Esquadrão Dinossauro Zyuranger

Depois de muito pensar, resolvi fazer um resumo de Zyuranger, o verdadeiro Power Rangers. A produção celebra, neste ano, suas bodas de pérola, isto é, 30 anos.

Seu nome verdadeiro é Kyouryu Sentai Zyuranger, que na tradução em português quer dizer Esquadrão Dinossauro Zyuranger. Ele é o 16º tokusatsu da franquia Super Sentai, sucedendo Jetman e antecedendo Dairanger. Zyuranger foi produzido pela Toei Company, exibido pela TV Asahi entre 21 de fevereiro de 1992 e 12 de fevereiro de 1993, totalizando 50 episódios. Por coincidência, no mesmo ano de 1992, era exibido no Brasil o seriado americano Família Dinossauro, que fez um enorme sucesso por aqui.

Antes de fazer o resumo, quero deixar uma coisa bem cristalina como água: eu não gosto de Power Rangers, sinto repúdio pela produção desde que soube que ela se baseia na reciclagem de produções originais do Japão. Quanto a essa polêmica, eu falarei mais adiante. O brasileiro precisou esperar o avanço da tecnologia para poder assistir aos episódios de Zyuranger pela internet, mesmo que legendado.

Tudo começou há cerca de 170 milhões de anos, na era dos dinossauros. O menino Kai (Isse Takahashi), príncipe da tribo das fadas, adorava praticar travessuras e a preferida dele era esmagar ovos de dinossauros. Em uma dessas, ele foi perseguido por uma mãe dinossauro furiosa, até cair de um penhasco e morrer. Triste, sua mãe Bandora (Machiko Soga) jura vingar a morte do filho e destruir os dinossauros. Para isso, vende a sua alma para Gran Satã (Masahiko Urano), se tornando uma bruxa.

Para erradicar os dinossauros, Bandora conta com vários aliados como Puripurikan (Yutaka Oyama), Bukkubakku (Takeshi Watabe), Tottopatto (Kaoru Shinoda), Grifforzer (Kan Tokumaru) e a esposa dele Lami (Ami Kawai). A missão fracassa, fazendo com que Bandora e seu bando sejam trancados em uma urna mágica e banidos para o planeta Nemesis.

Mas uma profecia dizia que após 170 milhões de anos, o planeta Nemesis iria se aproximar da Terra, Bandora iria fugir e transformar o nosso planeta em um enorme cemitério. Então, cinco jovens dos cinco grandes reinos se oferecem para permanecer em um tipo de hibernação, até o dia do retorno de Bandora. Barza (Jun Tatara), o mago branco, os vigia durante seu longo sono. No presente, uma dupla de astronautas que transporta duas crianças aterrissam a sua nave no Planeta Nemesis e sem saber do perigo, abrem a urna onde estão Bandora e sua turma, libertando a todos. Sabendo do fato, Barza vai ao seu santuário e resolve tirar os cinco jovens do sono para enfrentar a tirania da bruxa, que agora pretende fazer mal para as crianças.

O líder do Zyuranger é Geki (Yuta Mochizuki), príncipe da tribo Yamato. Ele tem 24 anos, é um bravo lutador e leal amigo. Sua roupa de combate é a Tyranno Ranger (vermelho) e a arma principal é uma espada chamada Ryuugekiken. Seu guardião bestial é o Tiranossaurus (tiranossauro).

O segundo na liderança é Goushi (Seiju Umon), cavalheiro da tribo Sharma. Ele tem 27 anos, bastante sério e tem a grande ambição de parar Bandora, que foi responsável pela morte da sua irmã. Ele é o único da equipe capaz de ler as escrituras antigas. Sua roupa de combate é a Mammoth Ranger (preto) e a sua arma principal é o machado Mothbreaker. Seu guardião bestial é o ZyuMammoth (mamute).

Agora vem os guerreiros com menos de 20 anos. Começando por Dan (Hideki Fujiwara), cavalheiro da tribo Etofu. Ele tem 19 anos, é bem-humorado, ao mesmo tempo mulherengo e, às vezes, na batalha costuma agir por impulso, sem pensar. Sua roupa de combate é a Tricera Ranger (azul) e a sua arma principal é a lança Triceralance, que pode ser dividida em duas e usada como bastões. Seu guardião bestial é o Triceratops.

