Arquivo da tag: Quadrinhos

O que vem por aí: Os Vingadores 2 – A Era de Ultron

Na última quarta-feira, dia 4, saiu o novo trailer de Os Vingadores 2: A Era de Ultron. Repleto de cenas inédias e referências, o vídeo aguçou a ansiedade dos marvetes de plantão, deixando todos os fãs na maior expectativa. Confira:

Sequência do sucesso Os Vingadores (2012), o longa reúne mais uma vez a super equipe de heróis da Marvel. Quando Tony Stark tenta alavancar um programa de paz virtual, as coisas dão errado e os maiores heróis da Terra, incluindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, o Incrível Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro enfrentam o teste definitivo enquanto o destino do planeta está em jogo. Quando o vilanesco Ultron surge, cabe aos Vingadores impedi-lo de concluir os seus planos terríveis. Para tanto, logo surgem alianças inesperadas que abrem caminho para uma aventura global épica e única.

Os Vingadores 2: A Era de Ultron tem no elenco Robert Downey Jr. , que retorna como Homem de Ferro ao lado de Chris Evans (Capitão América) Chris Hemsworth (Thor), e Mark Ruffalo (Hulk). Junto com Scarlett Johansson (Viúva Negra), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro) e com o apoio de Samuel L. Jackson (Nick Fury) e Cobie Smulders (agente Maria Hill), o time se reúne para enfrentar Ultron vivido por James Spader, um assustador vilão tecnológico obcecado com a extinção humana. No caminho, eles enfrentam dois misteriosos e poderosos novatos, Wanda Maximoff, interpretada por Elizabeth Olsen, e Pietro Maximoff, interpretado por Aaron Taylor-Johnson, e encontram um velho amigo em uma nova forma quando Paul Bettany se torna o Visão. Escrito e dirigido por Joss Whedon e produzido por Kevin Feige, Os Vingadores 2: A Era de Ultron é baseado na sempre popular série em quadrinhos Os Vingadores, publicada pela primeira vez em 1963.

O filme está previsto para estrear em 23 de abril nos cinemas brasileiros.

Andrizy Bento

Mash-up: e se X-Men fosse dirigido por Wes Anderson?

Alguns fanmades são surpreendentes. Você encontra pelo youtube e outros sites de vídeos, uma variedade de trailers fictícios feitos por fãs  (geralmente crossovers inusitados entre obras distintas) que conseguem até mesmo superar muito trailer oficial que se vê por aí.

Este é um caso bem interessante. Como seria se Wes Anderson dirigisse um filme dos X-Men? Embora eu não seja lá grande fã do diretor, devo admitir que este trailer fanmade ficou excelente e me deixou curiosa para saber como seria o resultado final se o cineasta realmente embarcasse na ideia de adaptar uma aventura dos mutunas para a telona.

As características que se tornaram marcas registradas do cinema de Anderson estão todas ali, bem visíveis: paleta de cores saturadas, simetria rigorosa, personagens excêntricos (X-Men seria definitivamente um prato cheio para o diretor), figurino espalhafatoso, plongée e contra-plongée em demasia (o cineasta é obcecado por esse tipo de enquadramento), trilha sonora deliciosamente nostálgica, estilo retrô e – a cereja no topo do bolo – sarcasmo afiado.

Já no que diz respeito aos nossos queridos heróis mutantes, a equipe retratada no vídeo é a primeira, de 1963, criada por Stan Lee, composta por Ciclope, Anjo, Fera, Homem de Gelo e Jean Grey. No entanto, há participações de Wolverine e Tempestade. O clima remete mesmo às primeiras HQs, tanto por conta do aspecto envelhecido da fotografia, quanto pelos figurinos coloridos e uma certa ingenuidade dos personagens que ainda não se viam como parte de uma raça, apenas como um pequeno e seleto grupo de jovens deslocados, esquisitos e diferentes do restante da sociedade. Não passam despercebidos o estilo do grande vilão Magneto e a onipresença de Charles Xavier.

