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Personalidade: Elis Regina

“Nossos ídolos ainda são os mesmos”, já dizia um dos versos mais simbólicos da canção Como Nossos Pais, interpretada por Elis Regina. O que quer dizer que o tempo passa, as gerações mudam, mas continuamos seguindo os mesmos passos dos nossos pais, por mais que neguemos.  A maioria costuma recorrer à típica falácia “no meu tempo era melhor”. Especialmente com relação à música, bandas e cantores. Mas cada época tem seu encanto. E o que é bom permanece e perdura. Vejo isso pela própria Elis Regina que atravessa gerações e continua a conquistar fãs que nem mesmo eram nascidos quando ela estava no auge de sua carreira. Elis ainda é considerada uma das melhores intérpretes da história da nossa MPB.

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[Catálogo: Esquecidos] – Dark City: Cidade das Sombras

dark_city_ver1É frustrante que tão pouca gente conheça esse filme. Mais frustrante ainda que poucos saibam que grande parte dos conceitos trabalhados e até mesmo do visual utilizado em Matrix, o fenômeno que surgiu em 1999, podem ter sido sugados deste Dark City que estreou um ano antes. Por mais que toda a torcida do Flamengo negue veementemente. Aliás, o mais revoltante mesmo é o fato de que este nem mesmo se tornou um cult do home video. Tampouco foi redescoberto pela geração torrent atual… De modo que ele figura em uma lista interminável de ótimos filmes esquecidos pelo tempo.

Injusto…

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[Revisão] A Esperança – Parte 1

Atrasei a resenha de A Esperança – Parte 1 em alguns meses, é verdade.  Mas finalmente ei-la:

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Depois de ser resgatada da arena do Massacre Quaternário pelos rebeldes no final de Em Chamas, Katniss (Jennifer Lawrence) recebe de seu amigo Gale (Liam Hemsworth) a notícia de que o Distrito 12, onde residia, foi bombardeado. Os poucos sobreviventes, alguns deles resgatados pelo próprio Gale, encontraram refúgio no Distrito 13. Aliás, esta é a segunda notícia impactante que Katniss recebe: O Distrito 13 ainda existe; não foi dizimado durante a primeira rebelião como todos acreditavam. Contudo, ele permanece firme e forte apenas no subterrâneo, independente da Capital. A superfície ainda exibe os destroços do bombardeio, de modo a omitir sua existência.

O drama de Katniss – além do fato de ter consciência de que seu último ato na arena atiçou ainda mais a fúria do presidente Snow (Donald Sutherland), desencadeando uma verdadeira guerra – é que Peeta (Josh Hutcherson) não foi salvo, portanto está nas mãos do poder da Capital. A princípio não faz ideia se ele sobreviveu ou não. Mas quando finalmente tem a confirmação de que está vivo, teme por sua segurança e integridade. Para completar, os rebeldes do Distrito 13 estão organizando uma resistência e a querem como símbolo da revolução, o Tordo. A missão da Presidente do 13, Alma Coin (Julianne Moore), juntamente com Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), é tentar convencê-la. Ela reluta a princípio, mas quando finalmente aceita, impõe algumas condições. Concessões são feitas em favor do Tordo. Agora o jogo não é mais o mesmo dos capítulos anteriores. É o início de uma guerra sangrenta em que vidas inocentes não serão poupadas. Katniss e os rebeldes almejam derrubar a Capital e destruir o império do presidente Snow que, por sua vez, não pretende medir esforços para contra-atacar.

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Peeta se torna um joguete nas mãos da Capital. Não muito diferente disso, Katniss também é vista como um instrumento que os revolucionários querem manipular, mas sua natureza impulsiva e rebelde a faz questionar as intenções de Coin por trás de tudo. Sendo a garota em chamas ou o tordo, ela se dá conta amargamente de que sua vida continua sendo usada em favor de um espetáculo, desta vez ainda mais dramático e sensacionalista, e tudo o que realmente quer é proteger sua família  e salvar o povo inocente das atrocidades do presidente de Panem.

Dividir um livro relativamente curto em dois filmes (uma tendência que vem imperando em Hollywood no que diz respeito às adaptações cinematográficas de sagas literárias YA) é uma sacada que apresenta apenas vantagens comerciais. Obviamente rende mais bilheteria e retorno para o estúdio. Em contrapartida, enfraquece a narrativa, diluindo o impacto que poderia causar no espectador se optassem por contar toda a história de A Esperança em apenas um filme, como deveria ser. De modo que este A Esperança – Parte 1 soa como um longo prólogo para o capítulo final. Há mais espaço para apresentar e desenvolver os novos personagens, é verdade. Além de tempo suficiente para se concentrar na preparação do tordo, na produção das vinhetas da rebelião que invadem a programação televisiva da Capital e no resgate dos reféns que estão sob o domínio de Snow. Mas não deixa de dar a impressão de que o longa fica pelo meio do caminho. Embora o desfecho tenha sido conduzido de maneira acertada e deixe o espectador salivando pelo próximo.

