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Previsões Oscar 2013 – Vencedores

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Hoje finalmente saberemos quem serão os agraciados com as tão cobiçadas e celebradas estatuetas do Oscar. Por enquanto, aí vão as previsões do Bloggallerya nas principais categorias:

Melhor Filme: Argo
Possibilidade: Lincoln
Considerações: O único obstáculo entre Argo e o Oscar de Melhor Filme é fato de Ben Affleck não ter sido indicado como Diretor.

Melhor Diretor: Steven Spielberg (Lincoln)
Possibilidade: Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Considerações: Categoria difícil de se palpitar este ano. Algo raro de se acontecer, inclusive. Mas a não-indicação de Affleck torna complicado apostar desta vez.  Eu acho que Ang Lee merece mais. Mas vamos ver logo mais à noite.

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Possibilidade: Joaquin Phoenix (O Mestre)
Considerações: Hoje, muito provavelmente, Day-Lewis entrará para a história da premiação graças a uma terceira vitória nesta categoria. Não acho que Bradley Cooper e Hugh Jackman tenham alguma chance.

Melhor Atriz: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Possibilidade: Emmanuelle Riva (Amor)
Considerações: Essa categoria promete. Realmente não posso dizer que estou totalmente segura da minha aposta. Emmanuelle faz aniversário hoje… E é atriz mais velha a ser indicada ao Oscar… Ela venceu o Bafta. Jennifer venceu o SAG… Há uma vontade genuína da Academia de premiar o jovem, o moderno… Mas Academia também adora um tributo… Veremos.

Melhor Ator Coadjuvante: Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
Possibilidade: Tommy Lee Jones (Lincoln), Christoph Waltz (Django Livre)
Considerações: Complicadíssimo. Temos aqui uma categoria de vencedores. Todos eles já tem um Oscar no currículo. Eu fico, na verdade, mais entre De Niro e Jones… É provável que eu mude a minha aposta no decorrer do dia.

Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Possibilidade:
Considerações: O prêmio já é da Anne há muito tempo. Duvido que Sally Field represente alguma ameaça.

Roteiro Original: Django Livre
Possibilidade: Amor ou A Hora Mais Escura
Considerações: Amor não é um filme falado em língua inglesa. Já tem a sua estatueta de Filme Estrangeiro praticamente garantida. Isso depõe contra o belo filme de Haneke nesta categoria. A Academia também pode querer se redimir diante das injustiças cometidas com A Hora Mais Escura. Mas, por enquanto, aposto em Django. Tarantino vem colecionando indicações a Roteiro Original. Já foi nomeado por Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Roteiro Adaptado: Argo
Possibilidade: Lincoln
Considerações: Embate entre Argo e Lincoln novamente. Mas creio que Argo leva.

Melhor Animação: Detona Ralph
Possibilidade:
Considerações: Parece certo o Oscar para Detona Ralph. Não consigo ver outro vencendo nesta categoria

Melhor Filme Estrangeiro: Amor (Áustria)
Possibilidade: No (Chile)
Considerações: Na verdade, as chances de qualquer outro indicado tirar o Oscar de Amor, parecem impossíveis. Colocar No em possibilidade foi mais um tributo meu ao filme.

Por enquanto, é isso! Hoje conheceremos os vencedores e eles serão postados aqui logo após o término da cerimônia de entrega dos prêmios.

Até lá!

