Arquivo da categoria: Quadrinhos

Gibicon 2014

2014-09-06 17.53.58

O que é mesmo?

Gibicon é uma convenção internacional de quadrinhos de Curitiba. E faz todo o sentido ser esta a sede de um evento como este, afinal Curitiba foi pioneira na criação de uma biblioteca especializada em quadrinhos no Brasil, a Gibiteca. E, como diz Solda, nossa cidade sempre foi um centro produtor de cartum, especialmente desde a efervescência da década de 1970. A capital paranaense é uma referência quando se trata do tema, com uma cena local admirável de HQs independentes. Creio que não é nenhum exagero dizer que Curitiba é a capital brasileira dos quadrinhos. E a Gibicon chegou para reafirmar isso.

2014-09-05 13.20.11

Nas duas edições anteriores do evento, vários espaços culturais da cidade foram ocupados para a realização das atividades envolvendo o universo das HQs. Neste ano, porém, a Gibicon (que ocorreu entre os dias 4 e 7 de setembro) concentrou tudo em um só espaço: O Museu de Arte, o MuMA – Portão Cultural, localizado no bairro do Portão, bem em frente ao terminal de ônibus. Desta forma, não poderiam perder a chance de recorrer ao trocadilho: Curitiba abre o Portão para os quadrinhos mundiais. E foi o que aconteceu. Preciso concordar com os realizadores que a Gibicon nº 2 foi, sem sombra de dúvidas, mais forte, corajosa e madura.

2014-09-05 13.18.56

Mas peraí… Gibicon nº 2? Mas eu não acabei de dizer que o evento está em sua terceira edição? Pois é, ficou um pouco confuso mesmo, mas é que a primeira edição do evento, que ocorreu em 2011, foi chamada de “nº 0” por se tratar de um evento teste. Em outubro de 2012, daí sím, foi realizada a Gibicon nº 1. De lá pra cá, Curitiba abraçou a ideia: o evento virou notícia na mídia local e nacional; foi premiada; recebeu grandes nomes dos quadrinhos nacionais e internacionais; gente de toda parte do Brasil veio conferir, participar, expor e divulgar seus trabalhos. A receptividade não poderia ser melhor.

O que teve lá?

Neste ano o evento se destacou pela diversidade e organização digna de nota. Como sempre, teve de tudo um pouco: palestras, debates, oficinas, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos, cosplay, Arena dos Artistas, Feira de Quadrinhos e cupcakes deliciosos com carinhas de super-heróis. É, eu tinha que citar os cupcakes. Houve até a criação de uma premiação paranaense que celebra a nona arte, o Prêmio Claudio Seto de Quadrinhos que homenageou o genial Solda. Dentre os convidados internacionais, destaque para o artista inglês David Lloyd (conhecido pelo seu trabalho em V de Vingança); o quadrinista e ilustrador Kim Jung Gi; e o cineasta, quadrinista e ilustrador argentino Salvador Sanz. Daqui teve muita gente boa: Solda, Ana Koehler, André Ducci, Chiquinha, Antonio Eder, Bennet, Pryscila Vieira, Bira Dantas, Luli, Carlos Magno, Carlos Machado, Bianca Pinheiro, Daniel HDR, Fabio Moon, Erica Awano, Julia Bax, Vitor Cafaggi, Lielson Zeni, Marco Jackobsen, Rafael Coutinho, Érico Assis, Sonia Luyten, Guilherme Caldas, Renato Guedes, Will Conrad e, claro, José Aguiar, além de muitos outros. E se vocês não conhecem o trabalho dos artistas citados, sugiro que corram atrás.

2014-09-05 13.06.02
A cartunista Chiquinha

No primeiro dia, após passar uma hora na Casa da Leitura Wilson Bueno lendo algumas edições de Evangelion, assisti à palestra de Rafael Coutinho. Embora o pessoal praticando arco e flecha lá fora insistisse em desviar minha atenção em alguns momentos, a palestra sobre produções independentes foi ótima, especialmente pelo tom agressivo e apaixonado de Coutinho.

Nos stands dos independentes do lado de fora do museu, tive a oportunidade de folhear o trabalho de Anderson B. autor de Sempre Inconstante que se destaca exatamente por isso: pela inconstância do traço, a diversidade, um estilo próprio e extremamente variado. Outro trabalho que eu dei uma olhada e até já conferi o site, é A Entediante Vida de Morte Crens do gaúcho de 19 anos Gustavo Borges, criativo e inteligente.

2014-09-05 14.19.18
stand dos independentes

No dia seguinte, a mesa Mulheres e Quadrinhos, mediada por Lielson Zeni, reuniu as artistas Lu Cafaggi, Julia Bax, Ana Koehler, Érica Awano e Bianca Pinheiro em um debate maravilhoso sobre o talento feminino no universo das HQs. Além de discutirem seus métodos de trabalho, também falaram sobre o fato de quadrinho ainda ser considerado um território masculino. Segundo Ana Koehler, os artistas de HQs americanas mais comerciais e tradicionais ainda recorrem a estereótipos tanto femininos quanto masculinos e à idealização da mulher na composição de personagens. Também afirmou que no mercado independente, as mulheres tem mais espaço tanto como autoras quanto como personagens. Érica Awano disse que, pelo menos, nos quadrinhos japoneses há subdivisões mais justas e diferentes tipos de mangás  direcionados a públicos diversos.

