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[Revisão] A Esperança – Parte 1

Atrasei a resenha de A Esperança – Parte 1 em alguns meses, é verdade.  Mas finalmente ei-la:

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Depois de ser resgatada da arena do Massacre Quaternário pelos rebeldes no final de Em Chamas, Katniss (Jennifer Lawrence) recebe de seu amigo Gale (Liam Hemsworth) a notícia de que o Distrito 12, onde residia, foi bombardeado. Os poucos sobreviventes, alguns deles resgatados pelo próprio Gale, encontraram refúgio no Distrito 13. Aliás, esta é a segunda notícia impactante que Katniss recebe: O Distrito 13 ainda existe; não foi dizimado durante a primeira rebelião como todos acreditavam. Contudo, ele permanece firme e forte apenas no subterrâneo, independente da Capital. A superfície ainda exibe os destroços do bombardeio, de modo a omitir sua existência.

O drama de Katniss – além do fato de ter consciência de que seu último ato na arena atiçou ainda mais a fúria do presidente Snow (Donald Sutherland), desencadeando uma verdadeira guerra – é que Peeta (Josh Hutcherson) não foi salvo, portanto está nas mãos do poder da Capital. A princípio não faz ideia se ele sobreviveu ou não. Mas quando finalmente tem a confirmação de que está vivo, teme por sua segurança e integridade. Para completar, os rebeldes do Distrito 13 estão organizando uma resistência e a querem como símbolo da revolução, o Tordo. A missão da Presidente do 13, Alma Coin (Julianne Moore), juntamente com Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), é tentar convencê-la. Ela reluta a princípio, mas quando finalmente aceita, impõe algumas condições. Concessões são feitas em favor do Tordo. Agora o jogo não é mais o mesmo dos capítulos anteriores. É o início de uma guerra sangrenta em que vidas inocentes não serão poupadas. Katniss e os rebeldes almejam derrubar a Capital e destruir o império do presidente Snow que, por sua vez, não pretende medir esforços para contra-atacar.

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Peeta se torna um joguete nas mãos da Capital. Não muito diferente disso, Katniss também é vista como um instrumento que os revolucionários querem manipular, mas sua natureza impulsiva e rebelde a faz questionar as intenções de Coin por trás de tudo. Sendo a garota em chamas ou o tordo, ela se dá conta amargamente de que sua vida continua sendo usada em favor de um espetáculo, desta vez ainda mais dramático e sensacionalista, e tudo o que realmente quer é proteger sua família  e salvar o povo inocente das atrocidades do presidente de Panem.

Dividir um livro relativamente curto em dois filmes (uma tendência que vem imperando em Hollywood no que diz respeito às adaptações cinematográficas de sagas literárias YA) é uma sacada que apresenta apenas vantagens comerciais. Obviamente rende mais bilheteria e retorno para o estúdio. Em contrapartida, enfraquece a narrativa, diluindo o impacto que poderia causar no espectador se optassem por contar toda a história de A Esperança em apenas um filme, como deveria ser. De modo que este A Esperança – Parte 1 soa como um longo prólogo para o capítulo final. Há mais espaço para apresentar e desenvolver os novos personagens, é verdade. Além de tempo suficiente para se concentrar na preparação do tordo, na produção das vinhetas da rebelião que invadem a programação televisiva da Capital e no resgate dos reféns que estão sob o domínio de Snow. Mas não deixa de dar a impressão de que o longa fica pelo meio do caminho. Embora o desfecho tenha sido conduzido de maneira acertada e deixe o espectador salivando pelo próximo.

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Visualmente, o filme é digno de aplausos. Este terceiro capítulo da franquia cinematográfica baseada nos livros de Suzanne Collins, é mais bem-sucedido no retrato de um futuro pós-apocalíptico. Os tons cinzentos, a atmosfera sombria e melancólica contrastam totalmente com os matizes mais vivos dos filmes anteriores (que procuravam dar mais foco à representação de uma sociedade hedonista e alienada). Excelente composição cromática. Outro acerto está na violência gráfica e o impacto visual causados pelas sequências do bombardeio no Distrito 8 e os confrontos entre pacificadores e rebeldes. Bem hardcore para um filme destinado aos adolescentes.

