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[Especial] Harry Potter – Parte 7

Esta é a sétima e última parte da minha série de posts sobre Harry Potter. Decidi fazer um número de posts equivalente ao número de livros e, desta vez, o texto é diferente. Não é mais um texto apenas para apontar méritos e deméritos de livros, filmes e personagens. É um texto de fã.

Harry Potter será sempre representativo de uma época. Não acho que é exagero quando dizem que a estréia do último filme marcou o fim de uma era e o início de uma lenda. Pelo menos, em minha opinião. A série escrita por J.K. Rowling marcou fortemente a minha geração e certamente marcará as próximas. Fará parte do imaginário dos meus sobrinhos e creio que continuará durante muito tempo despertando o interesse de jovens pela leitura.

Aliás, muitos dizem que Harry Potter foi o grande responsável por ressuscitar o interesse dos jovens por literatura. E, graças ao cuidado na realização das produções cinematográficas baseadas nos livros, e ao crescente refinamento estético da série, creio que é seguro dizer que HP também despertou um interesse crescente dos jovens por bom cinema. Por boas narrativas, bons visuais, diálogos e personagens bem construídos. Acho que agora já é bem possível para estes distinguir cinema de entretenimento de qualidade, que é o caso de Harry Potter, do entretenimento descerebrado de um Michael Bay da vida. É o que espero.

Durante toda essa longa jornada de sucesso de Harry Potter, o bruxinho acabou por conquistar uma legião de admiradores e, obviamente, alguns detratores também. Não faltaram teorias de que a obra apresentava alegorias e mensagens satânicas, que Rowling era anticristo; estas partiram em demasia de religiosos fanáticos que se preocupavam com o conteúdo que seus filhos estavam absorvendo – acreditem, tem até blogs sobre o assunto. Também houve aqueles que disseram que a Harry Potter não trazia nada de novo, pelo contrário, era um plágio descarado de outras obras do gênero e que a escocesa se atreveu a se apropriar de criaturas mitológicas já tão exaustivamente trabalhadas em outros livros, como se fossem suas. Harry Potter pode não ter nada de inovador, propriamente dizendo, mas o brilhantismo da série está na releitura – e não plágio – exemplar que Rowling fez de figuras e personagens míticos e é aí que reside seu encanto, sua magia e seu poder. A escritora deu uma nova roupagem a conceitos já existentes e criou todo um novo universo, plausível e fascinante, sustentado por bons personagens e um enredo bem arquitetado criando uma narrativa complexa e com profundidade.

E como este se trata de um texto mais pessoal, é necessário salientar que, além da ótima construção de personagens, a sagacidade na elaboração de alegorias e metáforas e uma  trama bem planejada e desenvolvida, Harry Potter nos deixou uma mensagem genuína: que se temos amigos, pessoas com quem nos importamos e que se importam conosco, pessoas com quem possamos sempre contar, então, estamos bem e seguros, e podemos ultrapassar todo e qualquer obstáculo que apareça em nosso caminho. Talvez muitos pensem que eu estou soando clichê e melodramática, mas acho que essa é a principal lição que Harry nos ensinou no decorrer de todos estes anos.

Como eu não me canso de dizer, dificilmente outra série irá se equiparar a Harry Potter, bem-sucedida e mágica em todos os sentidos.

E parece que foi ontem que embarcamos pela primeira vez ao lado de Potter naquela locomotiva vermelha… A jornada terminou, mas sempre poderemos embarcar novamente no Expresso Hogwarts para viver novamente todas aquelas fantásticas emoções.

Fonte das imagens: http://metamorfoseslagartaseborboletas.blogspot.com e http://camilaemily.blogspot.com 

Andrizy Bento

[Especial] Harry Potter – Parte 6

Nosso primeiro especial está quase chegando ao fim e, como não poderia deixar de ser, aí está a minha opinião a respeito do último filme da série Harry Potter.

