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Preacher – Quadrinhos Revolucionários

Virou lugar-comum apontar os icônicos super-heróis de papel como um dos maiores símbolos da cultura pop ianque e, como as adaptações de quadrinhos de heróis se tornaram um dos negócios mais lucrativos do mercado cinematográfico da década passada pra cá, não é de se admirar que muitas vezes os quadrinhos americanos sejam reduzidos a essa referência por aqueles que conhecem a arte de maneira mais genérica. Mas a verdade é que as comics não se restringem apenas a super-heróis mascarados prontos para combater o crime, salvar o mundo, que se envolvem nas mais absurdas e peculiares situações.

O mainstream e o underground estão presentes não apenas na música e no cinema, mas também nos quadrinhos. Desse modo, existem tanto as HQs mais comerciais (geralmente os títulos de super-heróis), quanto uma linha mais alternativa dessa mídia (no caso, os quadrinhos para leitores maduros). É possível encontrar tanto em uma como na outra, produtos de qualidade. Mas é bom saber que há muito a ser explorado nessa cultura e que merece um pouco mais de investigação e pesquisa por parte daqueles que estão começando a se aventurar pelo universo da 9ª arte ou ainda se limitam apenas à leitura de HQs de super-heróis que, definitivamente, dominam o mercado e o imaginário popular.

Bons exemplos de quadrinhos alternativos de qualidade são Estranhos no Paraíso, Cerebus, Love and Rockets e Preacher.

Aliás, esse último é o que merece nossa atenção. Preacher é uma leitura que impacta pela subversão, violência gráfica e altas doses de humor negro.

Contando com o argumento de Garth Ennis e o belo traço de Steve Dillon, essa atípica road history narra as desventuras de Jesse Custer, um ex-pastor possuído pela entidade Gênesis, que nasceu da união entre um anjo e um demônio. A entidade lhe confere o poder de ser obedecido por quem quer que seja, como se sua voz fosse a própria palavra de Deus. Logo que os anjos do Paraíso ficam sabendo da fusão de Custer com a entidade, decidem matá-lo.

Jesse Custer é a própria personificação do anti-herói, apresentando características inerentes a essa figura, sempre bebendo e fumando demais. O ex-pastor acaba, por fim, encontrando um objetivo (estranho e enigmático) em sua vida: Tentar descobrir onde diabos Deus se meteu. Mas Custer não está sozinho nessa empreitada. Ao lado de sua amante Tulipa e do bizarro vampiro irlandês e alcoólatra Cassidy, ele parte em busca do Deus que renunciou seu posto.

A série foi publicada pelo selo Vertigo, uma divisão madurada da editora DC Comics, que lançou entre outras, as clássicas revistas do Monstro do Pântano, Sandman, V de Vingança e Watchmen. Foram sessenta e seis revistas regulares e seis edições especiais de Preacher, o que não tão curiosamente formam o número 666.

Com influências que vão dos bons e velhos westerns americanos até Quentin Tarantino, abusando da linguagem de baixo calão e violência crua e extrema, a série chegou a ser chamada de misógina e satanista. Não é de se surpreender uma vez que sempre surgem mal-entendidos e alegações infundadas como estas quando não se capta a real mensagem da obra.

Além de uma história sobre a fé, Preacher é o reflexo de uma jornada de companheirismo e uma poderosa crítica social. Fora a indagação bastante pontual: Onde Deus foi parar?

Vale a pena escavar melhor o universo das histórias em quadrinhos e descobrir preciosidades como essas. Leituras maduras, críticas, com profundidade, que transmitem mensagens interessantes e pertinentes e são conduzidas de maneira inteligente e inovadora. Também vale para perceber que quadrinhos americanos são mais do que apenas heróis encapuzados, nerds em conflito com seu alterego, jovens equipes de heróis, justiceiros milionários que levam vida dupla e patriotas  imbatíveis.

Andrizy Bento

Novo trailer de The Avengers

Decidi fazer uma rápida atualização aqui no blog, apenas para postar o novo trailer de The Avengers (Os Vingadores). Nada mais justo, visto que esse é um dos filmes mais esperados do ano pela equipe do Bloggallerya.

O filme dirigido por Joss Whedon (Buffy) e estrelado por Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson entre outros, estréia nos cinemas em 27 de abril de 2012.