Aliás, o que eu não me canso de dizer sobre esta franquia, seja na literatura ou no cinema, é o fato de ser um produto para as massas, mas que lança luz sobre questões pertinentes e de extrema relevância. Os jogos políticos, as consequências da guerra, o poder da mídia e da publicidade são muito bem representados.  A ação, desta vez, é mais lenta. Mas o contexto sócio-político compensa bastante. A narrativa se mantém inteligente e as reviravoltas do roteiro garantem bons momentos de tensão.

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O elenco continua sendo dos maiores trunfos da série. Todos os atores desempenham seus papéis de maneira convincente.  Julianne Moore, embora contida, é um ótimo acréscimo. Elizabeth Banks (que interpreta Effie Trinket) e Woody Harrelson (na pele de Haymitch Abernathy, um dos personagens mais carismáticos) ainda são responsáveis pelos momentos mais engraçados, leves e dão um toque maior de humanidade e realismo para a trama. Destaque também para o saudoso Philip Seymour Hoffman, mantendo o tom enigmático do episódio anterior, mas com intenções mais transparentes. Dispensável dizer que o trio de protagonistas continua funcional. Liam Hemsworth ainda precisa treinar melhor seus dotes dramáticos, mas fez seu dever de casa direitinho. Josh Hutcherson, embora tenha pouco tempo de tela, cumpre bem seu papel como de costume. Jennifer Lawrence, ótima atriz, acaba se excedendo em algumas passagens, pecando nas expressões faciais e na dramaticidade de sua personagem. Mas tem pelo menos um momento realmente belo, no qual entoa versos da canção The Hanging Tree, tão significativa para essa história.

É melhor do que o primeiro Jogos Vorazes (2012), mas fica longe da excelência do segundo capítulo, o Em Chamas (2013). De qualquer forma, é um entretenimento inteligente e que vale ser visto e revisto. Precisamos de mais sagas literárias e cinematográficas como esta dedicadas ao público adolescente. Não só pela abordagem inventiva de temas tão intrínsecos à própria realidade à nossa volta, como pelo tratamento de respeito ao espectador, jamais negligenciando ou ferindo a inteligência do público.

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E que venha A Esperança- Parte 2 que promete um desfecho surpreendente!

Andrizy Bento

Capital Inicial (1986) – Primeiro LP da banda brasiliense

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Muitas bandas do cenário do rock nacional oitentista lançaram seus lendários discos no ano de 1986. Daí o fato de ser um considerado emblemático para o BRock. E foi nesse ano histórico, que uma das bandas mais famosas de Brasília, o Capital Inicial, lançou seu primeiro disco que, anos mais tarde, virou um clássico, e tornou a banda, liderada por Dinho Ouro Preto, nacionalmente conhecida.

Após o compacto, Descendo o Rio Nilo, lançado em 1985, a banda entrou em estúdio no ano seguinte pra gravar seu primeiro LP, estreando com o pé direito. O disco homônimo trouxe sucessos como Fátima, Música Urbana, Veraneio Vascaína (essas 3 de autoria de Renato Russo ainda na época do Aborto Elétrico), Leve Desespero (faixa lado B de Descendo o Rio Nilo) e Psicopata.

Assim como o LP de muitas outras bandas daquela época, o primeiro disco do Capital não conseguiu passar ileso pela censura, recebendo o selo de não recomendado para menores de 18 anos e também com o aviso proibindo a execução pública e radiodifusão da música Veraneio Vascaína.

O álbum foi produzido pelo músico Bozzo Barretti, que também participou como tecladista do disco e, mais tarde, se tornou membro oficial da banda.

Este, até hoje, é um dos discos mais procurados da banda, um dos favoritos dos fãs, por conter músicas que marcaram época e se tornaram grandes hinos.


Adryz Herven

The Archie Show

Um desenho marcante, com muita música e aventuras. Assim era A Turma do Archie.

Com 17 episódios, a série animada – produzida pelo estúdio de animação Filmation, criada por John L. Goldwater, roteirizada por Bob Ogle, dirigida por Hal Sutherland e baseada nos quadrinhos da Archie Comics – estreou no dia 14 de setembro de 1968 na emissora norte-americana CBS.

