Thriller (1982) – Michael Jackson

Bloggallerya deseja a todos um feliz Halloween com um artigo sobre Thriller especialmente para vocês. Bons sustos! 😉

Data de lançamento: 30 de novembro de 1982
Duração: 42:19
Faixas: 10
Estilo: Pop

Lado A:
Wanna Be Startin’ Somethin’
Baby Be Mine
The Girl is Mine
Thriller

Lado B:
Beat It
Billie Jean
Human Nature
P.Y.T. (Pretty Young Thing)
The Lady in My Life

Produção: Quincy Jones
Gravadora: Epic Records

Com a Copa do Mundo no Catar  dominando a atenção do mundo em novembro, resolvi antecipar a festa dos 40 anos de Thriller, sexto disco solo de Michael Jackson. Isso mesmo! O álbum mais vendido da história da música completa bodas de esmeralda.

Todos sabem que Michael Jackson começou a sua carreira ainda criança, como integrante do grupo The Jackson Five, que formava junto de seus irmãos Tito, Jermaine, Marlon e Jackie, além de ter sido empresariado por seu severo pai, Joseph Walter Jackson, mais conhecido como Joe. A banda ajudou a globalizar a soul music, criada pelo ídolo James Brown. Para variar, o grupo foi um dos contratados da Motown Records, conhecida gravadora que deu espaço para os artistas afro-americanos nos Estados Unidos. Foi nela que o pequeno Michael deu início a sua carreira solo, ainda antes de deixar o grupo.

Os meninos (principalmente Michael) simpatizaram bastante com o chefão Berry Gordy. Ainda mais que Jermaine se casou com a filha dele, Hazel (se divorciando em 1988). Isso deixou enciumado o pai Joe, que resolveu vender o passe dos filhos para a hoje extinta CBS Records (atual Sony Music). Na nova casa, o The Jackson Five passou a gravar pela Epic Records, selo que pertencia à CBS. Foi na Epic que Michael Jackson cresceu individualmente. Em 1979, ele lançou o seu quinto disco solo, Off The Wall, que teve a produção do renomado Quincy Jones. O álbum fez bastante sucesso na era disco music, especialmente por conta das canções Rock With You e Don’t Stop ‘Till You Get Enough. Parecia uma prévia do que estava por vir.

Thriller foi concebido no Estúdio Westlake, em Los Angeles, nos Estados Unidos, entre 14 de abril e 8 de novembro de 1982. Michael Jackson produziu o disco juntamente com Quincy Jones. A base rítmica desse trabalho foi gravada pela banda americana Toto (de sucessos como Africa e I’ll Be Over You). O orçamento destinado à gravação do álbum foi de 750 mil dólares, pagos pelo próprio Jones. Das nove faixas de Thriller, quatro foram compostas por Michael Jackson. Quanto ao gênero musical, foram explorados no álbum ritmos como rock, pós-disco, funk (original), música contemporânea e o rhythm & blues (comumente chamado pela sigla R&B).

Na capa, não havia nada chamativo. Nela, Michael Jackson aparece deitado de lado, usando um terno branco e uma camisa preta com zíper. Dentro da capa, um encarte com as letras das faixas e os créditos. No outro lado do mesmo encarte, uma foto de Michael Jackson com o mesmo terno branco e com um filhote de tigre posicionado em seu joelho direito. Essa última imagem virou pôster frequentemente encontrado na parede dos quartos de muitos jovens nos anos 1980.

Não posso me esquecer das parcerias que Michael Jackson fez nesse disco. A começar pelo ex-beatle Paul McCartney, com quem gravou The Girl is Mine, composta pelo próprio MJ. A dupla compôs a canção Say Say Say, que o inglês gravou no disco Pipes of Peace (1983), com produção de George Martin. Diferente de The Girl is Mine, Say Say Say ganhou videoclipe, no qual Macca e MJ interpretam dois trambiqueiros dos anos 1930. A amizade, que parecia duradoura, terminou em 1984, após Michael Jackson comprar por 47 milhões de dólares os direitos autorais das canções dos Beatles. Depois disso, os dois nunca mais foram vistos juntos.

Além de The Girl is Mine, há mais duas canções de Thriller que foram sucessos secundários. Ambas possuem dedo do percussionista brasileiro Paulinho da Costa. Na faixa que abre o disco, a dançante Wanna Be Startin’ Somethin’, Paulinho tocou cuíca, um instrumento muito característico em escolas de samba. Quando forem ouvir, fiquem atentos à marca dos 02:23 minutos da faixa. Com a canção perto do fim, as vocais de apoio começar a executar um cântico de tribos africanas. Esse trecho foi usado antes na canção Soul Makossa, do saxofonista camaronês Manu Dibango. Makossa é um estilo musical do Camarões. Wanna Be Startin’ Somethin’ é de autoria do próprio Michael.