Andrizy Bento

Indicados a Melhor Filme – Oscar 2013

Amor ★★★★

Belo e trágico talvez seja a melhor forma de definir Amor, filme de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012. Contando com as atuações poderosas de Emmanuelle Riva (merecidamente indicada ao Oscar e premiada no Bafta) e Jean-Louis Trintignant, Amor talvez seja o filme, dentre os indicados, que mais impacte o espectador, ainda que se trate de uma trama simples e intimista. Georges e Anne são dois músicos cultos e aposentados, que partilham do bom gosto pela arte e seguem sua rotina sem grandes surpresas. Demonstrando em cada quadro do longa a intimidade, o respeito e o amor (sem muitas demonstrações de afeto, mas sim, o amor está lá) que sentem um pelo outro, a doença vem de forma inesperada se abater sobre o casal. Anne sofre um derrame e, gradativamente, vai padecendo. Aí é que o título do filme faz jus à narrativa que se desenrola na tela e ao próprio sentimento universal, e vemos todo o esforço de um marido dedicado ao cuidar de sua mulher até o inevitável fim.  A evolução da atriz em cena é assombrosa. Com uma câmera singela e elegante e longos planos estáticos, o diretor conduz a narrativa com sutileza, embora se trate de uma história contundente. Haneke abre mão da trilha sonora e aposta em momentos de silêncio (que, ironicamente, conseguem ser bastante prolixos), ao invés de injetar dramaticidade com temas musicais que apelariam facilmente para o emocional do público. O filme se passa quase inteiramente em apenas uma locação, o apartamento aonde vive o casal protagonista, e o cenário é bem explorado, além de adequado, uma vez que transfere ao espectador uma sensação claustrofóbica, de se fechar para o resto do mundo e de fim iminente. Amor é a epítome da deterioração do ser humano, mas nunca de suas relações e sentimentos, versa sobre a ironia da vida e coloca em pauta questões polêmicas; como, por exemplo, um ato cruel – que é o grande momento do filme – não pode e nem deve deixar de ser legitimado como um ato de amor. O longa de Haneke é lírico e cru. De extrema frieza em diversas passagens, mas, ainda assim, capaz de fazer aflorar as mais diversas emoções no espectador.

Argo ★★★

Baseado em fatos reais, Argo é um thriler político correto, mas que tem seus encantos. O mote do longa é uma operação de resgate de diplomatas americanos no Teerã, durante o que ficou conhecida como Crise de Reféns no Irã. O agente secreto, Tony Mendez, é o responsável pela elaboração de um plano tão brilhante quanto absurdo para resgatá-los: a produção de um filme falso com tudo a que se tem direito. Desde o roteiro com uma proposta sci-fi, claramente inspirado em Star Wars, até coletiva de imprensa. A audácia do agente acaba por convencer a CIA e eles começam a operação. O tom de crítica a Hollywood, é público e notório. Mas o fascínio que a indústria exerce sobre ator/diretor Ben Affleck também. Dessa forma, nem a magia do cinema e nem o fake da indústria é descartado do roteiro. A trama toda é muito bem arquitetada. Tanto o minucioso desenvolvimento do ousado plano, quanto a alta carga de tensão na segunda metade do filme, capturam a atenção do espectador que se vê rapidamente envolvido com a história. Apesar de dirigir com mão segura e mostrar maturidade como cineasta, ainda não se pode dizer que Affleck tem um estilo. O filme passa longe de ser burocrático, mas também não é correto chamá-lo de cinema de autor. Ele opta por soluções cinematográficas eficientes na hora de desenvolver a trama na tela. A câmera ágil e detalhista, diálogos afiados, trilha sonora retrô, tomadas eficientes e direção de fotografia que explora bem as locações, contribuindo para o sucesso artístico do filme. A sequência final, que mostra bonecos dos personagens de Star Wars e Star Trek no quarto do filho do protagonista, é um achado. Argo tem sido apontado como o grande favorito a vencedor da estatueta de Melhor Filme deste ano. Até agora, ele faturou vários prêmios importantes como o Globo de Ouro, SAG e Bafta. Uma pena não ter sido indicado a Melhor Diretor, dado os méritos de Affleck na função. Vamos ver se o Oscar subverte suas regras e premia um filme que não concorre nesta categoria.

As Aventuras de Pi ★★★★

Ang Lee é um diretor raro. Além de um exímio contador de histórias, é um mestre na hora de criar visuais soberbos. Seus filmes não são outra coisa que não espetáculos cinematográficos. E o cineasta só vem evoluindo ao longo de seus últimos filmes. As Aventuras de Pi narra a história do indiano Piscine Patel (Sim, Piscina), o único sobrevivente ao naufrágio de um navio que transportava sua família e os animais do zoológico de seu pai para o Canadá, para onde partiram em busca de uma nova vida. O que seria apenas a luta pela sobrevivência de um garoto em um bote salva-vidas, se torna uma aventura repleta de elementos fantásticos, com direito a um tigre de bengala com quem Pi deve tentar manter um relacionamento amistoso se quiser sobreviver. Não é fácil, mas com muita persistência e perspicácia, o garoto consegue e, logo, o tigre se torna seu “temido amigo”, com quem ele encara o desafio de resistir em alto-mar, encarar tempestades oceânicas e uma ilha carnívora. A fotografia é esplendorosa. O que testemunhamos na tela é uma aventura exuberante. Mais do que isso, As Aventuras de Pi narra uma jornada de fé, esperança, coragem e companheirismo. A moral da história no final, pode fazer com que a narrativa empalideça um pouco. Mas até lá, o diretor já conseguiu nos conquistar com a aventura do garoto indiano e seu tigre perdidos no meio do oceano. Com um trama repleta de metáforas e contada com extrema sensibilidade, temos mais uma vez a constatação de que Ang Lee faz cinema como poucos.

