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Indicados ao Globo de Ouro (Televisão)

Bem, chegamos à temporada de prêmios e com eles a famigerada lista de indicados. Alguns podem questionar por que famigerada? Simples: O dia em que uma lista contentar  cem por cento da classe interessada, realmente uma profecia apocalíptica das inúmeras que já tivemos  ira se cumprir.

Eis a lista.

Dia 13 de dezembro foi divulgada a lista dos indicados ao 70ª edição do Golden Globe Awards. Entre as séries Homeland segue com a maior quantidade de indicações, seguido de perto por Modern Family. As surpresas ficaram por conta das indicações de Nashville e da ausência de Mad Men na categoria de melhor série drama. Confira a lista das categorias de televisão na sequência.

Melhor Série Drama
Breaking Bad
Boardwalk Empire
Downton Abbey
Homeland
The Newsroom

Melhor Ator Drama
Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Bryan Cranston, Breaking Bad
Jeff Daniels, The Newsroom
Jon Hamm, Mad Men
Damian Lewis, Homeland

Melhor Atriz Drama
Connie Britton, Nashville
Glenn Close, Damages
Claire Danes, Homeland
Michelle Dockery, Downton Abbey
Julianna Margulies, The Good Wife

Melhor Série Comédia ou Musical
The Big Bang Theory
Episodes
Girls
Modern Family
Smash

Melhor Ator Comédia ou Musical
Alec Baldwin, 30 Rock
Don Cheadle, House of Lies
Louis C.K., Louie
Matt LeBlanc, Episodes
Jim Parsons, The Big Bang Theory

Melhor Atriz Comédia ou Musical
Tina Fey, 30 Rock
Zooey Deschanel, New Girl
Lena Dunham, Girls
Julia Louis-Dreyfus, Veep
Amy Poehler, Parks and Recreation

Melhor Ator Coadjuvante
Max Greenfield, New Girl
Ed Harris, Game Change
Danny Huston, Magic City
Mandy Patinkin, Homeland
Eric Stonestreet, Modern Family

Melhor Atriz Coadjuvante
Hayden Panettiere, Nashville
Archie Panjabi, The Good Wife
Sarah Paulson, Game Change
Maggie Smith, Downton Abbey
Sofia Vergara, Modern Family

Melhor Minissérie ou Telefilme
Game Change
The Girl
Hatfields & McCoys
The Hour
Political Animals

Melhor Ator Minissérie ou Telefilme
Kevin Costner, Hatfields & McCoys
Benedict Cumberbatch, Sherlock
Woody Harrelson, Game Change
Toby Jones, The Girl
Clive Owen, Hemingway & Gellhorn

Melhor Atriz Minissérie ou Telefilme
Nicole Kidman, Hemingway & Gellhorn
Jessica Lange, American Horror Story: Asylum
Sienna Miller, The Girl
Julianne Moore, Game Change
Sigourney Weaver, Political Animals

Homeland tem o maior número de indicações

A cerimônia acontece no dia 13 de janeiro e será transmitida pela NBC, apresentada por Tina Fey (30 Rock) e Amy Poehler (Parks and Recreation).
Na verdade a lista não tem grandes surpresas. Talvez algumas pontuais como entrada de The Newsroom e a não indicação da aclamada Mad Men. Alguns vão dizer que Mad Men já ganhou prêmios demais. Mas Newsroom ainda não merecia uma indicação [Eu adoro. Mas eu sei que não merecia].

Homeland  pode liderar no número de indicações, mas sejamos realistas, o segundo ano da serie não chega nem próximo do que foi o ano de estreia. Mas dizer que Claire Danes e Damien Lewis continuam excepcionais é chover no molhado. Entretanto, meu coração seriemaniaco queria que nossa querida Gleen Close tivesse o seu brilhantismo em Damages premiado. Bem como o excepcional Brian Cranston por Breaking Bad.