Steve Porcaro (do Toto) e John Bettis são os autores da balada Human Nature. Além do mencionado percussionista, Paulinho da Costa, Human Nature tem mais duas associações com o Brasil. A primeira é que foi regravada como Natureza Humana pela cantora Dulce Quental (ex-Sempre Livre), em seu primeiro disco solo, Délica (1986). A outra associação, eu revelarei mais adiante. Junto de The Girl is Mine, Human Nature é muito tocada em estações de rádio pop adulta.

Agora, vamos às faixas que viraram videoclipes e que são grandes responsáveis pelo enorme êxito do disco Thriller. E se não fossem por elas, o canal musical MTV não teria grande audiência nos anos 1980. Além de ser o primeiro hit de divulgação do álbum, Billie Jean fez de Michael Jackson o primeiro artista afrodescendente a ter um videoclipe exibido na emissora musical. Dirigido por Steve Barrow, o videoclipe foi gravado em uma cidade cenográfica interna (fico devendo o nome do estúdio). Nele, Michael Jackson é perseguido por um paparazzi. O grande atrativo do vídeo são os pisos iluminados cada vez que Michael dá um passo neles. Foi ideia do próprio cantor, que tinha intenção de que as cenas do videoclipe se assemelhassem a um filme. Em Billie Jean, MJ usa um terno de couro preto, uma camisa rosa e uma gravata borboleta vermelha, figurino imitado por muitas crianças na época.

Quanto à letra da canção, o seu autor, o próprio Michael Jackson, afirmou que se tratava das tietes que dormiam com ele e seus irmãos do Jackson 5. Mas existem outras teorias com relação à história relatada na letra. Uma delas é que se tratava de uma declaração de amor de MJ à tenista americana Billie Jean King, mas o cantor desmentiu. Quanto à parte rítmica, é classificada como um pós-disco e dance pop.

A segunda canção a ganhar videoclipe foi Beat It. Seu estilo rock foi ideia do produtor Quincy Jones. O solo de guitarra é executado por Eddie Van Halen, guitarrista da banda Van Halen. Há um relato de que o músico não cobrou cachê por esse trabalho. Outro relato é que um amplificador explodiu durante a sua gravação. Composta por Michael Jackson, a letra faz uma crítica às gangues que aterrorizavam as noites americanas, principalmente nas periferias. A letra ainda cita Macho Man, sucesso do grupo Village People, ícone da disco music.

Diferente de Billie Jean, o videoclipe de Beat It teve mais cenas externas, mais precisamente em Skid Row, bairro de Los Angeles, no estado americano da Califórnia. As gangues que brigam durante o videoclipe saem de bares diferentes. Beat it foi o primeiro videoclipe em que Michael Jackson contou com um grupo de dançarinos, que se tornou padrão em seu trabalho. Mas ele não é pioneiro nesse quesito. A cantora e coreógrafa americana Toni Basil, já havia lançado a tendência no videoclipe da canção Hey Mickey de 1981. Ainda sobre o videoclipe de Beat It, Michael usou uma jaqueta de couro vermelha cheia de zíperes, que se tornou mania entre os jovens da época. Beat It fez tanto sucesso no Brasil, que os telespectadores do Fantástico da Globo pediram para reprisá-lo.

Agora vamos à faixa-título, que ganhou o terceiro e último videoclipe de divulgação do disco resenhado. Sua base musical é pós-disco e funk. Para criar a letra de Thriller, o compositor Rob Temperton se inspirou nos filmes de terror. Na sua gravação, há ruídos de portas rangendo, ventos e cães uivando. Para incrementar a gravação, Michael Jackson convidou o mestre do terror americano, Vincent Price, que aos 04:23 da faixa faz uma narração horripilante e encerra a canção com uma gargalhada memorável. Essa gargalhada foi usada como vinheta em alguns programas de auditório na TV brasileira. Antes de falecer, em 1993, Vincent Price declarou que esse trabalho foi o maior erro da sua vida, mas que estava orgulhoso de Michael Jackson. Thriller virou trilha sonora de reportagens televisivas sobre Halloween.