Django Livre ★★★★★

Django Livre é uma história de amor e de vingança. Mas é um filme de Quentin Tarantino, portanto, ainda que parta de premissas simples, o cineasta jamais trilha caminhos óbvios. Tarantino continua fiel às suas obsessões. Homenageando, reinventando e subvertendo gêneros. Dessa vez, ele conta a história de Django, um escravo em busca da liberdade da amada, que tem a sorte de encontrar em seu caminho um perspicaz e audacioso caçador de recompensas que quer a sua ajuda para mais um de seus serviços. Tarantino não abre mão de seu estilo e dos elementos que o consagraram como cineasta. Mas desta vez, é mais contido, e apresenta uma maturidade e evolução inquestionáveis como diretor. As referências pop obscuras estão lá, bem como doses cavalares de violência, mas em menor número do que em seus filmes anteriores. Os excessos ficam por conta dos diálogos repletos de palavras de baixo calão e algumas sequências catárticas no clímax do filme. A narrativa é mais linear, sem muitos flashbacks e quebras cronológicas. A trilha sonora, como sempre, é um espetáculo à parte. Vai do blues e do folk até o hip-hop contemporâneo. Com uma gama de personagens bem construídos e um excelente desempenho de todo o elenco, pode-se dizer que este é o trabalho mais sóbrio e maduro do diretor. Tarantino é mais do que bem-sucedido em sua ode ao western spaghetti.

A Hora Mais Escura ★★★

Correto e ambicioso, A Hora Mais Escura é provavelmente o filme que mais desperta emoções controversas no espectador. Na caçada ao inimigo número 1 dos Estados Unidos, Osama Bin Laden, como podemos delinear o lado dos mocinhos e vilões? De fato, não podemos. A vida não é maniqueísta como tantos filmes hollywoodianos insistem em apregoar. E Kathryn Bigelow é uma cineasta suficientemente inteligente para perceber isso e não se deixar levar pela fórmula do heroísmo que tanto ronda outras tramas com temática de guerra desde os primórdios do cinema americano. Em nenhum momento, ela defende ou exalta a América. Ela está mais preocupada em contar uma história, em esclarecer o episódio da caçada de Bin Laden, não se esquivando de apresentar, em um tom que por vezes soa documental, os eventos que levaram até a morte do terrorista por um soldado americano depois das conclusões certeiras de Maya (Jessica Chastain) acerca de seu paradeiro. A atuação de Chastain é excelente. Está na evolução de sua personagem, um dos maiores méritos do filme. Denso, violento, impactante, Bigelow conduz a trama com mão segura, com ritmo apropriado, dando uma veia realista ao seu filme, mas não deixando de compor uma obra cinematográfica técnica e esteticamente primorosa, especialmente no que diz respeito à construção de imagens e ao cuidadoso jogo de luz e sombras. As tão comentadas cenas de tortura no início do longa, apesar de filmadas de maneira crua, não chegam a chocar. Bigelow não as justifica em nenhum momento. Há um objetivo na execução delas, mas o longa jamais se presta a fazer juízo de valor. É simplista dizer que A Hora Mais Escura é, como muito se alardeou, mais um retrato da vitória dos heróis americanos. É mais um retrato de um momento de impacto da história contemporânea. Um episódio que gerou comoção e despertou a curiosidade de tantos. Na tela, conferimos o desenvolvimento da operação, sem grandes exaltações à bandeira americana.

