Batman Day: Grandes Autores de Batman

Feliz Dia do Batman!

O Cavaleiro das Trevas, Batman – Ano 1, A Corte das Corujas, A Piada Mortal, Asilo Arkham, A Queda do Morcego. Essas e diversas outras histórias enriqueceram ainda mais a mitologia do Morcego criado por Bob Kane e Bill Finger e ajudaram a estabelecer o herói como um dos mais emblemáticos, clássicos e atemporais personagens e símbolos da cultura pop.

Desde que Kane e Finger (e, aqui, reivindico mais uma vez o roteirista como um dos criadores originais do herói, pois nunca será suficiente) imaginaram o personagem no longínquo ano de 1939, vários autores assumiram a responsabilidade de não apenas escrever aventuras protagonizadas pelo Batman, mas renovar, reinventar e atualizar o Príncipe de Gotham de modo que ele não acabasse datado e correndo o risco de cair no ostracismo, tais quais outros heróis clássicos. Mas o time de roteiristas selecionado para a tarefa fez mais do que isso. E, assim, nasceram clássicos; histórias que marcaram os leitores e trouxeram o prestígio e o reconhecimento devidos ao Batman para além do mercado de quadrinhos. Narrativas premiadas e antológicas que firmaram os nomes de seus autores na indústria de HQs.

Neste mês do Morcego, vamos mergulhar nos bastidores de algumas das mais ilustres aventuras protagonizadas pelo icônico herói, trazendo para o centro as mentes brilhantes por trás de suas criações: os grandes roteiristas de Batman.

Lembrando que o #BatmanDay (Dia do Batman) é celebrado neste dia 17 de setembro de 2022 e não se trata de uma data fixa, sendo comemorado todos os anos em dias diferentes (geralmente, na segunda metade de setembro).

Bob Kane

Nascido Robert Kahn, em Nova York, no dia 24 de outubro de 1915, o artista que acumulava as funções de roteirista e desenhista, iniciou sua carreira nos quadrinhos em 1936, três anos antes de criar seu mais famoso personagem. O Bat-Man, como era grafado originalmente, representava um contraponto de Kane e seu parceiro, Bill Finger, ao superpoderoso, colorido, otimista e patriótico Superman. Diferentemente do azulão, o Morcego era sombrio, não possuía superpoderes e sua natureza trágica definia a sua personalidade. Em uma linha tênue entre a vingança e a justiça, o vigilante mascarado de Gotham cumpre a missão de proteger a sua cidade natal para evitar que ela afunde cada vez mais na lama da criminalidade – que foi o que levou seus pais a serem assassinados durante sua infância.

A primeira aparição do herói forjado no estigma do morcego aconteceu na edição #27 da revista Detective Comics, que hoje possui um valor inestimável. O êxito do herói garantiu a Kane, durante vários e vários anos, um emprego na DC Comics que, na época, atendia pelo nome de National Publications. Kane também foi responsável pela criação de diversos coadjuvantes do Morcego, como Duas-Caras, Mulher-Gato (chamada originalmente de A Gata, ainda sem o traje característico), Pinguim (um vilão inspirado no tipo aristocrático inglês), Espantalho e ajudou a aperfeiçoar a personalidade do mais emblemático dos vilões de Batman: o Coringa, criado por Jerry Robinson, o mesmo idealizador do sidekick do vigilante de Gotham, Robin.

Além de Batman, Kane também criou O Gato Corajoso e o Rato Minuto, série de desenhos animados produzida entre 1960 e 1962, em 130 episódios, como paródia dos próprios Batman & Robin. Foi transmitida no Brasil pelo SBT. Bob Kane faleceu em 3 de novembro de 1998, em Los Angeles, aos 83 anos de idade.

Bill Finger

Talvez uma das maiores injustiças em uma indústria repleta delas, seja a extensa demora no reconhecimento de Finger como um dos criadores originais de Batman. Ele idealizou juntamente com Kane o personagem, porém, como este último foi quem apresentou o herói aos editores, recebeu sozinho os créditos por ele. É consenso entre a maioria dos pesquisadores e estudiosos do personagem que Finger foi o grande responsável pelos traços mais característicos da personalidade e da caracterização do Morcego, tais como a capa e a indumentária do herói, incluindo a paleta de cores utilizada para a composição do uniforme do personagem. Também foi o responsável pela identidade do homem por trás do manto do morcego, batizando o vigilante de Bruce Wayne. Batman debutou em 1939, no entanto, foi apenas em 2016, na abertura da série Gotham, da Fox, e na estreia de Batman v Superman que Finger passou a ser creditado também como criador de Batman.