O desenho animado contava o dia a dia da banda de garagem The Archies. Seus integrantes moravam em um bairro residencial e faziam coisas comuns dos adolescentes da década de 1960. O grupo tocava o pop rock que estava na moda. Além do líder e guitarrista Archie, a banda contava também com seus amigos Reggie (baixo), Jughead (bateria), Betty (tamborim, percussão e guitarra) e Veronica (órgão e teclado) na formação. E não  podemos esquecer do cachorro Hot Dog, o mascote do grupo.

Mais tarde, a famosa bruxinha adolescente Sabrina passou a participar de alguns episódios do desenho. Outro grupo de personagens que deu as caras em The Archie Show, mais para o final da série, foi os Monstros Camaradas (lembrando que tanto Sabrina, a Bruxa Adolescente como Monstros Camaradas ganharam série própria de desenho animado no início dos anos 1970).

O compositor norte-americano Don Kirshner teve a idéia de levar os personagens para a televisão com o objetivo de criar a primeira banda virtual da história dos desenhos animados e executar várias canções nos episódios. É o caso do clássico Sugar Sugar escrita por Jeff Barry e Andy Kim que assinaram todas as músicas do desenho (lembrando que Barry também produziu as canções).

Sugar Sugar se tornou um hit de sucesso e chegou a alcançar o primeiro lugar da UK Singles Chart em 1969, permanecendo por oito semanas no topo.

O próprio Don Kirshner foi quem contratou os músicos para a dublagem musical do desenho. Ron Dante (líder da banda Cugg Link), era o responsável pelo vocal masculino dos Archies. Quanto aos duetos femininos, eles eram cantados por Toni Wine, que depois foi substituída por Donna Marie em 1970 e, posteriormente, por Merle Miller nas gravações finais. Outros músicos contribuíram para o vocal de apoio como Jeff Barry, Andy Kim, Susan Morse, Joey Levine, Maeretha Stewart, Ellie Greenwich, Bobby Bloom e Leslie Miller com a contribuição de Barry para a voz de baixo (dublando Jughead no desenho).

Quanto aos instrumentistas: Hugh McCracken na guitarra, Chuck RaineyJoey Macho no baixo, Ron Frangipane nos teclados e Buddy Saltzman e Gary Chester na bateria.

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Esse conceito do The Archie Show, de bandas fictícias egressas de desenhos animados, influenciou alguns outros produtos nos anos 1960 e início dos 1970. A principal concorrente da produtora Filmation, a famosa Hanna-Barbera, desenvolveu algumas animações nesse estilo, nas quais as tramas também narravam as aventuras de bandas de rock fictícias. Entretanto, ao contrário dos The Archies, as aventuras dos personagens da Hanna-Barbera se tratavam quase sempre de investigar mistérios e, nas horas vagas, se apresentar com suas respectivas bandas. A banda virtual em si ficava em segundo plano, isto é, eram todos derivações de Scooby-Doo, mas com música.

Os desenhos Josie e as Gatinhas, Butch Cassidy (que levavam o nome das bandas no título), As Aventuras de Charlie Chan, (no qual os filhos mais velhos do detetive chinês tinham um grupo musical) e Tutubarão (aonde ele e seus amigos formavam o conjunto subaquático Os Netunos) são alguns exemplos de produções que beberam na fonte criativa de The Archie Show.

Fica a dúvida se a banda virtual de trip rock britânica, Gorillaz, criada no final da década de 1990 pelo líder do Blur, Damon Albarn, também foi influenciada pelos Archies…

No Brasil, a série animada foi exibida pela Rede Globo no início da década de 1970 até os anos 1980. A dublagem foi feita nos estúdios Herbert Richers.

Adryz Herven

[Especial] X-Men – Parte 3 – X-Men: Primeira Classe

Admito que eu fui uma das que torceu o nariz para este filme da franquia X-Men. Eu vinha acompanhando as notícias e novidades acerca da produção desde que esta não passava de uma ideia que circulava pelos estúdios da Fox. Lembro ainda de Lauren Shuler Donner, produtora dos três primeiros filmes da série, dizendo numa entrevista que First Class poderia seguir uma linha Harry Potter (sic).

Qual não foi minha decepção quando anunciaram que a Primeira Classe do filme não seria a Primeira Classe que eu conhecia? Aquela de 1963, criada por Stan Lee e Jack Kirby e que eu pude conferir anos mais tarde nas páginas das edições X-Men Classics e Biblioteca Histórica Marvel, formada por Ciclope, Jean Grey, Fera, Anjo e Homem de Gelo?