O vídeo, de autoria do talentoso e criativo Patrick Willems, está dando o que falar internet afora, sendo compartilhado exaustivamente nas redes sociais, virou notícia no aclamado site de entretenimento norte-americano Indiewire e até mesmo Bryan Singer (diretor de grande parte dos filmes da franquia mutante, inclusive de X-Men: Apocalypse que se encontra em fase de pré-produção) fez questão de postar em sua conta no twitter o link para que seus seguidores conferissem a matéria.

Sacada genial. Os fãs de X-Men e Wes Anderson vão se divertir assistindo ao encontro desses universos tão distintos. Verdade seja dita: o trabalho no vídeo é tão bem feito que nem parecem tão distintos assim 😉

Andrizy Bento

Demolidor – Teaser Trailer da Série de TV

A Netflix disponibilizou o primeiro teaser trailer da série de TV do Demolidor, Daredevil, baseada nas histórias em quadrinhos da Marvel Comics que estreia em abril. Abaixo, você confere o trailer legendado:

Demolidor, a nova série da Marvel, segue a história de Matt Murdock (Charlie Cox), vítima de um acidente que o deixou cego quando adolescente, mas também incutiu nele superpoderes sensoriais. Matt se forma advogado e abre sua firma na perigosa Hell’s Kitchen, onde luta por justiça: de dia como advogado, de noite como o Demolidor, o guardião das ruas de Nova York.

Além de Cox como o protagonista, Demolidor também conta com Vincent D’Onofrio na pele do Rei do Crime e Rosario Dawson como Claire Temple no elenco.

A partir do dia 10 de abril, a Netflix disponibilizará todos os 13 episódios da primeira temporada da série de uma só vez.

Andrizy Bento

Gibicon 2014

2014-09-06 17.53.58

O que é mesmo?

Gibicon é uma convenção internacional de quadrinhos de Curitiba. E faz todo o sentido ser esta a sede de um evento como este, afinal Curitiba foi pioneira na criação de uma biblioteca especializada em quadrinhos no Brasil, a Gibiteca. E, como diz Solda, nossa cidade sempre foi um centro produtor de cartum, especialmente desde a efervescência da década de 1970. A capital paranaense é uma referência quando se trata do tema, com uma cena local admirável de HQs independentes. Creio que não é nenhum exagero dizer que Curitiba é a capital brasileira dos quadrinhos. E a Gibicon chegou para reafirmar isso.

2014-09-05 13.20.11

Nas duas edições anteriores do evento, vários espaços culturais da cidade foram ocupados para a realização das atividades envolvendo o universo das HQs. Neste ano, porém, a Gibicon (que ocorreu entre os dias 4 e 7 de setembro) concentrou tudo em um só espaço: O Museu de Arte, o MuMA – Portão Cultural, localizado no bairro do Portão, bem em frente ao terminal de ônibus. Desta forma, não poderiam perder a chance de recorrer ao trocadilho: Curitiba abre o Portão para os quadrinhos mundiais. E foi o que aconteceu. Preciso concordar com os realizadores que a Gibicon nº 2 foi, sem sombra de dúvidas, mais forte, corajosa e madura.

2014-09-05 13.18.56

Mas peraí… Gibicon nº 2? Mas eu não acabei de dizer que o evento está em sua terceira edição? Pois é, ficou um pouco confuso mesmo, mas é que a primeira edição do evento, que ocorreu em 2011, foi chamada de “nº 0” por se tratar de um evento teste. Em outubro de 2012, daí sím, foi realizada a Gibicon nº 1. De lá pra cá, Curitiba abraçou a ideia: o evento virou notícia na mídia local e nacional; foi premiada; recebeu grandes nomes dos quadrinhos nacionais e internacionais; gente de toda parte do Brasil veio conferir, participar, expor e divulgar seus trabalhos. A receptividade não poderia ser melhor.

O que teve lá?