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Visualmente, o filme é digno de aplausos. Este terceiro capítulo da franquia cinematográfica baseada nos livros de Suzanne Collins, é mais bem-sucedido no retrato de um futuro pós-apocalíptico. Os tons cinzentos, a atmosfera sombria e melancólica contrastam totalmente com os matizes mais vivos dos filmes anteriores (que procuravam dar mais foco à representação de uma sociedade hedonista e alienada). Excelente composição cromática. Outro acerto está na violência gráfica e o impacto visual causados pelas sequências do bombardeio no Distrito 8 e os confrontos entre pacificadores e rebeldes. Bem hardcore para um filme destinado aos adolescentes.

Aliás, o que eu não me canso de dizer sobre esta franquia, seja na literatura ou no cinema, é o fato de ser um produto para as massas, mas que lança luz sobre questões pertinentes e de extrema relevância. Os jogos políticos, as consequências da guerra, o poder da mídia e da publicidade são muito bem representados.  A ação, desta vez, é mais lenta. Mas o contexto sócio-político compensa bastante. A narrativa se mantém inteligente e as reviravoltas do roteiro garantem bons momentos de tensão.

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O elenco continua sendo dos maiores trunfos da série. Todos os atores desempenham seus papéis de maneira convincente.  Julianne Moore, embora contida, é um ótimo acréscimo. Elizabeth Banks (que interpreta Effie Trinket) e Woody Harrelson (na pele de Haymitch Abernathy, um dos personagens mais carismáticos) ainda são responsáveis pelos momentos mais engraçados, leves e dão um toque maior de humanidade e realismo para a trama. Destaque também para o saudoso Philip Seymour Hoffman, mantendo o tom enigmático do episódio anterior, mas com intenções mais transparentes. Dispensável dizer que o trio de protagonistas continua funcional. Liam Hemsworth ainda precisa treinar melhor seus dotes dramáticos, mas fez seu dever de casa direitinho. Josh Hutcherson, embora tenha pouco tempo de tela, cumpre bem seu papel como de costume. Jennifer Lawrence, ótima atriz, acaba se excedendo em algumas passagens, pecando nas expressões faciais e na dramaticidade de sua personagem. Mas tem pelo menos um momento realmente belo, no qual entoa versos da canção The Hanging Tree, tão significativa para essa história.

É melhor do que o primeiro Jogos Vorazes (2012), mas fica longe da excelência do segundo capítulo, o Em Chamas (2013). De qualquer forma, é um entretenimento inteligente e que vale ser visto e revisto. Precisamos de mais sagas literárias e cinematográficas como esta dedicadas ao público adolescente. Não só pela abordagem inventiva de temas tão intrínsecos à própria realidade à nossa volta, como pelo tratamento de respeito ao espectador, jamais negligenciando ou ferindo a inteligência do público.

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E que venha A Esperança- Parte 2 que promete um desfecho surpreendente!

Andrizy Bento

Capital Inicial (1986) – Primeiro LP da banda brasiliense

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Muitas bandas do cenário do rock nacional oitentista lançaram seus lendários discos no ano de 1986. Daí o fato de ser um considerado emblemático para o BRock. E foi nesse ano histórico, que uma das bandas mais famosas de Brasília, o Capital Inicial, lançou seu primeiro disco que, anos mais tarde, virou um clássico, e tornou a banda, liderada por Dinho Ouro Preto, nacionalmente conhecida.

Após o compacto, Descendo o Rio Nilo, lançado em 1985, a banda entrou em estúdio no ano seguinte pra gravar seu primeiro LP, estreando com o pé direito. O disco homônimo trouxe sucessos como Fátima, Música Urbana, Veraneio Vascaína (essas 3 de autoria de Renato Russo ainda na época do Aborto Elétrico), Leve Desespero (faixa lado B de Descendo o Rio Nilo) e Psicopata.

Assim como o LP de muitas outras bandas daquela época, o primeiro disco do Capital não conseguiu passar ileso pela censura, recebendo o selo de não recomendado para menores de 18 anos e também com o aviso proibindo a execução pública e radiodifusão da música Veraneio Vascaína.