Indomável Sonhadora ★★★

As agruras de uma vida miserável e um mundo selvagem através do olhar inocente de uma criança. Indomável Sonhadora, longa de estreia de Benh Zeitlin, que obteve merecido destaque e foi premiado em Sundance e Cannes, explora a relação de uma garotinha com o seu pai, que vivem na Banheira, uma ilha isolada e fictícia, situada numa região pantanosa de Lousiana, que acaba inundada após uma tempestade. Toda a comunidade precisa se virar e lidar com as consequências desse evento trágico, mas o peso maior está sobre os ombros da pequena e adorável Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) que, além de tudo, ainda vê seu pai, a única família que possui, ficar gravemente doente. A garotinha, indicada ao Oscar de Atriz com apenas nove anos de idade, exibe uma força impressionante como protagonista. A performance dela é marcante e, provavelmente, definirá sua carreira durante muito tempo. Com um enredo muito simples, melancólico e honesto, Indomável Sonhadora é bem-sucedido em mesclar elementos de realidade e fantasia. A câmera de mão, inquieta e trepidante, imprimem realismo à trama e contribuem para trazer ao longa um tom praticamente documental. Outras cenas têm como alicerce a imaginação prodigiosa da garotinha que dão um tom mágico ao filme. É nesse preciso equilíbrio entre o realismo e o fantástico, o drama de cunho social e a fábula, que reside a força e o encanto do longa. Se beneficiando de boas tomadas e excelente uso das locações, Zeitlin presenteia o espectador com um filme claro e direto, genuíno, sem grandes pretensões. Uma obra que mostra que mesmo diante dos maiores obstáculos e desafios da realidade, crianças são crianças, e não devem deixar de sonhar e idealizar um mundo diferente daquele em que se vive. Isso sem precisar recorrer a fórmulas maniqueístas e ao melodrama. Em suma, um belo filme.

O Lado Bom da Vida ★★★★

Apaixonante. Talvez seja a melhor forma de descrever O Lado Bom da Vida. Mas não apaixonante como uma comédia romântica. Digamos que possa ser considerado um sopro de vida dentro do gênero – hoje tão famigerado. Há tempos que eu não via uma história de amor interessante, intensa e honesta como essa no cinema atual. Chamado por aí de dramédia-romântica, essa classificação até que lhe cai bem. O Lado Bom da Vida do esforçado David O. Russell conta com um roteiro bem costurado, ótimas sacadas e se beneficia das presenças inspiradas e química arrebatadora do duo principal, composto por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. O roteiro acerta na composição de personagens disfuncionais que dão o tom exato ao filme e no desenvolvimento de um plot simples, mas atraente e interessante. Recheado de diálogos espertos e afiados, o longa procura fugir de saídas e soluções óbvias, e é bem-sucedido nesse quesito. Mesmo que a gente já saiba de antemão como a história vai terminar, acompanhar o desenrolar da trama é uma delícia. O filme também me ganhou pela trilha que vai de Stevie Wonder a White Stripes, passando por Bob Dylan. Aliás, a música é muito bem utilizada nesse filme – o fato de a canção-tema do casamento do protagonista ser também trilha sonora da traição e depois o estopim para suas explosões emocionais, é um achado. E a trilha incidental de Danny Elfman dispensa comentários, precisa e marcante. Lawrence mostra sua força como protagonista numa performance segura e extrai risadas do espectador com um timing cômico certeiro, como no momento em que revela suas experiências sexuais pós-trauma pela morte do marido. E falando em cenas inspiradas, toda a sequencia em que os personagens combinam uma aposta que envolve um jogo de futebol americano e um campeonato de dança é muito boa. Todos estão bem em cena, como Jacki Weaver, uma ótima surpresa, e Robert De Niro que há muito nos devia um desempenho interessante em um filme decente. Pode não ter nada de inovador, ser um dos azarões na categoria principal do Oscar, pode nem mesmo ser considerado um filme de Oscar, mas é fato que temos aqui um bom exemplar de comédia romântica atual. Ou dramédia-romântica, seja lá como chamem.