2014-09-06 16.08.01
Sonia Luyten

Infelizmente, o debate coincidiu com a palestra de Sonia Luyten. Para quem não conhece, ela se dedica ao estudo das histórias em quadrinhos há muitos anos. No ano em que eu nasci, 1988, ela se tornou Doutora em Ciências da Comunicação, com a tese sobre mangás. De lá pra cá, publicou vários artigos e livros sobre HQs, dando ênfase aos mangás e a cultura pop japonesa. Vocês não conseguem nem imaginar o quanto eu lamentei ter perdido essa palestra… Mas tive de escolher. E como tinha uma matéria para escrever sobre o papel feminino no universo dos quadrinhos, acabei optando pelo debate. Na palestra (que eu perdi), a carismática e comunicativa Sonia falou sobre o estilo steampunk e globalização na produção de cenários de mangá e anime.

Assisti também à palestra da cartunista Chiquinha, a simpatia em pessoa, que falou sobre seu trabalho focado no universo feminino e as polêmicas nas quais se envolveu por conta de suas tiras publicadas no jornal Folha de São Paulo.

2014-09-05 11.47.58
Ana ClaCla

Fiz uma rápida entrevista com a gaúcha Ana ClaCla que veio para o evento como visitante, para assistir às palestras, debates e comprar quadrinhos. Mas acabou tendo a oportunidade de divulgar seu trabalho, a HQ À Beira de mim Mesmo, uma série de contos sobre personagens prestes a desistir. Ana contou que planeja voltar para uma próxima edição para expor seu trabalho em stand.

Ainda nesse segundo dia de Gibicon, assisti ao debate sobre adaptações de HQs para o cinema que contou com as presenças de Erico Assis, Walkir Fernandes, Daniel HDR e Thiago Provin, com mediação do crítico de cinema Marden Machado (por quem nutro uma profunda admiração). Em uma discussão que contou com a plena interação da plateia (a ponto de os participantes da mesa convidarem, na brincadeira, o pessoal para se unir a eles na mesa), rolou tudo o que se pode esperar quando o assunto é esse novo gênero cinematográfico: melhores e piores adaptações, a influência dos quadrinhos sobre o cinema e vice-versa, quando o cinema passa a pautar as HQs, os autores que não recebem pelos seus personagens adaptados para a telona, Marvel vs. DC, filmes baseados em revistas menos conhecidas do grande público e quais HQs não funcionariam em uma adaptação cinematográfica.

2014-09-05 17.24.17
debate sobre filmes baseados em HQ

No último dia de Gibicon pra mim (Sábado, 6), tive a oportunidade de assistir ao lado da Herven uma dos melhores e mais controversos debates: Quadrinhas que reuniu as artistas da Folha de São Paulo: Chiquinha, Cynthia B., Pryscila Vieira e Luli, com mediação da maravilhosa (sim, sou fã, ela foi minha inspiração para escrever meu projeto de conclusão de curso da pós sobre quadrinhos e cinema) Sonia Luyten. Na mesa rolou uma discussão interessantíssima, especialmente depois que Chiquinha e Pryscila contaram que seus  trabalhos já foram acusados de machismo por feministas radicais na internet. Fora da mesa, isto é, na plateia, opiniões divergentes acerca de ativismo, extremismo e leituras subjetivas de charges quase fez o Cine Guarani (onde ocorreu o debate) pegar fogo. Até um momento inusitado rolou – quando um homem alcoolizado foi retirado do recinto após interromper uma garota que tentava dar sua opinião na plateia, expondo algo totalmente nonsense, sem nenhuma conexão com o que estava sendo discutido. Pois é, meus caros. Isto sim é evento!

2014-09-06 14.09.32
mesa “quadrinhas”

Nesse dia, eu conversei brevemente com Sonia Luyten (e dei pulinhos depois), com direito até uma foto ao lado dela (tietagem pouca é bobagem), e com Pryscila Vieira (uma fofa, linda, alta, talentosa e inteligente). Também tirei algumas fotos de Chiquinha e comprei um de seus trabalhos com a própria – uma arte do livro que não foi finalizado a tempo para a Gibicon, o Algumas Mulheres do Mundo.

2014-09-06 16.30.47
Pryscila Vieira

Também conversei com o Luiz Augusto de Souza, da Korja dos Quadrinhos. Ele estava presente no stand da Korja e comprei com ele duas edições da revista Caçada Até à Última Bala de Marvin Rodrigues que tenho certeza que vou adorar. Ele me contou um pouco a respeito da influência do cinema dos anos 70 em Caçada, especialmente dos filmes pós-apocalípticos e dos westens spaghetti de Sergio Leone. A capa, chamativa, aludindo a Scarface de Martin Scorsese foi o que me instigou a comprar a revista. Aliás, a arte é fenomenal.

2014-09-06 16.00.03
Luiz Augusto de Souza

A exposição que mais atraiu o olhar do pessoal pelo que pude ver, foi a O Que Aconteceu Com a Seleção Brasileira. Não preciso explicar, né? O nome fala por si. Dentre as que mais gostei, posso destacar: Solda, David Lloyd, Luz e Sombras – O Universo Fantástico de Salvador Sanz, Cidade Sorriso dos Mortos-Vivos (várias sacadas geniais), O Gralha (nosso super-herói paranaense) e Breve História do Mangá no Brasil (uma lágrima quase cai quando vejo a cronologia e tantos personagens que marcaram minha vida como Yu Yu Hakusho, Cavaleiros do Zodíaco, Love Hina, Ranma 1/2, entre outros).