Causou-me estranheza a indicação de Nashville. Botemos na  conta das surpresas. Ai alguns vão perguntar: e as suas apostas quais são? E eu responderia que, ao contrário do Oscar e outras premiações de cinema, as premiações de TV sempre tem alguma surpresa.

E prometo que farei um post sobre as apostas.  Já que o mundo não acabou.

Gaby Matos

Fall Season: Retornos e Estreias

Todo seriemaniaco que se preze tem uma época do ano preferida. Setembro. Chegamos a ter delírios nos últimos dias de agosto. Para alguns é mais fácil o Natal chegar do que setembro e junto com ele a fall seasson.

Todos os anos eu faço todas as promessas possíveis e impossíveis sobre a temporada. “Vou largar a metade das series que vejo” [mentira, não consigo largar uma], “não verei um piloto sequer!” [mentira de novo! quem disse que eu resisto a uma novidade?]. A temporada de estreias sempre é cercada de expectativas; A verdade é que, nos últimos tempos, metade dessas expectativas se tornaram decepções retumbantes. Mas sempre há uma estreia que se salva, há sempre uma série veterana que renasce e ascende de novo em você o interesse por aquela história que teve uma finale odiosa e você jurou de pés juntos que nunca mais iria ver um episódio sequer dessa loucura [eu e Grey’s Anatomy].

Nessa temporada nem um piloto me cativou. Ainda. As premieres não foram essas coca-colas todas. Mas com todo o coração de fã , me emocionei com o casamento do primeiro episodio de Dowton Abbey [queria um Matthew pra mim]. Senti uma pontinha de tristeza com o futuro em Fringe. Senti um ódio assassino da Showrunner de Grey’s Anatomy. Será que o excesso de dramas de Grey’s finalmente cansou? Vibrei com o casal mais fofo do momento; será que Castle e Becket vão resistir muito tempo juntos? Somente dois retornos foram impactantes Homeland e Once Upon a time. O segundo episodio de Homeland foi extraordinário. Mas se a maioria dos retornos foram normais, o que dizer das estreias?

Podia desfiar um rosário de lamentações sobre uma das estreias mais esperadas, pelo menos pra mim. Elementary. Mas não irei fazer isso. Só lhes digo uma coisa: Não assistam! Quem tem o Holmes do Moffat na BBC, não merece de forma alguma perder 42 minutos de sua vida pra ver aquilo que ousaram chamar de uma releitura de Sherlock Holmes.

Ainda não vi todos os pilotos que me interessaram em um primeiro momento, talvez eu não os veja. Porque uma excelente tática pra sobreviver na temporada é não ver os pilotos das séries que já foram canceladas. Vide uma que me interessou bastante Made in Jersey. O seu cancelamento chegou antes da exibição do terceiro episodio. Portanto estou salva antes de me apegar e o fantasma do cancelamento aprontar mais uma comigo.

P.S.: Boa temporada para todos.

Gaby Matos

A Literatura Atual E O Efeito Dominó

Alguns acontecimentos recentes no meio literário afora, somado a coisas que eu já vi por aí, me fizeram escrever esse texto como uma forma de desabafo, como leitora e blogueira.

É um fato de conhecimento geral de qualquer pessoa que acompanha o meio literário que, o aumento de aspirantes a escritores, e editoras surgindo no mercado brasileiro a todo a vapor vem crescendo. Até aí, tudo bem. Estamos numa era digital, em que a internet virou uma ferramenta poderosa de divulgação de trabalhos desses autores. Eu acompanho o lançamento desses novos escritores já faz quase dois anos através do meu blog e durante esse tempo eu observei algumas coisas nada legais.