Era difícil, para mim, imaginar a origem dos X-Men sendo contada sem Ciclope, que foi o primeiro X-Men. Outra notícia que me incomodou foi a de que Alex Summers, o Destrutor faria parte do filme. Primeiro porque eu nunca gostei muito do Destrutor. Segundo que, pra mim, não fazia o menor sentido a primeira classe contar com o irmão de Ciclope e não com o próprio Ciclope.

O meu medo não era nem o fato de não seguir a cronologia dos filmes anteriores. Normal querer recontar a história dos X-Men desde sua origem independente dos filmes de Singer e Ratner, lançados entre 2000 e 2006. O que me incomodava era que First Class traísse os conceitos e características do original, das HQs, deturpando toda a história e ferindo consideravelmente a cronologia mutante com a qual estamos familiarizados. Juro que não se trata de purismo… Mas quando as modificações são excessivas, aí já é outra história.

Assim que as primeiras fotos do set de filmagens foram parar na internet, desisti de acompanhar toda e qualquer notícia a respeito do filme. Me assustei com os uniformes coloridos… Talvez seja porque me acostumei com a estética e sobriedade de Bryan Singer, com os uniformes de couro pretos (que também me assustaram em um primeiro momento). Ou talvez porque eu fiquei pensando no quão kitsch poderia ser o filme. Ou ainda porque, admito, sou uma fã ferrenha de X-Men e já havia ficado tão desapontada com o que eu tinha lido sobre a produção que decidi implicar com isso também.

Comecei a escapar dos spoilers, das fotos, stills, do tal script vazado, dos clipes… Então vi o primeiro trailer oficial do filme. Não me convenceu. Vi um spot com a Mística e o Xavier e comecei a simpatizar. Vi o segundo trailer oficial e tive que confessar que talvez tenha sido injusta e equivocada nos meus julgamentos. Pensei: “Esse filme está a ponto de me surpreender”.

Enquanto críticos e fãs, gente que não entendia bulhufas e outros versados no universo mutante, teciam elogios, eu, ainda assim, fui para o cinema pronta para reclamar de algumas coisas e fazer vista grossa. Já admiti que sou fã ferrenha, não é? Às vezes até inconscientemente.

E não é que tive que dar o braço a torcer? Eu juro que achei que iria ver um filme divertido e visualmente interessante como Thor. Mas foi mais do que isso.

Essencialmente, X-Men: Primeira Classe foca no início da complexa relação entre Professor Xavier e Erik Lehnsherr (o Magneto) que, mais tarde, irão se tornar rivais, devido a um conflito ideológico. Ambos ótimos em seus papéis, embora Michael Fassbender roube a cena, dando vida e profundidade a um Erik rancoroso e revoltado que sofreu na juventude, tendo sido levado ainda pequeno a um campo de concentração pelos nazistas e visto sua família ser executada devido à sua origem judaica. A história de vida do personagem faz com que o espectador compreenda seus impulsos violentos e  tirania, mesmo que não os justifiquem.

Charles Xavier, a antítese de Magneto, surge em seu caminho como um amigo disposto a refrear sua raiva, mostrar que o ódio não é a melhor saída, tentando fazê-lo crer na coexistência entre as duas raças, humanos e mutantes.

Outra que compõe um personagem memorável é Jennifer Lawrence na pele da transmorfa Mística, transmitindo ao público toda a insegurança que sente em relação à sua mutação genética e a consequente dificuldade em se aceitar como é.

Xavier e Lehnsherr, trabalhando lado a lado, recrutam outros mutantes para formar uma extraordinária equipe. Personagens desconhecidos do público que não acompanha as HQs surgem na tela como Banshee, Destrutor e Angel (no filme seguinte, entendemos o propósito disso). Durante essa busca de Erik e Charles, Wolverine dá as caras numa rápida e divertida cena.

Esta é a melhor qualidade do longa: a construção e desenvolvimento de personagens. Mas há outros méritos a se ressaltar.

O trabalho do diretor Matthew Vaughn não se limita a ser apenas competente, surpreendendo em vários momentos. O cineasta conduz a narrativa com bastante destreza, equilibrando bem momentos mais dramáticos e densos com cenas de ação e humor.