2014-09-05 13.59.46
Solda
2014-09-06 13.37.18
V de Vingança

2014-09-06 13.35.40

2014-09-06 13.37.49
o universo fantástico de Salvador Sanz
2014-09-05 14.00.29
Gralha
2014-09-06 13.42.04
breve história do mangá no Brasil
2014-09-06 13.43.16
alguns dos meus mangás favoritos

O que eu levei?

Aí está o que eu levei:

2014-09-11 18.47.21

Entre as minhas aquisições estão Caçada Até à Última Bala que estou ansiosa para começar a ler; À Beira de Mim Mesmo, trabalho belo e com um traço surrealista de Ana ClaCla e uma arte de Chiquinha do livro não finalizado.

E, claro, também passei na Comix, aproveitei a promoção e levei Os Filhos de Anansi de Neil Gaiman em uma super promoção que eu não poderia deixar passar, além desse presente adiantado de aniversário (mentira, vou pagar pra ela), a Coleção Histórica Marvel: Os X-Men. E já vou avisando logo que eu devia ter adivinhado que por esse preço tão convidativo,  a qualidade do papel não seria exatamente a que eu esperava e nem a capa seria dura, embora a qualidade não seja exatamente ruim, longe disso…

2014-09-11 18.50.59

Mas bora parar de reclamar, né?

Bem, como o intertítulo é “o que eu levei”, falarei rapidamente do que eu levarei de lembranças dessa Gibicon, para além das minhas aquisições: foram três ótimos dias (pena que não pude comparecer no domingo) de leituras, palestras, debates, compras, entrevistas, empurra-empurra, cupcakes e deliciosos pasteis e cachorros-quentes. Esbarrei em amigos, conheci gente nova, novos trabalhos, novas ideias e constatei definitivamente que quadrinhos são a forma mais linda, incrível e poderosa de arte do mundo. Mesmo que eu ame cinema e que este seja considerado o auge da arte sequencial, nada como os quadrinhos, com tantas vertentes, entusiasmo, criatividade, autenticidade, contestação e confrontação. No glorioso universo das HQs, tudo é permitido, todo sentimento pode ser expressado com originalidade, tantas mensagens podem ser transmitidas por meio de seus traços e cores, luz e sombras. E as pessoas que produzem, consomem, que representam a nona arte são as pessoas mais incríveis de que já tive notícia. Já aguardo ansiosa pela próxima edição 😉

2014-09-05 13.20.05

Vocês podem ler o meu texto sobre o talento feminino nas histórias em quadrinhos aqui e o outro sobre adaptações cinematográficas de HQs aqui.

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 4 – Dias de um Futuro Esquecido

A aclamada saga Dias de um Futuro Esquecido foi publicada pela primeira vez em 1981. A HQ dos mutantes se encontrava, então, em seu melhor momento nas mãos de Chris Claremont e John Byrne, que de certa forma reinventaram a criação de Stan Lee, assumindo o título nos anos 70. À essa altura do campeonato, ambos já haviam provado seu talento com A Saga da Fênix Negra e a parceria dava inúmeras mostras de que iria entrar para a história.

Abordando conceitos como viagem no tempo e realidades alternativas  (muito antes de filmes como De Volta Para o Futuro invadirem as telas e o imaginário dos cinéfilos), esta saga retrata um futuro apocalíptico, situado no ano de 2013, no qual os mutantes são perseguidos e exterminados por robôs enormes denominados Sentinelas, criados por Bolivar Trask. Os X-Men representam a resistência, mas sobraram poucos deles. A única forma de mudar este cenário aterrador, é impedir o assassinato do Senador Kelly no passado, orquestrado pela Irmandade de Mutantes em 1981 .

Este evento desencadeou uma onda anti-mutante e uma verdadeira campanha de ódio e perseguição aos homo superior. A mente de Kitty Pryde, a Lince Negra, é enviada para o seu corpo no passado a fim de impedir a tragédia e suas consequências devastadoras.

Dizem por aí que essa história inspirou o cineasta James Cameron a criar O Exterminador do Futuro. Curiosidades à parte, a saga prima por um roteiro audacioso e coeso. O que é impressionante, uma vez que histórias que envolvem viagens no tempo sempre correm o risco de não soarem plausíveis. Não é o caso aqui. O contexto sócio-político é bem trabalhado e, por vezes, nos remete ao nazismo e à caça aos judeus. É uma história bem elaborada, sem medo ou hesitações em mostrar nossos personagens favoritos mortos no futuro. A arte é bem competente, com traços e cores que valorizam tanto o futuro sombrio quanto o passado de esperança. Ao mesmo tempo, faz o leitor refletir sobre quanto tempo ainda vai se estender a luta dos mutantes pela aceitação e o fim da intolerância?

A história foi adaptada para a TV em X-Men Animated Series, a série animada de 1992, em um episódio de duas partes. Mantendo a essência da original, a mola-mestra da trama ainda é o assassinato de Robert Kelly. No entanto, é Bishop o enviado ao passado com o auxílio do cientista Forge, uma vez que Kitty Pryde não era um personagem recorrente na série. O futuro caótico é bem representado apesar das limitações em termos técnicos. Uma alteração bem-vinda em relação ao original é o fato de que, no passado, o responsável pelo assassinato de Kelly foi um X-Men. Interessante o roteiro pegar um gancho nos problemas de confiança (ou falta dela) que o grupo tinha com Gambit, que é o acusado do crime. Mas, na verdade, todo o plano foi idealizado por Mística e a Irmandade de Mutantes.