O álbum foi produzido pelo músico Bozzo Barretti, que também participou como tecladista do disco e, mais tarde, se tornou membro oficial da banda.

Este, até hoje, é um dos discos mais procurados da banda, um dos favoritos dos fãs, por conter músicas que marcaram época e se tornaram grandes hinos.


Adryz Herven

The Archie Show

Um desenho marcante, com muita música e aventuras. Assim era A Turma do Archie.

Com 17 episódios, a série animada – produzida pelo estúdio de animação Filmation, criada por John L. Goldwater, roteirizada por Bob Ogle, dirigida por Hal Sutherland e baseada nos quadrinhos da Archie Comics – estreou no dia 14 de setembro de 1968 na emissora norte-americana CBS.

O desenho animado contava o dia a dia da banda de garagem The Archies. Seus integrantes moravam em um bairro residencial e faziam coisas comuns dos adolescentes da década de 1960. O grupo tocava o pop rock que estava na moda. Além do líder e guitarrista Archie, a banda contava também com seus amigos Reggie (baixo), Jughead (bateria), Betty (tamborim, percussão e guitarra) e Veronica (órgão e teclado) na formação. E não  podemos esquecer do cachorro Hot Dog, o mascote do grupo.

Mais tarde, a famosa bruxinha adolescente Sabrina passou a participar de alguns episódios do desenho. Outro grupo de personagens que deu as caras em The Archie Show, mais para o final da série, foi os Monstros Camaradas (lembrando que tanto Sabrina, a Bruxa Adolescente como Monstros Camaradas ganharam série própria de desenho animado no início dos anos 1970).

O compositor norte-americano Don Kirshner teve a idéia de levar os personagens para a televisão com o objetivo de criar a primeira banda virtual da história dos desenhos animados e executar várias canções nos episódios. É o caso do clássico Sugar Sugar escrita por Jeff Barry e Andy Kim que assinaram todas as músicas do desenho (lembrando que Barry também produziu as canções).

Sugar Sugar se tornou um hit de sucesso e chegou a alcançar o primeiro lugar da UK Singles Chart em 1969, permanecendo por oito semanas no topo.

O próprio Don Kirshner foi quem contratou os músicos para a dublagem musical do desenho. Ron Dante (líder da banda Cugg Link), era o responsável pelo vocal masculino dos Archies. Quanto aos duetos femininos, eles eram cantados por Toni Wine, que depois foi substituída por Donna Marie em 1970 e, posteriormente, por Merle Miller nas gravações finais. Outros músicos contribuíram para o vocal de apoio como Jeff Barry, Andy Kim, Susan Morse, Joey Levine, Maeretha Stewart, Ellie Greenwich, Bobby Bloom e Leslie Miller com a contribuição de Barry para a voz de baixo (dublando Jughead no desenho).

Quanto aos instrumentistas: Hugh McCracken na guitarra, Chuck RaineyJoey Macho no baixo, Ron Frangipane nos teclados e Buddy Saltzman e Gary Chester na bateria.

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Esse conceito do The Archie Show, de bandas fictícias egressas de desenhos animados, influenciou alguns outros produtos nos anos 1960 e início dos 1970. A principal concorrente da produtora Filmation, a famosa Hanna-Barbera, desenvolveu algumas animações nesse estilo, nas quais as tramas também narravam as aventuras de bandas de rock fictícias. Entretanto, ao contrário dos The Archies, as aventuras dos personagens da Hanna-Barbera se tratavam quase sempre de investigar mistérios e, nas horas vagas, se apresentar com suas respectivas bandas. A banda virtual em si ficava em segundo plano, isto é, eram todos derivações de Scooby-Doo, mas com música.

Os desenhos Josie e as Gatinhas, Butch Cassidy (que levavam o nome das bandas no título), As Aventuras de Charlie Chan, (no qual os filhos mais velhos do detetive chinês tinham um grupo musical) e Tutubarão (aonde ele e seus amigos formavam o conjunto subaquático Os Netunos) são alguns exemplos de produções que beberam na fonte criativa de The Archie Show.

Fica a dúvida se a banda virtual de trip rock britânica, Gorillaz, criada no final da década de 1990 pelo líder do Blur, Damon Albarn, também foi influenciada pelos Archies…

No Brasil, a série animada foi exibida pela Rede Globo no início da década de 1970 até os anos 1980. A dublagem foi feita nos estúdios Herbert Richers.

Adryz Herven