O caçula da equipe é o Boy (Takumi Hashimoto), cavalheiro da tribo Daimu. Ele tem 15 anos, é maduro, rápido e consegue se garantir em uma luta. Sua roupa de combate é a Tiger Ranger (amarelo) e sua arma principal são as adagas Saber Daggers. Seu guardião bestial é o Saber Tiger (tigre dente de sabre).

A única integrante feminina é a Mei (Reiko Chiba), princesa da tribo Risha. Ela tem 17 anos e, apesar de seu jeito delicado, não tem medo de lutar e é uma expert em disfarces. Sua roupa de combate é a Ptera Ranger (rosa) e sua arma principal é o arco e flecha Ptera Arrow. Seu guardião bestial é o Pteranodon (Pterodátilo).

O transformador do Zyuranger chama-se Dino Buckler, que fica preso à fivela de seu cinto. No centro dele, há uma medalha com o desenho de suas respectivas feras protetoras, tornando possível a transformação ao gritarem “DINO BUCKLER”. Suas armas individuais podem ser unidas, transformando-se na Howling Cannon, o canhão que destrói os monstros Dora. Além das armas individuais, o Zyuranger também possui a pistola Ranger Gun, que também pode virar espada. As feras protetoras formam primeiro o Dinotanque. Após a descoberta dos Dino Cristais, torna possível a formação do robô gigante Daizyujin (Grande Deus Fera em japonês). O criador dos monstros Dora é Puri Purikan, que esculpe eles em argila e depois passa no forno mágico. O mesmo processo é utilizado para a criação dos soldados Golem.

A partir do 17º episódio, O Sexto Herói, a série dá a entender que o Zyuranger ganhou um sexto integrante. Trata-se de Burai (Shiro Izumi), que se transforma em Dragon Ranger (verde). Ele foi tirado da hibernação por um menino chamado Ryuta, neto de Gnome, amigo de Barza. Mal foi libertado e já se transformou em Dragon Ranger, subiu no Daizyujin e atacou o Zyuranger. Em seguida se aliou a Bandora, que lhe deu uma espada demoníaca chamada Hellfriede.

Depois, Geki descobre por Barza que Burai é seu irmão mais velho. Barza e Gnome resolvem contar para o líder do Zyuranger a história do irmão que ele desconhecia. Geki e Burai são filhos do Cavaleiro Negro, que fazia oposição ao rei Yamato. Para se livrar da pena de morte, o Cavaleiro Negro resolveu entregar para o rei e sua esposa (que não tinham herdeiros masculinos) Geki, que tinha apenas 1 ano de idade, optando por permancer somente com o filho mais velho, Burai (Hisashi Sakai), que tinha 8 anos. Mais tarde, o Cavalheiro Negro volta a se opor ao Rei Yamato, que o derrota na luta de espadas. Agonizando, o Cavalheiro Negro fala para Burai vingar a sua morte, lutando contra os Yamato e, em seguida, o menino se refugia na aldeia de Gnome. Em sua cabeça, Burai vingará a morte do pai matando Geki.

No episódio 21, intitulado O Guardião Violento, Burai tenta matar Bandora, mas a mesma se defende e o expulsa de seu palácio. Burai cai em uma floresta e conhece um menino chamado Clotho, que lhe avisa que uma vela verde está contando as suas 30 horas de vida. Para poder sobreviver, ele deve ficar na dimensão de Clotho, chamada de Sala Lapless. O mesmo Clotho entrega para Burai um Zyusouken, uma flauta em forma de adaga. Os acordes que Burai tira do Zyusouken despertam sua fera protetora, Dragon Caesar (pronuncia-se cisar), oriunda do fundo do mar e que causa destruição na cidade. Não querendo concorrente para a destruição da Terra, Bandora manda Griffozer e Lami investigarem, mas estes são abatidos pelo Dragon Caesar.

Em uma luta decisiva, Geki derrota Burai, mas se recusa a matá-lo. O derrotado também não consegue matar o próprio irmão e a espada Hellfriede se dissolve. Burai e Geki fazem as pazes e por conta disso, o Zyuranger se torna um sexteto. Quanto a Dragon Caesar, ele pode combinar com as feras protetoras Zyumammoth, Triceratops e Saber Tiger, formando o robô Gouryuujin (Forte Deus Dragão em japonês). Dragon Caesar também pode se unir com o Daizyujin, formando o Zyutei Daizyujin. Porém, Burai não revela para seus companheiros sobre o seu tempo de vida e só aparece uma vez ou outra, chamando Dragon Caesar para ajudar Daizyujin, deixando um mistério no ar entre o Zyuranger.