Esta adaptação também foi parar nas páginas dos quadrinhos. O que é bem curioso – a adaptação da adaptação (!) X-Men Adventures era uma minissérie especial em quatro edições que adaptava os episódios da série de TV para os quadrinhos. Isto é, os mutantes pularam para a telinha, mas retornaram às suas origens. A HQ é tão interessante quanto os episódios da série animada. Porém, vacila na arte, com traços equivocados (Jean Grey tem a fisionomia drasticamente alterada ao longo das páginas e Mística, quando está com aparência de uma humana comum, é a cara do Michael Jackson!) e alguns “movimentos” dos personagens soam confusos e difíceis de assimilar.

Como bem se nota, Dias de um Futuro Esquecido é uma história tão boa que é quase impossível estragá-la…

Com tantas adaptações, faltava a trama migrar par a telona. Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes dos mutantes e produtor do “recomeço” X-Men: Primeira Classe, já tinha interesse em adaptar a história para o cinema desde a época em que estava trabalhando em X-Men 2 de 2003. Onze anos depois, ele finalmente leva a clássica trama às salas de projeção. Mantendo a premissa e os conceitos da história original, o filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido que estreia nesta quinta-feira, 22 de maio, é não apenas o mais satisfatório, como o mais completo e audacioso filme dos X-Men. A missão que muitos julgavam impossível – de fazer a conexão entre o arco iniciado em Primeira Classe e a trilogia original – é cumprida, aliás, muito bem cumprida. Ambas as linhas temporais tem um tempo de tela adequado, e a costura entre uma e outra acontece de forma natural, cuidadosa, sem excessos.

O filme tem vários momentos brilhantes e notáveis. Mas os que vão ficar gravados na cabeça dos fãs, após o término da sessão, é a ótima cena protagonizada por Mercúrio, em slow motion, ao som de Time in a Bottle de Jim Croce; e o final – uma pequena, singela, mas bonita homenagem à velha guarda dos X-Men, os personagens que protagonizaram os três primeiros filmes da franquia.

Temos um melhor acesso ao lado mais humano dos mutantes, com cenas mais leves e um tom bem-humorado. As cenas de ação não ficam em segundo plano, e os X-Men aparecem utilizando seus poderes verdadeiramente como uma equipe, lutando pela sobrevivência de sua raça, e nunca de forma gratuita. Ainda há espaço para sequências mais dramáticas e até trágicas, que poderão arrancar lágrimas dos olhos dos devotos fãs dos personagens. Apesar de muitos mutantes em cena, alguns com participações bem pequenas, não dá pra dizer que houve alguma negligência. DoFP apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens, um bom equilíbrio entre os elementos narrativos, uma trilha sonora coesa e fantástica ,e faz justiça, sim, à história original. Todo o potencial da equipe mutante é finalmente explorado. É um deleite para os olhos tanto a execução das cenas de ação e efeitos especiais, como o tratamento de respeito e carinho que é possível notar que Bryan Singer tem pelos personagens. Além disso, fazer um blockbuster, filme de super-heói, produto típico do verão americano e ainda conseguir transmitir ao público uma bela mensagem acerca da tolerância, do respeito e da aceitação das diferenças de cada um, vai além de entretenimento. É quase uma obra-prima.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tem algumas das qualidades que tem faltado a inúmeros arrasa-quarteirões atuais e que deveriam ser sempre inerentes a estes: é divertido, empolgante, dinâmico, mas também é inteligente e emocionante. Conta com um roteiro bem construído e um visual que não apenas funciona, mas também surpreende. Além de grandes personagens retratados com dignidade por um elenco afinado.

Bryan Singer mais uma vez elevou a franquia X-Men a um novo patamar no cinema (feito que já havia realizado com X-Men 2). Um filme para se ver e rever e uma das melhores opções que entrará em cartaz nos multiplex este ano.

Aí vão uns pequenos spoilers: Desta vez é Wolverine que volta ao passado, com a ajuda de Kitty Pryde que envia sua consciência para o ano de 1973, a fim de impedir que Mística mate Bolivar Trask, criador do programa Sentinela; X-Men: O Confronto Final passou a ser um filme non-canon. Esqueçam dos eventos narrados nele, não fazem mais diferença no todo; E na cena pós-créditos, temos um vislumbre de Apocalypse, o mais poderoso dos mutantes. 😉

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 3 – X-Men: Primeira Classe

Admito que eu fui uma das que torceu o nariz para este filme da franquia X-Men. Eu vinha acompanhando as notícias e novidades acerca da produção desde que esta não passava de uma ideia que circulava pelos estúdios da Fox. Lembro ainda de Lauren Shuler Donner, produtora dos três primeiros filmes da série, dizendo numa entrevista que First Class poderia seguir uma linha Harry Potter (sic).

Qual não foi minha decepção quando anunciaram que a Primeira Classe do filme não seria a Primeira Classe que eu conhecia? Aquela de 1963, criada por Stan Lee e Jack Kirby e que eu pude conferir anos mais tarde nas páginas das edições X-Men Classics e Biblioteca Histórica Marvel, formada por Ciclope, Jean Grey, Fera, Anjo e Homem de Gelo?