Felizmente a temática do preconceito é, mais uma vez, bem trabalhada. Esse aspecto do roteiro jamais é negligenciado, e também não cai no discurso panfletário. O filme tem uma mensagem a passar, mas o faz com bastante naturalidade e inteligência, sem nunca deixar de lado o senso de diversão. O roteiro é feliz ao aliar a atmosfera de filme de ação a um contexto histórico bem definido.

Os uniformes são funcionais, sim – ao contrário do que eu pensei a princípio. O estilo retrô da direção de arte, cenografia e figurinos evoca um clima sessentista preciso e até elegante, remetendo ao cartunesco em certos momentos.

Os diálogos representam um dos pontos fracos do filme, soando um pouco over em algumas sequências, com frases de efeito que poderiam muito bem ser limadas. A cena em que os X-Men escolhem seus codinomes é tola e até forçada. Também não há nenhuma cena realmente grandiosa (uma carência que já se tornou constante nos filmes dos X-Men), mas isso não prejudica o conjunto.

Não é o X-Men dos meus sonhos, tanto que não derramei uma lágrima ao final da projeção. E isso é muito significativo. Ainda gosto mais de X-Men 2 e, agora, de Dias de um Futuro Esquecido. Contudo, Primeira Classe trata-se de um digno recomeço (ou seja lá como chamam) para a franquia mutante.

Como foi bom ver que eu estava errada. Mudar de opinião é uma atitude sábia quando se reconhece o erro e a injustiça que cometemos 😉

Adendo 1: Apenas bem mais tarde – leia:se: quando eu já havia assistido ao filme – que me dei conta que a proposta era manter os acontecimentos e a cronologia estabelecida nos primeiros filmes. Portanto, Ciclope e Jean Grey jamais poderiam fazer parte da equipe dos anos 60. Se a ideia era conectar a trilogia aos novos filmes, não faria sentido, uma vez que eles ainda eram bem jovens em um futuro não muito distante.

Adendo 2: X-Men: Primeira Classe contou, infelizmente, com uma das piores campanhas de divulgação. A Fox é aquele estúdio que quando não faz bobagem na entrada, faz na saída. Nesse caso, foi na entrada. Menos mal.

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 2 – X2: X-Men United

“The war has begun” 

Deve ser insuportável assistir a uma sessão de X2 comigo. Eu conheço o filme de trás para frente e sei todas as falas de cor. Então eu fico dizendo qual cena virá a seguir e completo as falas dos personagens antes mesmo deles…

Observações à parte, X-Men 2 é daqueles filmes que só melhoram a cada nova revisita. É uma prova de que cinema de entretenimento não precisa ser reduzido apenas à pirotecnia, ação desenfreada e ausência de um enredo coerente e plausível. Em outras palavras, não tem que ser sinônimo de “aventura descerebrada”, como pensam muitos executivos de estúdio por aí.

Bryan Singer conquistou meu respeito e admiração com esse filme. Eu já gostava do primeiro X-Men. Mas esta segunda incursão dos mutantes no cinema é uma evolução do primeiro em todos os sentidos, em cada detalhe.

Nos anos 80, James Cameron já havia mostrado interesse em levar os mutantes para a telona, porém, com o fim da produtora independente Carolco Pictures, o projeto foi engavetado. Ainda bem, pois não poderia ser naquela época. Singer era o cara ideal para dirigir um filme dos X-Men. Ele não só compreende perfeitamente a essência das HQs como sabe traduzi-la para o formato cinematográfico, enxugando excessos, aparando arestas e escalando atores competentes que, em seus uniformes de X-Men, fazem justiça às suas contrapartes nos quadrinhos.

Ver tantos atores maravilhosos como Patrick Stewart, Ian McKellen e Brian Cox dividindo a tela é nada menos que um primor. Todos perfeitos em suas caracterizações. E já que estamos falando de boas interpretações, é óbvio que eu não posso deixar de citar Hugh Jackman que, a despeito de sua estatura – 1,90 cm – é o Wolverine.

