The Number of the Beast – Iron Maiden

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Capa do disco

Data de lançamento: 22 de Março de 1982
Duração: 39:11
Faixas: 8 faixas
Estilo: Heavy Metal

Lado A:
Invaders
Children of The Damned
The Prisoner
22 Acacia Avenue

Lado B:
The Number of The Beast
Run To The Hills
Gangland
Hallowed Be Thy Name

Produção: Martin Birch
Engenheiro de som: Nigel Hewitt-Green
Capa: Derek Riggs
Gravadora: EMI

contra-capa
Contra-capa da versão brasileira, em vinil
Iron Maiden - lançamento de TNOTB
Festa de lançamento do álbum

Cabelos compridos, calças leggins, coletes de couro preto, botas, tênis superstar e munhequeiras são as características do heavy metal nos anos 80. Principalmente de bandas como o Iron Maiden, que fez parte do movimento conhecido como Nova Onda do Heavy Metal Britânico, que ainda tem ícones como o Motörhead, Girlschool, Saxon, Judas Priest, Samson, Def Leppard e Angel Witch. Essa expressão nasceu da revista Sound, somado à energia punk que as citadas bandas se inspiraram para fazer música entre o fim dos anos 1970 e inicio dos 1980.

Mudanças ocorreram durante os lançamentos dos primeiros discos do Iron Maiden, que veio da região leste de Londres. O seu disco de estréia, lançado em 1980, contou, em sua formação, com Paul Di’Anno (voz), Dave Murray (guitarra), Steve Harris (baixo), Dennis Stratton (guitarra) e Clive Burr (bateria). No meio da turnê, Dennis Stratton saiu e, para o seu lugar, Dave Murray recomendou Adrian Smith, que era seu amigo desde a infância. Com o novo integrante, veio o segundo disco Killers (1981), que foi produzido pelo renomado produtor musical Martin Birch, que queria produzir também o primeiro disco da banda, mas não foi encontrado pelos integrantes na ocasião. Desse modo, optaram por Will Mallone.

A turnê de Killers fez o Iron Maiden sair da Europa, tocando pela primeira vez em países como Estados Unidos, Canadá e Japão. O disco foi tão bem sucedido quanto o primeiro. Porém a banda estava pensando em mudar de vocalista. Paul Di’Anno não era para o Iron Maiden e tinha noção disso. Ele não estava gostando de ver a banda crescer a cada dia e tocando em palcos cada vez maiores.

Steve Harris e o empresário do Iron Maiden Rod Smallwood, foram para o festival Reading, na Inglaterra, para assistir ao show do Samson. Nos bastidores, veio a primeira conversa de Rod com o Bruce Dickinson que, na época, era vocalista da supramencionada Samson e atendia pela alcunha de Bruce Bruce. Alguém do alto acendeu uma luz sobre Bruce e Rod, dando início à especulação sobre sua entrada no Iron Maiden. Com a saída de Paul Di’Anno a porta estava aberta para Bruce, uma vez que o Samson havia encerrado as suas atividades.

Primeira foto de Bruce Dickinson como vocalista do Iron Maiden.

A banda concebeu o The Number of The Beast todo no mês de Janeiro de 1982, no estúdio Battery, em sua Londres, capital da Inglaterra. É o único disco que tem uma contribuição do baterista Clive Burr na autoria de uma faixa, Gangland. É também o primeiro disco que conta com a contribuição do guitarrista Adrian Smith nas composições.

Recém chegado ao Iron, Bruce Dickinson colaborou com as composições de Children Of The Damned, The Prisoner e Run To The Hills. Porém, o seu contrato com a finada banda Samson ainda estava em vigor e, por conta disso, não pôde ser creditado.

A faixa Total Eclipse não entrou no álbum por falta de espaço no LP e acabou entrando no lado B do compacto de Run To The Hills. Só veio a integrar o disco oficialmente na versão em CD, lançada em 1998.

Run To The Hills
Capa do compacto de Run To The Hills

Durante a gravação do disco ocorreram fatos inexplicáveis, como as luzes que apagavam e acendiam sem parar, fora que o equipamento da gravação havia quebrado misteriosamente. Porém, o fato sinistro mais conhecido ocorreu com o produtor do disco Martin Birch. Ele bateu com o seu carro em um ônibus cheio de freiras e na hora de pagar o conserto do seu veículo, o prejuízo lhe custou 666 libras.