Milton Finger, conhecido como Bill, nasceu em 8 de fevereiro de 1914, em Nova York. Além do Príncipe de Gotham, Finger também escreveu as primeiras aventuras estreladas por Lanterna Verde na década de 1940, sendo reconhecido como cocriador do personagem. No início de sua carreira como escritor, Bill dividia seu tempo entre duas funções: a de roteirista iniciante e vendedor de calçados em meio período. Ele e Kane se conheceram enquanto cursavam a DeWitt Clinton High School no Bronx e se reencontraram em uma festa, em 1938. Kane lhe ofereceu um emprego de ghost writer das tiras de Rusty e Clip Carson e, posteriormente, imaginou o Homem-Morcego ao lado de Kane. Ele escreveu o roteiro da primeiríssima história do personagem, enquanto Kane foi responsável pela arte. O trabalho de Finger se destaca especialmente pela ampla pesquisa que o autor fazia antes de escrever suas histórias.

Na função de roteirista, Finger escreveu o episódio de duas partes The Clock King’s Crazy Crimes / The Clock King Gets Crowned, da clássica série de TV, Batman, exibidos em 12 e 13 de outubro de 1966, respectivamente.

Fora do universo do Morcego, também colaborou no roteiro de filmes como Death Comes to Planet Aytin, The Green Slime, e Track of the Moon Beast, e contribuiu com scripts para as séries de TV, Hawaiian Eye e 77 Sunset Strip. Faleceu em Manhattan, Nova York, em 18 de janeiro de 1974, aos 59 anos.

Um importante prêmio norte-americano entregue aos profissionais dos quadrinhos pela excelência na escrita de histórias do ramo foi batizado com o nome do quadrinista como forma de tributo: The Bill Finger Award For Excellence In Comic Book Writing, fundado por Jerry Robinson e concedido anualmente na mais tradicional feira de cultura pop, a San Diego Comic-Con. O prêmio consagra sempre dois artistas: um deles em vida, pela significativa contribuição aos quadrinhos; e o outro se trata de um prêmio póstumo, de modo a honrar o trabalho de profissionais da indústria que não obtiveram o devido reconhecimento. Foram os herdeiros de Finger que reclamaram à Warner Bros os créditos ao quadrinista como cocriador de Batman, obtendo êxito em seu intento.

Frank Miller

É impossível falar de Batman e não citar o nome de Frank Miller, que está associado a dois dos maiores clássicos da história do Morcego. Além de o quadrinista compor, ao lado de Alan Moore e Neil Gaiman, a santíssima trindade dos quadrinhos, que revolucionou esta mídia, trazendo um prestígio e respeito inédito às HQs que, até então, sofriam preconceito e descaso de críticos e especialistas em literatura por associarem texto e imagem, sendo frequentemente julgados como literatura fácil e infantil.

Frank Miller nasceu em Olney, Maryland, em 27 de janeiro de 1957 e foi um dos grandes e mais célebres nomes à frente da revista do Homem-Morcego. Uma das razões é The Dark Knight Returns, publicada em 1986 e intitulada no Brasil de O Cavaleiro das Trevas, considerada uma das melhores, se não a melhor, das versões alternativas de Batman. A graphic novel traz um conceito maduro a partir de um enredo instigante: um Batman aposentado, já mais velho e dando aparentes sinais de exaustão, nota que o crime em Gotham atingiu níveis muito elevados. Portanto, retorna à ativa, veste outra vez o clássico manto do Morcego e ressuscita o símbolo que, no passado, representou o horror dos criminosos. O Cavaleiro das Trevas é um conto sombrio, ambientado em um futuro distópico, mas ainda retratando os tempos de Guerra Fria – conflito que perdurava na ocasião em que a graphic novel foi publicada.