Lincoln ★★★

Steven Spielberg é sempre bom. Quando se propõe a fazer ficção. Contudo, quando se atreve a ser político e engajado demais, a coisa, não raramente, degringola. Embora mantenha seus méritos como diretor, a mensagem e a proposta de seu filme pecam. Não tanto pelo patriotismo exacerbado (de certa forma, até compreensível), mas por romancear demais a narrativa, enchê-la de floreios e de um tom melodramático dispensável. Felizmente, Lincoln escapa desse ufanismo e romantismo excessivo. Com um belo trabalho de reconstituição da época e amparado por um excelente elenco, o cineasta optou por retratar um dos momentos mais importantes e decisivos da história dos Estados Unidos (a aprovação Décima Terceira emenda, cujo objetivo era abolir a escravatura) e, dessa forma, ao invés de uma cinebiografia tradicional, o longa contempla os quatro últimos meses de vida de Lincoln, um recorte apropriado da história do mais emblemático dos presidentes da Terra do Tio Sam e do próprio país. O estilo autoral de direção de Spielberg não passa despercebido. O rigor na composição dos quadros, a fotografia bem trabalhada que corrobora o contexto histórico no qual a ação se desenvolve, a maquiagem e a ótima caracterização de Daniel Day-Lewis são dignos de nota. Excelente em aspectos técnicos, a trama enfadonha aqui e ali, é até enxuta, abandonando os contornos épicos – presentes em demasia em outros trabalhos do diretor – em favor de uma narrativa mais intimista que apresenta algumas falhas históricas. Não há muito de memorável nesse longa. Mas facilmente leva o Oscar por retratar de maneira contemplativa e reverencial o icônico presidente. O longa acerta em humanizar Lincoln – ao mostrar momentos do presidente com sua família, por exemplo – mas enaltece sua figura em vários momentos com um tom deveras solene demais que chega a ser incômodo. Talvez o aspecto que torne o filme relevante no presente contexto, sejam as discussões sobre igualdade que fazem alguma referência a questões mais atuais (como o casamento homossexual). Poderia ser um filme pertinente, mas é exaltado e um tanto quanto pretensioso em suas intenções, Lincoln é bastante coeso, mas também muito verborrágico.

Os Miseráveis ★★

Assassinar uma obra tão imponente como Os Miseráveis é uma tarefa árdua mesmo para Tom Hooper que ainda não aprendeu a filmar direito. E só por isso, esse filme não consegue ser uma perda de tempo total. Mas toda a grandiosidade de um drama tão belo presente nas páginas do livro do francês Victor Hugo, se perde na transposição para as telonas. Na verdade, o longa de Hooper se aproxima mais da versão dos palcos e não consegue se desvincular do tom teatral. Outro ponto que depõe contra Os Miseráveis é o fato de ser inteiramente musical. Não é todo mundo que aprecia o gênero, mas mesmo quem gosta tende a se decepcionar com o filme, visto que todos os diálogos, com algumas poucas exceções, são musicados. O que o torna um tanto farsesco demais e complicado de digerir. Geralmente, quando falamos que um filme não é de fácil digestão, é por se tratar de uma trama complexa ou algo do tipo, mas aqui a história é bastante simples. Para quem já conhece o livro ou o musical, sabe que a história se passa na França do século XIX e gira em torno do carismático personagem Jean Valjean (Hugh Jackman) que, depois de passar 19 anos preso por roubar um pão para matar a fome de sua família, assume uma nova identidade e se torna o prefeito Madeleine. Paralelamente, há a história de Fantine (Anne Hathaway), de origem humilde, que procura trabalho para sustentar a filha que está sendo criada (maltratada, na verdade) por uma família que insiste em mentir que a menina está doente e pedem por cartas que Fantine mande cada vez mais dinheiro para que eles possam comprar os remédios necessários. Dessa forma, a mãe da garotinha não encontra outra saída a não ser a prostituição. O destino de Jean Valjean se cruza com o de Fantine e quando esta última está à beira da morte, pede para que Valjean cuide de sua filha, Cosette. Ele vai atrás da menina tendo em seu encalço o inspetor Javert (Russel Crowe) que passa a trama o perseguindo. O filme é de difícil digestão por ser enfadonho demais. O que é surpreendente, uma vez que a adaptação sofreu profundos cortes em relação ao original, a passagem de tempo é muita rápida, tudo acontece rápido demais, por vezes de forma atropelada. Mas o que o torna entediante, é realmente o fato de musicarem cada diálogo, o que, convenhamos, é bem desnecessário, mas foi o modo que Hooper, o medíocre vencedor do Oscar 2011, por O Discurso do Rei, encontrou de contar Os Miseráveis nas telas. Uma pena. Dentre cenas óbvias e alguns momentos espalhafatosos, o que se pode dizer de positivo do filme, é que este conta com algumas boas atuações. Hugh Jackman nem de longe está em seu melhor ou mais memorável papel, mas o carisma, talento e presença de cena do ator australiano já valem o filme. O mesmo para a pequena, porém, efetiva participação de Anne Hathaway, que lhe rendeu uma indicação – e muito possivelmente o prêmio – de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar deste ano. Amanda Seyfried e Eddie Redmayne estão bem, mas Russel Crowe é o principal equívoco do filme, caricato como Javert e, bem, o ator não sabe cantar. Suas cenas musicais são desastrosas e constrangedoras. Esse era um dos filmes mais esperados do ano por muita gente, mas não é surpresa nenhuma que grande parte das pessoas tenha saído desapontada ao término sessão.

