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Bons Filmes em Fevereiro

Oee! E aí? Curtiram as boas opções de filmes em janeiro? Pois agora chegou a hora de conferir os destaques do cinema em fevereiro. Tem o aguardado O Artista, a grande aposta dentre os indicados ao Melhor Filme do Oscar deste ano; Star Wars, mas calma! Não é um novo filme da saga, é apenas o Episódio 1 sendo relançado em 3D; O promissor Hugo Cabret; o novo longa do Motoqueiro; Meryl Streep mostrando porque é considerada uma das melhores atrizes de todos os tempos; Daniel Radcliffe provando que é muito mais do que Harry Potter; entre outros. Opção é o que não falta.

E você? Qual vai ver primeiro? 😉

10/02

O Artista

10/02

Star Wars: Episódio 1 – A Ameaça Fantasma 3D

17/02

A Invenção de Hugo Cabret 

17/02

Motoqueiro Fantasma 2: O Espírito da Vingança 

17/02

A Dama de Ferro 

17/02

O Homem que Mudou o Jogo 

17/02

Beleza Adormecida 

24/02

Drive 

24/02

A Mulher de Preto

Fonte: Cinepop

Kevin Kelissy

Tinker Tailor Soldier Spy

Recentemente aposentado de seus serviços na Circus, a divisão de elite do serviço secreto britânico, o veterano espião George Smiley (Gary Oldman) é convocado a voltar à ativa quando toma conhecimento de um agente duplo infiltrado que vem trabalhando há anos para os soviéticos. Cabe, portanto, a Smiley investigar o caso e descobrir qual dos membros da Circus é o traidor.

Dizer que Tinker Tailor Soldier Spy (que, no Brasil, recebeu o insosso título de O Espião que Sabia Demais, que pode ser facilmente confundido com o título de um filme de Hitchcock) é um complicado e esquemático quebra-cabeça ou uma partida de xadrez bem arquitetada, é florear uma narrativa que não careceu de floreios para ser contada nas telonas. Ou que se trata de um filme sobre moral ou traição é minimizar o real significado da obra, tornar simplista um grande filme cujo um dos principais méritos é não render-se aos chavões narrativos de outras obras do gênero.

Tomas Alfredson é detalhista, dirige com mão segura e conduz uma narrativa eficiente e coesa, elaborando com minúcia os elementos de sua trama que prima pelos acertados enquadramentos e movimentos de câmera. Aliás, Alfredson tem um jeito único e inteligente de filmar e contar uma história, com cenas tão representativas que mesmo momentos triviais protagonizados pelos personagens configuram componentes essenciais ao contexto do longa. O que está na tela pode e deve ser interpretado como fundamental no desenrolar da história.

A fotografia, muito bem trabalhada, ajuda a compor com primazia o melancólico e dramático clima de Guerra Fria que é de vital importância para o sucesso artístico do longa. O cineasta utiliza bem o conceito de espaço-tempo em uma obra não-linear, cheia de idas e vindas. Como em um jogo de espionagem, os telespectadores desempenham o papel de observadores, coletando pistas e caminhando lado a lado com o protagonista na busca da resolução do intrincado enigma.

Todos do elenco defendem seus personagens com excelência. O filme é de Gary Oldman, obviamente, que com seu constante semblante melancólico (que contrasta com o nome de seu personagem, vejam só!), não está apenas competente, mas brilhante, em uma das performances mais memoráveis de sua carreira. Seu George Smiley é um velho, exausto e solitário espião aposentado, mas persistente, astuto e talentoso. Collin Firth – vencedor do Oscar de 2011 na categoria Melhor Ator por O Discurso do Rei – também aparece em ótimo momento; e Benedict Cumberbatch, o jovem intérprete de Sherlock, seriado da BBC, impressiona com sua atuação segura.

A trama intrincada não impacta por um excesso de violência gráfica, aliás, é pouca violência que vemos na tela, mas quando esta é mostrada é em caráter duro e realista e nunca de maneira gratuita. O longa de Alfredson impacta, na verdade, pelo enredo magistral, pelo roteiro inteligente, pela forma madura com que o cineasta filma e adapta o romance de John le Carré para as telas.

E, mais uma vez, o diretor de Deixa Ela Entrar mostra porque merece ser considerado um dos grandes nomes do cinema atual.