The Number of The Beast
Capa do compacto da faixa-título

The Number of The Beast tornou o Iron Maiden símbolo do heavy metal mundial. Até hoje, o disco é aclamado por público e crítica. Foi listado pela revista Kerrang na 6ª posição dentre “os 100 melhores álbuns de sempre do Rock” e foi o número 15 dos “50 mais influentes de sempre”. A poderosa revista Rolling Stone o colocou em 4º numa votação pública para os “melhores álbuns de heavy metal de todos os tempos”. Juntamente com o primeiro disco homônimo, lançado em 1980, The Number,Of The Beast está presente no livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”. Apesar do sucesso, Steve Harris não o considera um grande álbum, pois acredita que as faixas deveriam ser mais trabalhadas. Na Argentina e na Espanha, o disco chegou ao mercado com o título em espanhol El Numero De La Bestia.

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Capa descartada pela EMI e lançada na versão CD em 1998

As capas dos discos do Iron sempre tem como atrativo o seu monstro-mascote Eddie, que foi criado pelo responsável pelas capas da banda nos anos 1980, o cartunista Derek Riggs. A capa de The Number of The Beast mostra Eddie manipulando um diabo que, por sinal, manipula um Eddie em miniatura. A banda optou pela capa que traz nuvens cinzentas, porém, sem avisar a ninguém, a gravadora EMI imprimiu o desenho de Derek Riggs com as nuvens azuis sem avisar o quinteto. A capa com a nuvem cinzenta só foi publicada na versão em CD, lançada em 1998.

Lado A gringo
Lado A do vinil
Lado B gringo
Lado B do vinil

A turnê do disco foi chamada de Beast On The Road, que proporcionou a maior carga de shows do Iron Maiden até então, com 184 concertos em 10 meses, 4 continentes e 16 países. O pôster dessa turnê traz o Eddie fincando a Union Jack (bandeira do Reino Unido) no planeta Terra. Foi a primeira turnê do Iron Maiden a ter cenário, com duas escadas com acesso às passarelas do palco onde Bruce Dickinson corria de um lado para o outro, se tornando padrão da banda. O Eddie da capa de The Number Of The Beast aparecia no pano de fundo do palco dentro de um triângulo pintado. Fora que durante a execução da faixa que dá nome a banda, aparecia dois figurantes fantasiados de demônios juntos do Eddie.

Show em San Sebastian, na Espanha

O Iron Maiden deu o pontapé inicial da Beast On The Road no Queenswat Hall, em Dunstable, na Inglaterra, no dia 25 de Fevereiro de 1982. Foi um mês inteiro tocando no Reino Unido e o último show da primeira parte britânica da turnê foi no Hammersmith Odeon, em Londres, em 20 de Março, exatos dois dias antes de o disco ser lançado. Esse show é memorável por que as imagens de sua apresentação são as mais conhecidas dessa turnê e ganharam conhecimento do mundo inteiro através do documentário 12 Wasted Years(1987).

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No Hammersmith Odeon em Londres

Quando chegou aos Estados Unidos para uma turnê com o Rainbow, o Iron levou um susto. Um grupo de falsos cristãos fizeram um protesto contra eles, acusando-os de promoverem o satanismo através da canção-título, que traz no refrão o diabólico número 666. Nesse protesto, os fanáticos queimaram vários LPs de heavy metal, inclusive do Iron Maiden. Um dos fanáticos decidiu apagar o incêndio dos discos alertando sobre a “fumaça demoníaca” que saía das chamas. Então decidiram destruir os LPs a marteladas. Entretanto esse ato só serviu como propaganda para a turnê, a qual eles abriram para a banda de Ritchie Blackmore, ex-guitarrista do Deep Purple, uma das influências do Iron Maiden.

Ainda nos Estados Unidos, outro fato curioso dessa turnê: durante o show no Palladium, em Nova Iorque, o Eddie apareceu no palco carregando uma réplica da cabeça de Ozzy Osbourne, em alusão ao episódio na qual o citado cantor teria arrancado a cabeça de um morcego a dentadas cinco meses antes. A Beast On The Road levou o Iron Maiden de volta ao festival de Reading, na Inglaterra, onde haviam tocado pela primeira vez em 1980. Em 1982 eles ganharam a condição de atração principal em uma das datas do evento.