Era difícil, para mim, imaginar a origem dos X-Men sendo contada sem Ciclope, que foi o primeiro X-Men. Outra notícia que me incomodou foi a de que Alex Summers, o Destrutor faria parte do filme. Primeiro porque eu nunca gostei muito do Destrutor. Segundo que, pra mim, não fazia o menor sentido a primeira classe contar com o irmão de Ciclope e não com o próprio Ciclope.

O meu medo não era nem o fato de não seguir a cronologia dos filmes anteriores. Normal querer recontar a história dos X-Men desde sua origem independente dos filmes de Singer e Ratner, lançados entre 2000 e 2006. O que me incomodava era que First Class traísse os conceitos e características do original, das HQs, deturpando toda a história e ferindo consideravelmente a cronologia mutante com a qual estamos familiarizados. Juro que não se trata de purismo… Mas quando as modificações são excessivas, aí já é outra história.

Assim que as primeiras fotos do set de filmagens foram parar na internet, desisti de acompanhar toda e qualquer notícia a respeito do filme. Me assustei com os uniformes coloridos… Talvez seja porque me acostumei com a estética e sobriedade de Bryan Singer, com os uniformes de couro pretos (que também me assustaram em um primeiro momento). Ou talvez porque eu fiquei pensando no quão kitsch poderia ser o filme. Ou ainda porque, admito, sou uma fã ferrenha de X-Men e já havia ficado tão desapontada com o que eu tinha lido sobre a produção que decidi implicar com isso também.

Comecei a escapar dos spoilers, das fotos, stills, do tal script vazado, dos clipes… Então vi o primeiro trailer oficial do filme. Não me convenceu. Vi um spot com a Mística e o Xavier e comecei a simpatizar. Vi o segundo trailer oficial e tive que confessar que talvez tenha sido injusta e equivocada nos meus julgamentos. Pensei: “Esse filme está a ponto de me surpreender”.

Enquanto críticos e fãs, gente que não entendia bulhufas e outros versados no universo mutante, teciam elogios, eu, ainda assim, fui para o cinema pronta para reclamar de algumas coisas e fazer vista grossa. Já admiti que sou fã ferrenha, não é? Às vezes até inconscientemente.

E não é que tive que dar o braço a torcer? Eu juro que achei que iria ver um filme divertido e visualmente interessante como Thor. Mas foi mais do que isso.

Essencialmente, X-Men: Primeira Classe foca no início da complexa relação entre Professor Xavier e Erik Lehnsherr (o Magneto) que, mais tarde, irão se tornar rivais, devido a um conflito ideológico. Ambos ótimos em seus papéis, embora Michael Fassbender roube a cena, dando vida e profundidade a um Erik rancoroso e revoltado que sofreu na juventude, tendo sido levado ainda pequeno a um campo de concentração pelos nazistas e visto sua família ser executada devido à sua origem judaica. A história de vida do personagem faz com que o espectador compreenda seus impulsos violentos e  tirania, mesmo que não os justifiquem.

Charles Xavier, a antítese de Magneto, surge em seu caminho como um amigo disposto a refrear sua raiva, mostrar que o ódio não é a melhor saída, tentando fazê-lo crer na coexistência entre as duas raças, humanos e mutantes.

Outra que compõe um personagem memorável é Jennifer Lawrence na pele da transmorfa Mística, transmitindo ao público toda a insegurança que sente em relação à sua mutação genética e a consequente dificuldade em se aceitar como é.

Xavier e Lehnsherr, trabalhando lado a lado, recrutam outros mutantes para formar uma extraordinária equipe. Personagens desconhecidos do público que não acompanha as HQs surgem na tela como Banshee, Destrutor e Angel (no filme seguinte, entendemos o propósito disso). Durante essa busca de Erik e Charles, Wolverine dá as caras numa rápida e divertida cena.

Esta é a melhor qualidade do longa: a construção e desenvolvimento de personagens. Mas há outros méritos a se ressaltar.

O trabalho do diretor Matthew Vaughn não se limita a ser apenas competente, surpreendendo em vários momentos. O cineasta conduz a narrativa com bastante destreza, equilibrando bem momentos mais dramáticos e densos com cenas de ação e humor.

Felizmente a temática do preconceito é, mais uma vez, bem trabalhada. Esse aspecto do roteiro jamais é negligenciado, e também não cai no discurso panfletário. O filme tem uma mensagem a passar, mas o faz com bastante naturalidade e inteligência, sem nunca deixar de lado o senso de diversão. O roteiro é feliz ao aliar a atmosfera de filme de ação a um contexto histórico bem definido.

Os uniformes são funcionais, sim – ao contrário do que eu pensei a princípio. O estilo retrô da direção de arte, cenografia e figurinos evoca um clima sessentista preciso e até elegante, remetendo ao cartunesco em certos momentos.

Os diálogos representam um dos pontos fracos do filme, soando um pouco over em algumas sequências, com frases de efeito que poderiam muito bem ser limadas. A cena em que os X-Men escolhem seus codinomes é tola e até forçada. Também não há nenhuma cena realmente grandiosa (uma carência que já se tornou constante nos filmes dos X-Men), mas isso não prejudica o conjunto.

Não é o X-Men dos meus sonhos, tanto que não derramei uma lágrima ao final da projeção. E isso é muito significativo. Ainda gosto mais de X-Men 2 e, agora, de Dias de um Futuro Esquecido. Contudo, Primeira Classe trata-se de um digno recomeço (ou seja lá como chamam) para a franquia mutante.