Miller não somente foi o responsável por apresentar uma versão envelhecida e amargurada do Morcego, como também cumpriu com louvor a tarefa de recontar a origem do herói após Crise nas Infinitas Terras em Batman – Ano Um, lançada em 1988. A estética deste novo Batman se distanciava completamente daquele das antigas tramas coloridas, com Miller investindo novamente em uma atmosfera sombria que acabou por se tornar uma das características determinantes do personagem. O trabalho do artista com Batman, contudo, data de anos anteriores à publicação destes dois clássicos. Miller desenhou uma curta história natalina intitulada Wanted: Santa Claus – Dead or Alive, com roteiro de Dennis O’Neil, publicada na revista DC Special Series #27, em 1980, no que foi a sua primeira experiência profissional com o Morcego.

Outros de seus trabalhos lendários incluem Demolidor e a revolucionária Sin City – A Cidade do Pecado. Além de Demolidor, na Marvel, Miller também colaborou com edições de The Amazing Spider-Man Annual e produziu a minissérie Wolverine, em quatro edições, ao lado de Chris Claremont, no início dos anos 1980. Seu primeiro trabalho como criador foi a minissérie em seis edições Ronin (1983-1984), da DC Comics. O autor também desenhou as capas dos doze primeiros volumes da edição americana de Lobo Solitário, contribuindo com a popularização dos mangás nos Estados Unidos.

Devido a uma disputa com a DC por conta de um ato que o autor classificou como censura, se desligou da editora e passou a publicar projetos pela independente Dark Horse Comics, sendo um dos maiores porta-vozes do direito de criação e independência dos autores de quadrinhos, se posicionando ativamente contra a censura neste meio. Se aventurou pelo cinema, após o êxito da adaptação de Sin City – A Cidade do Pecado – pelo qual foi creditado como diretor ao lado de Robert Rodriguez, devido à influência na concepção visual do longa, que é quase uma transposição fidedigna dos quadros da graphic novel para as telas. Miller dirigiu, em 2008, a adaptação cinematográfica de The Spirit, de Will Eisner, um notório fracasso.

O trabalho de Miller é sempre marcado por uma forte influência da estética noir. O autor já foi agraciado com diversos prêmios, tais como o Inkpot, Kirby, Eisner, Harvey, Eagle, UK Comic Art e Scream Awards.

David Mazzucchelli

Mazzucchelli foi o responsável pela arte da consagrada história Batman – Ano Um escrita por Frank Miller. Nascido em 21 de setembro de 1960, o quadrinista americano ganhou notoriedade por sua parceria com Miller, não só pelo quadrinho citado, como também por Daredevil: Born Again. Outro de seus trabalhos consagrados é a graphic novel Asterios Polyp, de 2009, obra vencedora do Eisner e do Harvey Award.

O artista se envolveu com a nona arte no início da década de 1980, trabalhando na Marvel Comics, onde colaborava regularmente com a revista do Demolidor ao lado de Dennis O’Neil. Foi Mazzucchelli quem ilustrou a redentora obra A Queda de Murdock, de Frank Miller.

Além das obras mainstream, Mazzuchelli se permitiu focar em projetos mais pessoais e intimistas em sua carreira. Um exemplo é Rubbler Blanket, cuja esposa do artista, Richmond Lewis, atuou como coeditora. A publicação teve três edições. Também assumiu os desenhos e o roteiro de City of Glass, adaptação para o formato graphic novel de um conto assinado pelo escritor Paul Aster. Neste trabalho, o quadrinista contou com a parceria de Paul Karasik e Art Spiegelman (autor da consagrada Maus).

Dennis O’Neil

Quadrinista responsável por inaugurar uma nova e histórica fase dos quadrinhos americanos: a Era de Bronze. Um período de avanços estéticos e de maturidade narrativa para as histórias em quadrinhos produzidas nos Estados Unidos, majoritariamente do gênero super-herói. Esse período sucedeu a Era de Prata, na qual o gênero havia adquirido um apelo demasiadamente infantil e dotado de fortes e marcantes influências da ficção científica. A Era de Bronze compreende as publicações lançadas entre a década de 1970 e o início da dos anos 1980, estendendo-se até aproximadamente 1985.