E aí? Ansiosos como nós? 😉

Andrizy Bento

Nossos Heróis

O Espetacular Homem Aranha

O problema de se saber demais a respeito de uma determinada obra – um livro ou uma HQ, mais precisamente –  é que você nunca (nunca mesmo), vai ficar suficientemente empolgado com um filme baseado nela, sem levar em consideração diversos fatores, sem ficar temeroso por criar tantas expectativas e, depois, o resultado final não corresponder a elas. Vejam: eu leio Homem Aranha desde os 6 anos. Praticamente aprendi a ler com o Aranha, então, querendo ou não, sempre vou ter aquela pontada de desconfiança e analisar a coisa toda com certo ar professoral. Ainda que não intencionalmente.

Veja o caso da Andrizy e dos X-Men, principalmente este último filme, o First Class. Enquanto muita gente diz que é o melhor filme dos mutantes, Andrizy discorda e com razão. O filme superou as expectativas da nossa blogueira-chefa, mas ela se acostumou a ler uma “outra primeira classe” que nem de longe era formada por aqueles personagens que estavam na tela quando ela foi ver XMFC.

Totalmente compreensível.

O que funcionava na trilogia anterior do Aranha, assinada por Sam Raimi, é que sabíamos de antemão que se tratava de uma releitura do herói com algumas licenças poéticas. Os filmes do Raimi eram bem autorais, tratavam-se da versão dele para o aracnídeo.  Era tudo uma  questão de imaginar que o Raimi era um roteirista de histórias em quadrinhos chamado para contar uma nova e distinta versão do mítico herói. Contudo, os filmes mantinham o ritmo, o espírito e o clima das antigas histórias do Amigão da Vizinhança. O cineasta pegou as características essenciais da história e do personagem e fez uma releitura de respeito do mais famoso personagem da Marvel. E esse era o grande trunfo da trilogia anterior.

O diretor Marc Webb preferiu manter a fidelidade ao material de origem, sem alterações e mudanças drásticas ou significativas em relação ao original, apostando no dinamismo e na essência das HQ’s Ultimate. Como eu disse em um post passado, o enredo deste novo filme do teioso, se aproxima mais da origem do personagem nas histórias em quadrinhos.  Vamos deixar claro que, embora eu ame a Kirsten Dunst (a ponto de até ter o clipe do chatíssimo Savage Garden estrelado por ela no meu mp4, o qual eu assisto sempre sem som) ela não era a escolha ideal para encarnar Mary Jane na tela; não tinha o biótipo correto para a personagem. Já Emma Stone parece extremamente convincente como Gwen Stacy. E se Tobey Maguire já vestia o uniforme do Aranha com dignidade, Andrew Garfield, felizmente, vai pelo mesmo caminho. O importante é compreender a essência e a humanidade do herói e do cara por trás da máscara do herói. E isso, Maguire fez e Garfield, pelo pouco que vimos, vem fazendo também, além de injetar mais momentos de humor que era o que faltava na trilogia anterior. O filme também destaca os problemas do aracnídeo com a polícia. Até agora tudo parece sensacional. Um tanto quanto justificado e explicado demais, mas isso não interfere em nada e é mais do que comum em filmes de origem, especialmente hoje em dia. Esperamos por um filme inteligente, empolgante e divertido.

Os Vingadores

Eu tenho um exército.

Nós temos um Hulk.

A melhor coisa do trailer é o Homem de Ferro, aliás, que fique bem claro que, pra mim, a melhor adaptação da Marvel é o Homem de Ferro. Favreau fez o que deveria ser feito em termos de adaptação de quadrinhos. Os longas do Ferroso são cheios de ação, eletrizantes, consistentes, emocionantes e bem humorados.

Ta que todo mundo vai dizer que X2 é a melhor adaptação, blábláblá, mas ainda acho que X-Men não atingiu todo o seu potencial na telona, coisa que o Favreau conseguiu fazer em seus dois filmes do Homem de Ferro, explorando de maneira eficiente a mitologia e personalidade do herói.