Como foi bom ver que eu estava errada. Mudar de opinião é uma atitude sábia quando se reconhece o erro e a injustiça que cometemos 😉

Adendo 1: Apenas bem mais tarde – leia:se: quando eu já havia assistido ao filme – que me dei conta que a proposta era manter os acontecimentos e a cronologia estabelecida nos primeiros filmes. Portanto, Ciclope e Jean Grey jamais poderiam fazer parte da equipe dos anos 60. Se a ideia era conectar a trilogia aos novos filmes, não faria sentido, uma vez que eles ainda eram bem jovens em um futuro não muito distante.

Adendo 2: X-Men: Primeira Classe contou, infelizmente, com uma das piores campanhas de divulgação. A Fox é aquele estúdio que quando não faz bobagem na entrada, faz na saída. Nesse caso, foi na entrada. Menos mal.

Andrizy Bento

[Especial] X-Men – Parte 1

Faltando menos de uma semana para a estréia de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, nova aventura cinematográfica dos mutantes da Marvel Comics, decidi começar este especial dividido, provavelmente, em cinco partes. Retomarei o Especial Teledramaturgia assim que findar meu compromisso com essa série de posts sobre os meus personagens favoritos dos quadrinhos, desenhos animados e cinema.

Eu sou uma das sortudas que já teve a oportunidade de conferir o novo longa dos mutantes e preciso dizer que sim, vale a pena. Provavelmente é o melhor e mais completo filme dos X-Men. Há tantos bons e marcantes momentos, mas, com certeza, o que ficará na cabeça dos fãs após o final da projeção, é a cena protagonizada por Mercúrio e a sequência final, que presta um tributo aos primeiros filmes e aos personagens mais populares desde os quadrinhos. Em breve, falarei sobre o filme em um post deste especial. Por enquanto, a dica é esta: o filme é realmente muito bom e há uma cena importante depois dos créditos.

Falar de X-Men e não tocar no contexto histórico em que os personagens surgiram – época dos conflitos raciais existentes na década de 1960 nos Estados Unidos – é ignorar não apenas suas origens e fundamentação, mas também a razão de X-Men permanecer atual e relevante, além do real motivo pelo qual tantos jovens leitores de quadrinhos ao redor do mundo se identificam mais com os mutantes do que com qualquer outro herói.

Ao longo das décadas, migrando de uma mídia para outra e deixando sua marca em todos os níveis da cultura pop, X-Men segue desfrutando do prestígio de público e crítica; de antigos e novos leitores de quadrinhos; daqueles que nunca passaram perto de uma HQ e dos fãs de cinema de entretenimento inteligente. Fazendo fortuna com as revistas lançadas e alcançando números expressivos em bilheteria com seus longas-metragens para o cinema, bem como com jogos de videogame e outros produtos licenciados, o sucesso almejado e atingido não é à toa. Existem inúmeros fatores que contribuíram para que os mutantes criados por Stan Lee na década de 60 se tornassem tão queridos como são hoje, além de merecidamente bem-sucedidos.

Os X-Men nunca foram como os outros super-heróis. Ao invés de amados pela população que juraram proteger, são odiados e temidos. Isto devido à uma mutação genética que lhes confere poderes extraordinários e os torna “diferentes” do restante das pessoas. Vistos como ameaças e perigosos para a sociedade, lutam desde o começo pelo sonho de conviver em harmonia com os humanos. Este é o ideal de seu mentor, o Professor Charles Xavier, que os reuniu e os ensinou a utilizar suas habilidades especiais apenas para o bem da humanidade. Tento herdado uma mansão de seu pai, o renomado cientista Brian Xavier, Charles fez dela o seu Instituto Xavier para Jovens Superdotados. Uma fachada para uma base de operações e treinamento mutante, na qual Charles orienta seus alunos a dominarem seus poderes. Do outro lado do tabuleiro, está Erik Lehnsherr, o Magneto que acredita que a raça humana deve ser exterminada em prol da evolução de sua raça e da supremacia mutante. Xavier é uma alusão ao pacifista Martin Luther King, enquanto Magneto representa o radical Malcon X.

X-Men compreende uma inteligente metáfora do preconceito racial. Com o passar do tempo, em 60 anos de quadrinhos, as tramas foram ganhando cada vez mais profundidade e abordando temas complexos e espinhosos como a homossexualidade, antissemitismo, conflitos étnicos e religiosos, ódio às ditas minorias, entre outros. Sempre abordando a temática da  intolerância e não-aceitação, tentando passar aos leitores de HQs uma mensagem simples: que é possível conviver com nossas diferenças e que devemos aprender a compartilhar o mundo.

Porém, é um fato histórico: compartilhar o mundo nunca foi o atributo mais nobre da humanidade.

Histórias em Quadrinhos

Os X-Men foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963 e tiveram seu primeiro título publicado em 10 de setembro daquele ano. A primeira equipe era formada por Ciclope (Scott Summers), Garota Marvel (Jean Grey), Fera (Hank McCoy), Anjo (Warren Worthington III) e Homem de Gelo (Robert “Bobby” Drake). Os primeiros alunos de Xavier eram todos adolescentes norte-americanos que possuíam incríveis poderes, graças ao gene X. Apesar do estilo, com cores fortes, uniformes típicos de super-heróis, tramas que envolviam muita ação e batalhas do bem contra o mal, a HQ tratava de um tema sério e pertinente, o preconceito. A mensagem de X-Men era muito clara.  Os mutantes eram vistos como ameaças e não como heróis.