O primeiro filme, como eu comentei no texto anterior, é uma digna introdução dos nossos heróis mutantes no cinema. Sendo bem-sucedido na apresentação daquele universo e de seus personagens ao público– apesar de poucos mutantes em campo – e esclarece bem o conflito entre Charles Xavier e Magneto. O pacifista e o xiita. Sabemos que os vilões não são apenas vilões por serem maus. E que nem os que lutam do lado dos mocinhos são exemplos de boa conduta o tempo todo, passando longe de uma narrativa maniqueísta.

X-Men 2 enriquece esse cenário, introduzindo novos mutantes, mais dinamismo, sequências de ação ainda mais eletrizantes e um roteiro inteligente e bem elaborado, que alia a aventura e o senso de diversão a um contexto político e social. O enredo reflete questões atuais e pertinentes, utilizando o debate sobre mutação genética como metáfora para a não-aceitação daquilo que é diferente. Uma alegoria precisa sobre o preconceito contra as minorias. Apesar de manter o clima dos quadrinhos, não é difícil você se pegar fazendo associações da obra com a nossa realidade, com o nosso cotidiano.

Eu gosto de quase todas as sequências, é fato. Mas tem algumas que merecem realmente destaque: a invasão do Instituto Xavier ordenada por Stryker (um cientista militar cujo objetivo é exterminar os mutantes); a sequência na casa dos pais de Bobby Drake; a perseguição ao X-Jet; Mística entrando no complexo militar no Lago Alkali; a sequência de abertura protagonizada por Noturno; e, a minha favorita, a fuga de Magneto da prisão de plástico. Todos os personagens têm seu momento – aliás, bons momentos – por menores que estes sejam.

X2 prima pela coesão do roteiro, pelas boas idéias e sacadas, cenas de ação bem coreografadas, ótimas construções de personagens e linhas de diálogos, pelo visual impecável com que Singer presenteia os espectadores. Figurino, maquiagem, cenografia, tudo é muito bem concebido e nos transmite exatamente a sensação de se estar vendo uma aventura dos mutantes já conhecidos dos quadrinhos, na telona.

Da introdução ao desfecho, o filme é brilhante. Se ele peca em algum quesito? Sim, infelizmente nem tudo pode ser perfeito. No final, quando o lago Alkali está a ponto de ser completamente inundado e os X-Men tem pouco tempo para escapar em seu jatinho estiloso (que cisma em perder potência e não funcionar naquele momento crucial em que eles precisam salvar suas vidas), vemos Wolverine tranquilamente ir atrás de Stryker para um último diálogo, o que por si só exclui a urgência da cena. E o sacrifício de uma das personagens por conta disso parece quase em vão. Embora isso renda mais uma sequência com um visual exuberante, nos dando um pequeno vislumbre de um efeito que os leitores  já achavam sensacional desde as HQs. E vê-lo na tela é um show à parte.

Há algumas decisões que não são bem explicadas ou totalmente  justificadas, mas que não chegam necessariamente a incomodar nesse grande filme de Bryan Singer.

X-Men 2 é bem roteirizado, elencado, dirigido e montado. E é incrível como uma dos momentos finais – os mutantes reunidos no gabinete do presidente dos Estados Unidos – ainda me transmita aquela mesma emoção da primeira vez em que vi o filme. E a cena imediatamente anterior aos créditos é de deixar qualquer X-Maníaco extasiado.

Ao final de mais uma sessão de X-Men 2 são lágrimas nos olhos e a certeza de que Singer foi o responsável por uma das melhores traduções de uma aventura dos nossos queridos mutunas para as telas. E, por que não dizer, uma das melhores traduções de uma aventura dos quadrinhos para o cinema?

É exatamente o que X2 representa. Pelo menos para mim 😉

E X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, felizmente, vai na mesma direção. E eu ainda não consegui tirar a cena do Mercúrio da cabeça…

Mais quatro dias para a estreia!

Andrizy Bento

Beverly Hills, 90210

Para muitos, um simples número, um código postal. Mas para mim significa o inicio de uma paixão. É culpa de Beverly Hills, 90210 (conhecido em terras tupiniquins como Barrados no Baile), o vício em séries. Também coloquem na conta de 90210, o fato de ser shipper. Admito que  esse é um vício muito mais complicado, pois não adianta explicar, as pessoas nunca vão entender o porquê do shipper.

