Massacre no Bairro Japonês (1991)

Lembra que, no ano passado, eu listei os 10 melhores filmes referentes ao Japão? Eu cheguei a colocar Massacre no Bairro Japonês, mas depois decidi que ele merecia um artigo próprio. Na lista, eu o substitui por Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio (2006). Tudo para que Massacre no Bairro Japonês celebre aqui seus 30 anos.

Esse filme tem um significado especial para mim. Assisti pela primeira vez aos 11 anos de idade e eu não cansava de revê-lo no videocassete. Na época, para mim, o Japão era apenas tokusatsu (Jaspion, Changeman…) e Massacre no Bairro Japonês acabou com esse estereótipo que eu sustentava em minha cabeça sobre a Terra do Sol Nascente.

Muitos classificam Dolph Lundgren como um péssimo ator. Porém, essa não é a minha opinião. Em Massacre no Bairro Japonês (Showdown in Little Tokyo no original) o ator sueco mostrou porque é um dos maiores ícones dos filmes de ação, ainda mais que teve como parceiro policial o saudoso Brandon Lee, filho do lendário Bruce Lee. O filme foi dirigido por Mark L. Lester e produzido por Martin E. Caan.

O departamento de policia da Califórnia descobre atos de contravenção em Little Tokyo, bairro de imigrantes japoneses em Los Angeles. Para essa missão eles convocam o sargento Chris Kenner (Dolph Lundgren), que é americano de nascimento, mas foi criado no Japão e até fala japonês. Ele fica na cola de Tanaka (Phillip Tan), que organiza lutas ilegais e é dono do clube Bonsai, onde os imigrantes japoneses matam a saudade de sua cultura. Kenner interrompe um combate e dá voz de prisão para Tanaka, que manda os lutadores atacarem o policial. Porém, o local é invadido por japoneses de terno e munidos de metralhadoras, dando início a um tiroteio, fazendo Kenner perder Tanaka que, na confusão, aproveita para escapar.

Os mesmos japoneses de terno, liderados por Sato (Toshiro Obata), aparecem no restaurante onde Kenner costuma tomar café da manhã, para extorquir dinheiro do local. Eles amedrontam a dona do estabelecimento, Mama Yamaguchi (Takayo Fischer), após se identificarem como membros da Yakuza, a temida máfia japonesa. Kenner sai de seu assento e os enfrenta. Ao chutar um deles para fora, acaba dando um susto em Johnny Murata (Brandon Lee), que passava pelo local. Sem saber o que está acontecendo, o jovem enfrenta Kenner, fazendo os bandidos fugirem e depois metralharem o local. Após saírem de seus esconderijos, eles se identificam como policiais.  Johnny anuncia para Kenner que foi enviado para ser o seu novo parceiro. Logo, descobrem que um dos suspeitos ficou no local.

Na delegacia, Kenner rasga a camisa do bandido e vê a tatuagem da garra de ferro que remete à Yakuza e lembra que os seus pais foram assassinados por um membro da quadrilha. O bandido aproveita que os dois policiais saíram da sala de interrogatório e comete suicídio, quebrando o próprio pescoço.

Quanto à Tanaka, esse não vai longe. A Yakuza o captura, prende em seu próprio carro, que terminar por ser esmagado por uma prensa. Durante uma festa na mansão da Yakuza, o chefe, Yoshida (Cary-Hiroyuki Tagawa), mata Angel (Renee Grifin), namorada de Tanaka, decepando a cabeça dela com uma espada de katana. A legista Nonnie Russel (Vernee Watson-Johnson) descobre que no cérebro de Angel havia vestígio de uma droga chamada metanfetamina, que ela consumia na citada festa acima.

Kenner e Johnny vão para o clube Bonsai interrogar Tanaka, mas preferem entrar pelos fundos e enfrentar alguns seguranças. Já dentro do local, eles descobrem por intermédio de um dos funcionários que Tanaka não é mais dono do clube. Ao verem uma cantora chamada Minako (Tia Carrere), decidem interrogá-la sobre Angel, sem informar seu falecimento.

Membros da Yakuza aparecem e enfrentam Kenner e Johnny no clube. Eles são contidos e levados para o novo dono do local, Yoshida. Logo, Kenner o reconhece como o homem que assassinou seus pais no passado. Kenner recupera a sua pistola tomada por um dos bandidos e aponta para Yoshida. Johnny fica assustado, pois todos os bandidos apontam suas armas para Kenner. Os dois vão embora e, do lado de fora, Johnny pergunta para o parceiro o motivo de ele ter agido daquela forma. Kenner reluta, mas acaba revelando o seu segredo. Johnny o convence a não se vingar, mas, sim, prender Yoshida conforme a lei.

Kenner e Johnny seguem a Yakuza até à sede da cervejaria Dragão Vermelho, também de propriedade dos criminosos. A cerveja é usada para vender metanfetamina em forma de gelo dentro de garrafas long neck. Ao descobrir que Minako conversou com os policiais, Yoshida a amedronta mostrando o vídeo em que matou Angel, como uma forma de ameaça acaso a primeira não queira atender seus desejos sexuais.

No encalço da Yakuza, os policiais observam de longe a mansão de Yoshida. Usando um binóculo, Johnny vê Minako diante de uma caixa com velas e uma faca. Kenner pega o binóculo e descobre que ela vai praticar o seppuku (ritual de suicídio). Ele entra na casa, salva Minako e a leva para o seu apartamento. Envergonhado por ter deixado Minako fugir, Ito (Simon Rhee) corta fora o seu dedo mínimo e dá para Yoshida. Esse não se convence e decide matá-lo.