A década de 60 foi prolífica para a Marvel Comics. Várias criações de Lee e Kirby despontaram e fizeram um enorme sucesso. No entanto, os X-Men não desfrutaram da mesma fama imediata que outros colegas de editora. Apenas em 1975, quando  o roteirista Len Wein e o desenhista Dave Cockrum assumiram o título, que X-Men se converteu em um grande sucesso de vendas. Ambos introduziram novos personagens, vindos de diferentes países – o alemão Noturno, o russo Colossus, o irlandês Banshee, a egípcia Tempestade, o japonês Solaris e o canadense Wolverine. Dessa forma, estabeleceu o conceito de equipe multiétnica, afinal, se os mutantes eram uma raça, deveria haver portadores do gene X por todo o globo. Chris Claremont e John Byrne logo substituíram a antiga dupla Wein e Cockrum e criaram algumas das sagas mais importantes e memoráveis não só da história dos X-Men, como dos quadrinhos em geral. É o caso de A Saga da Fênix Negra e Dias de um Futuro Esquecido. De lá pra cá, diversos roteiristas e desenhistas já assumiram o título, com histórias incríveis como Deus Ama, o Homem Mata, A Era do Apocalipse, dentre outras. A equipe também já passou por diversas reformulações, mas os mutantes continuam lutando por aquilo que acreditam desde a década de 60: a convivência pacífica entre humanos e mutantes, a aceitação das diferenças, o fim de qualquer espécie de preconceito.

Desenhos Animados

Embora já tenham protagonizado inúmeras séries animadas – X-Men Animated Series, de 1992, lançada pela Fox Network; X-Men Evolution, da Warner Brothers, de 2000; Wolverine and The X-Men, da Marvel Studios, lançada em 2008; e Marvel Anime: X-Men, produzida em 2011 pela Marvel Entertainment em colaboração com o estúdio de animação japonês Madhouse – os desenhos mais representativos de X-Men são mesmo  a série clássica de 1992, exibida por aqui um ano depois na extinta TV Colosso da Rede Globo; e X-Men Evolution, que passava nas manhãs do SBT em programas como Bom Dia & Cia e Sábado Animado. X-Men Animated Series apresentou os mutantes para muitos que não costumavam ler histórias em quadrinhos. Era um bom desenho, mas não necessariamente uma boa animação. Os roteiros dos episódios, quando baseados nas aventuras das HQs, surpreendiam pela fidelidade à fonte e solidez das tramas. Porém, quando os roteiristas apostavam em histórias originais e independentes dos quadrinhos, vacilavam com tramas bizarras que pecavam pelo absurdo. Dentre as tramas adaptadas diretamente das HQs, estão A Saga da Fênix e Dias de Um Futuro Esquecido. As premissas básicas e conceitos estavam lá, e há realmente poucas modificações em relação às originais. A série também acertava em transportar o carisma dos personagens dos quadrinhos para a televisão, conquistando a simpatia e admiração do público. Em termos de visual, a série pecava bastante, com uma animação um tanto rudimentar e, por diversas vezes, equivocada. Mas levando em consideração a época em que foi criada, estava de bom tamanho. E um de seus méritos foi realmente chamar a atenção do público que não conhecia X-Men, atraindo novos fãs.

Outra série dos mutantes responsável por conquistar uma legião de admiradores, foi X-Men Evolution. Na verdade, conquistou uma nova geração de fãs, uma audiência mais jovem do que aquela que acompanhava a série clássica (aliás, que eram provavelmente muito pequenos ou sequer eram nascidos quando ela foi exibida). X-Men Evolution lançava luz sobre personagens que ainda não haviam sido contemplados na animação anterior, apresentando versões mais juvenis e colegiais de alguns dos principais mutantes. Apesar das licenças poéticas e liberdades até questionáveis, era bem-sucedida na introdução e desenvolvimento de personagens e os roteiros quase nunca deixavam a desejar – sempre fluidos, bem trabalhados, com um ótimo ritmo, e partindo de premissas interessantes. A partir do momento em que o mundo se dá conta da existência dos mutantes na terceira temporada, e o foco se torna o mais poderoso de todos, Apocalipse, a série fica ainda melhor. Alguns episódios são marcantes, como aquele em que Noturno descobre que é filho de Mística; ou quando os roteiristas tiveram a brilhante ideia de reunir a primeira equipe dos quadrinhos, de 1963, fazendo com que eles trabalhassem juntos; sem contar o final dividido em duas partes, com Os Cavaleiros do Apocalipse. É desenho animado extremamente feliz e eficaz, além de superior à série clássica em diversos aspectos, especialmente no que diz respeito ao visual. E bem melhor também que Wolverine and The X-Men, que não era de todo ruim, mas tinha um ritmo atropelado e enredos superficiais. Ainda não tive a oportunidade de ver Marvel Anime: X-Men além do piloto, mas já vi algumas críticas negativas ao roteiro, embora o visual surpreenda.