No episódio 28, Geki, Goushi, Boy e Mei se surpreendem ao verem Dan trabalhando em um restaurante que serve Lamen. Ao consultarem Barza sobre essa atitude do companheiro, o último revela que ter um emprego é uma forma de conhecer as pessoas que eles estão protegendo. Mei vira, então, atendente de um fast-food, Boy se aventura como entregador e Goushi vai trabalhar como guarda de trânsito. Quanto a Geki, esse prefere ficar de prontidão, caso Bandora e sua turma apareçam. Zyuranger ainda tem que proteger dois raros ovos de dinossauro, que Bandora e seus asseclas almejam destruir.

No episódio 29, eles ganham mais uma fera protetora, o Rei Brachion, que tem forma de brontossauro. No mesmo episódio conseguem outra pistola, o Thunderslinger, cujo formato foi inspirado em uma atiradeira (ou estilingue se preferir). Ele também pode combinar com o Ranger Gun, virando Rangerslinger. Quanto a King Brachion, ele pode combinar com o Zyutei Daizyujin, formando o Kyukyoku Daizyujin. King Brachion também possui o dever de chocar os ovos de dinossauros em seu pescoço.

No episódio 30, a bruxa Bandora resolve utilizar a mais profunda magia das trevas, para invocar o seu mentor Gran Satã. Treze crianças precisam ser sacrificadas para garantir seu retorno. Porém, Zyuranger impede os planos maléficos.

Zyuranger conhecem Clotho e esse informa que Burai tem pouco tempo de vida. Clotho revela que Burai havia morrido durante o seu sono. Explica também que enquanto ele dormia, a era do gelo trouxe mudanças cataclísmicas no terreno. Nesse período de hibernação, o corpo de Burai foi esmagado por pedras que caíram na sala onde hibernava. Por saber dessa história, Geki chegou a ter pesadelos e se perguntou se não podia fazer nada para ajudá-lo.

Burai também teve pesadelos com relação à sua morte, onde é carregando por um cocheiro. Para piorar, a vela verde, que simboliza o seu tempo de vida, já derreteu e está perto de se apagar. Solidários com Geki, os outros quatro resolvem pesquisar os livros do santuário que possuem, para saber se há uma esperança de impedir a morte de Burai. Sabendo disso, Bandora libera o monstro Gansaku, que se disfarça de Dragon Caesar para destruir a cidade e todos pensarem que é um ato do Zyuranger. Para piorar, Bandora aproveita e destrói a Sala Lapless, onde Burai garantia a sua existência. O último agora tinha quatro horas de vida e precisava encontrar um garoto, que viu no seu pesadelo.

Burai acaba encontrando o garoto, que se identifica com o nome Matsui Kouta. Paralelo a isso, Barza encontra a possível cura para Burai. Trata-se da Água da Vida, vinda de uma fonte localizada na Terra Santa. Goushi e Dan são enviados para a lá, enquanto que Mei, Boy, Geki e Burai seguram as pontas na luta contra Bandora e seu bando. O menino Kouta acaba nos escombros, causado pela destruição de Gansaku, que agora agiu disfarçado de Gouryuujin. Burai leva o garoto para o hospital, onde ele está entre a vida e a morte. A Divindade Guardiã avisa para Goushi e Dan que Burai não tem mais chance de sobreviver. Ela pede para a dupla entregar a Água da Vida para o menino Kouta. Em seu leito de morte, Burai entrega para o irmão Geki a ombreira protetora e o Zyusouken.