Fonte das imagens: imdb

Andrizy Bento

BAFTA 2013

A entrega dos prêmios da Academia Britância de Artes da Televisão e do Cinema (BAFTA), ocorreu no último domingo, dia 10, no London’s Royal Opera House em Londres, e teve como mestre de cerimônias de sua 66ª edição o ator Stephen Fry. Argo, de Ben Affleck, foi o grande vencedor da noite, levando os prêmios de Direção e Filme, o que aumenta suas chances de sair consagrado no Oscar. Abaixo a lista de vencedores:

Argo, do ator/diretor Ben Affleck, foi o grande vencedor do Bafta

Filme: Argo
Ator: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Atriz: Emmanuell Riva, Amor
Diretor: Ben Affleck, Argo
Filme em língua estrangeira: Amor
Documentário: Searching For Sugar Man
Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Django Livre
Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Roteiro Original: Django Livre
Roteiro Adaptado: O Lado Bom da Vida
Trilha Sonora: 007 – Operação Skyfall
Fotografia: As Aventuras de Pi
Desenho de Produção: Os Miseráveis
Montagem: Argo
Som: Os Miseráveis
Longa de animação: Valente
Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi
Maquiagem: Os Miseráveis
Figurinos: Anna Karenina
Filme Britânico: 007 – Operação Skyfall
Curta de ação: Swimmer
Curta de animação: The Making of Longbird
Estreia de produtor, diretor ou roteirista: Bart Layton & Dimitri Doganis, The Imposter
Melhor atriz/ator em ascensão: Juno Temple
Contribuição ao Cinema: Tessa Ross
Conjunto da Obra: Alan Parker

Andrizy Bento

Vencedores do SAG Awards – 2013

No último domingo, 27, o O Sindicato de Atores de Hollywood entregou o Screen Actors Guild Awards. A premiação é um eficaz termômetro do Oscar, uma vez que vários de seus membros votam em diversas categorias do prêmio da Academia. Abaixo você confere a lista de vencedores.

Jennifer Lawrence ganhou o prêmio de Melhor Atriz Protagonista por sua performance em O Lado Bom da Vida

Melhor elenco
Argo

Melhor ator protagonista
Daniel Day-Lewis – Lincoln

Melhor atriz protagonista
Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida

Melhor ator coadjuvante
Tommy Lee Jones – Lincoln

Melhor atriz coadjuvante
Anne Hathaway – Os Miseráveis

Melhor time de dublês em filme
007 – Operação Skyfall

A britânica Downton Abbey ganhou o prêmio de Melhor Elenco em Série Dramática

Melhor elenco em série dramática
Downton Abbey

Melhor ator em série dramática
Bryan Cranston – Breaking Bad

Melhor atriz em série dramática
Claire Danes – Homeland

Melhor elenco em série cômica
Modern Family

Melhor ator em série cômica
Alec Baldwin – 30 Rock

Melhor atriz em série cômica
Tina Fey – 30 Rock

Melhor ator em minissérie ou telefilme
Kevin Costner – Hatfields & McCoys

Melhor atriz em minissérie ou telefilme
Julianne Moore – Game Change – Virada no Jogo

Melhor time de dublês em série de TV
Game of Thrones

Andrizy Bento

Indicados ao Oscar 2013

Lincoln é o campeão de indicações ao Oscar. São 11 indicações no total.

Na última quinta-feira, dia 10, Emma Stone e Seth Macfarlane (o hostess dessa edição) anunciaram, em Los Angeles, os indicados ao Oscar 2013. Poucas surpresas e muita previsibilidade vindas da  Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como de costume. A maior surpresa ficou por conta da categoria de Direção que não inclui Ben Affleck (Argo), Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura) e Quentin Tarantino (Django Livre). Como era de se esperar, Lincoln, de Steven Spielberg, lidera o número de indicações e está presente nas principais categorias.