Relíquias da Morte: Parte 2

A logo da Warner Bros. cede espaço para a imagem sombria de um castelo cercado por Dementadores, embalada por uma densa trilha sonora. Corta para Snape prostrado em uma das altas janelas do castelo observando os alunos marchando em direção à entrada de Hogwarts. As tonalidades vivas dos episódios anteriores dão lugar a matizes de cinza. A Escola de Magia não parece a mesma de outrora, mágica e imponente; parece amedrontadora, sob um regime rigoroso e fascista. A câmera volta a enquadrar Snape com uma expressão amarga em seu rosto. E foi o bastante para que meus olhos já se inundassem de lágrimas – esse foi o primeiro de vários momentos em que isso aconteceu durante a sessão.

A cena de abertura, extremamente melancólica, já dá uma prévia do que nos promete as quase duas horas de projeção – que passam voando. Sem delongas ou embromação, o clima caótico se instala em Hogwarts e assistimos ao majestoso castelo sendo destruído durante o confronto com os Comensais da Morte.

O diretor David Yates mantém a atmosfera de filme de ação e o nível de entretenimento com uma narrativa frenética e um clímax constante. O cineasta não hesita em mostrar violência, sangue, corpos de alunos, professores, entre outros, pelos corredores da escola, construindo seqüências que transmitem uma real sensação de perigo, luta e aflição ao espectador, contando com a poderosa partitura de Alexandre Desplat que jamais soa over com os temas compostos.

Nada de melodrama forçado e fundos musicais que apelam ao sentimentalismo exagerado nos momentos em que coadjuvantes importantes morrem. Com um tom acertado de tensão e tragédia, a câmera captura os corpos sem vida de alguns personagens que nos fizeram rir e chorar nos filmes anteriores. Estamos no meio de uma batalha, afinal. Não é possível que todos do lado do bem sobrevivam ao embate. Como diz Neville, pessoas morrem todos os dias, o importante é ter a certeza de que nenhuma dessas mortes foi em vão.

Houve um cuidado rigoroso com toda a parte técnica do filme. Basta reparar no dragão que guarda os cofres do Banco Gringotes e nas cenas mais intensas de ação como a batalha em Hogwarts, para se ter certeza de que estamos diante de uma obra cujo cada detalhe foi meticulosamente planejado.

A maquiagem continua exemplar, especialmente a dos duendes e de Voldemort, bem como os efeitos especiais, a ambientação, a cenografia e obviamente o cast que é onde a força dramática do longa reside.

Alan Rickman compõe com primazia o ambíguo Severus Snape, um personagem cheio de nuances, que transmite todas as suas emoções contraditórias ao público através apenas do olhar.

Minerva McGonagall, sempre muito bem representada pela experiente Maggie Smith, tem uma ótima presença de cena e maior destaque no longa como não tinha desde os primeiros filmes.

Matthew Lewis, o intérprete de Neville Longbottom, acerta no tom, tanto quando precisa executar a ingrata tarefa do alívio cômico em um filme de intensa carga dramática, como quando assume a postura do heróico grifinório, com uma participação efetiva e de grande e merecido destaque na história.

Daniel Radcliffe está, possivelmente, em seu melhor momento como o personagem-título. O teatro realmente fez muito bem ao ator que vem apresentado profundas melhorias em sua atuação desde A Ordem da Fênix.

E, claro, Ralph Fiennes mais uma vez dá um show à parte como Voldemort, numa perfomance sempre inspirada.

Aliás, como fã, é necessário abrir um parêntese e dizer que é ótimo ver que todos os nossos queridos personagens tiveram seu momento, por menor que tenha sido, não se restringiu a importância de nenhum deles na narrativa.

Mas como nem tudo que reluz aqui é ouro, algumas cenas deixam um pouco a desejar; o embate entre Bellatrix Lestrange e Molly Weasley é um tanto anticlimático, não tem o impacto que se esperava e chega quase próximo de decepcionar, não fosse o fato de o conjunto ser tão bom e praticamente irretocável.

Algumas piadinhas soam deslocadas como quando Minerva diz “sempre quis fazer esse feitiço”. Compreende-se que é uma cena que tenciona aliviar o clima denso, mas parece sem sentido e despropositada.

A seqüência que revela o quão importante a mãe de Harry foi para Snape e a origem e real natureza da ligação entre eles não foi tudo aquilo que eu esperava, admito, mas é funcional, mostrada em espécies de flashes e não de maneira contínua, um recurso que se mostrou bastante eficiente.