O’Neil nasceu em St. Louis, em 3 de maio de 1939. Contribuiu vastamente com trabalhos para a DC Comics entre as décadas de 1960 e 1990, sendo o editor das revistas do Batman, cargo que ocupou até sua aposentadoria. O’Neil trabalhou ainda nas editoras Marvel e Charlton Comics; escreveu vários romances, quadrinhos, contos e críticas, incluindo a novelização oficial dos filmes Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, sob o pseudônimo Jim Dennis e em parceria com o artista Jim Berry. Duas de suas contribuições mais significativas na história do Morcego são Batman Veneno, de 1989 (história fechada que pode ser lida independentemente da cronologia do personagem) e Batman Duelo, em parceria com Jim Aparo, publicada originalmente em 1991, e que trazia um final surpreendente.

Fora das ruas sombrias de Gotham, dentre outros trabalhos marcantes da carreira de O’Neil no gênero super-herói, destacam-se Lanterna Verde, Arqueiro Verde, além de O Sombra, série ilustrada por Michael Kaluta, e O Questão, com desenhos de Denys Cowan. O’Neil também foi o autor de uma série de romances sobre um personagem de kung fu chamado Richard Dragon, e, posteriormente, adaptou esses romances para o formato de quadrinhos para DC.

O artista já foi agraciado com prêmios como o Shazam, Goethe e Inkpot Awards. Faleceu em 11 de junho de 2020, aos 81 anos.

Neal Adams

Conhecido pelo estilo naturalista na composição de suas ilustrações, Neal Adams contribuiu com a reformulação visual de alguns dos principais personagens da DC, tais como Lanterna Verde e, óbvio, nosso Batman, conferindo aos heróis características mais realistas.

Adams nasceu em Nova York, em 15 de junho de 1941. Iniciou sua carreira nos quadrinhos bastante jovem, em 1959, ao enviar uma amostra de sua arte para a DC Comics. Este primeiro trabalho, no entanto, foi rejeitado pela editora. Mas esse fato não o desencorajou. Adams arranjou um trabalho na editora Dell Comics, desenhando o personagem Bat Masterson e, nos anos 1960, ilustrou uma tira de jornal. Foi durante esse período que Archie Goodwin, editor das revistas de horror da Warren Publishing, passou a cuidar do trabalho de Adams. Também por volta dessa época, o quadrinista tentou novamente uma aproximação com a DC. Em 1968, finalmente alcançou seu objetivo, ao realizar uma história do personagem Desafiador para a publicação Strange Adventures, tornando-se o principal capista da DC.

O trabalho de Adams chamou a atenção do editor da Marvel Comics, Stan Lee, que o convidou para trabalhar em diversos títulos da editora. Resolveu aceitar a proposta de assumir, no final dos anos 1960, em colaboração com Roy Thomas, uma obra de Stan Lee que estava prestes a ser cancelada devido ao seu fracasso de vendas: X-Men. A dupla de artistas não conseguiu salvar a publicação do cancelamento (os mutantes só viriam a ter uma segunda chance na década seguinte), mas introduziu personagens e elementos que integrariam, posteriormente, o cânone de X-Men, sendo um trabalho redescoberto e revisitado anos depois e considerado um dos mais criativos da Marvel naquele período.

Foi Adams, ao lado de O’Neil que revitalizou Batman, afastando o personagem de sua versão colorida e cômica, exibida na série de TV clássica dos anos 1960. A série era uma paródia autorizada do personagem, mas acabou tornando-se a versão definitiva do herói na mente de todos aqueles que a assistiam e que conheceram o Morcego por meio da produção televisiva e não dos quadrinhos. Adams e O’Neil devolveram a dignidade e seriedade perdida ao herói, bem como suas origens góticas, conferindo, ainda, um tom mais sombrio e violento às suas histórias após assumirem o título.

Ganhador dos prêmios Alley Awards, Shazam Awards e finalista na votação para entrar no Hall da Fama de Jack Kirby em 1990 e 1991, feito que alcançou em 1999, o autor faleceu em sua cidade natal, em 28 de abril de 2022.

Jim Aparo

O artista americano James Aparo nasceu em 24 de agosto de 1932. Trabalhou em agências de publicidade até 1962, ocasião em que começou a desenhar uma tira de um jornal de Hartford, em Connecticut, onde morava com a família. Quatro anos depois, o editor Dick Giordano convidou Aparo para trabalhar na editora Charlton Comics como desenhista freelancer. Um de seus trabalhos na editora foi com o personagem Fantasma.