Show no festival inglês de Reading

Apesar do enorme sucesso do disco e da sua turnê, o Iron Maiden ainda era requisitado para abrir shows de bandas mais experientes como o Scorpions e Judas Priest, além do citado Rainbow. Alias foi abrindo para o Judas Priest nos Estados Unidos que eles tocaram pela primeira vez no maior ginásio esportivo do mundo, o Madison Square Garden, em Nova Iorque. Ainda na terra do Tio Sam, foi abrindo para os alemães do Scorpions que o Iron Maiden tocou pela primeira vez no Long Beach Arena, em Los Angeles, cujo local eles gravariam o seu primeiro disco ao vivo, o Live After Death (1985).

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Show no Coliseu de Oakland, nos Estados Unidos

Quando se estabilizaram financeiramente, os cinco integrantes do Iron Maiden tomaram uma importante decisão. Para fugir dos pesados impostos britânicos, o quinteto se mudou para Bahamas, país da América Central.

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Bastidores de um dos shows

A Beast On The Road levou o Iron Maiden pela primeira vez para tocar na Austrália. Em seguida eles regressaram ao Japão, onde possuem um público enorme e tocaram pela primeira vez em 1981. A cidade japonesa de Niigata recebeu o último show da Beast On The Road em 10 de Dezembro de 1982. Foi também o último show com o baterista Clive Burr, que saiu alegando sinais de fadiga pela longa jornada de shows.

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A banda com o mascote Eddie no Japão

O substituto de Clive Burr foi Nicko McBrain, que foi membro da banda de hard rock francesa Trust. Ironicamente, Clive Burr pegou a vaga de Nicko no Trust. Curiosamente Nicko McBrain já havia substituído Clive Burr em outra ocasião, durante uma apresentação do Iron Maiden em uma emissora de TV belga e usando a máscara do Eddie. Além disso, em um dos shows, ele era um dos figurantes fantasiado de demônio. A entrada de Nicko McBrain deu início à formação mais conhecida do Iron Maiden.

Clive Burr
Clive Burr

Em 2002, Clive Burr anunciou que sofria de esclerose múltipla e pediu aos seus ex-colegas para realizarem shows beneficentes de modo a ajudá-lo no tratamento. O Iron Maiden também criou a Clive Burr MS Trust Fund, uma instituição para angariar fundos e ajudar pessoas com o mesmo problema do seu ex-integrante, que se tornou o dono desta. O kit de bateria que Clive Burr usou na Beast On The Road foi doado para a boate Hard Rock Café em Londres. Após 11 anos de tratamento, Clive Burr morreu, em sua casa, de insuficiência cardíaca no dia 12 de Março de 2013, quatro dias após completar 56 anos.

Beast On The Road

Para compor suas canções, o Iron Maiden sempre se inspirou na história, na literatura e em fatos fictícios vistos em filmes e séries de TV. Eis a análise de cada faixa do disco The Number of The Beast.

Invaders: Fala sobre a invasão Viking na Inglaterra, no ano de 793. Os Vikings são uma antiga civilização nórdica da Escandinávia (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca).

Children of The Damned: Sua introdução carrega uma linda melodia de baixo de Steve Harris, além de violões. Para compor, o citado músico se inspirou no livro homônimo escrito por A.V. Sellwood e no filme Village Of The Damned. Ambos falam sobre crianças com poderes psíquicos.

The Prisoner: Foi inspirada na série de TV inglesa de mesmo nome, da década de 1960. As falas que abrem a faixa são de Patrick McGoohan, um dos atores da série. O citado ator viveu um agente que abandona o Serviço Secreto Britânico e é preso quando chega à sua casa. A prisão fica em uma vila e seu nome é trocado por número.

22 Acacia Avenue: É a continuação da faixa Charlotte The Harlot, que a banda gravou no primeiro disco, em 1980. O título é o endereço da citada meretriz. Acacia Avenue dá nome a mais de 60 ruas no Reino Unido.

The Number of  The Beast: Bastou o líder e baixista Steve Harris assistir ao filme A Profecia II e, em seguida, ganhou de brinde um pesadelo à noite. No dia seguinte, ele transforma esse pesadelo em música, fora que o poema do escritor Tam O’ Sharter foi outra inspiração para a composição de sua autoria. Sua introdução saiu do livro Apocalipse 12:12 e 13:18 e foi narrada pelo ator e locutor Barry Clayton. Se tornou um clássico indiscutível do Iron Maiden.

Run To The Hills: Fala sobre o massacre dos índios americanos cometido pelo exército americano durante a presidência de Andrew Jackson. A faixa colocou a banda no topo das paradas de sucesso.

Gangland: É sobre um ex-gangster que é atemorizada pelo seu passado.

Hallowed Be Thy Name: Trata-se de uma narração de um pré-enforcamento.

Windson Alves

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