Várias cenas me fizeram chorar, como o tocante momento em que Snape diz a Harry: “Você tem os olhos de sua mãe”; bem como quando o herói se depara com seus pais, Sirius e Lupin sob formas espectrais.

Em termos de condução da narrativa e soluções cinematográficas, o filme está muito bem servido. O longa não sofre com a falta de ritmo ou equilíbrio entre as seqüências e a fluência da narrativa é extremamente eficaz.

Relíquias da Morte: Parte 2 é um filme brutal e sensível, intenso e delicado, dinâmico e melancólico, triste e emocionante.

Não é o melhor filme de Harry Potter. Este título ainda pertence a Ordem da Fênix. Mas é um final mais do que digno e competente e, se me permitem usar um clichê, fecha com chave de ouro o arco de histórias do bruxinho iniciado nos cinemas em 2001, e que vem encantando e levando espectadores de todas as idades às salas de projeção.

Ao final, a câmera opta por enquadrar os personagens com os quais muitos de nós crescemos e aprendemos a amar desde o primeiro livro ou o primeiro filme, agora adultos, pais de família, levando seus filhos para sua primeira viagem à Hogwarts. Impossível não se emocionar e não se lembrar da primeira vez em que parecemos pisar junto com Harry na estação de King’s Cross. Nada mais justo do que o derradeiro episódio se encerrar com esse plano dos personagens, visto que eles foram a alma da série e Harry Potter jamais foi uma história sobre magia e criaturas mitológicas. Foi, na verdade, uma história sobre Harry, Ron e Hermione.

E é com lágrimas nos olhos que assistimos da plataforma 9 e ¾  o Expresso Hogwarts partindo pela última vez, tendo a certeza de que Harry Potter cumpriu seu objetivo diante do público e concluiu de maneira triunfal sua jornada nas telonas, sempre tendo respeito e carinho pelos seus fãs, jamais subestimando a inteligência dos espectadores e nos emocionando até o último minuto, até a última vez em que vemos os créditos subirem na tela.

É triste ver os créditos subindo pela última vez. Mas, ao mesmo tempo, como disse o próprio Yates, Harry Potter acabou no momento certo e com um excelente desfecho. Mas que o bruxinho – que há muito deixou de ser só um bruxinho – vai deixar saudades, isso é inegável!

Fonte das imagens: UOL Cinema / Grandes Filmes / Projeto Cinema / SuperNovo.net

😉

Andrizy Bento

[ESPECIAL] Harry Potter – Parte 3

Com a estreia de Relíquias da Morte: Parte 2 cada vez mais próxima, eu decidi, por esses dias, fazer uma maratona Harry Potter e assisti a todos os filmes da série até a primeira parte de Relíquias. Percebi que estou com o olhar um pouco mais treinado (eu acho…) e então escrevi a respeito de cada um dos filmes para essa terceira parte do Especial do Bloggallerya. Para quem não aguenta mais textos sobre Harry Potter nesse blog e já pensa em excluí-lo dos favoritos (se é que alguma vez ele já foi adicionado aos favoritos), não se preocupem. Só faltam mais quatro partes (!)

Relembrando que aqui está expressa a minha opinião enquanto fã, sendo assim, relevem as hipérboles 😉

Filmes

A Pedra Filosofal:

Em pelo menos um aspecto o diretor Chris Columbus acertou em cheio: o cast de Harry Potter. Tanto que hoje, ao lermos os romances, é difícil dissociar os personagens dos atores que os imortalizaram na franquia cinematográfica.

Obviamente é injusto querer comparar A Pedra Filosofal, o primeiro filme da série, com Relíquias da Morte: Parte 1 ou A Ordem da Fênix, filmes bem melhores e com um orçamento mais polpudo, mas convenhamos que, em se tratando de Warner, era possível fazer bem melhor do que isso.

Quem leu o livro certamente vai achar A Pedra Filosofal uma adaptação até competente do material que a originou. Para quem não leu e está atrás de bom cinema, bem… Daí é outra história.