Ao ser contratado como editor da DC, Giordano não pensou duas vezes e chamou Aparo para ilustrar a revista do Aquaman. O desenhista conseguia conciliar o trabalho em ambas as revistas, uma vez que as duas publicações tinham periodicidade bimestral. Porém, devido ao êxito de Aquaman, a DC contratou o artista para ilustrar também o Vingador Fantasma, o que resultou em seu desligamento da Charlton.

Entre as décadas de 1960 e 1980, Aparo foi um ilustrador profícuo, e foi no final dos anos 80 que desenhou um dos arcos fundamentais da DC Comics, Batman: Morte em Família, na qual foi decidido o destino do personagem Jason Todd que, na época, vestia o uniforme de Robin a partir de uma votação popular. O público votou para que o então Robin, que buscava descobrir a identidade de sua mãe, fosse assassinado pelo Coringa. Vencedor dos prêmios Shazam Award, Inkpot Award e Will Eisner Hall of Fame em 2019. Faleceu em julho de 2005, aos 72 anos.

Alan Moore

O mago dos quadrinhos é autor de grandes clássicos como Watchmen e V de Vingança. Seu destaque nas revistas do Morcego foi com A Piada Mortal. História que o próprio autor rejeita, ou melhor, renega. Pouco após o lançamento da obra, o quadrinista foi acometido por uma momento de reflexão, acreditando que A Piada Mortal era uma trama muito violenta, o que não condizia com a natureza de um personagem que nada mais era do que um cara fantasiado de morcego e que não deveria ser levado a sério. Não surpreende para quem já conhece a controversa, excêntrica, porém, brilhante figura.

Alan Moore nasceu em Northampton, Inglaterra, em 18 de novembro de 1953 e é considerado por muitos como o melhor escritor de quadrinhos da história, além de ser descrito como um dos autores britânicos mais influentes dos últimos tempos. Começou sua carreira nas HQs após abandonar seu emprego em um escritório, e passar a produzir seus próprios quadrinhos. Seu início no mercado foi com produção de tirinhas para revistas e fanzines alternativos e ilustrações para a publicação musical New Music Express (NME). Trabalhou como escritor freelancer durante um período em que foi sondado pela Marvel UK, 2000 AD e Warrior. Despertou a atenção com seu trabalho ainda na década de 1980, com V de Vingança e Marvelman, publicadas na revista britânica Warrior. Ganhou notoriedade nos Estados Unidos ao assumir o roteiro da série O Monstro do Pântano para a DC.

Em 1988, lançou A Piada Mortal, obra marcante do mercado editorial de quadrinhos, ilustrada por Brian Bolland. Na trama, o Coringa tenta provar que basta um dia ruim na vida de um homem comum para arruiná-lo totalmente, de modo que sequestra e tortura o honrado Jim Gordon, corrompendo sua sanidade mental, mostrando a ele fotos de sua filha, Barbara Gordon, nua e ensanguentada, vítima de um disparo de Coringa – que acertou em cheio a sua espinha, deixando-a paraplégica. A história ainda apresenta uma provável origem para o vilão mais popular do Batman.

No final da década de 1980, devido a questões de direitos autorais, o autor rompeu seu contrato com a DC e se afastou dos quadrinhos populares e dos heróis do mainstream. Investiu em seu próprio selo, o Mad Love, e na publicação de HQs independentes pela editora Image Comics. Nesta última, escreveu algumas edições da revista Spawn e assumiu a série Supremo. Publicou a antologia de quadrinhos independentes Revista Taboo, Do Inferno, A Liga Extraordinária e Lost Girls, uma HQ inusitada de conteúdo erótico. Além de roteirista, Alan Moore também acumula a função de romancista, tendo publicado dois romances: A Voz do Fogo e Jerusalém.