Quanto ao videoclipe, foi mais trabalhado do que Billie Jean e Beat It, além de se tornar um marco na música mundial. Para a direção, Michael Jackson chamou o cineasta John Landis, o mesmo que dirigiu Os Irmãos Cara de Pau (1980), Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e Trocando as Bolas (1983). O videoclipe de Thriller abre com essa mensagem de Michael Jackson: “Em função de minhas fortes convicções pessoais, quero enfatizar que esse filme não endossa uma crença no oculto”. Ele sabia que o povo americano costuma passar dos limites no que se refere à questão religiosa. Aqui, no Brasil, é a mesma coisa.

Depois da mensagem, a história do videoclipe de Thriller tem início na década de 1950, quando Michael Jackson e sua namorada (Ola Ray) passeiam pela mata. De repente, surge a lua cheia e MJ vira um lobisomem. Após a perseguição pela floresta, o videoclipe corta para um cinema, fazendo com que se perceba que a história é um filme de terror chamado Thriller e seu protagonista é Vincent Price. Mesmo com Michael Jackson eufórico com a película, a sua namorada (também vivida por Ola Ray) decide ir embora assustada. Michael vai atrás dela e canta as estrofes da canção, para mexer com ela. O casal passa por um cemitério, onde zumbis saem de seus túmulos, perseguem o casal e os cerca. Michael vira zumbi e dança com os outros mortos-vivos. Em seguida, ele e os zumbis perseguem sua namorada, até a uma casa abandonada. Porém, tudo não passa de um pesadelo dela.

O curta-metragem foi inclusive documentado em VHS e mostra os bastidores de sua gravação. A esposa do diretor John Landis, Deborah Nadoolman, foi quem desenhou os figurinos do videoclipe, além da jaqueta de couro vermelha com listras pretas inclinadas e da calça vermelha que Michael Jackson usou no mesmo, também virando mania mundial. Michael Jackson criou a coreografia do videoclipe, em parceria do xará, Michael Peters. O clipe contou com internas e externas. O local que serviu de cenário para o cinema foi o Teatro Palace, no centro de Los Angeles. A dança dos zumbis foi realizada na Avenida Union Pacific, esquina com a Rua South Calzona, no leste de Los Angeles.

Thriller é mais um videoclipe do que uma canção de Michael Jackson. Ele foi parodiado em várias partes do mundo. Em 1984, Thriller virou trapaclipe do grupo humorístico Os Trapalhões. Na novela Vamp (1991), o vilão Vlad ressuscita os mortos do cemitério da fictícia cidade de Armação dos Anjos, ao som de uma canção similar a Thriller. Em 1985, o cantor indiano Chiru satirizou Thriller com a canção Golimar, que alcançou sucesso mundial anos depois com o seu videoclipe na internet.

Os videoclipes ajudaram o álbum Thriller a vender 70 milhões de cópias, se tornando o disco de maior vendagem da indústria fonográfica mundial. Isso transformou Michael Jackson no artista solo mais popular do planeta, lhe rendendo o apelido de “Rei do Pop”. Esse recorde dura até hoje e dificilmente será superado, uma vez que os LPs e os CDs perderam espaço para as plataformas digitais no século XXI.

No Grammy Awards, em 1984, o álbum Thriller fez Michael Jackson dominar a premiação, arrematando oito estatuetas – de Melhor Álbum (Thriller), Melhor Vocal de R&B Masculino (Billie Jean), Gravação do Ano (Beat It), Melhor Vocal Pop Masculino (Thriller), Melhor Performance Vocal de Rock Masculino (Beat It), Melhor Canção de R&B (Billie Jean), Melhor Gravação Infantil (ET – O Extraterrestre com o produtor Quincy Jones) e Produtor do Ano. O disco também foi incluído no Hall da Fama do Grammy. Na primeira edição do MTV Video Music Awards, em 1984, Michael Jackson ganhou três prêmios por Thriller, nas categorias de Melhor Performance Geral, Melhor Coreografia (junto de Michael Peters) e Escolha dos Espectadores.

Apesar do megassucesso do disco, Michael não realizou turnê para promovê-lo, uma vez que ele ainda tinha compromisso com o grupo Jackson 5. Mas existem fatos relacionados à divulgação desse álbum. Em 1983, ocorreu o festival que celebrava os 25 anos da gravadora Motown. Michael Jackson pediu e Berry Gordy concedeu a ele o direito de realizar um número solo no evento. Foi nele que MJ estreou o seu famoso passo de dança moonwalk, na performance de Billie Jean. Na mesma performance, o cantor também eternizou uma outra marca sua, as luvas brilhantes com lantejoulas. Anos depois, Michael Jackson declarou que Berry Gordy deveria ter sido o seu pai.