Neste ano o evento se destacou pela diversidade e organização digna de nota. Como sempre, teve de tudo um pouco: palestras, debates, oficinas, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos, cosplay, Arena dos Artistas, Feira de Quadrinhos e cupcakes deliciosos com carinhas de super-heróis. É, eu tinha que citar os cupcakes. Houve até a criação de uma premiação paranaense que celebra a nona arte, o Prêmio Claudio Seto de Quadrinhos que homenageou o genial Solda. Dentre os convidados internacionais, destaque para o artista inglês David Lloyd (conhecido pelo seu trabalho em V de Vingança); o quadrinista e ilustrador Kim Jung Gi; e o cineasta, quadrinista e ilustrador argentino Salvador Sanz. Daqui teve muita gente boa: Solda, Ana Koehler, André Ducci, Chiquinha, Antonio Eder, Bennet, Pryscila Vieira, Bira Dantas, Luli, Carlos Magno, Carlos Machado, Bianca Pinheiro, Daniel HDR, Fabio Moon, Erica Awano, Julia Bax, Vitor Cafaggi, Lielson Zeni, Marco Jackobsen, Rafael Coutinho, Érico Assis, Sonia Luyten, Guilherme Caldas, Renato Guedes, Will Conrad e, claro, José Aguiar, além de muitos outros. E se vocês não conhecem o trabalho dos artistas citados, sugiro que corram atrás.

2014-09-05 13.06.02
A cartunista Chiquinha

No primeiro dia, após passar uma hora na Casa da Leitura Wilson Bueno lendo algumas edições de Evangelion, assisti à palestra de Rafael Coutinho. Embora o pessoal praticando arco e flecha lá fora insistisse em desviar minha atenção em alguns momentos, a palestra sobre produções independentes foi ótima, especialmente pelo tom agressivo e apaixonado de Coutinho.

Nos stands dos independentes do lado de fora do museu, tive a oportunidade de folhear o trabalho de Anderson B. autor de Sempre Inconstante que se destaca exatamente por isso: pela inconstância do traço, a diversidade, um estilo próprio e extremamente variado. Outro trabalho que eu dei uma olhada e até já conferi o site, é A Entediante Vida de Morte Crens do gaúcho de 19 anos Gustavo Borges, criativo e inteligente.

2014-09-05 14.19.18
stand dos independentes

No dia seguinte, a mesa Mulheres e Quadrinhos, mediada por Lielson Zeni, reuniu as artistas Lu Cafaggi, Julia Bax, Ana Koehler, Érica Awano e Bianca Pinheiro em um debate maravilhoso sobre o talento feminino no universo das HQs. Além de discutirem seus métodos de trabalho, também falaram sobre o fato de quadrinho ainda ser considerado um território masculino. Segundo Ana Koehler, os artistas de HQs americanas mais comerciais e tradicionais ainda recorrem a estereótipos tanto femininos quanto masculinos e à idealização da mulher na composição de personagens. Também afirmou que no mercado independente, as mulheres tem mais espaço tanto como autoras quanto como personagens. Érica Awano disse que, pelo menos, nos quadrinhos japoneses há subdivisões mais justas e diferentes tipos de mangás  direcionados a públicos diversos.

2014-09-06 16.08.01
Sonia Luyten

Infelizmente, o debate coincidiu com a palestra de Sonia Luyten. Para quem não conhece, ela se dedica ao estudo das histórias em quadrinhos há muitos anos. No ano em que eu nasci, 1988, ela se tornou Doutora em Ciências da Comunicação, com a tese sobre mangás. De lá pra cá, publicou vários artigos e livros sobre HQs, dando ênfase aos mangás e a cultura pop japonesa. Vocês não conseguem nem imaginar o quanto eu lamentei ter perdido essa palestra… Mas tive de escolher. E como tinha uma matéria para escrever sobre o papel feminino no universo dos quadrinhos, acabei optando pelo debate. Na palestra (que eu perdi), a carismática e comunicativa Sonia falou sobre o estilo steampunk e globalização na produção de cenários de mangá e anime.

Assisti também à palestra da cartunista Chiquinha, a simpatia em pessoa, que falou sobre seu trabalho focado no universo feminino e as polêmicas nas quais se envolveu por conta de suas tiras publicadas no jornal Folha de São Paulo.

2014-09-05 11.47.58
Ana ClaCla

Fiz uma rápida entrevista com a gaúcha Ana ClaCla que veio para o evento como visitante, para assistir às palestras, debates e comprar quadrinhos. Mas acabou tendo a oportunidade de divulgar seu trabalho, a HQ À Beira de mim Mesmo, uma série de contos sobre personagens prestes a desistir. Ana contou que planeja voltar para uma próxima edição para expor seu trabalho em stand.