É conhecido por ser avesso às adaptações de suas histórias em quadrinhos para o cinema. Ironicamente, é um dos artistas que mais teve seus trabalhos levados para a telona. Moore costuma dizer que sua obra foi criada para ser infilmável. O autor recebeu vários prêmios dentro e fora dos quadrinhos: Jack Kirby, Eagle, Prêmio dos Fãs do Comics Buyer’s Guide, Harvey, Eisner, Hugo (que celebra realizações de fantasia e ficção científica literárias), World Fantasy Award, além de premiações internacionais. Em 2005, Watchmen foi o único quadrinho a constar da lista da revista Time dos 100 melhores romances lançados desde 1923 até o momento em questão.

Grant Morrison

O escritor escocês divide opiniões. Seu estilo é marcado pelo experimentalismo e intensa influência da contracultura. Considerado um dos mais populares quadrinistas de todos os tempos, Morrison é um dos expoentes da Era Sombria (ou Era Moderna) dos quadrinhos. Segundo o próprio autor, 1970 não marca o início da Era de Bronze, mas da Era Sombria, que se estenderia para além de 1985, e seria definida pela tentativa de conferir maior realismo aos quadrinhos.

Nascido em Glasgow, em 31 de janeiro de 1960, teve seus primeiros trabalhos publicados nas tiras da Gideon Stargrave para a Near Myths (um dos primeiros quadrinhos alternativos britânicos), em 1978, quando tinha apenas 17 anos. Por volta dessa época, começou a publicar vários trabalhos independentes. Em 1985, realizou trabalhos para a Marvel britânica. Em 1987, lançou Zenith, desconstruindo o gênero de super-heróis, e chamou a atenção da DC Comics. A editora já havia ignorado algumas propostas enviadas por Morrison, mas sua sugestão de uma série do Homem-Animal foi finalmente aceita. Este foi o trabalho que lhe proporcionou reconhecimento e sucesso nos Estados Unidos. No final dos anos 1980, estabeleceu sua fama, sendo responsável por diversos títulos da DC Comics.

Morrison escreveu uma história de sucesso e que se tornou um clássico das histórias do Batman: um conto sombrio intitulado Asilo Arkham, protagonizado pelo nosso bom e velho Morcego, e com desenhos de Dave McKean. Outro dos títulos de Morrison estrelados pelo Príncipe de Gotham, é Batman & Robin, em 16 edições, lançadas entre 2009 e 2011 e ilustrado por Frank Quitely, outro proeminente nome dos quadrinhos do Morcego.

Além de Batman, podemos destacar suas contribuições para JLA, Action Comics, All-Star Superman da DC Comics, New X-Men da Marvel, The Invisibles da Vertigo, 2000 AD da Fleetway e Patrulha do Destino da DC/Vertigo. Também é cocriador da série de televisão Happy! do canal Syfy. Vencedor de importantes prêmios como o Eagle, Eisner, Harvey, Inkpot, MBE e National Comics Awards.

Scott Snyder

Outro dos escritores de Batman com um currículo respeitável é o americano Scott Snyder. O autor foi o responsável pela reformulação do Príncipe das Trevas ao ser contratado pela DC Comics para ficar a frente da revista do Batman na fase Os Novos 52 – um reboot das publicações da DC que trazia um novo início e o relançamento de todas as séries regulares da editora. Snyder assumiu os roteiros de dois títulos na ocasião: Batman e O Monstro do Pântano. No comando de Batman, escreveu arcos memoráveis e elogiados como A Corte das Corujas. Essa fase de recomeço, no entanto, foi desconsiderada posteriormente pela editora, e tudo o que veio antes, reintegrado ao cânone e à cronologia original dos personagens da DC. Não deixa de ser uma excelente dica de leitura, ambientada, digamos, em uma linha temporal alternativa da DC Comics.

Considerado genial e insano por muitos fãs do Príncipe de Gotham, Snyder nasceu em Nova York, em 15 de janeiro de 1976 e se tornou conhecido devido ao seu trabalho na coletânea Voodoo Heart, de 2006. Tendo como principais influências Stephen King e Raymond Carver, Snyder participou de cursos de escrita literária e começou a trabalhar para a Marvel em 2009. Sua estreia no gênero super-herói se deu com uma one-shot centrada no primeiro Tocha-Humana, como parte das edições comemorativas de 70 anos da editora.