Os quatro episódios finais marcam o início do fim da batalha entre Zyuranger e Bandora. Neles, ocorre a volta de Gran Satã, que trouxe do mundo dos mortos Cai, o filho de Bandora. A bruxa fica feliz com o regresso do filho, que instala a sua torre no centro de Tóquio. Cai sequestra quatro crianças, hipnotizando-as para que comandem junto dele o monstro gigante, Talos. Dragon Caesar é chamado para formar o Gouryuujin, mas o Rei Brachion vai sem permissão por causa dos ovos. Todavia, o Kyuukyoku Daizyujin é formado, Talos é destruído e as crianças são salvas. Cai sobrevive. Aproveitando a distração de Zyuranger com as crianças salvas, Bandora cria uma areia movediça para enterrar Rei Brachion, que é dado como morto. Zyutei Daizyujin tenta salvá-lo, mas é impedido pela bruxa. Em seguida, a mesma Bandora invoca Gran Satã, que ressuscita Talos, com Cai sozinho no comando.

Para piorar, Daizyujin e Dragon Caesar ficam avariados e o quinteto não pode se transformar. Os obstáculos diante de Zyuranger são maiores, sem contar que Talos e Gran Satã causam estragos na cidade – da destruição de prédios ao envenenamento da água. O espírito de Burai aparece diante de Zyuranger e avisa ao quinteto que Daizyujin, Dragon Caesar e Rei Brachion não estão mortos, mas sim selados por Bandora em um semiplano. O mesmo Burai abre um portal do semiplano para o quinteto salvar seus Guardiões Bestiais. Barza aparece para dar uma força aos seus pupilos.

Após recuperar seus Guardiões Bestiais, Zyuranger destrói Talos e Gran Satã. Cambaleando, o menino Cai chega no palácio de Bandora. Em seguida, o Zyuranger chega ao mesmo local, no exato momento em que Cai morre nos braços da mãe. Ao derramar suas lágrimas, Bandora perde os seus poderes. Com isso, Daizyujin a joga junto de seus aliados para dentro de uma urna, posteriormente enviada para vagar pelo espaço. Em seguida, o palácio de Bandora desaparece do planeta Terra. Após chocar os ovos, Rei Brachion os entrega para o quinteto e os mesmos levam para Satoshi (Yuya Tajima), um garoto que adora dinossauros. Os bebês dinossauros nascem no colo do menino, que fica encarregado, pelo Zyuranger, de cuidar deles.

O tema musical de abertura de Zyuranger foi interpretada por Kenta Satou. Ele também canta o tema de abertura e encerramento de Turboranger, onde atuou na pele de Rikki Honoo/Red Turbo. Já a canção de encerramento, Bouken Shite Rappapiiya!, foi interpretada pelo cantor Pythagoras. Machiko Soga também contribui para a trilha sonora da série com o rap Ballo Majo Bandora, tema de sua personagem. Em dois episódios, Bandora cantou sua canção.

Zyuranger se tornou o segundo da franquia super sentai a ser adaptado para o videogame, pelas mãos da gigante Nintendo. O primeiro foi o seu antecessor, Jetman (1991).

Agora vamos aos Power Rangers. Assisti por acaso a estréia da série no Brasil e fiquei atraído. Disse a mim mesmo: “Puxa! Até que enfim os americanos estão aprendendo com os japoneses”. Porém, conforme assistia, reparava em mais e mais detalhes estranhos. Para começar, a vilã Rita Repulsa. “Conheço essa atriz de algum lugar…”. A mesma coisa com relação à vilã Scorpina.

Depois, reparei nos heróis e percebi um trocadilho, digamos, racista. Para viver o Power Ranger que se vestia de preto, colocaram um ator afro-descendente, no caso Walter Jones. Para interpretar a Power Ranger que se vestia de amarelo, foi escalada uma atriz asiática, a vietcongue Thuy Trang. Para quem não está entendendo a última, os extremo-asiáticos (japoneses, chineses, coreanos…) são chamados pejorativamente de amarelos pelos americanos, por causa da argola amarela, que representa a Ásia nos cinco anéis olímpicos. Também percebi a roupa de combate nada feminina da Ranger amarela, diferentemente da rosa, que contava com uma saia. Estou me baseando nas roupas de combate das heroínas de Maskman, que também possuíam saias. Sem contar que a amarelo não tinha trejeitos femininos e lutava como homem.

O ano de 1995 representou o auge da revista Herói. Uma das edições trazia uma matéria sobre os super sentais – os que passaram e os que não passaram no Brasil. O texto mencionava Kyouryu Sentai Zyuranger e apontava que este havia sido o sentai reciclado para se tornar Power Rangers. Ou seja, foram aproveitadas imagens do Zyuranger com roupa de combate e mesclaram com as cenas dos americanos Power Rangers com roupas civis.