Lembra-se de uns caras chamados José de Alencar, Machado de Assis, e de uma mulher chamada Cecília Meireles, e outra escritora chamada Rachel de Queiroz? Pessoas assim, nada famosas… Então, essas pessoas não tinham o acesso à informação como temos hoje, e até mesmo muitos dos escritores de suas respectivas épocas não tiveram acesso a uma boa formação e estudo. Pois é. Vejam o exemplo de Machado de Assis que eu gosto de citar – para mim ele é um referencial de escritor que sempre buscou dar o melhor de si em suas obras – ele nunca frequentou uma universidade e mal estudou, nasceu pobre e era gago! E olha aonde ele chegou…

Cecília Meireles já teve uma formação acadêmica em contraponto com seu colega. Mesmo assim, com uma dedicação de quase dez anos para escrever Romanceiro da Inconfidência, ela fez, e fez bem feito. Não teve pressa, deixando as águas rolarem…

Eu poderia citar muitos outros grandes autores por aí que se dedicaram com afinco ao ofício de escritor fazendo o serviço bem feito. Porém não é esse o foco.

Tudo bem, eles fazem parte da turma dos escritores de gente chata como eu e muitos por aí.

Entenderam onde eu quero chegar? Não?

Dedicação. Estudo. Paciência. Crítica. Leitura.

Essas coisinhas citadas é o que falta para a maioria dos aspirantes a escritores na atual cena da literatura brasileira. E digo com propriedade devido a tantas obras de má qualidade pipocando por aí com que eu já me deparei.

O aspirante precisa colocar na cabeça que, se ele quer levar o ofício da escrita a sério, tem que fazer bem feito. Ele precisa compreender que ele não vai virar um Stephen King da vida logo de cara. Que ele não vai colher louros e rosas caso venha publicar seu original. Lapidar, pedir segundas opiniões, reescrever quantas vezes for necessário, tudo isso é uma dedicação que tem de ser uma lei para essa galera. Esquecer o orgulho, e abaixar o nariz para as opiniões, sejam elas positivas ou negativas a respeito da sua obra. Não sair correndo atrás de editora feito cachorrinhos mendigando publicação. Ridículo.

Não, o pior é quando você vê que a na própria sinopse há erros absurdos de português. Isso me deixa completamente revoltada. Se na sinopse já tem erros primários de gramática – não falo de erros comuns, mas sim grotescos – não quero nem imaginar o resto do livro, porque é bem capaz de eu chorar de raiva. Aí entra a questão do estudo. Não é porque Machado de Assis não fez faculdade que você encontra erros horrorosos, muito pelo contrário, o cara sabia usar a língua portuguesa muito melhor que bastante aspirante de escritor por aí que se diz estudante de Letras. Hum, sei…

Um mal da nossa era atual é que tudo é muito rápido. Ou seja, estamos sempre com pressa e na correria todos os dias, refletindo assim nos nossos projetos pessoais. Eu publiquei um conto de minha autoria numa antologia há alguns meses. Gostei da experiência, mesmo com os seus altos e baixos. Talvez eu tenha sido apressada em publicar…? Talvez, porque, agora mesmo, eu não me sinto nada preparada para dar a cara à tapa novamente com um original. Agora não, no futuro provavelmente… Se quiserem tomar como um exemplo, fiquem à vontade, porque falta paciência para os escritores novatos.

Já vi o caso de um livro de uma autora iniciante publicado por uma editora famosinha, escrito em menos de um mês, combinando todo o tipo de bizarrice que vocês, pobres leitores, possam imaginar… E quando veio as resenhas de leitores críticos: Ai meu ego! Essa autora não é a única, mas talvez a mais famosa por ser egocêntrica e se achar uma Meg Cabot versão Tupiniquim.

Aí vem a questão das boas críticas. O que essa citada autora não sabe aceitar, e muitas pessoas no geral, sejam elas em qualquer situação da vida. É hipocrisia da minha parte dizer que é fácil lidar com críticas negativas. Mentira. Não é e nunca vai ser. Mas se forem críticas construtivas, com certeza no futuro ela vai ser de grande ajuda para melhorar e acertar da próxima vez. Assim, os jovens autores precisam e necessitam fazer o exercício de baixar o ego e aceitar as críticas construtivas.