Andrizy Bento

[Cinema] Bons filmes em Janeiro

A programação dos cinemas de todo o país já conta com algumas boas opções em cartaz. É o caso de O Espião Que Sabia Demais e Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras. O primeiro é excelente e conta com uma performance segura e poderosa de Gary Oldman. Já o segundo cumpre bem seu papel como entretenimento, mas confesso que estou mais de olho na série da BBC, Sherlock, dica de dois colegas de blog, e que pretendo conferir ainda esse mês. Hoje estréia o tão aguardado TinTin e tem outros filmes vindo por aí. Nada de desculpa para não ir ao multiplex mais próximo, porque tem ótimas e interessantes opções te aguardando nas salas de projeção. Confira os trailers:

Estréias Janeiro 2012:

20/01

As Aventuras de Tintin 

27/01

J. Edgar 

27/01

Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres 

27/01

Os Descendentes 

27/01

Precisamos falar sobre o Kevin (Pois é, precisam falar sobre mim)

Logo mais, eu apareço com um post sobre o que mais vai rolar nos cinemas durante esse ano de 2012 e outro com as nossas indicações referentes ao ano que passou, 2011. Aguardem 😉

Kevin Kelissy

[Dicas] O Contador de Histórias

Bem vindos ao ano do fim do mundo! 🙂

Pra começar, temos novidades: Esse ano, contaremos com uma nova colaboradora: Bianca Lumière. Assim que der, ela aporta por aqui com seu post de estréia 😉

No mais, logo tem novo post do Eduardo Molinar por aqui.

Para começar, dica de um bom filme nacional:

A Fábula do Real

Pelos idos dos anos 70 a propaganda que a televisão exibia da instituição Febem, é que esta formaria jovens de bem, éticos e morais, que só sairiam de lá médicos, engenheiros, advogados. Roberto Carlos Ramos, então com seis anos, se sentiu, portanto, premiado quando sua mãe o escolheu dentre os dez filhos para ser interno na Febem. Mas a realidade com a qual ele se deparou ao chegar à instituição era bem diferente daquela que a sua imaginação havia contornado.

O Contador de Histórias (Luiz Villaça, 2009) conta a história real de Roberto Carlos Ramos, nascido em Minas Gerais, ex-interno da Febem, hoje pedagogo e professor e, segundo o filme, um dos dez maiores contadores de histórias do mundo. Ele permaneceu na instituição dos seis aos treze anos e, depois de mais de cem tentativas de fuga, roubo e envolvimento com drogas, ele foi considerado irrecuperável, até encontrar a pedagoga francesa Marguerite Duvas que se aproxima dele lhe apresentando palavras como “por favor” e um gravador, para que ele pudesse lhe contar sua história. No começo, ela é tratada com hostilidade pelo garoto, porém, com o passar do tempo, ele começa a ver em Marguerite a figura de mãe que lhe faltava.

O filme conta com uma bela direção de arte. Interessante a forma que o diretor do longa encontrou de contar a história nas telas, se apropriando da maneira como o Roberto Carlos Ramos da vida real conta suas histórias, dando a essa um aspecto lúdico, um caráter pueril. E é nessa maneira de projetar a biografia de Ramos em tom de fábula que reside seu encanto.

O Contador de Histórias, portanto, anda na contramão de tudo que já foi apresentado no cinema nacional, em termos de desigualdade social e exploração infantil. O filme não apela para demagogia ou cenas de violência gráfica impactantes, como é comum em algumas produções que tratam de temas densos, como esses, no Brasil.

Contudo, a narração do próprio Ramos é um dos fatores que prejudica o filme. Ela acaba por cair no lugar-comum. Tudo o que é dito pelo narrador, já estamos vendo na tela, o que torna este um elemento desnecessário e redundante, fazendo também com que a narrativa acabe por empalidecer em determinados momentos. O filme também não se livra de alguns clichês sentimentais aqui e ali, por mais genuína e autêntica que a emoção se apresente em algumas passagens cruciais.

O filme de Villaça não veio para mudar o panorama do cinema nacional atual. O Contador de Histórias nada mais é do que um filme simpático e despretensioso, que tem o mérito de fugir dos padrões ditados por outras cinebiografias nacionais

Postado originalmente em: http://cineacademia.blogspot.com/2009/09/fabula-do-real.html

Fonte da imagem: http://www.meucinemabrasileiro.com/

Andrizy Bento


[Dicas] Cinco filmes para ver e rever

Os jovens ocupam um espaço de destaque no cinema. A maior parte dos Blockbusters são lançados com o objetivo de atrair o público adolescente para as salas de projeção. Mas aqui indicaremos os filmes dedicados ao público jovem, com temática jovem. Tudo de inerente a esse universo está presente nos cinco filmes que destacamos: Música, referências pop, comportamento, descobertas, inquietudes, o espírito desbravador, livre e revolucionário.

Alguns trazem uma visão mais descontraída e alegre, outros uma visão melancólica e sombria, mas todos apresentam uma visão real da juventude. 