O filme funciona como uma Sessão da Tarde divertida que não ofende, mas também não causa comoção. Algumas cenas realmente valem a pena e podem ser bastante divertidas e agradáveis como a partida de Quadribol e o xadrez humano (relevando-se os efeitos especiais que não são nada além de passáveis). Outras chegam próximas de emocionar como quando Harry vê seus pais no espelho de Ojesed. Mas o clímax é tão fraquinho que acaba por se tornar esquecível.

É uma pena que o Expresso Hogwarts, em sua primeira aparição, não nos transmita todo o esplendor que deveria transmitir. E alguém me explica o uso de todas aquelas cores berrantes que fazem de alguns momentos do filme quase alegorias carnavalescas? Por um instante até cheguei a pensar que Joel Schumacher é que estava sentado na cadeira de diretor e não Columbus.

Tanto quem leu quanto quem não leu o livro no qual se fundamenta o filme nota que muitas passagens da obra tiveram de ser cortadas, o que é compreensível e não constitui de maneira alguma um demérito até porque o essencial está lá. No quesito fidelidade não há muito do que reclamar dessa primeira incursão do bruxinho nas telonas. Todas as passagens importantes foram retratadas no filme.

O problema é que A Pedra Filosofal é apressado, parece correr com algumas cenas como se quisesse acabar de uma vez, o que dá a impressão desconcertante de que algumas coisas ficaram de fora quando, na verdade, as cenas é que parecem durar metade do que realmente deveriam ter durado.

Para um primeiro filme até que está bom, mas chega a incomodar o fato de Columbus ter transformado essa primeira tradução de Harry Potter para as telas num filme por demais infantilizado.

A proposta de Columbus fica visível em cada frame: recuperar o frescor e a atmosfera dos filmes oitentistas dedicados ao público infanto-juvenil. Mas infelizmente morre na intenção. Em uma cena ou outra, ele até consegue quase chegar próximo disso, contudo, fica só no “quase”.

A Câmara Secreta:

Um legítimo exemplar do cinema de Chris Columbus. Lembra aqueles filmecos natalinos para crianças exibidos na Sessão da Tarde nos fins de ano da Rede Globo.

Eu não escondo de ninguém que sou detratora de Columbus e, convenhamos, tenho lá minhas razões. Aqui ele parece não saber muito bem o que fazer com seu estilo – mantê-lo ou não mantê-lo? O que resulta num filme irregular e disforme, por vezes difícil de acompanhar até o fim.

A Câmara Secreta sofre com efeitos de segunda e uma fotografia extremamente artificial. Hogwarts parece ínfima, sem a grandiosidade que nos transmite os livros. E é neste filme que estão algumas das passagens mais constrangedoras da história de Harry Potter no cinema – a cena do berrador e o chroma key aparente durante a partida de quadribol são apenas alguns exemplos.

Apesar do biótipo perfeito, Daniel Radcliffe ainda me parece perdido nesta seqüência de A Pedra Filosofal, sem muita segurança na pele do protagonista Harry Potter, algo que, felizmente, ele contornaria já no filme seguinte.

Ainda bem que Rupert Grint mostrou ao longo da série que eu estava errada porque a impressão que ele deixa neste filme com seu Ron Weasley é das piores com suas caras e bocas, extremamente caricato. Fico satisfeita que ele tenha evoluído e realmente aprendido a atuar depois dessa.

A narrativa empalidece em meio a tantas soluções que parecem forçadas e mal elaboradas. O desenvolvimento é fraco, roteiro truncado, com uma ação pouco empolgante ou convincente. O elenco dos adultos faz o que pode para salvar a trama, sem grande sucesso.

A Câmara Secreta acaba se prendendo demais à ação e aos efeitos especiais, o que não só acabou por preterir algumas das melhores coisas do texto original de J.K. Rowling, como também não foi uma decisão lá muito sábia, uma vez que o filme, como já foi dito há algumas linhas, conta com um visual que não é, assim, uma Brastemp.

Os fãs do bruxinho poderiam ter passado sem essa. Como comédia até que o filme funciona bem, mas passa muito longe de ser um entretenimento inteligente como são, por exemplo, O Prisioneiro de Azkaban e A Ordem da Fênix, muito melhor orquestrados.

