[Versões e Regravações] (I Can’t Get No) Satisfaction – The Rolling Stones

Original:

É a primeira vez que eu contribuo para esse espaço e resolvi começar com Rolling Stones. Até mesmo porque faz pouco mais de dois meses desde a morte de Charlie Watts, o baterista de 80 anos do segundo maior grupo de rock da história. Nesse quesito, eles perdem apenas para o The Beatles.

Tanto os Rolling Stones quanto os The Beatles são oriundos da Inglaterra e viveram seu auge durante a década de 1960, mas diferiam em alguns pontos. Primeiramente, os Beatles são de Liverpool, já os Stones vieram da capital, Londres. E tem a parte musical, pois o quinteto londrino se inspirou principalmente no blues de B.B. King, Robert Johnson e Muddy Waters, enquanto que o fab four tinha como principais influências os pioneiros do rock, Chuck Berry e Little Richards.

E ainda tem a parte visual. Enquanto os Beatles usavam a mesma cor de terno, os Stones preferiam que cada integrante tivesse seu estilo, nada de andar uniformizado! Isso fez com que o quinteto fosse considerado malvestido. Na época, era comum que os membros de grupos musicais de qualquer estilo usassem o mesmo tipo de roupa para as capas de discos e apresentações em público para garantir uma identidade visual e uma estética clean. Os Rolling Stones quebraram esse protocolo e se mostraram mais caóticos.

Agora vamos à faixa em questão. Tudo começou em maio de 1965. Keith Richards estava hospedado em um quarto de hotel na Flórida, Estados Unidos, quando criou um riff de guitarra, mesmo caindo de sono. Antes de dormir pra valer, o guitarrista decidiu registrar esse riff em um gravador de fitas de rolo. No dia seguinte, ao conferir a gravação, decidiu mostrá-la para Mick Jagger. A partir desse riff, o vocalista desenvolveu uma letra na qual descrevia sua irritação com o crescente comercialismo no mundo moderno. Assim surgiu (I Can’t Get No) Satisfaction. A canção acabou por ser considerada um ataque ao status quo (expressão em latim que significa “no estado das coisas”).

A letra de (I Can’t Get No) Satisfaction, ou simplesmente Satisfaction, também possui conotação sexual. Alguns ouvintes de estações de rádio da época ficaram até mesmo incomodados com essas implicações na letra. Mas, convenhamos, desde os anos 1950 acusa-se o rock de ser um gênero musical indecente – as danças rebolativas de Elvis Presley foram um dos pontapés para essa fama. Se você ouviu por aí que no tempo do Elvis havia pura inocência, não acreditem! Quem diz isso é o verdadeiro inocente.  

Junto dos demais integrantes, Brian Jones (guitarra), Bill Wyman (baixo) e o mencionado Charlie Watts, os dois compositores gravaram Satisfaction naquele mesmo mês de maio de 1965, no Estúdio Chess, em Chicago, situado no estado americano de Illinois. Seu compacto foi lançado em 6 de junho e de forma diferenciada. Na versão britânica, trazia no lado B a canção The Spider and the Fly. Já na versão americana, a faixa The Under Assistant West Coast Promotion Man era o que esperava os ouvintes ao virarem o disco na vitrola. Os Rolling Stones incluíram Satisfaction em seu terceiro disco, Out of Our Heads (1965). Ela fez o quinteto londrino alcançar o topo da parada americana por quatro semanas. Fora que, por 14 semanas, Satisfaction permaneceu no Billboard’s Hot 100. Isso fez (I Can’t Ge No) Satisfaction se tornar o hino do Rolling Stones.

Versões:

A primeira regravação de (I Can’t Ge No) Satisfaction é da banda americana de new wave, Devo. Ela foi lançada em compacto junto de Sloppy (I Saw My Baby Gettin’) em setembro de 1977. O cover também fez parte do primeiro disco do Devo, o Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! (1977). Em ambos, teve a produção do renomado Brian Eno.

A segunda regravação é de uma banda brasileira, o Barão Vermelho. Os cariocas a registraram em seu primeiro disco ao vivo, o Barão Ao Vivo (1989), gravação do show que a banda realizou no extinto Dama Xoc, em São Paulo. De quebra, os vocais de apoio contaram com o eterno produtor musical da banda, Ezequiel Neves, mais conhecido como Zeca Jagger. O Barão nunca negou ter sido influenciado pelos Rolling Stones. Por conta disso, o quinteto carioca abriu os shows dos seus ídolos, na primeira passagem dos Stones pelo Brasil, em janeiro de 1995. 

O terceiro cover ficou a cargo da cantora pop norte-americana Britney Spears. Ela revelou que adorava os Rolling Stones e vivia escutando o repertório da banda com as amigas. Britney a gravou no seu segundo disco, Oops!… I Did It Again, que chegou ao mercado em 3 de maio de 2000. A turnê do álbum trouxe a cantora ao Brasil pela primeira vez, passagem que ficou marcada pelo playback da cantora durante sua performance no Rock in Rio 3. O cover foi o primeiro single de divulgação do mencionado álbum. 

Windson Alves

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