Ainda nesse segundo dia de Gibicon, assisti ao debate sobre adaptações de HQs para o cinema que contou com as presenças de Erico Assis, Walkir Fernandes, Daniel HDR e Thiago Provin, com mediação do crítico de cinema Marden Machado (por quem nutro uma profunda admiração). Em uma discussão que contou com a plena interação da plateia (a ponto de os participantes da mesa convidarem, na brincadeira, o pessoal para se unir a eles na mesa), rolou tudo o que se pode esperar quando o assunto é esse novo gênero cinematográfico: melhores e piores adaptações, a influência dos quadrinhos sobre o cinema e vice-versa, quando o cinema passa a pautar as HQs, os autores que não recebem pelos seus personagens adaptados para a telona, Marvel vs. DC, filmes baseados em revistas menos conhecidas do grande público e quais HQs não funcionariam em uma adaptação cinematográfica.

2014-09-05 17.24.17
debate sobre filmes baseados em HQ

No último dia de Gibicon pra mim (Sábado, 6), tive a oportunidade de assistir ao lado da Herven uma dos melhores e mais controversos debates: Quadrinhas que reuniu as artistas da Folha de São Paulo: Chiquinha, Cynthia B., Pryscila Vieira e Luli, com mediação da maravilhosa (sim, sou fã, ela foi minha inspiração para escrever meu projeto de conclusão de curso da pós sobre quadrinhos e cinema) Sonia Luyten. Na mesa rolou uma discussão interessantíssima, especialmente depois que Chiquinha e Pryscila contaram que seus  trabalhos já foram acusados de machismo por feministas radicais na internet. Fora da mesa, isto é, na plateia, opiniões divergentes acerca de ativismo, extremismo e leituras subjetivas de charges quase fez o Cine Guarani (onde ocorreu o debate) pegar fogo. Até um momento inusitado rolou – quando um homem alcoolizado foi retirado do recinto após interromper uma garota que tentava dar sua opinião na plateia, expondo algo totalmente nonsense, sem nenhuma conexão com o que estava sendo discutido. Pois é, meus caros. Isto sim é evento!

2014-09-06 14.09.32
mesa “quadrinhas”

Nesse dia, eu conversei brevemente com Sonia Luyten (e dei pulinhos depois), com direito até uma foto ao lado dela (tietagem pouca é bobagem), e com Pryscila Vieira (uma fofa, linda, alta, talentosa e inteligente). Também tirei algumas fotos de Chiquinha e comprei um de seus trabalhos com a própria – uma arte do livro que não foi finalizado a tempo para a Gibicon, o Algumas Mulheres do Mundo.

2014-09-06 16.30.47
Pryscila Vieira

Também conversei com o Luiz Augusto de Souza, da Korja dos Quadrinhos. Ele estava presente no stand da Korja e comprei com ele duas edições da revista Caçada Até à Última Bala de Marvin Rodrigues que tenho certeza que vou adorar. Ele me contou um pouco a respeito da influência do cinema dos anos 70 em Caçada, especialmente dos filmes pós-apocalípticos e dos westens spaghetti de Sergio Leone. A capa, chamativa, aludindo a Scarface de Martin Scorsese foi o que me instigou a comprar a revista. Aliás, a arte é fenomenal.

2014-09-06 16.00.03
Luiz Augusto de Souza

A exposição que mais atraiu o olhar do pessoal pelo que pude ver, foi a O Que Aconteceu Com a Seleção Brasileira. Não preciso explicar, né? O nome fala por si. Dentre as que mais gostei, posso destacar: Solda, David Lloyd, Luz e Sombras – O Universo Fantástico de Salvador Sanz, Cidade Sorriso dos Mortos-Vivos (várias sacadas geniais), O Gralha (nosso super-herói paranaense) e Breve História do Mangá no Brasil (uma lágrima quase cai quando vejo a cronologia e tantos personagens que marcaram minha vida como Yu Yu Hakusho, Cavaleiros do Zodíaco, Love Hina, Ranma 1/2, entre outros).

2014-09-05 13.59.46
Solda
2014-09-06 13.37.18
V de Vingança

2014-09-06 13.35.40

2014-09-06 13.37.49
o universo fantástico de Salvador Sanz
2014-09-05 14.00.29
Gralha
2014-09-06 13.42.04
breve história do mangá no Brasil
2014-09-06 13.43.16
alguns dos meus mangás favoritos

O que eu levei?