O Prisioneiro de Azkaban:

Admito que peguei meio atrasada o fenômeno Harry Potter. Quando o primeiro filme estreou nos cinemas, eu estava na minha fase O Senhor dos Anéis e desdenhei do bruxinho. Hogwarts não me parecia tão interessante e convidativa quando a Terra Média.

Quando decidi assistir aos dois primeiros filmes de Potter, minha impressão não mudou. A saga continuava a não me atrair.

Então tomei a sábia decisão de dar uma terceira chance a Harry Potter e assisti O Prisioneiro de Azkaban. Demorou, mas a história do bruxinho mais querido e idolatrado do mundo finalmente havia me conquistado e enfim, lá fui eu atrás dos livros.

Eu sou suspeita demais para falar do livro ou do filme O Prisioneiro de Azkaban. Pra mim foi o começo de tudo, o início da minha paixão, portanto, meu discurso tende a ser passional demais e passar longe de qualquer imparcialidade. Mas em momento algum eu disse que a minha série de textos seria imparcial e, bem, eu não sou nenhum Luiz Carlos Merten ou Marden Machado para escrever uma crítica cinematográfica, então lá vamos nós sem medo de ser feliz:

Ao contrário de Columbus, o cineasta mexicano Alfonso Cuarón sabe muito bem o que fazer com seu estilo e o faz muito bem, nos entregando uma fantasia sombria, mas absolutamente divertida e mágica, como deveriam ser todos os filmes da franquia Harry Potter.

Cuarón foi a escolha exata para dar o upgrade de que tanto necessitava a série. Além de entender o espírito e o clima da narrativa, o cineasta entende muito bem quem é o público com quem está dialogando. Algo que ele já havia mostrado em A Princesinha de 1995, um dos filmes infanto-juvenis mais belos que já vi.

Finalmente temos uma Hogwarts digna dos livros (ou da nossa imaginação quando líamos os livros). É imprescindível destacar a exuberância de cenas como a que Harry voa montado sobre o hipogrifo, algo esplendoroso – tanto pelo acuro visual e técnico quanto pela emoção que transmite ao espectador – como há muito não víamos em um filme destinado ao público jovem.

É notória a evolução em todos os aspectos deste se comparado aos outros dois filmes. Elegantemente filmado e com um belíssimo acabamento, percebe-se o cuidado de Cuarón com cada detalhe. O apuro dos planos e enquadramentos é evidenciado, por exemplo, em cenas como as que envolvem a paisagem que cerca Hogwarts, incluindo os constantes enfoques no Salgueiro Lutador, um elemento importante no clímax do filme.

Enquanto o Nôitibus Andante, o Vira-Tempo de Hermione e o Mapa do Maroto de Harry garantem a diversão dos espectadores, as revelações a respeito do passado do protagonista, os momentos em que Harry conjura o patrono, seus diálogos com o professor Lupin bem como o reencontro de dois velhos amigos numa seqüência fundamental, emocionam.

Também é possível sentir um frio perpassar a espinha quando os Dementadores entram em cena ou quando o trio principal se confronta com um lobisomem. Sem contar todo o mistério que cerca o tal Prisioneiro de Azkaban do título.

O trio de protagonistas composto por Radcliffe, Grint e Emma Watson está muito melhor neste filme do que nos antecessores. As atuações estão mais naturais e eles parecem extremamente mais seguros, convincentes e confortáveis em seus personagens. Sirius Black e Remus Lupin aparecem brilhantemente representados pelos ótimos Gary Oldman e David Thewlis.

Sobretudo se destaca a perspicácia de Alfonso Cuarón que sabe muito bem que as linguagens do cinema e da literatura são muito divergentes. Uma adaptação não necessita ser literal, fiel a cada parágrafo de um livro para ser um bom filme. Cuarón compreende isso e, deste modo, as alterações, mudanças e releituras feitas são extremamente bem vindas. O Prisioneiro de Azkaban pode não ser fiel a cada linha escrita por J. K. Rowling, mas é fiel à essência da obra, uma verdadeira adaptação cinematográfica.

O terceiro filme do bruxinho é simplesmente uma obra incomparável, com um visual de encher os olhos, fotografia maravilhosa e excelente trilha sonora a cargo de John Williams. Um filme divertido, inteligente, engraçado, com uma narrativa enxuta e eficiente e até assustador em alguns momentos.