Quanto as previsões do Bloggallerya, digamos que fomos razoavelmente bem. O maior erro cometido foi na categoria Melhor Diretor em que erramos três dos cinco indicados. Em contrapartida, a nossa melhor aposta foi em Melhor Ator Coadjuvante, na qual acertamos todos os indicados. Curiosamente, nas categorias Ator, Atriz, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Roteiro Original, seguiu-se um padrão. Acertamos quatro de cinco nomeados em cada uma delas. Não posso deixar de observar que antes de fazer algumas alterações nas previsões, a primeira aposta do blog para a quinta vaga de  Atriz Coadjuvante era Jacki Weaver que acabou sendo substituida na atualização do post por Maggie Smith. E, no final das contas, Weaver foi indicada por um papel pequeno, mas que chamou a atenção em O Lado Bom da Vida. E algumas das possibilidades do post de previsões foram certeiras.

Mais abaixo você confere a lista dos indicados.

A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá no dia 24 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, Califórnia, e contará com transmissão ao vivo para 200 países, incluindo o Brasil.

Melhor Filme
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura
Os Miseráveis
Indomável Sonhadora
O Lado Bom da Vida
Amour

Melhor Diretor
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Steven Spielberg (Lincoln)
Michael Haneke (Amour)
Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)
David O. Russell (O Lado Bom da Vida)

Melhor Ator
Daniel Day Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (The Master)
Denzel Washington (Flight)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)

Melhor Atriz
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Naomi Watts (O Impossível)
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emmanuelle Riva (Amour)
Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora)

Melhor Ator Coadjuvante
Alan Arkin (Argo)
Philip Seymour Hoffman (The Master)
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
Christoph Waltz (Django Livre)

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (The Master)
Sally Field (Lincoln)
Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Helen Hunt (The Sessions)
Jacki Weaver (O Lado Bom da Vida)

Melhor Roteiro Original
A Hora Mais Escura (Mark Boal)
Django Livre (Quentin Tarantino)
Flight (John Gatins)
Amour (Michael Haneke)
Moorise Kingdom (Wes Anderson e Roman Coppola)

Melhor Roteiro Adaptado
Indomável Sonhadora (Lucy Alibar e Benh Zeitlin)
Argo (Chris Terrio)
Lincoln (Tony Kushner)
As Aventuras de Pi (David Magee)
O Lado Bom da Vida (David O. Russell)

Melhor Trilha Original
As Aventuras de Pi (Mychael Danna)
Argo (Alexandre Desplat)
Anna Karenina (Dario Marianelli)
007 – Operação Skyfall (Thomas Newman)
Lincoln (John Williams)

Melhor Canção Original
“Suddenly” (Os Miseráveis)
“Skyfall” (007 – Operação Skyfall)
“Pi’s Lullaby” (As Aventuras de Pi)
“Everybody Needs a Best Friend” (O Ursinho Ted)
“Before My Time” (Chasing Ice)

Melhor Animação
Valente
Frankenweenie
Detona Ralph
Piratas Pirados
ParaNorman

Melhor Fotografia
Anna Karenina
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 – Operação Skyfall

Melhor Edição
Argo
As Aventuras de Pi
Lincoln
O Lado Bom da Vida
A Hora Mais Escura

Melhor Figurino
Anna Karenina
Os Miseráveis
Lincoln
Espelho, Espelho Meu
Branca de Neve e o Caçador

Melhor Cabelo e Maquiagem
Hitchcock
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis

Melhor Cenografia
Ana Karenina
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln

Melhor Edição de Som
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
007 – Operação Skyfall
A Hora Mais Escura

Mixagem de Som
Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
007 – Operação Skyfall
Lincoln

Melhores Efeitos Visuais
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Vingadores
As Aventuras de Pi
Prometheus
Branca de Neve e o Caçador

Melhor Documentário
5 Broken Câmeras
The Gatekeepers
How to Survive a Plague
The Invisible War
Searching for Sugar Man

Melhor Documentário – Curta
Inocente
Kings Point
Mondays at Racine
Open Heart
Redemption

Melhor Filme em Língua Estrangeira
Amour (Áustria)
En Kongelig Affære (Dinamarca)
Kon-Tiki (Noruega, Reino Unido e Dinamarca)
No (Chile)
Rebele (Canadá)