Acho que os fãs de quadrinhos concordam comigo quando digo que Homem de Ferro é uma tradução mais que bem feita e fiel de HQ’s para a tela grande (os fãs legais, não os puristas chatos duzinferno que pensam que só eles entendem de quadrinhos e se acham no direito de dizer que os outros não entendem nada e além de tudo são uns toscos – pra não dizer coisa mais grave – por não entenderem que nem tudo o que funciona nas comics, funciona nas telas; que é possível ser fiel à essência, mas não dá pra reproduzir letra por letra de mais de 50 ou 60 anos de quadrinho0s no cinema). Os filmes do Thor e do Capitão América são corretos, divertidos, feitos a partir de uma fórmula que não tem como errar a mão ou fazer não funcionar. Mas Homem de Ferro é mais do que isso, são longas mais completos. Os Vingadores, o trailer está do jeito que a gente gosta. Muita adrenalina, recheado de diálogos espertos, repleto de cenas de ação memoráveis e dando aquela ideia de realização de sonho dos fanboys. Espero que Joss Whedon tenha feito sua tarefa direito além de justiça aos nossos aclamados Vingadores. Ansiedade é a palavra do momento. Que pena que ainda é fevereiro.

Kevin Kelissy 

[Cinema] Trailer de O Espetacular Homem-Aranha

Engrosso o coro dos que acharam que a decisão de fazer um reboot de Homem-Aranha foi precipitada. Afinal, não faz nem cinco anos que o terceiro filme da série assinada por Sam Raimi foi lançado, e tem outra, com Quarteto Fantástico e Demolidor necessitando urgentemente de reboot depois dos fiascos que protagonizaram nos cinemas (nem surpreende que ambos sejam da Fox, né?), qual a razão de recomeçar do zero com o cabeça de teia nas telonas?

Bem, depois de tantas interferências do estúdio no trabalho de Raimi, que gerou diversas desavenças criativas entre a Sony Pictures e o diretor, acabou que a notícia bombástica, mas não de todo imprevisível, que os fãs receberam foi que Raimi estava fora, e não só ele como também Tobey Maguire, o intérprete do Homem-Aranha, e Kirsten Dunst, a Mary Jane, o interesse romântico do herói.

Triste. Mas desde Homem-Aranha 3 notava-se que algo não ia bem. Que faltava sintonia entre o cineasta e o estúdio. Depois de um excelente Homem-Aranha 2, o episódio 3 da série é altamente decepcionante, atropelado, desequilibrado. Pra falar a verdade, mais surpreendente que a notícia que Raimi, Maguire e Dunst estavam fora, foi, na verdade, a notícia que veio antes, a de que teria um Homem-Aranha 4 depois daquele lamentável terceiro filme. Confesso que nem o acho assim tão ruim. Em termos de entretenimento, ele diverte. Mas é fato que os problemas desse filme saltam aos olhos de maneira escancarada. É algo semelhante ao que aconteceu com X-Men: O Confronto Final. Nota-se de longe que não apenas os produto final, no caso o filme em si, tem defeitos, mas que também houve problemas desde a concepção, nos bastidores do longa.

Mas por que dar fim a uma popular e bem sucedida franquia? Um personagem tão rentável como Homem-Aranha, seria quase um desperdício deixá-lo ausente dos cinemas, então dá-lhe reboot! Mas e aí, como substituir à altura Sam Raimi que, mesmo fazendo várias modificações (até bastante significativas) em relação ao original das HQ’s, fez um excelente trabalho com os primeiros filmes do teioso; e Tobey Maguire que deu vida a um exemplar Peter Parker/Homem-Aranha? Pois, apesar das alterações e mudanças na transposição da HQ pro cinema, Homem-Aranha 2 é um filme que tem um lugar cativo no coração de inúmeros fãs…

Para alívio geral, são boas as notícias que andam circulando a respeito do novo filme, O Espetacular Homem-Aranha. Nada de teias orgânicas dessa vez, e Gwen Stacy será retratada de maneira mais fiel ao material original (no terceiro filme de Raimi, sua origem na história e personalidade são totalmente distintas da personagem dos quadrinhos). Gwen aparece como o primeiro amor de Parker, ao invés da Mary Jane da trilogia anterior. O próprio Parker terá aparentemente sua origem contada de maneira mais fiel.

Marc Webb é o diretor responsável pelo “renascimento” do herói nas telonas, e o sortudo indivíduo por trás da máscara é Andrew Garfield, um ator bastante simpático que mostrou competência em filmes como A Rede Social e Não Me Abandone Jamais. Durante a divulgação na Comic Con deste ano, o cara até se vestiu de Homem-Aranha e falou de sua devoção pelo herói.

Pelo menos por enquanto, não há motivo pra apreensão. Marc Webb deve saber que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” e não tem decepcionado com o material de divulgação que mostrou até agora. O trailer está bem interessante. Resta esperar pra ver como vai ser o filme. Se não chegar a ser tão bom quanto o Homem-Aranha 2, que pelo menos seja um filme de origem competente, um retorno digno do meu super-herói favorito às telonas.