Para os fãs do livro, uma adaptação mais do que justa. Para os fãs de bom cinema, um filme deslumbrante.

 O Cálice de Fogo:

É surpreendente neste filme o trabalho do inglês Mike Newell – diretor da celebrada comédia britânica Quatro Casamentos e Um Funeral e uma escolha curiosa para dirigir Harry Potter.

Newell optou por conferir mais realismo a este capítulo da série. Não que ele se distancie da fantasia propriamente dita, mas o filme tem um tom bem menos fantasioso que seus predecessores e que o próprio livro. Se analisarmos por essa perspectiva – o estilo e a abordagem adotados pelo diretor – faz sentido o fato de Dobby, o elfo doméstico, por exemplo, não dar as caras na película. A magia e as criaturas mitológicas ainda estão lá obviamente, mas funcionam mais como plano de fundo, suporte e elementos secundários – ao contrário do que aconteceu em A Câmara Secreta.

O foco está no crescimento do protagonista e no relacionamento entre os personagens, no fato de Harry e seus colegas estarem entrando na adolescência, o que leva a boas e hilariantes sequências como as que mostram as tentativas frustradas dos pobres Harry e Ron de chamar garotas para o baile.

Apesar de Harry lutar contra um dragão e enfrentar grindylows (demônios aquáticos), são seqüências como a do Baile de Inverno, por exemplo, que ficam marcadas em nossas memórias após a sessão. As cenas mais leves que dão o tom à narrativa até quase o clímax do filme, algo que não é nenhuma surpresa vindo de um diretor como Newell, mas é, por outro lado, em se tratando de uma série como Harry Potter.

Foi um tanto ousado da parte do cineasta manter esse frescor narrativo em alta até quase o desfecho, investindo em cenas de ação como os desafios do Torneio Tribruxo apenas em momentos bem pontuados.

Embora O Cálice de Fogo não seja tão bom quanto o seu antecessor, ainda assim é um entretenimento de qualidade. O roteiro, muito bem estruturado, enxugou bastante do material original, só mostrando realmente o essencial, o que interessa ao público e aparando algumas arestas. É filme para fã, certamente. Os não iniciados podem ficar um pouco confusos com alguns trechos e até achar que muitas cenas envolvendo o Torneio sejam dispensáveis.

Ainda que a narrativa seja leve, apostando mais em cenas engraçadas e românticas, é o filme que conta com o desfecho mais trágico e violento da série até aqui, com a morte de um dos competidores do Torneio Tribruxo e o retorno triunfal do Lorde das Trevas, uma das cenas mais sombrias e assustadoras da franquia cinematográfica.

Harry Potter está amadurecendo em vários aspectos. De uma forma bem mais dramática que seus colegas de Hogwarts. Agora, ele parece cada vez mais ciente de ter todo o peso do Mundo da Magia em suas costas.

A Ordem da Fênix:

Trabalho desafiador para David Yates por inúmeros motivos: Estar à frente de uma franquia bilionária que se tornou mega cultuada; ter de superar o trabalho aplaudido de seus antecessores, Alfonso Cuarón e Mike Newell, com filmes que foram sucesso de crítica e público; e porque A Ordem da Fênix não é um livro simples de ser adaptado.

O romance é extremamente cinematográfico, assim como os demais da série Harry Potter, e os trechos importantes são bem pontuados, porém, como já foi dito, o livro é enorme e possui diversas passagens fundamentais que não poderiam, de maneira alguma, ser negligenciadas na adaptação.

Contudo, Yates conduz o enredo com mão firme e segura, sem grandes tropeços. Transpor tantas páginas para as telas obviamente não foi uma tarefa fácil, mas ele foi excepcionalmente bem-sucedido.

Embora se trate de uma narrativa mais adulta, Yates não deixa de lado o senso de diversão. O resultado são cenas de ação emocionantes, uma bela fotografia e um visual arrebatador aliados a um texto afiado que envolve um interessante contexto político e equilibrada densidade dramática.

