de estreia adiadas. Nós estamos sentindo falta de sentar em uma poltrona estofada e reclinável, com um balde de pipoca na mão, em frente a um telão, mas com esse vírus não dá para brincar. E, por isso, cá estamos para indicar a vocês filmes para assistir no conforto de suas casas durante a quarentena. São títulos que entram no catálogo de serviços de streaming a partir deste mês de abril; alguns que podem ser conferidos na TV por assinatura; além de dicas de filmes que estão disponíveis online gratuitamente em plataformas que valem a pena conhecer. Confiram:

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