Cinema

E, enfim, os X-Men chegaram ao grande ecrã em 2000, para fazer história também na sétima arte. Excluindo os filmes-solo do Wolverine do combo, e falando apenas dos longas dos X-Men em si, temos uma série competente e sólida, que só tropeçou mesmo com X-Men: O Confronto Final de 2006, terceiro filme da franquia que foi feito em um prazo apertado e com um novo diretor (Brett Ratner substituiu Bryan Singer, responsável pelos dois primeiros longas, devido ao compromisso deste último com o filme Superman Returns). Uma pena, pois a correria nas gravações, as constantes mudanças na equipe e todos os outros problemas de bastidores, resultaram em um filme que tinha tudo para ser grandioso, mas que ficou apenas na promessa. Se levarmos em conta todos os conflitos que rolaram durante a produção, O Confronto Final nem pode ser considerado tão ruim. Mas também não é bom. É um filme passável, decepcionante para os fãs, mas que cumpria bem seu papel como entretenimento de fim de semana para o público em geral. O problema era que, até ali, os filmes dos X-Men tinham representado muito mais do que isso. Não se tratava apenas de cinema-pipoca. Era entretenimento inteligente, que havia alcançado um refinamento estético e um brilhantismo narrativo no segundo capítulo da trilogia. Mas X-Men 2 e X-Men: Primeira Classe são tão bons que merecem textos à parte, portanto falarei deles nas próximas postagens.

X-Men – O Filme, dirigido por Bryan Singer, estreou em 2000 e fez um sucesso retumbante, sendo considerado o responsável pelo renascimento das adaptações de quadrinhos para a tela grande. Graças a ele, vieram outras boas produções como o Homem-Aranha de Sam Raimi. X-Men é um bom filme, uma digna introdução do universo mutante e de seus personagens. A primeira incursão dos heróis mutantes nos cinemas conta com uma direção segura, mas sem grandes ousadias. O roteiro escrito pelo próprio Singer, ao lado de David Hayter e Tom deSanto, segue a risca a premissa básica dos quadrinhos: Num futuro próximo, seres nascem com estranhos poderes. Por esse motivo são temidos e discriminados pela sociedade. O universo habitado por humanos normais e superiores, reproduzido e recriado nas telas por Bryan Singer é transmitido para a platéia de forma convincente, tornando-o crível. Nas mãos de um sujeito menos competente, isso tudo poderia converter-se facilmente em uma trama artificial e megalômana, repleta de excessos visuais e narrativos. Fora que os quadrinhos de X-Men contam com um número incomensurável de personagens. Alguém que não possuísse o mesmo comedimento de Singer, poderia sair despejando todos os personagens na tela de modo superficial e causando uma tremenda confusão, fazendo consequentemente com que os espectadores se perdessem no meio de uma quantidade absurda de super-poderosos e cenas de ação e efeitos especiais.

Nada melhor do que a pessoa certa…

Aliás, a pessoa certa que voltou a ocupar a cadeira de diretor de um filme dos X-Men com o novo Dias de um Futuro Esquecido. Singer compreende a essência da criação de Stan Lee, os simbolismos e a mensagem que a obra transmite ao público. E isso é evidente em cada quadro do novo longa. Por isso, é muito bom tê-lo novamente a frente de um filme dos mutantes da Marvel.

Em cada mídia, X-Men deixou a sua marca e momentos memoráveis que irão figurar para sempre no imaginário dos fãs. E que venha dia 22 de maio e mais uma coleção de cenas inesquecíveis dos nossos admiráveis heróis mutantes.

Andrizy Bento

Trailer de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

O primeiro trailer de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past) foi lançado na manhã desta terça-feira. Apesar de não trazer muitas novidades, dá a ideia de um filme promissor. O foco é no drama dos inúmeros personagens, ao invés de contemplar apenas ação e efeitos especiais. Para um primeiro trailer, está bem competente.

O novo filme dos mutantes conecta a trilogia composta por X-Men (2000), X-Men 2 (X2: X-Men United, 2003) e X-Men: O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006) ao filme X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011) – prequel da trilogia. A trama é baseada no arco de histórias clássico dos quadrinhos, Dias de um Futuro Esquecido, que aborda o conceito de viagem no tempo e se tornou uma das mais importantes e populares histórias dos X-Men. O filme é dirigido por Bryan Singer (diretor dos dois primeiros filmes da franquia) e conta com nomes como Patrick Stewart, Ian McKellen, James McAvoy, Michael Fassbender, Hugh Jackman, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Anna Paquin, Ellen Page, Shawn Ashmore, Halle Berry e Peter Dinklage no elenco.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tem previsão de estreia para 23 de maio de 2014 nos cinemas. Confira o trailer:

 

Andrizy Bento

Retrofilia: Superaventuras Marvel

Primeira edição da Superaventuras Marvel

A primeira edição da HQ Superaventuras Marvel, publicada exatamente em julho de 1982, trouxe as aventuras de O Domolidor (O Homem Sem Medo), ConanO Barbaro e Luke Cage, ambos na capa da revista número 1. A revista trazia mais ou menos de 3 a 5 histórias de personagens diferentes em cada edição. O seu fim foi em Fevereiro de 1997, infelizmente. Mesmo assim não deixou de ser uma das favoritas dos fãs brasileiros de quadrinhos, que ainda procuram muito por elas, especialmente em sebos e pela internet. Deixou saudades e ficou na memória, uma vez que trouxe para os leitores brasileiros aventuras de grandes personagens que ainda não contavam com título próprio aqui no Brasil e que puderam ser descobertos nessa revista.

Adryz Herven