No ano seguinte, passou a escrever para a DC, lançando o título autoral Vampiro Americano, por meio do selo Vertigo – divisão para leitores maduros da DC. Neste trabalho, contou com um de seus mestres como corroteirista: o próprio Stephen King. A edição #871 de janeiro de 2011 da Detective Comics marca o início de seu contrato de exclusividade com a editora. Naquele ano, escreveu, em parceria com Kyle Higgins, a minissérie Batman: Gates of Gotham. Em 2011, foi contratado para assumir a série regular do Batman na fase Os Novos 52. Em parceria com aquele que se tornou seu colaborador habitual, o desenhista Greg Capullo, criou A Corte das Corujas, uma trama intrigante na qual o Batman luta contra uma seita que comanda secretamente Gotham City.

A dupla permaneceu à frente do título das edições #1 a #50, deixando a publicação em 2016 com o encerramento da fase Os Novos 52 e início do evento Renascimento. No mesmo ano, Snyder se uniu a John Romita Jr. colaborando na série All-Star Batman como parte do relançamento DC Rebirth: Renascimento. Dentre outros trabalhos de Snyder pelos becos sombrios de Gotham, ainda ganham destaque a minissérie Dark Nights: Metal de 2017, a insana Batman – O Último Cavaleiro da Terra de 2019 e Batman Que Ri de 2017, que traz uma versão alternativa do cavaleiro das trevas – uma macabra fusão entre Batman e Coringa como parte do Multiverso Sombrio da DC.

Além de Batman, Snyder também se aventurou por Superman, Iron Man Noir e realizou trabalhos para a Image Comics como Severed e a celebrada Wytches. O autor acumula prêmios como o Eisner, Harvey, Eagle, Stan Lee e Goodreads Choice Awards.

Brian Azzarello

Notável por seu trabalho em 100 Balas, série vencedora de três prêmios Eisner, Brian Azzarello contribuiu de forma significativa para a mitologia do Morcego, com o lançamento da graphic novel Coringa, lançada em 2008, compondo histórias aclamadas em parceria com o artista Eduardo Risso e escrevendo o roteiro de longas-metragens de animação baseadas nas histórias em quadrinhos do Batman.

Natural de Cleveland, Ohio, Azzarello nasceu em 11 de agosto de 1962 e, aos trinta anos, começou sua carreira nos quadrinhos, atuando na editora Comico como coordenador de produção. Foi promovido posteriormente a editor executivo, até se tornar editor chefe, cargo que ocupou de 1993 até 1997, quando houve a dissolução da empresa.

Durante este período, a artista Jill Thompson, esposa de Azzarello, o apresentou ao editor do selo Vertigo da DC Comics, Lou Stathis, que tinha a intenção de se afastar das histórias leves de fantasia pelas quais a grife DC era conhecida na época. Azzarello foi contratado como roteirista e colaborou com contos para diversas antologias lançadas pela Vertigo. Sua parceria de longa data com o argentino Eduardo Risso teve início por essa época, quando assinou uma série limitada em quatro edições, intitulada Jonny Double. Abusando da estética noir, 100 Balas, também em colaboração com Risso, foi publicada em agosto de 1999 pela Vertigo e mudou a carreira de Brian para sempre. Contou com 100 edições, tendo seu encerramento em 2009, e sendo caracterizada pela linguagem realista, uso de gírias, metáforas e sotaques locais.

Em 2003, Brian foi contratado pela DC Comics para escrever arcos de histórias do Batman e Superman. Dentre as histórias que escreveu centradas na figura do Cavaleiro das Trevas, destacam-se Batman – Cidade Castigada e Batman: O Cavaleiro da Vingança, ambas com Eduardo Risso. Esta última inverte a história do Batman como conhecemos. Na trama, Thomas Wayne assume o capuz do Morcego após seu filho, Bruce Wayne, ser assassinado durante um assalto em um beco. Essa HQ integra o núcleo Flashpoint (Ponto de Ignição).

Escrita por Azzarello e com ilustrações fabulosas e contundentes de Lee Barmejo, a graphic novel Coringa foi o grande destaque dentre os lançamentos em quadrinhos de 2008, atingindo camadas inéditas ao explorar a relação do vilão com o herói. A parceria com Barmejo seria retomada dez anos depois, em Batman: Damned, um quadrinho que gerou polêmica ao mostrar um nu frontal de Batman. Ainda que tenha sido publicada por meio de um selo voltado ao público adulto, o DC Black Label, a editora optou por censurar a cena em novas impressões para evitar mais discussões acaloradas e o clima caótico entre imprensa e público.