Todo o elenco está muito convincente e acredito que não seja apenas porque a maioria está repetindo seu papel pela quinta vez. Os atores parecem realmente se sentir como parte integrante do mundo mágico. Os vínculos entre seus personagens estão mais bem estabelecidos e os relacionamentos são explorados e desenvolvidos de maneira satisfatória.

A Ordem da Fênix conta com momentos inspirados. Destaque para a antológica fuga dos gêmeos Weasley de Hogwarts (não sem antes dar a Dolores Umbridge um pouquinho do que ela merece) e a cena em que Harry vê uma das lembranças mais traumáticas de Snape envolvendo seus adorados pai e padrinho, James Potter e Sirius Black, respectivamente.

Yates mantém a atmosfera sombria que virou um traço marcante da série desde que Cuarón se aventurou pelo Mundo da Magia. O universo de Harry Potter está ficando cada vez mais assustador e precisa ser encarado sob uma nova perspectiva. Dessa forma, o cineasta confere o tom exato de ameaça ao filme. Afinal, nem só de criaturas fascinantes e criativos feitiços vive Harry Potter.

A edição é maravilhosa, um exemplo disso é primeira vez em que Harry vê um Testrálio, ótimos corte e ângulo. Sem esquecer de mencionar a seqüência que abre o filme que conta com primorosos movimentos de câmera.

A ambientação é outro elemento que merece nossa atenção. Hogwarts nunca pareceu tão imponente quanto neste capítulo e, agora, sob a direção da retrógrada Umbridge, o castelo tem um tom até intimidante. Fato é que nem Hogwarts é mais um lugar seguro como antes e a estética adotada para o filme deixa isso bem claro.

O clímax é um dos mais bem orquestrados da série. Yates aposta num emprego certeiro dos efeitos especiais e bem arquitetadas cenas de ação. A batalha no Ministério da Magia proporciona aos espectadores uma mescla de adrenalina, temor e emoção na medida certa. E para os fãs apaixonados e devotados da vítima do Avada Kedavra desta vez, é impossível não acompanhar Harry nas lágrimas e no sentimento de revolta.

Talvez o meu favorito dos filmes de Potter vá ser sempre O Prisioneiro de Azkaban, pelo significado especial que tem para mim. Mas é inegável o fato de que A Ordem da Fênix é a melhor tradução de um livro da série para as telonas. Sem dúvida se trata do filme que conta com o melhor acabamento da série até aqui e um dos visuais mais sofisticados. A mais completa e bem realizada das aventuras de Potter para o cinema. Mas que venha Relíquias da Morte: Parte 2 para mostrar que eu estou errada.

O Enigma do Príncipe:

Um filme que apresenta a mesma carga de enfado do livro, mas um bom passatempo de qualquer maneira, mesmo com uma história cheia de passagens um tanto truncadas.

A primeira seqüência com os Comensais da Morte é muito boa e parece prometer um filme espetacular. Mas o ritmo cai bastante a partir daí.

O suspense novamente dá o tom à narrativa, mas para aliviar um pouco os momentos de tensão, há algumas cenas engraçadas, alguns diálogos espertos e piadas divertidas. Desta vez a cargo de Ron, sua namoradinha Lilá Brown e da lunática e sonhadora Luna Lovegood.

Além disso, há espaço para o romance, ainda que esse aspecto seja tão mal resolvido e desajeitado quanto nos livros, mas pelo menos acrescenta uma bem-vinda dose de leveza num filme de caráter bem mais sombrio do que o anterior.

As atuações continuam tão boas quanto nos filmes que o precedem. Destaque para Tom Felton, o intérprete do arrogante e, agora soturno, Draco Malfoy, com ótima presença de cena. O desempenho de Daniel Radcliffe, de fato, evolui a cada filme. Ele já havia dado mostras de grande melhoria no capítulo anterior. Jim Broadbent, perfeito como o professor Horácio Slughorn, é mais um dos destaques do afinado elenco.

Outro ponto interessante de O Enigma do Príncipe são os flashbacks envolvendo Tom Ridle em sua época de estudante em Hogwarts. Na verdade, são estas seqüências que tornam o filme mais interessante, apesar da performance de Frank Dillane como o jovem Voldemort não ser lá essas coisas.