Em outra edição da Herói, foi publicada uma matéria sobre Zyuranger. Havia relatos dos tokufãs que assistiam Winspector, Solbrain, Patrine e Kamen Rider Black RX e pediram por meio de cartas e telefonemas para que a Rede Manchete comprasse os direitos de exibição de Zyuranger no Brasil. No entanto, a emissora teria esbarrado em um empecilho. Uma vez que a produção da franquia super sentai sofreu reciclagem americana, sua exportação mundial estava proibida por contrato pela Saban Entertainment, criada pelo produtor israelense Haim Saban. Os sentais que sucederam Zyuranger (como por exemplo Dairanger, Kakuranger, Ohranger…) também passaram pelo mesmo processo de reciclagem. Esse mesmo Haim Saban tentou fazer a reciclagem de Bioman (1984), mas optou por Zyuranger, que falava sobre dinossauros e coincidiu com o mega sucesso do cinema Jurassic Park – Parque dos Dinossauros (1993).

Eu sei que há pessoas da Geração Manchete que aceitaram Power Rangers. Eles alegam que a Toei estava em crise financeira nos anos 1990 e precisava se reinventar. Entretanto, é sempre bom lembrar que a Toei passou por uma crise similar no início da década de 1980 e a superou com Gaban (1982), o primeiro da franquia metal hero. Não custava nada a companhia tentar se reinventar de outra maneira, sem depender da malandragem ianque. Que o diga o filme Sempre Ao Seu Lado (2009). Eu não condeno e nem sinto ódio do elenco de Power Rangers, até por que eles desconheciam essa polêmica criada pela Saban. Falo isso por respeito à mencionada atriz Thuy Trang, que morreu aos 27 anos em um acidente de carro ocorrido em 2001.

Tokudoc entrevistando Reiko Chiba e Yuuta Mochizuki:

Mas há quem não aceite de forma alguma essa Sabanização. Pode parecer xiita da minha parte, mas nunca vou reconhecer Power Rangers como um tokusatsu. Para mim, é uma terceira bomba atômica que os Estados Unidos jogou em cima do Japão, só que, dessa vez, com a permissão dos próprios japoneses. Os que amam Power Rangers chamam seus opositores de manchetossauro. Eu assumo que sou, pois foi a Manchete que me apresentou ao tokusatsu do jeito que o Brasil conheceu, produzido e interpretado por japoneses.

Tokudoc entrevistando Takumi Hashimoto em 2019:

Piorou ainda mais quando a Saban produziu VR Troopers, que reciclou três tokusatsus conhecidos do público brasileiro: Metalder, Spielvan e Shaider. A franquia Kamen Rider também foi vítima da hedionda reciclagem da Saban, se tornando Masked Rider. Prova de que os japoneses são mais criativos no quesito live-action, enquanto os americanos querem monopolizar o entretenimento internacional com a criatividade alheia. Antes que eu me esqueça, VR Troopers chegou ao Brasil também pela Rede Globo, assim como Power Rangers, dentro da atração TV Colosso de 1995, enquanto Masked Rider foi exibido pela Fox Kids. Ambos não emplacaram no Brasil, pois os tokufãs perceberam a malandragem da Saban.

Quatro atores mostrando bom humor nos Estados Unidos em 2016:

Por conta desse esquema controverso, o público brasileiro perdeu a chance de conhecer outros trabalhos de atores conhecidos. Lembra que eu reconheci a vilã principal de Power Rangers de algum lugar? Pois é a Machiko Soga, intérprete da Morgana em Jiraya, a mãe do Barrabás em Maskman e a Pandora de Spielvan. Em Zyuranger, a Bandora foi mais uma vilã na carreira da saudosa atriz. Lembra da Scorpina? Seu nome original é Lami e foi vivida por Ami Kawai, que é conhecida no Brasil por ter vivido a vilã Marshall em Jiban.