Aí está o que eu levei:

2014-09-11 18.47.21

Entre as minhas aquisições estão Caçada Até à Última Bala que estou ansiosa para começar a ler; À Beira de Mim Mesmo, trabalho belo e com um traço surrealista de Ana ClaCla e uma arte de Chiquinha do livro não finalizado.

E, claro, também passei na Comix, aproveitei a promoção e levei Os Filhos de Anansi de Neil Gaiman em uma super promoção que eu não poderia deixar passar, além desse presente adiantado de aniversário (mentira, vou pagar pra ela), a Coleção Histórica Marvel: Os X-Men. E já vou avisando logo que eu devia ter adivinhado que por esse preço tão convidativo,  a qualidade do papel não seria exatamente a que eu esperava e nem a capa seria dura, embora a qualidade não seja exatamente ruim, longe disso…

2014-09-11 18.50.59

Mas bora parar de reclamar, né?

Bem, como o intertítulo é “o que eu levei”, falarei rapidamente do que eu levarei de lembranças dessa Gibicon, para além das minhas aquisições: foram três ótimos dias (pena que não pude comparecer no domingo) de leituras, palestras, debates, compras, entrevistas, empurra-empurra, cupcakes e deliciosos pasteis e cachorros-quentes. Esbarrei em amigos, conheci gente nova, novos trabalhos, novas ideias e constatei definitivamente que quadrinhos são a forma mais linda, incrível e poderosa de arte do mundo. Mesmo que eu ame cinema e que este seja considerado o auge da arte sequencial, nada como os quadrinhos, com tantas vertentes, entusiasmo, criatividade, autenticidade, contestação e confrontação. No glorioso universo das HQs, tudo é permitido, todo sentimento pode ser expressado com originalidade, tantas mensagens podem ser transmitidas por meio de seus traços e cores, luz e sombras. E as pessoas que produzem, consomem, que representam a nona arte são as pessoas mais incríveis de que já tive notícia. Já aguardo ansiosa pela próxima edição 😉

2014-09-05 13.20.05

Vocês podem ler o meu texto sobre o talento feminino nas histórias em quadrinhos aqui e o outro sobre adaptações cinematográficas de HQs aqui.

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 4 – Dias de um Futuro Esquecido

A aclamada saga Dias de um Futuro Esquecido foi publicada pela primeira vez em 1981. A HQ dos mutantes se encontrava, então, em seu melhor momento nas mãos de Chris Claremont e John Byrne, que de certa forma reinventaram a criação de Stan Lee, assumindo o título nos anos 70. À essa altura do campeonato, ambos já haviam provado seu talento com A Saga da Fênix Negra e a parceria dava inúmeras mostras de que iria entrar para a história.

Abordando conceitos como viagem no tempo e realidades alternativas  (muito antes de filmes como De Volta Para o Futuro invadirem as telas e o imaginário dos cinéfilos), esta saga retrata um futuro apocalíptico, situado no ano de 2013, no qual os mutantes são perseguidos e exterminados por robôs enormes denominados Sentinelas, criados por Bolivar Trask. Os X-Men representam a resistência, mas sobraram poucos deles. A única forma de mudar este cenário aterrador, é impedir o assassinato do Senador Kelly no passado, orquestrado pela Irmandade de Mutantes em 1981 .

Este evento desencadeou uma onda anti-mutante e uma verdadeira campanha de ódio e perseguição aos homo superior. A mente de Kitty Pryde, a Lince Negra, é enviada para o seu corpo no passado a fim de impedir a tragédia e suas consequências devastadoras.

Dizem por aí que essa história inspirou o cineasta James Cameron a criar O Exterminador do Futuro. Curiosidades à parte, a saga prima por um roteiro audacioso e coeso. O que é impressionante, uma vez que histórias que envolvem viagens no tempo sempre correm o risco de não soarem plausíveis. Não é o caso aqui. O contexto sócio-político é bem trabalhado e, por vezes, nos remete ao nazismo e à caça aos judeus. É uma história bem elaborada, sem medo ou hesitações em mostrar nossos personagens favoritos mortos no futuro. A arte é bem competente, com traços e cores que valorizam tanto o futuro sombrio quanto o passado de esperança. Ao mesmo tempo, faz o leitor refletir sobre quanto tempo ainda vai se estender a luta dos mutantes pela aceitação e o fim da intolerância?