Mas nem todos os leitores são sinceros em suas resenhas quando leem algum autor nacional, complicando esse processo de aprendizado do jovem escritor. O livro da referida autora recebeu muitos elogios com direito a cinco estrelas no Skoob, entre outras puxações de saco – o fato dela ser uma blogueira famosa, amiga de outras blogueiras, também contou na hora das opiniões em massa – o que é deprimente e prejudicial para ela.

Continuando a usar o exemplo dessa mesma autora, percebe-se em suas listas de leitura que ela lê de tudo e mais um pouco dos gêneros YA e suas ramificações. Eu adoro YA, gosto de ler, mas não só isso. E, sim, a nossa querida autora lê somente esse gênero. Bom… Cada um lê o que gosta, certo? Porém eu sou da opinião que, se você quer ser escritor, é preciso você ler um pouco de tudo, desde Ficção Científica à Poesia, e claro buscar sempre ler livros de qualidade, não só livros para diversão. A leitura para um escritor em início de carreira tem que ser inspiradora, que dê ideias, sendo também uma forma de aprendizado. Escritores famosos, desde os clássicos aos mais atuais, têm muito a ensinar, basta somente a boa vontade do jovem autor para aprender.

Tudo o que mencionei até agora são coisas óbvias, mas que não estão sendo utilizadas nos dias de hoje, acarretando dessa forma a explosão de gente querendo ser escritor e de editoras picaretas no Brasil. E aí vêm os famosos blogs literários, que em sua maioria, possuem resenhas vazias, mal escritas e que dizem nada com nada, no final das contas. Claro, não são todos os autores, blogs e editoras. No entanto, uma coisa puxa a outra, tornando o processo um verdadeiro efeito dominó.

Isso me preocupa e me assusta diante do destino da nossa literatura atual. Mas eu acredito que tempos melhores virão. Apesar de já termos bons autores na nossa geração, a fé é termos mais no futuro.

Juliana Lira

The Newsroom

No mundo das séries existem alguns deuses. Esses deuses foram capazes de produzir obras que viraram ícones no meio. Joss Wheddon, J.J. Abrams e muitos outros.

Um desses deuses lançou o seu mais novo bebê, The Newsroom, que leva a assinatura de Aaron Sorkin, o gênio que produziu The West Wing e a esplendorosa Studio 60 que teve infelizmente uma única temporada (sim, a audiência americana é injusta).

The Newsroom tem como mote a redação de um jornal de TV a cabo americana. A serie tem como protagonista Will MacVoy, um âncora respeitado, mais famoso por puxar o saco de seus entrevistados. No episodio piloto, Will surta numa conferencia em uma universidade americana. Uma das alunas faz uma pergunta simples a Will. E ele, no alto de seu surto, faz um retrato real dos Estados Unidos. Óbvio que esse retrato é chocante. E causa um transtorno na seu emprego e com isso somos jogados ao turbilhão que sua vida se tornou.

Depois de cumprir uma suspensão, Will volta à sua redação e não encontra equipe, produtores. Ninguém quis ficar ao lado de Will que é o maior âncora da emissora. Para salvar a sua estrela, Charles Skinner, chefe do departamento de jornalismo do canal, traz de volta aquela que talvez seja a causa dos problemas de Will; sua ex-namorada Mackenzie Machale, produtora de gabarito, ela tem uma missão: salvar o News Night. Óbvio que Will pira com a possibilidade de trabalhar com Mac. Mas no dia de sua volta, eles são surpreendidos com o vazamento de petróleo no golfo do México. E Mac consegue produzir um jornal esplendoroso e convence momentaneamente Will a deixa-la como produtora.