Um pouco antes disso, em 2015, a DC Comics anunciou o nome do autor como corroteirista de Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, terceira parte do clássico monumental de Frank Miller. Azzarello também roteirizou as animações em longa-metragem Batman: A Piada Mortal e Batman: O Cavaleiro de Gotham.

Alguns outros trabalhos de destaque de Azzarello fora do universo de Batman, incluem publicações para a Vertigo, tais como uma série de HellblazerLoveless, em parceria com o artista Marcelo Frusin; e a graphic novel original Filthy Rich, um dos títulos que inaugurou a linha Vertigo Crime, em 2009. Também esteve à frente do relançamento da revista da Mulher-Maravilha na fase Os Novos 52, em parceria com Cliff Chiang, e foi incumbido, em 2012, pela DC Comics a escrever duas minisséries de Antes de Watchmen centradas nos personagens Rorschach e Comediante.

Alan Grant

Uma perda recente que abalou o mundo dos quadrinhos. Grant faleceu em 20 de julho de 2022, aos 73 anos. O artista britânico, nascido em 7 de fevereiro de 1949, em Bristol, na Inglaterra, teve uma trajetória marcante na nona arte e, entre seus trabalhos, destaca-se toda sua extensa contribuição para a mitologia do Homem-Morcego. Grant fez parte de uma leva britânica que levou vários quadrinistas do Reino Unido a escrever e ilustrar personagens americanos.

Embora natural da Inglaterra, Grant passou boa parte da infância e adolescência na Escócia. Iniciou sua carreira profissional aos 18 anos, atuando como jornalista. A primeira editora em que trabalhou foi a IPC, na década de 1970, onde causou uma verdadeira revolução ao fazer da HQ futurista 2000 AD um êxito de vendas, trazendo um notório crescimento para a editora. Sua parceria com o roteirista John Wagner teve início aí. Por seu trabalho em conjunto na Juiz Dredd (personagem criado por Wagner), a dupla despertou a atenção e o interesse da DC Comics que os chamou para trabalhar na editora em 1987.

Na DC, Alan Grant trabalhou durante muitos anos na revista Shadow of the Bat, do Batman. A série contou com 96 edições, publicadas entre 1992 a 2000. As histórias se situavam na cronologia corrente do Morcego, paralelamente à Detective Comics e ao título principal do Batman, em contraste com Batman: Legends of the Dark Knight, que se concentrava nos primeiros anos do herói. A HQ, assinada por Grant, analisava a psique de diversas figuras da rica e extensa galeria de personagens de Batman. O artista também ganhou notoriedade ao introduzir o vilão Victor Zsasz na mitologia do Morcego. A maioria das edições da revista foi roteirizada por Alan Grant, que já havia se destacado como o principal escritor da revista Detective Comics entre fevereiro de 1988 a setembro de 1990 e da revista Batman de outubro de 1990 ao final de junho de 1992. Grant também é o responsável pela criação de dois coadjuvantes do Homem-Morcego: Anarquia e Ventríloquo.

O grande destaque de sua carreira escrevendo Batman foi com a aclamada publicação A Queda do Morcego, o mais longo arco de histórias estrelado pelo personagem, que durou aproximadamente dois anos, publicado no título regular do herói. Lançada na primeira metade da década de 1990, a saga foi planejada e escrita em um momento em que a DC Comics, assim como a própria indústria de histórias de quadrinhos, atravessava uma grave crise de vendagens. Deste modo, a editora resolveu tomar uma atitude drástica para reacender o interesse da mídia e dos leitores. Dentre essas decisões, estavam a morte do Superman, a transformação de Lanterna Verde em vilão, a mutilação e consequente amargura de Aquaman e a paraplegia de Batman, que deixou o herói dependente de uma cadeira de rodas, sendo substituído por um Batman mais moderno e violento.

O artista foi premiado com o Inkpot Award em 1992.

E aí? Qual é o seu autor e sua história favorita do Batman? 😉

Andrizy Bento

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