A história foi adaptada para a TV em X-Men Animated Series, a série animada de 1992, em um episódio de duas partes. Mantendo a essência da original, a mola-mestra da trama ainda é o assassinato de Robert Kelly. No entanto, é Bishop o enviado ao passado com o auxílio do cientista Forge, uma vez que Kitty Pryde não era um personagem recorrente na série. O futuro caótico é bem representado apesar das limitações em termos técnicos. Uma alteração bem-vinda em relação ao original é o fato de que, no passado, o responsável pelo assassinato de Kelly foi um X-Men. Interessante o roteiro pegar um gancho nos problemas de confiança (ou falta dela) que o grupo tinha com Gambit, que é o acusado do crime. Mas, na verdade, todo o plano foi idealizado por Mística e a Irmandade de Mutantes.

Esta adaptação também foi parar nas páginas dos quadrinhos. O que é bem curioso – a adaptação da adaptação (!) X-Men Adventures era uma minissérie especial em quatro edições que adaptava os episódios da série de TV para os quadrinhos. Isto é, os mutantes pularam para a telinha, mas retornaram às suas origens. A HQ é tão interessante quanto os episódios da série animada. Porém, vacila na arte, com traços equivocados (Jean Grey tem a fisionomia drasticamente alterada ao longo das páginas e Mística, quando está com aparência de uma humana comum, é a cara do Michael Jackson!) e alguns “movimentos” dos personagens soam confusos e difíceis de assimilar.

Como bem se nota, Dias de um Futuro Esquecido é uma história tão boa que é quase impossível estragá-la…

Com tantas adaptações, faltava a trama migrar par a telona. Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes dos mutantes e produtor do “recomeço” X-Men: Primeira Classe, já tinha interesse em adaptar a história para o cinema desde a época em que estava trabalhando em X-Men 2 de 2003. Onze anos depois, ele finalmente leva a clássica trama às salas de projeção. Mantendo a premissa e os conceitos da história original, o filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido que estreia nesta quinta-feira, 22 de maio, é não apenas o mais satisfatório, como o mais completo e audacioso filme dos X-Men. A missão que muitos julgavam impossível – de fazer a conexão entre o arco iniciado em Primeira Classe e a trilogia original – é cumprida, aliás, muito bem cumprida. Ambas as linhas temporais tem um tempo de tela adequado, e a costura entre uma e outra acontece de forma natural, cuidadosa, sem excessos.

O filme tem vários momentos brilhantes e notáveis. Mas os que vão ficar gravados na cabeça dos fãs, após o término da sessão, é a ótima cena protagonizada por Mercúrio, em slow motion, ao som de Time in a Bottle de Jim Croce; e o final – uma pequena, singela, mas bonita homenagem à velha guarda dos X-Men, os personagens que protagonizaram os três primeiros filmes da franquia.

Temos um melhor acesso ao lado mais humano dos mutantes, com cenas mais leves e um tom bem-humorado. As cenas de ação não ficam em segundo plano, e os X-Men aparecem utilizando seus poderes verdadeiramente como uma equipe, lutando pela sobrevivência de sua raça, e nunca de forma gratuita. Ainda há espaço para sequências mais dramáticas e até trágicas, que poderão arrancar lágrimas dos olhos dos devotos fãs dos personagens. Apesar de muitos mutantes em cena, alguns com participações bem pequenas, não dá pra dizer que houve alguma negligência. DoFP apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens, um bom equilíbrio entre os elementos narrativos, uma trilha sonora coesa e fantástica ,e faz justiça, sim, à história original. Todo o potencial da equipe mutante é finalmente explorado. É um deleite para os olhos tanto a execução das cenas de ação e efeitos especiais, como o tratamento de respeito e carinho que é possível notar que Bryan Singer tem pelos personagens. Além disso, fazer um blockbuster, filme de super-heói, produto típico do verão americano e ainda conseguir transmitir ao público uma bela mensagem acerca da tolerância, do respeito e da aceitação das diferenças de cada um, vai além de entretenimento. É quase uma obra-prima.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tem algumas das qualidades que tem faltado a inúmeros arrasa-quarteirões atuais e que deveriam ser sempre inerentes a estes: é divertido, empolgante, dinâmico, mas também é inteligente e emocionante. Conta com um roteiro bem construído e um visual que não apenas funciona, mas também surpreende. Além de grandes personagens retratados com dignidade por um elenco afinado.