A partir daí somos jogados num redemoinho de emoções de como um jornal é produzido. Claro que a produção é rodeada de clichês, e sabemos que metade das notícias não é produzida daquela forma. Mas ver o jornalismo com os olhos de Sorkin é uma delicia. Newsroom é uma comedia? Talvez. É um drama? Talvez. Duvido que alguém não se comova com a emoção dos jornalistas ao relatarem a morte de Bin Laden. Ou não morra de rir com as trapalhadas de Mac.

A summer season esta acabando; o mês mais amado pelos seriemaníacos chegou. Mas The Newsroom merece um pouco de atenção e, para completar, além do Sorkin , ela leva o selo HBO de qualidade (talvez falho em true blood). Mas um único erro deixa a HBO no lucro.

Beijos e ate a próxima.

Gaby Matos

Pode Beijar a Noiva – Patrícia Cabot

Numa época em que livros e contos eróticos estão na moda, Meg Cabot, a diva das histórias sobre princesas modernas (e aqui, nada tem a ver com a Sarah Sheeva) e dos livros voltados para o público infanto-juvenil, pode ser, surpreendentemente, uma boa pedida para os jovens que querem se entreter com este universo hot e, ao mesmo tempo, romântico, que está fazendo a cabeça do público leitor de todo o mundo.

Patrícia Cabot é o pseudônimo que Meg utilizou para assinar seus livros voltados para o público jovem/adulto, e um deles é o Pode Beijar a Noiva. Ele conta a história de Emma Van Court, dama londrina que, totalmente apaixonada pelo jovem Stuart, resolve fugir e se casar com ele mesmo tendo consciência de que sua vida muito dificilmente terá conforto financeiro.

Seis meses após o casório, Stuart morre (de uma maneira um tanto bizarra) e Emma se vê sozinha numa cidade pequena e pouco desenvolvida, morando numa cabana em condições precárias ao lado de uma cadela e um galo fujão. Misteriosamente, entretanto, ela passa a ter direito a uma grande herança caso volte a se casar, o que faz com que os marmanjos de todo o vilarejo se interesse por ela. Aliás, pelo seu dinheiro.

James Marbury, primo de Stuart e dono da fúria de Emma, vai até o vilarejo sem planos de vê-la, mas o destino prega-lhe uma peça. Ao encontrá-la em uma situação precária e cercada de homens querendo sua herança, James, que não precisa de dinheiro, pois é o Conde de Denham, se oferece como marido temporário de Emma, apenas para liberar a herança de que é era dona e, posteriormente, ele próprio resolverá tudo para a anulação do casamento, já que não irão consumar a união. Teoricamente.

O que podemos encontrar em Pode beijar a noiva é um típico romance “sessão da tarde” com pitadas de “tela quente”. Emma e James são divertidos juntos e Patrícia/Meg se esforçou para deixar algumas passagens engraçadas. O casal tem muita química e os capítulos destinados aos beijos apaixonados e ao sexo foram muito bem feitos (e detalhados!). Confesso que esse fato me pegou um pouco de surpresa, esperava por algo mais “infantil”, talvez por preconceito ou pela própria forma de pensar de Emma, que chega a ser chata no início do livro.

O amor que ela sente por Stuart é mostrado de forma breve (já que o próprio era contra demonstrações físicas de afeto dentre outras coisas), o que torna difícil a existência de “teams”, frequentes nos romances atuais. Stuart também é morno, enquanto Emma tinha uma alma “devassa”, como a própria diz. É com James que a personagem encontra a fusão entre a melhor e a pior parte de si mesma. Emma “devassa” é muito mais divertida do que a Emma “caridosa”, embora as duas estejam presentes em toda a trama.

Quem já está acostumado com literatura erótica (o que não é o meu caso) com certeza vai achar as relações sexuais entre Emma e James fracas e “sem sal”, mas para aqueles que ainda estão iniciando no gênero e curtem um bom romance, Pode beijar a noiva é totalmente indicado.