Quase Famosos

(Almost Famous, 2000)

Drama

Um dos filmes mais bacanas do início dos 2000. O diretor Cameron Crowe conseguiu como ninguém capturar a atmosfera dos anos 70, bem como o espírito Rock’n’roll daquela época. O filme traz uma história muito atraente: Um garoto apaixonado pelo rock, que costuma fazer críticas musicais de forma amadora, é descoberto pela revista Rolling Stone e, com apenas 15 anos, é contratado como repórter pela própria. Seu primeiro grande trabalho é acompanhar a banda Stillwater em sua primeira turnê pelos EUA, porém, ele acaba se envolvendo demais com a banda e com as garotas que a cercam, dentre elas a alucinante e alucinada Penny Lane. O que torna Quase Famosos um filme comovente é a paixão contagiante do diretor pela música, o carinho com que Crowe trata suas personagens, bem como a sua maestria na hora de recriar o universo setentista.

Elefante

(Elephant,2003)

Drama

Depois da bonança, vem a tempestade. O diretor Gus Van Sant procura primeiramente nos anestesiar mostrando um dia na vida de dois jovens, alvos de brincadeiras maldosas na escola, que aguardam em casa a chegada de sua metralhadora. Paralelamente, passeia com tranqüilidade pelo sufocante colégio onde estudam os dois garotos. A câmera sempre nas costas das personagens, segue os estereótipos mais comuns existentes em uma escola. Finalmente mostra os garotos com armas potentes em punho executando friamente um assassinato em massa. Os alvos: Seus colegas e o diretor do colégio. Van Sant transportou para a tela a angústia e inquietude dos jovens estudantes em uma narrativa precisa baseada em fatos reais. É impressionante como Van Sant filma o massacre de maneira crua, mas sem perder a elegância de sempre de seus enquadramentos. E mesmo mostrando que os garotos assistem programas sobre Hitler pela TV e curtem jogos violentos de computador, não usa esses artifícios como justificativa exclusiva para seu comportamento agressivo. Exemplar de cinema atual essencial na coleção de qualquer um.

Meu Tio Matou Um Cara

(2005)

Comédia

Não é o melhor filme de Jorge Furtado – responsável por pérolas do cinema nacional como O Homem Que Copiava, Saneamento Básico e o curta Ilha das Flores – Mas, ainda assim, possui grandes méritos. O primeiro está na escalação do elenco: todos se encaixam perfeitamente nos seus papéis. O ritmo leve e descontraído com que segue a narrativa, a linguagem jovem utilizada pelos personagens, com muitas gírias e referências pop, são outros elementos que atraem nesse delicioso misto de comédia romântica e policial que narra a aventura de Duca na busca por provar a inocência de seu tio que confessou um assassinato, mesmo sendo inocente. No meio dessa história, Duca acaba envolvendo seus amigos Kid e Isa. Como em todos os filmes de Furtado, o charme está nos detalhes sutis, mas que não passam despercebidos pelos telespectadores mais atentos e que se deixam envolver por suas tramas.

Os Sonhadores

(The Dreammers, 2003)

Drama/Romance

Um dos mais belos filmes dos últimos tempos. Uma verdadeira declaração de amor ao cinema, que retrata temas como descoberta da sexualidade e tendo como plano de fundo a revolução estudantil dos anos 60. Ambientado na França, o filme fala sobre um casal de irmãos parisienses que, durante uma viagem de seus pais, convidam um americano meio deslocado a se hospedar em sua mansão decadente. Vinho, sexo e apaixonadas discussões sobre filmes são seus únicos passatempos enquanto permanecem enclausurados na mansão sem se importar com o mundo lá fora. Charmoso e sensual em cada fotograma, Bernardo Bertolucci surpreende com o seu senso estético sempre digno de nota; no uso de cores, luz, cenários, sem falar na inserção de cenas de clássicos do cinema com direito a reprodução da corrida no Louvre de Band à Part. Com Os Sonhadores, o diretor italiano nos presenteou com uma verdadeira preciosidade do cinema atual.

O Clube dos Cinco

(The Breakfast Club, 1985)

Drama

O diretor John Hughes compreendia o universo jovem. Em seus filmes, a maioria clássicos dos anos 80 (e hoje perpetuados como clássicos da sessão da tarde), Hughes mostrava a irresponsabilidade, a rebeldia e a frustração da juventude, tornando seus personagens críveis, sem precisar estereotipá-los como é comum nos besteiróis teenagers atuais. Foi assim com a comédia Curtindo A Vida Adoidado, sobre um garoto que mata a aula para curtir a liberdade, e com este Clube dos Cinco. No entanto, dessa vez, o diretor lida mais com um viés de drama e apresenta cinco jovens que depois de aprontarem acabam tendo de passar o dia inteiro na detenção, tendo como tarefa escrever um longo texto sobre o que pensam de si mesmos. Jovens tão diferentes, que integram círculos diferentes de amizade, acabam por se conhecer melhor uns aos outros e a si mesmos, a compartilhar segredos, conflitos internos e dramas familiares. Qualquer oitentista tem O Clube dos Cinco como um de seus filmes afetivos. Tocante e muito bem sacado, Hughes conseguiu fazer deste o seu melhor trabalho.

Andrizy Bento