Bryan Singer mais uma vez elevou a franquia X-Men a um novo patamar no cinema (feito que já havia realizado com X-Men 2). Um filme para se ver e rever e uma das melhores opções que entrará em cartaz nos multiplex este ano.

Aí vão uns pequenos spoilers: Desta vez é Wolverine que volta ao passado, com a ajuda de Kitty Pryde que envia sua consciência para o ano de 1973, a fim de impedir que Mística mate Bolivar Trask, criador do programa Sentinela; X-Men: O Confronto Final passou a ser um filme non-canon. Esqueçam dos eventos narrados nele, não fazem mais diferença no todo; E na cena pós-créditos, temos um vislumbre de Apocalypse, o mais poderoso dos mutantes. 😉

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 3 – X-Men: Primeira Classe

Admito que eu fui uma das que torceu o nariz para este filme da franquia X-Men. Eu vinha acompanhando as notícias e novidades acerca da produção desde que esta não passava de uma ideia que circulava pelos estúdios da Fox. Lembro ainda de Lauren Shuler Donner, produtora dos três primeiros filmes da série, dizendo numa entrevista que First Class poderia seguir uma linha Harry Potter (sic).

Qual não foi minha decepção quando anunciaram que a Primeira Classe do filme não seria a Primeira Classe que eu conhecia? Aquela de 1963, criada por Stan Lee e Jack Kirby e que eu pude conferir anos mais tarde nas páginas das edições X-Men Classics e Biblioteca Histórica Marvel, formada por Ciclope, Jean Grey, Fera, Anjo e Homem de Gelo?

Era difícil, para mim, imaginar a origem dos X-Men sendo contada sem Ciclope, que foi o primeiro X-Men. Outra notícia que me incomodou foi a de que Alex Summers, o Destrutor faria parte do filme. Primeiro porque eu nunca gostei muito do Destrutor. Segundo que, pra mim, não fazia o menor sentido a primeira classe contar com o irmão de Ciclope e não com o próprio Ciclope.

O meu medo não era nem o fato de não seguir a cronologia dos filmes anteriores. Normal querer recontar a história dos X-Men desde sua origem independente dos filmes de Singer e Ratner, lançados entre 2000 e 2006. O que me incomodava era que First Class traísse os conceitos e características do original, das HQs, deturpando toda a história e ferindo consideravelmente a cronologia mutante com a qual estamos familiarizados. Juro que não se trata de purismo… Mas quando as modificações são excessivas, aí já é outra história.

Assim que as primeiras fotos do set de filmagens foram parar na internet, desisti de acompanhar toda e qualquer notícia a respeito do filme. Me assustei com os uniformes coloridos… Talvez seja porque me acostumei com a estética e sobriedade de Bryan Singer, com os uniformes de couro pretos (que também me assustaram em um primeiro momento). Ou talvez porque eu fiquei pensando no quão kitsch poderia ser o filme. Ou ainda porque, admito, sou uma fã ferrenha de X-Men e já havia ficado tão desapontada com o que eu tinha lido sobre a produção que decidi implicar com isso também.

Comecei a escapar dos spoilers, das fotos, stills, do tal script vazado, dos clipes… Então vi o primeiro trailer oficial do filme. Não me convenceu. Vi um spot com a Mística e o Xavier e comecei a simpatizar. Vi o segundo trailer oficial e tive que confessar que talvez tenha sido injusta e equivocada nos meus julgamentos. Pensei: “Esse filme está a ponto de me surpreender”.

Enquanto críticos e fãs, gente que não entendia bulhufas e outros versados no universo mutante, teciam elogios, eu, ainda assim, fui para o cinema pronta para reclamar de algumas coisas e fazer vista grossa. Já admiti que sou fã ferrenha, não é? Às vezes até inconscientemente.