Daniele Marques

Destino – Ally Condie

Imagine viver num lugar onde tudo é totalmente controlado de acordo com o que o governo planeja para você: profissão, casamento, filhos, alimentação, diversão e até mesmo morte. O controle é absoluto, sem erros, ilusões e outros caminhos a serem seguidos. É assim que a Sociedade de Destino (Matched) mantém todos os habitantes das províncias sob suas normas.

É nesse lugar que vive Cássia Maria Reyes, personagem principal da obra de Ally Condie. Ela acaba de completar 17 anos e, por este motivo, deve comparecer ao conceituado e bastante aguardado “Banquete do Par”, onde irá conhecer seu futuro marido, aquele com quem deverá viver o resto da vida. Ele fora escolhido pela Sociedade: seu porte físico, suas características psicológicas, tudo milimetricamente controlado para que ele se relacione perfeitamente com Cássia, e para que juntos gerem crianças saudáveis (é dessa forma, aliás, que a Sociedade eliminou doenças que matavam muita gente antes de seu controle).

Mas para a surpresa de todos e da própria personagem, o par escolhido para ela vive na sua província, o que é raro de acontecer. O caso se torna ainda mais incomum quando Cássia descobre que o homem nomeado para ser seu, nada mais é que seu melhor amigo, Xander Thomas Carrow.

Cássia e Xander passam a ser vistos como pessoas de sorte, pois, na maioria dos casos, os pares são formados com gente que nunca se viu antes, geralmente moradores de províncias diferentes. Mas nem tudo acontece perfeitamente como o planejado: o “microcartão” recebido por Cássia, onde ela pode ter acesso ao seu par e suas principais características (como se já não as conhecesse perfeitamente), demonstra um funcionamento incomum: não é o rosto de Xander que aparece na tela e sim o de Ky, outro morador da província que ela também conhece.

Além de Ky não ser seu par, ele jamais deveria ter sido considerado um, pois é tido como uma “aberração” pela Sociedade. Mas o erro cometido por aquela que tem a fama de ser perfeita acaba envolvendo Cássia num dilema: seguir à risca o que a Sociedade preparou para o seu futuro; ou o seu coração, que tende a disparar toda vez que ela vê os olhos azuis de Ky?

Enquanto a personagem tenta entender o que sente, a autora nos apresenta os membros de sua família: pais, irmão e avô. Impossível não sentir um afeto maior por eles, que se amam mesmo com toda a repressão e frieza sentimental imposta pela Sociedade. No entanto, com o decorrer da trama, torna-se perceptível que o relacionamento entre eles não é perfeito como deveria ser: todos guardam segredos e mentem quando necessário, mesmo correndo risco de punição. É este fato e a presença de Ky na vida de Cássia que irá contribuir com o enfraquecimento da noção de vida perfeita que a personagem tinha.

O início do livro é um tanto maçante, mas ele ganha um ritmo legal após as cinquenta primeiras páginas. Xander é deixado de lado por uns capítulos, o que me incomodou um pouco, mas quando o enredo começa a tomar forma e a passividade de Cássia cede espaço para uma curiosidade impulsiva e pela busca de conhecimento, o livro se torna mais atraente e a leitura bastante prazerosa.

O triângulo amoroso é um tanto passivo neste livro, com Xander cedendo seu brilho (*spoiler*) para o misterioso Ky com muita facilidade. Acredito que no segundo título da trilogia, “Travessia”, ele será mais bem desenvolvido, intensificando a pergunta mais instigante e clichê de todos os tempos: com quem a mocinha deve ficar?

Destino é um bom livro, digno de três ou quatro estrelas. Talvez faça alguém repensar a própria vida, mas acredito que ele se encaixa melhor na categoria entretenimento, uma leitura gostosa antes de dormir ou para passar o tempo nas férias.

Curiosidade: Existem algumas obras que tratam de uma temática semelhante, como Fahrenheit 451 de Ray Bradbury e um mais recente intitulado Delírio, de Lauren Oliver.

Daniele Marques