Aposto qualquer grana que qualquer pessoa que shippou Brenda e Dylan se emociona ouvindo Losing My Religion do REM… E tem ódio mortal de Kelly Taylor (só shipper é capaz de entender).

Porém, 90210 não é só Brenda, Dylan ou Kelly. A história, reza a lenda, girava em torno de dois irmãos gêmeos que se mudaram da fria Minnesota para a encalorada Los Angeles. O título brasileiro do programa nos dava a ideia errônea de que eles sofreram sérios problemas de adaptação. Isso nunca aconteceu. Em anos de séries e mais séries adolescentes  no menu, nunca vi jovens se integrarem mais rápido do que em Barrados no Baile.

Mas Barrados, como os fãs brasileiros chamam carinhosamente até hoje, é seminal para séries do gênero teen. Qualquer programa onde os jovens são os astros, tem como principal influência Barrados no Baile.

Os personagens que dominaram a telinha e nosso imaginário foram: Brandon (o cara estudioso, o genro dos sonhos de seus pais), Brenda (alguns podem referir-se a ela como vulgar, algo que ela não era. Mas digamos que Brenda agia com o coração ao invés de racionalmente), Kelly (a amiga que sofre com a separação dos pais e se afoga em sentimentos controversos), Donna (a menina certinha, a qual durante anos esperamos o dia em que ela perderia sua virgindade), Steve (o garoto rico e bobo da turma) e, por fim, David (o garoto mais novo que quer se enquadrar de todas as formas com a turma legal do colégio).

Acompanhamos as aventuras e desventuras da galera de Beverly Hills, 90210 por 10 anos. Alguns podem dizem que só os primeiros quatro anos da série são dignos. Talvez, mas não se pode descartar jamais os anos seguintes, nos quais presenciamos o amadurecimento de todos os personagens. O crescimento emocional de Steve, o amadurecimento de Donna e Kelly, a certeza que sempre tivemos de que Brandon era sim um homem com um futuro brilhante. E certamente se 90210 fosse real, Brandon seria um dos maiores jornalistas dos Estados Unidos.

O “ship” Brenda e Dylan

Alguns podem perguntar por que o ano cinco é determinante. Porque a partir daí não temos mais Brenda e para mim ela era a alma da série. Dylan, seu par romântico, gravita por um ano meio sem destino até que de repente se apaixona pela filha de um mafioso e, coitada, é assassinada pelo pai no último episódio daquela temporada (a morte é causada para proteger Dylan). Muitos não engolem, mas a verdade é essa. A partir daí vimos finalmente Kelly e Dylan como o casal perfeito. Mas (pasmem!) Dylan acaba indo embora, atrás da mulher que ele sempre amou, Brenda (na historia ela esta estudando teatro em Londres). E nos anos seguintes temos noticias dos dois em pílulas. Dylan e Brenda tem uma casa no Caribe… Em suma, os dois viveram felizes na Europa.

Porém tudo tem que ter um fim e com a trajetória de Barrados (90210) não foi diferente. O décimo ano é marcado pela saída de Brandon e a volta de Dylan. Brenda, como saiu de forma intempestiva, conta-se nos bastidores que nem foi convidada a voltar. O fato marcante da temporada é o casamento de Donna e David. E a suposta reunião de Kelly e Dylan. Para felicidade de meu coração shipper, prefiro acreditar que Dylan percebeu que Kelly era um erro e voltou para Londres e para os braços de sua Brenda (me internem).

Barrados sempre será inesquecível. Assim como Friends, tem o poder de me fazer sentar e rever um episódio mesmo que eu já o tenha visto algumas vezes.

Algumas curiosidades: foi com Barrados que eu aprendi o que era fim de temporada, pois eu não entendia porque acontecia algo de extraordinário em um episódio e depois… nada dele na semana seguinte (podem rir!)

E quem tinha o desprazer de acompanhar na TV aberta (Rede Globo), nunca soube o que aconteceu com Valerie, a personagem que entrou no lugar de Brenda. Explico: na finale do oitavo ano, o gancho pro ano seguinte seria descobrirmos se Val tinha ou não AIDS. Pergunta que ficou sem resposta. Inexplicavelmente a Globo na exibiu a nona e décima temporadas.

Por isso sou devotíssima de São Download!

Beijos e até a próxima!

Gaby Matos