E não é que tive que dar o braço a torcer? Eu juro que achei que iria ver um filme divertido e visualmente interessante como Thor. Mas foi mais do que isso.

Essencialmente, X-Men: Primeira Classe foca no início da complexa relação entre Professor Xavier e Erik Lehnsherr (o Magneto) que, mais tarde, irão se tornar rivais, devido a um conflito ideológico. Ambos ótimos em seus papéis, embora Michael Fassbender roube a cena, dando vida e profundidade a um Erik rancoroso e revoltado que sofreu na juventude, tendo sido levado ainda pequeno a um campo de concentração pelos nazistas e visto sua família ser executada devido à sua origem judaica. A história de vida do personagem faz com que o espectador compreenda seus impulsos violentos e  tirania, mesmo que não os justifiquem.

Charles Xavier, a antítese de Magneto, surge em seu caminho como um amigo disposto a refrear sua raiva, mostrar que o ódio não é a melhor saída, tentando fazê-lo crer na coexistência entre as duas raças, humanos e mutantes.

Outra que compõe um personagem memorável é Jennifer Lawrence na pele da transmorfa Mística, transmitindo ao público toda a insegurança que sente em relação à sua mutação genética e a consequente dificuldade em se aceitar como é.

Xavier e Lehnsherr, trabalhando lado a lado, recrutam outros mutantes para formar uma extraordinária equipe. Personagens desconhecidos do público que não acompanha as HQs surgem na tela como Banshee, Destrutor e Angel (no filme seguinte, entendemos o propósito disso). Durante essa busca de Erik e Charles, Wolverine dá as caras numa rápida e divertida cena.

Esta é a melhor qualidade do longa: a construção e desenvolvimento de personagens. Mas há outros méritos a se ressaltar.

O trabalho do diretor Matthew Vaughn não se limita a ser apenas competente, surpreendendo em vários momentos. O cineasta conduz a narrativa com bastante destreza, equilibrando bem momentos mais dramáticos e densos com cenas de ação e humor.

Felizmente a temática do preconceito é, mais uma vez, bem trabalhada. Esse aspecto do roteiro jamais é negligenciado, e também não cai no discurso panfletário. O filme tem uma mensagem a passar, mas o faz com bastante naturalidade e inteligência, sem nunca deixar de lado o senso de diversão. O roteiro é feliz ao aliar a atmosfera de filme de ação a um contexto histórico bem definido.

Os uniformes são funcionais, sim – ao contrário do que eu pensei a princípio. O estilo retrô da direção de arte, cenografia e figurinos evoca um clima sessentista preciso e até elegante, remetendo ao cartunesco em certos momentos.

Os diálogos representam um dos pontos fracos do filme, soando um pouco over em algumas sequências, com frases de efeito que poderiam muito bem ser limadas. A cena em que os X-Men escolhem seus codinomes é tola e até forçada. Também não há nenhuma cena realmente grandiosa (uma carência que já se tornou constante nos filmes dos X-Men), mas isso não prejudica o conjunto.

Não é o X-Men dos meus sonhos, tanto que não derramei uma lágrima ao final da projeção. E isso é muito significativo. Ainda gosto mais de X-Men 2 e, agora, de Dias de um Futuro Esquecido. Contudo, Primeira Classe trata-se de um digno recomeço (ou seja lá como chamam) para a franquia mutante.

Como foi bom ver que eu estava errada. Mudar de opinião é uma atitude sábia quando se reconhece o erro e a injustiça que cometemos 😉

Adendo 1: Apenas bem mais tarde – leia:se: quando eu já havia assistido ao filme – que me dei conta que a proposta era manter os acontecimentos e a cronologia estabelecida nos primeiros filmes. Portanto, Ciclope e Jean Grey jamais poderiam fazer parte da equipe dos anos 60. Se a ideia era conectar a trilogia aos novos filmes, não faria sentido, uma vez que eles ainda eram bem jovens em um futuro não muito distante.

Adendo 2: X-Men: Primeira Classe contou, infelizmente, com uma das piores campanhas de divulgação. A Fox é aquele estúdio que quando não faz bobagem na entrada, faz na saída. Nesse caso, foi na entrada. Menos mal.

Andrizy Bento