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I’m Afraid of Americans – David Bowie

Dirigido por Nick Goffey e Dominic Hawley e produzido por John Madsen da Oil Factory Films, o clipe já inicia com uma cena destacando o táxi no primeiro plano e trazendo o personagem de David Bowie ao fundo. É possível vê-lo de corpo inteiro, frente a uma banca de jornais e revistas, de costas para a câmera. A lente registra elementos urbanos tradicionais para compor esse primeiro quadro do videoclipe – veículos diversos cruzando o asfalto e pedestres atravessando a rua e a calçada, tendo como plano de fundo edifícios, árvores e placas de sinalização em uma típica área suburbana. A câmera se aproxima de Bowie pelas costas enquanto ouvimos os primeiros acordes da faixa industrial I’m Afraid of Americans, que já confere uma atmosfera de tensão ao vídeo, devido ao som pulsante e a potência dos sintetizadores aliada aos vocais quase sussurrantes de David Bowie. 

Encarregado do excelente arranjo instrumental e dos vocais de fundo, Trent Reznor (vocalista do Nine Inch Nails) também estrela o clipe, interpretando o taxista Johnny. Nessas primeiras sequências, David está lendo o jornal quando olha por cima do ombro e dá de cara com o personagem de Reznor, com uma expressão nada amigável no rosto, o encarando. David lança um breve olhar assustado para ele, então começa a andar de modo a se afastar do estranho que o observa. Começa uma jornada de perseguição pela cidade, com David cantando, caminhando e correndo pelas ruas, enquanto a música toca e ele tenta escapar do  taxista perturbado. Ao mesmo tempo, passa a testemunhar e temer o estranho comportamento dos transeuntes ao redor. O clímax no final do vídeo é, me perdoem o clichê, a cereja do topo do bolo, com direito à Parada de Dia dos Mortos.  Continuar lendo I’m Afraid of Americans – David Bowie

Bons Filmes em Novembro (2021)

A estreia mais aguardada do mês é Eternos, mais nova produção da Marvel Studios. Dirigido pela vencedora do OscarChloé Zhao, o longa entrou em cartaz nesta quinta-feira, dia 4. Falando em MCU, o recém-saído dos cinemas, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis entra no catálogo da Disney+ a partir do dia 12. Um filme ainda mais recente, e que se encontra atualmente em cartaz nos cinemas, será disponibilizado neste mês na HBO Max: Duna de Denis Villeneuve é o principal destaque da plataforma, que ainda traz o clássico de Martin Scorsese, Os Bons Companheiros. Já a Amazon Prime Video inclui em seu catálogo uma série de romances natalinos para você ir entrando no clima das festas de fim de ano.

Confira abaixo as estreias do cinema e os lançamentos de filmes da Netflix, Amazon Prime Video, Telecine Play, Disney+ e HBO Max. E para você que não é assinante, há a opção de comprar ou alugar alguns dos títulos abaixo por outras plataformas de distribuição de vídeo, como o Google Play, Looke e iTunes. Lembrando que possíveis alterações no calendário de estreias são de responsabilidade das distribuidoras nacionais e dos serviços de streaming relacionados. Continuar lendo Bons Filmes em Novembro (2021)

Feliz Dia dos Mortos (2021)

Celebrado no dia 2 de novembro em tributo aos falecidos, o Dia dos Mortos (ou Día de Los Muertos, no original, em espanhol) tem origem indígena e é considerado o feriado mais popular e tradicional do México. As festividades ocorrem do dia 31 de outubro (quando é comemorado o Halloween nos Estados Unidos) a 2 de novembro e, reza a lenda, é exatamente no segundo dia do mês que as almas têm permissão para visitar os familiares vivos. Aqui no Brasil, no entanto, chamado de Dia de Finados ou, com menos frequência, Dia dos Fiéis Defuntos, o dia 2 de novembro é um feriado católico e sem festividades. É um dia de orar pelos falecidos e visitar os sepulcros dos entes queridos que já partiram dessa para… sabe-se lá onde.

Aqui no Bloggallerya, assim como no ano passado, resolvemos aproveitar a data para indicar algumas obras interessantes que versam sobre a morte e o luto. Continuar lendo Feliz Dia dos Mortos (2021)

Everybody Hurts – R.E.M.

“Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que já suportou demais desta vida
Para prosseguir…
(…)
Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Aguente firme”

Everybody Hurts é uma das canções que melhor conseguiu traduzir o sentimento de melancolia inerente a todos nós em algum momento da vida. E Jake Scott é o diretor que conseguiu traduzir em imagens, de maneira inventiva e tocante, a mensagem transmitida por um dos melhores hits do R.E.M.

O clipe se passa em um cruzamento e mostra várias pessoas presas no trânsito. Engarrafamentos são estressantes, tanto para condutores de veículos quanto para passageiros. No início do dia, resulta em atrasos. No final do dia, pode levar a crises de ansiedade e agravar quadros de tensão provenientes de longos e árduos expedientes de trabalho. Te faz perder um precioso e irrecuperável tempo parado na estrada. Como o fluxo é lento e as paradas são constantes por quilômetros a fio, também é um momento em que, pode acontecer, de pensamentos indesejáveis inundarem nossas mentes.  Continuar lendo Everybody Hurts – R.E.M.

Coffee And TV – Blur

A indústria do videoclipe atingiu seu apogeu na década de 1990, ao contar com talentosos e imaginativos diretores por trás dos vídeos utilizados para promover canções de bandas e artistas – tanto os já consagrados, quanto os que despontavam no cenário musical. Em minha sombria opinião, creio que foi nessa década, também, que o videoclipe alcançou todo o seu potencial, ganhando um boost na produção ao contar com mais recursos e bons orçamentos – diferentemente dos charmosos trash da década de 1980, realizados com muita criatividade, baixíssima verba e, às vezes, um gosto duvidoso.

Creio também que os anos 1990 foram os últimos a cultuar a arte do videoclipe e a ver esta mídia como uma importante ferramenta de divulgação de um material de um artista. Isso quando a MTV ainda era uma emissora musical e era atribuída ao vídeo a garantia de engajamento de um músico ou de uma banda. Hoje, existem outras ferramentas, novos recursos, redes sociais… Para que fazer um videoclipe de porte cinematográfico, quando se pode viralizar em poucos minutos com um vídeo feito de qualquer jeito no celular e postado no TikTok? Obviamente, houve artistas que fizeram esforços hercúleos para manter a relevância do videoclipe, como Lady Gaga, Beyoncé e tantos outros. Mas não se fala mais de clipes como se falava na época de ouro das MTVs (tanto a americana, quanto a brasileira, em sua era Abril).

Mas por que toda essa nostalgia pessimista, de repente? Porque vamos falar de um clássico incontestável do final da década de 1990. Sim! A caixinha de leite senciente do melancólico Coffee And TV do Blur, expoente do britpop daquela década, arrebatou corações e tornou-se um fenômeno cultural. Continuar lendo Coffee And TV – Blur