No mesmo ano, Michael Jackson estava no Teatro Beverly, em Los Angeles, assistindo ao show de seu ídolo James Brown, quando o próprio resolveu chamar seu discípulo para o palco. Em entrevistas, o padrinho do soul sempre elogiou Michael dizendo: “eu ensinei esse garotinho a dançar”. Em 2003, na cerimônia do BET Awards (premiação dos músicos afro-americanos), James Brown recebeu o prêmio pelo conjunto da obra. Visivelmente emocionado, Michael Jackson discursou para o ídolo: “De todos os artistas, esse foi o cara em quem eu mais me espelhei”. Quando James Brown morreu, no Natal de 2006, Michael Jackson fez questão de ir ao velório dele no lendário Teatro Apollo, em Nova York.

Ainda em 1983, o cantor virou garoto-propaganda do refrigerante Pepsi. Em uma dessas propagandas, MJ dança ao lado de um menino de 12 anos, que usava a jaqueta vermelha de Beat It, ao som do jingle baseado em Billie Jean. Esse menino era Alfonso Ribeiro, que ficaria conhecido pelo papel de Carlton Banks na sitcom Um Maluco no Pedaço (1990-1996). Em 1984, veio outra propaganda da Pepsi, cujo cenário era um palco repleto de pirotecnia. Saiu tudo errado. O cabelo de Michael Jackson foi atingido pelo fogo, queimando seu couro cabeludo. O cantor foi levado às pressas para o hospital. No mesmo ano, Michael se desligou de vez do Jackson 5.

Em 1985, Michael Jackson compôs com Lionel Richie a canção We Are The World para o projeto beneficente USA For Africa, que visava ajudar a população faminta da África, além de ser uma resposta ao britânico Band Aid de 1984. We Are The World reuniu os grandes ícones da música americana e fez mais sucesso mundial do que o Band Aid. No meio do ano, americanos e britânicos se reuniram e criaram o festival beneficente Live Aid, que ocorreu no dia 13 de julho no Estádio de Wembley, na capital britânica Londres e no Estadio JFK, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Michael Jackson não se apresentou em nenhum deles. Por conta disso, a ONU decretou o 13 de julho como o Dia Mundial do Rock.

No período de divulgação do disco Thriller, suas canções não fizeram parte da trilha sonora de nenhuma produção e nem precisava. Porém, existe uma rara exceção. Lembram que eu falei que existe uma terceira associação de Human Nature com o Brasil? Pois é no filme Onda Nova (1983), que faz parte do gênero pornochanchada. Essa canção e Beat It foram executadas na cena do bar frequentado pela fictícia equipe de futebol feminino Gaivotas. Beat It também marca presença no filme De Volta Para o Futuro 2 (1989). Quando viaja com o Doc Brown (Christopher Lloyd) para 2015, Martin McFly (Michael J. Fox) entra em um bar chamado Anos 80, que está tocando essa faixa.

Billie Jean marca presença no filme As Panteras (2000), na cena em que a personagem Dylan (Drew Barrymore) escapa de um cativeiro. Além disso, no dia 13 de junho de 2021, o videoclipe dessa canção se tornou o mais assistido de Michael Jackson no site YouTube, com 1 bilhão de visualizações. A canção Thriller ainda foi executada no filme De Repente 30 (2004), na qual a personagem Jenna (Jennifer Garner) estimula os convidados de uma festa da sua empresa para reproduzirem a dança dos zumbis. Wanna Be Startin’ Somethin’ marcou presença no episódio Suco de Fruta, na série Todo Mundo Odeia o Chris (2005-2009), que é ambientada na década de 1980.

Thriller marcou o fim do período mais consagrador de Michael Jackson. Ao lançar o seu sétimo disco, Bad (1987), o cantor começou a sofrer com o vitiligo, uma doença autoimune onde o corpo ataca o melanócito, célula responsável pela produção da melanina, que dá cor à pele. O músico, no entanto, só admitiu em entrevista na TV americana, em 1993. Mesmo com seus videoclipes modernos, Michael ficou repetindo a mesma cartilha musical de Thriller em seus discos posteriores, se transformando em uma figura caricata. Porém, na turnê de Bad, Michael Jackson realizou a sua primeira turnê solo, mas isso é uma outra história.

Windson Alves

 

 

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