O filme é tecnicamente impecável, como já é de praxe; conta com uma fotografia maravilhosa, bem cuidada ambientação e vale ressaltar o rigor dos enquadramentos e a câmera extremamente precisa de Yates.

Contudo, é uma pena que se tenha dado um tratamento tão burocrático ao texto. O teor dramático da história é tão fracamente trabalhado, se optando por focar demais em frivolidades, que acaba resultando num filme pouco substancial, que não sabe exatamente a que veio e para onde vai. O Enigma do Príncipe ainda sofre com a falta de equilíbrio entre as cenas mais leves e as mais dinâmicas.

Ao final fica a impressão de que havia muita coisa para se trabalhar em um filme só. E olha que o livro nem é assim tão grande. Muito pelo contrário, é bem menos eloqüente que A Ordem da Fênix.

Enquanto havia a preocupação de dividir A Ordem em dois filmes e Yates executou um trabalho estupendo realizando apenas um filme, mas um dos mais completos da franquia, no caso de O Enigma a película parece carecer de um foco, de um objetivo. O problema vem já do material de origem, mas cabia ao roteirista Steve Kloves e ao diretor David Yates contornarem este problema e tentarem arranjar alguma solução que resolvesse essa falta de escopo.

Não é um filme divertido como O Prisioneiro, nem tem o tom quase lírico e o frescor de O Cálice e tampouco é dinâmico como A Ordem. Mas não se trata de um filme ruim, de qualquer forma.

Relíquias da Morte – Parte 1:

Embora a decisão de dividir o último livro da saga Harry Potter em dois filmes seja estritamente comercial, foi corajoso da parte de Yates assumir essa empreitada, até porque a primeira metade do livro Relíquias da Morte é mais concentrada nos diálogos e nos vínculos afetivos entre o trio principal e contém muito raras passagens de ação.

Assim como o anterior, o filme começa muito bem, mas o ritmo cai logo em seguida, só que desta vez é realmente compreensível já que o foco está em levantar pistas que levem até as Horcruxes, em descobertas, discussões, hipóteses, questionamentos e muitas explicações.

Radcliff, Grint e Watson carregam o filme nas costas, mais uma vez fazendo um ótimo trabalho como Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger. O momento da briga entre Ron e Harry possui um tom de realismo capaz de causar comoção nos espectadores.

Algumas das cenas mais leves são realmente encantadoras, como o momento em que Harry e Hermione dançam para descontrair o clima pesado que se instala depois da breve partida de Ron. Tudo que Harry quer é deixar Hermione mais alegre e, desse modo, consegue arrancar sorrisos também do espectador. Outro destaque fica por conta da seqüência em que Harry vai ao resgate da espada de Gryffindor e, em seguida, Ron tenta destruir a Horcrux, bem executada e com um clima adequado de tensão.

O senso estético de Yates continua digno de nota. Os efeitos especiais estão mais uma vez competentes e empregados de maneira correta e bem pontuada, jamais utilizados de maneira gratuita. O uso de cores e sombras e os belos cenários (desta vez sem contar com o apoio da tradicional Hogwarts) fazem deste um dos filmes de Harry Potter com visual mais rebuscado.

Como entretenimento, Relíquias: Parte 1 é extremamente funcional, ainda que tenha um clima mais melancólico, soturno e aposte mais na interação do trio protagonista, lutando para sobreviver por sua própria conta e risco, do que em cenas mais movimentadas. Creio que seja o filme com a narrativa mais adulta até aqui, o clímax é mais dramático e violento do que nos antecessores.

Determinadas sequências podem soar monótonas para os desavisados e, aqui e ali, tanto os fãs quanto os não-leitores percebem que talvez não houvesse problemas e nem grandes dificuldades em transformar o sétimo livro em uma única adaptação, sem a necessidade de dividi-lo em duas partes.

A não ser que você seja fã do bruxinho – seja dos livros ou dos filmes – essa primeira parte de Relíquias é recomendável. Do contrário, o filme pode parecer bastante enfadonho. Mas, ainda assim, não tem como não se emocionar com as cenas finais e o cliffhanger, obviamente, nos deixa com altas expectativas para o derradeiro episódio, Relíquias da Morte – Parte 2. Aguardamos ansiosamente!

 Falta pouco 😉

Andrizy Bento