Melhor Curta
Assad
Buzkashi Boys
Curfew
Death of a Shadow (Dood van een Schaduw)
Henry

Melhor Curta de Animação
Adam and Dog
Fresh Guacamole
Head Over Heels
Maggie Simpson in The Longest Daycare
Paperman

Andrizy Bento

[Atualizado] Oscar 2013 – Previsões

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Tá quase na hora! Logo mais sai a lista de indicados e aí estão as nossas apostas 😉

Melhor Filme:
Lincoln
Argo
Zero Dark Thirty
Les Miserables
Life of Pi
Silver Linings Playbook
Django Unchained
Beasts of the Southern Wild
Moonrise Kingdom

Qual vence: Lincoln
Qual ameaça: Argo
Outra possível ameaça: Zero Dark Thirty

Melhor Diretor:
Steven Spielberg, Lincoln
Ben Affleck, Argo
Kathryn Bigelow, Zero Dark Thirty
Ang Lee, Life of Pi
Quentin Tarantino, Django Unchained

*Eu não excluiria a possibilidade de David O. Russel ser indicado por Silver Linings Playbook

Quem vence: Steven Spielberg por Lincoln
Quem ameaça: Ben Affleck por Argo

Melhor Ator:
Daniel Day-Lewis, Lincoln
John Hawkes, The Sessions
Joaquin Phoenix, The Master
Denzel Washington, Flight
Hugh Jackman, Les Miserables

*Eu não excluiria a possibilidade de Bradley Cooper ser indicado por Silver Linings Playbook

Quem vence: Daniel Day-Lewis por Lincoln
Quem ameaça: John Hawkes, The Sessions

Melhor Atriz:
Jennifer Lawrence, Silver Linings Playbook
Jessica Chastain, Zero Dark Thirty
Naomi Watts, The Impossible
Emmanuelle Riva, Amour
Marion Cotillard, Rust and Bone

Quem vence: Jennifer Lawrence é a grande favorita e foi agraciada com um prêmio por sua perfomance em Silver Linings Playbook no Santa Barbara International Film Festival. O prêmio é um forte e confiável indicador de vencedores do Oscar.
Quem ameaça: Jessica Chastain por Zero Dark Thirty

Melhor Ator Coadjuvante:
Tommy Lee Jones, Lincoln
Phillip Seymour Hoffman, The Master
Christoph Waltz, Django Unchained
Alan Arkin, Argo
Robert DeNiro, Silver Linings Playbook

*Não excluiria a possibilidade de Leonardo DiCaprio ser indicado por Django Unchained

Quem vence: Tommy Lee Jones por Lincoln
Quem ameaça: Phillip Seymour Hoffman por The Master

Melhor Atriz Coadjuvante:
Anne Hathaway, Les Miserables
Helen Hunt, The Sessions
Amy Adams, The Master
Sally Field, Lincoln
Maggie Smith, The Best Exotic Marigold Hotel

*Não excluiria a possibilidade de Nicole Kidman ser indicada por The Paperboy e Ann Dowd por Compliance. E há uma chance de Judi Dench ser indicada por Skyfall.

Quem vence: Anne Hathaway por Les Miserables
Quem ameaça: Helen Hunt por The Sessions
Outra possível ameaça: Amy Adams por The Master. Particularmente eu gostaria que ela ganhasse. Já é a sua quarta indicação ao prêmio de atriz coadjuvante e ela só vem evoluindo. E como ela está em um longa de Paul Thomas Anderson, as chances de eu não gostar desse filme são praticamente inexistentes. Mas já é quase certo que o prêmio vai para Anne.

Melhor Roteiro Original:
Zero Dark Thirty
Moonrise Kingdom
Django Unchained
The Master
Amour

Qual vence: Zero Dark Thirty
Qual ameaça: Moonrise Kingdom
Outra possível ameaça:
Django Unchained (afinal a Academia adora premiar Tarantino nessa categoria)

Melhor Roteiro Adaptado:
Lincoln
Argo
Silver Linings Playbook
The Perks of Being a Wallflower
Beasts of the Southern Wild

*Não excluiria a possibilidade de Life of Pi ser indicado.

Qual vence: Lincoln
Qual ameaça: Argo

Andrizy Bento