Há também conhecidos nossos nos heróis da série. Lembram-se que eu disse que desconfiava da ranger amarela? O personagem original é o Boy/Tiger Ranger. Seu intérprete, Takumi Hashimoto, ficou conhecido no Brasil por ter vivido Manabu, o irmão caçula de Jiraya. Entre os Zyuranger, há outro velho conhecido nosso: Shiro Izumi, que deu vida ao Ozora/Change Pegasus em Changeman. Em Zyuranger, ele interpretou o Burai/Dragon Ranger, o verdadeiro ranger verde. O chefe, Barza, foi interpretado por Jun Tatara, que é outro conhecido do público brasileiro. Em Jiraya, ele deu vida a Genzai, um mestre ninja amigo de Tetsuzan. Em Gaban, ele interpretou o Sr. Gousuke, dono do clube de equitação onde o herói trabalhava.

Como eu já falei dos atores conhecidos do público brasileiro, não vou descartar os demais. É o caso de Reiko Chiba, interprete da Mei/Ptera Ranger. Outro trabalho dela em tokusatsu foi em Kakuranger (1994), onde interpretou a personagem Reika. Além de atriz, Reiko Chiba também foi modelo, dubladora e cantora. Ela dublou as personagens Cham Cham em Samurai Shodown e Moe Habana de The King of Fighters EX: Neo Blood, ambos os jogos da marca Neo Geo. Aliás, a própria Reiko Chiba protagonizou dezenas de propagandas televisivas da citada Neo Geo. No fim dos anos 1990, ela largou a carreira para se dedicar à família, mas nem por isso deixa de fazer aparições públicas em convenções de quadrinhos e animes.

Intérprete do Geki/Tyranno Ranger, Yuuta Mochizuki atuou em Jetman, sentai que antecedeu Zyuranger. Em 1994, ele interpretou Kamen Rider J no filme homônimo. Ele e Reiko Chiba representam o Zyuranger em vários eventos geeks. Não só eles, mas Seiju Umon e Takumi Hashimoto também já fizeram aparições nesses eventos. Intérprete de Burai na infância, Hisashi Sakai atuou depois em Dairanger (1993), na pele de Kou/Kiba Ranger (branco) – sentai que sucedeu Zyuranger.

É triste dizer que Power Rangers veio para dar o tiro de misericórdia na era tokusatsu no Brasil. Além de combalido, o gênero perdeu público para os animes, em virtude do grande êxito de Cavaleiros do Zodíaco. Não tenho bronca de Saint Seya e cia. Confesso que tentei gostar desse anime, mas não me convenceu – com todo respeito aos seus admiradores. Apenas dois animes ganharam minha admiração. Um foi o Street Fighter II Victory (1995), adaptação do jogo Street Fighter II e que chegou ao Brasil pelo SBT no mesmo ano de sua estréia oficial. Outro raro anime que me atraiu foi Super Campeões, que passou na Manchete em 1997 e era ambientado no mundo do futebol.

Windson Alves

4 comentários em “Esquadrão Dinossauro Zyuranger”

  1. Cara que post mais infeliz,se você quer enaltecer o seriado japonês tudo bem agora querer denegrir o que conhecemos por causa de ser uma adaptação americana fala sério, se não fosse por ele,não conheceriamos essa série como todas as outra que vieram antes dela,post totalmente desnecessário 😂

    1. Bom dia, Roberto. Tudo bem?

      Este post reflete a opinião do autor do artigo. Aliás, a maior parte do nosso conteúdo é autoral. Ele deu a opinião dele sobre Power Rangers e você deu a sua. Não há motivo para encrencas 🙂 até porque o restante da staff do Bloggallerya têm um carinho nostalgico por Power Rangers. Dizer que o post é TOTALMENTE desnecessário? Ele pode ser PARCIALMENTE desnecessário pelo seu ponto de vista, que curte Power Rangers. Mas o artigo não se propõe somente a falar mal de uma série. O Windson trouxe várias informações e curiosidades a respeito da produção original, bastidores, elenco, trilha sonora, etc… Tem bastante conteúdo informativo e uma pequena parte opinativa. Mas cada um na sua. Obrigada pelo comentário. Paz! 😉

  2. Tive o cuidado de ler tudo minuciosamente. Sou da época da extinta manchete e realmente, nunca suportei os Power Rangers. Porém, entendo que sempre vai ter um público alvo e quem gosto. Particularmente, sempre vou preferir o original Japonês a esses Power Rangers mas, há quem goste. Parabéns pela matéria, Deus abençoe a cada redator. Graça e paz

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