Boatos de que só com esse final do trailer, pela perspectiva do herói, Webb já conquistou muito fanboy…

O Espetacular Homem-Aranha estréia em 03 de julho do vindouro e, provavelmente, sensacional ano de 2012

Kevin Kelissy

[Cinema] Capitão América

Oba!  Chega de Harry Potter Finalmente meu primeiro post no novo blog. Espero que gostem. Começo então com Capitão América, e as opiniões minha, do Kaio e do Skywalker a respeito do filme. Por enquanto é isso e até mais ver!

Kevin: Confesso que eu demorei a me empolgar com esse filme. E quando o nome de Chris Evans foi anunciado, deixei escapar um sonoro: Xiiii! Tá que ele é o melhor em cena nos bobos e rasteiros filmes do Quarteto Fantástico, nos quais interpretou o Tocha Humana. Na verdade, ele era uma das poucas coisas que valiam a pena nos filmes do Quarteto. Mas eu simplesmente não conseguia visualizá-lo como Capitão América, não me parecia convincente. Então, eu vi o trailer. Minha opinião mudou e eu comecei a ficar empolgado. Passado o entusiasmo inicial, eu finalmente pude conferir o filme e posso dizer que é uma ótima surpresa. O Capitão América é um herói complicado de se agradar ao público. Ele parece um daqueles velhos heróis esquecidos no passado e que nos transmite um certo sentimento de nostalgia. Tido como “bom moço”, herói “correto”, que mantém vivos os “valores americanos” sem o cinismo de um Wolverine, por exemplo, que é rebelde e anti-herói e, dessa forma, conquista melhor a platéia. Ainda por cima, o velho Steve Rogers é uma bandeira norte-americana ambulante… Esse símbolo desperta controvérsias. Mas o novo filme baseado no herói é bom, não tem nada de épico, espetacular, nada disso. Capitão América é um filme que funciona bem e cumpre sua proposta. O visual que mescla o moderno e o retrô, o clima de Segunda Guerra e os efeitos são bem competentes. A história é bem sólida e Evans sabe passar ao público tanto o lado icônico, quanto o lado humano do personagem. Mas é isso, um filme divertido, bem feito, correto.

Na expectativa para Os Vingadores 😉

Kaio: Divertido é a melhor definição para o novo filme do Capitão América. Nada mais é do que um filme pipoca, uma aventura linear, um entretenimento leve, sem grande complexidade. Faltou um pouco mais de densidade ao personagem, mas isso não chega a comprometer o todo. Esse longa é bem o que se espera de um filme de super-herói, ainda mais um tão arriscado quanto o América, um poderoso símbolo dos Estados Unidos, glorioso e heróico (tudo aquilo que o mundo inteiro praticamente concorda que os EUA não é). O roteiro é bem coeso e bem desenvolvido, mas faltou um pouco mais de grandiosidade e ousadia, ainda mais em se tratando de um filme desse calibre e de um personagem tão emblemático quanto o Capitão América. Os realizadores apostaram mais no correto, investiram mais numa proposta que, ao que parece, tem sido constante em filmes do gênero. X-Men: First Class e Thor são outros exemplos disso. Filmes que divertem, com um clima de aventura dos quadrinhos, mas sem a força e o peso dos primeiros X-Men, do Homem-Aranha 2 ou, pra citar um da rival, Os Batman do Nolan. Ainda assim um filme que merece ser assistido. E, para quem ficou com um pé atrás de ver o Tocha Humana como Capitão América… bobagem! Melhor papel do Chris Evans em muito tempo… na verdade, melhor papel dele desde que começou a atuar.

Skywalker: Não conheço Capitão América, só ouvi falar. Nunca li, nunca vi desenho, não assisti aquele filme produzido há umas décadas que foi massacrado e fui ver esse só por ver mesmo, só porque estava com vontade de ir ao cinema e era uma das poucas opções em cartaz que se adequava ao meu horário. Bom filme de ação, boa aventura, mas não entendi muita coisa porque não conheço a mitologia do herói. Referências? Pfff… nem reparei que tinha. Os Vingadores? Né, legal… Eu gostei dos filmes do Homem de Ferro, gostei do Thor… Mas eu só conheço mesmo o Homem Aranha e o Batman. Desculpa, colegas! Chris Evans who?

Postado e revisado por: Kevin Kelissy