Em seu apartamento, Kenner instrui Minako a usar uma escopeta para se proteger. Posteriormente, recebe um telefonema de Johnny informando que Yoshida e sua quadrilha estão em uma casa de banho. Tendo Minako como testemunha, Kenner parte para efetuar a prisão ao líder da Yakuza, mas esse resiste, dando início a uma luta dentro do local.

Kenner leva Johnny e Minako para uma casa longe da cidade. Mesmo assim a Yakuza os segue e detém os três. Kenner e Johnny são torturados com choque elétrico. Kenner desprende a sua mão direita e com a mesma empurra o torturador para a eletricidade, matando-o. Vendo pelo circuito interno de TV que os dois policiais escaparam, Yoshida e sua quadrilha se escondem e armam uma nova cilada para eles. Ao entrarem no carro, os dois são surpreendidos por uma empilhadeira, que pega o veículo e o coloca para ser esmagado em uma prensa. Depois, leva o carro amassado para um triturador. Com o carro destruído, a Yakuza pensa que deu cabo de Kenner e Johnny, mas os dois conseguem escapar.

De volta ao seu apartamento, Kenner treina para uma batalha final contra a Yakuza. Yoshida negocia com os traficantes a comercialização da cerveja Dragão Vermelho com metanfetamina dentro. Kenner e Johnny roubam um caminhão da cervejaria, encontram duas metralhadoras no veículo e mostram disposição para impedir a Yakuza de vender suas drogas nos Estados Unidos, além de salvar Minako.

Curiosidades:

Massacre no Bairro Japonês foi rodado entre janeiro e março de 1991, em Los Angeles e em Long Beach, ambos no estado americano da Califórnia. Entrou em cartaz no dia 23 de agosto de 1991. Teve o azar de ter sido lançado no mesmo mês do megassucesso O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final. Por conta disso, Massacre no Bairro Japonês só obteve êxito nas locadoras.

Segunda vez que Dolph Lundgren enfrentou a Yakuza em um filme. A primeira foi em O Justiceiro (1989), adaptação do personagem da Marvel. Aliás, eu coloquei essa película na lista de melhores filmes de 1989.

Primeira vez que Dolph Lundgren e Cary-Hiroyuki Tagawa se enfrentam em um filme. A segunda foi em Passagem Para o Inferno (1999). Alias, Cary-Hiroyuki Tagawa foi muito visto em filmes interpretando vilões; o mais conhecido trata-se de Shang Tsung em Mortal Kombat (1995). As raras exceções em que o ator japonês não interpretou vilões foi em Johnny Tsunami – O Surfista da Neve (1999), Sempre ao Seu Lado (2009) e 47 Ronins (2013).

Intérprete da legista Nonnie Russel, a atriz Vernee Watson-Johnson fazia parte do elenco da sitcom Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air), onde interpretava Viola, a mãe do protagonista Will Smith.

Foi o segundo filme americano de Brandon Lee. O primeiro foi Missão Resgate (1989). Depois de Massacre no Bairro Japonês, ele fez os trabalhos que mais repercutiram em sua carreira, Rajadas de Fogo (1992) e O Corvo (1994). Nas gravações do último, Brandon morreu acidentalmente em 31 de março de 1993, após levar um tiro de pistola, que deveria, originalmente, conter balas de festim. Brandon Lee tinha 28 anos e estava de casamento marcado para 17 de abril com Eliza Hutton. Até na morte, ele não se livrou das comparações com o seu pai, Bruce Lee, que morreu aos 32 anos em 20 de julho de 1973.

Intérprete de Sato, o braço direito da Yakuza, Toshiro Obata ficou conhecido por ter atuado em duas adaptações cinematográficas de As Tartarugas Ninjas, o primeiro filme em 1990, e o segundo, As Tartarugas Ninjas 2: O Segredo do Ooze (1991). Em ambos, viveu Tatsu, o braço direito do vilão principal, Destruidor.

Tia Carrere não quis fazer as cenas de nudez de Minako e foi substituída por uma dublê de corpo. Sem contar que ela não é japonesa e, sim, havaiana. Na época, era típico de Hollywood contratar atores nascidos no Havaí (Estados Unidos) para interpretar extremo-orientais. A atriz é mais lembrada pelo papel da cantora Cassandra Wong nos filmes da saga Quanto Mais Idiota Melhor.

Massacre no Bairro Japonês teve duas dublagens no Brasil. A primeira dublagem, paulista, foi lançada na versão VHS. Dolph Lundgren foi dublado pelo saudoso Valter Santos, que também possui trabalhos como ator, como o policial Jairo na novela global O Salvador da Pátria (1989), que está sendo reprisada atualmente pelo canal Viva. Brandon Lee foi dublado por Nelson Machado, conhecido por dar voz ao Quico do seriado Chaves. A segunda dublagem, carioca, ficou conhecida na exibição pela TV. Dolph Lundgren foi dublado por Garcia Junior, que já havia dado voz ao mesmo ator, quando interpretou He-Man no filme Mestres do Universo (1987). Já Brandon Lee foi dublado por Ettore Zuim, que dublou o Batman de Christian Bale nos filmes do herói dirigidos por Christopher Nolan.

Em 2009, um filme hong-konguês, com o título quase semelhante, foi lançado. Trata-se de Massacre no Bairro Chinês, que é um drama protagonizado por Jackie Chan. O longa é ambientado no bairro de imigrantes chineses, na cidade japonesa de Yokohama. Foi um dos poucos filmes em que Jackie Chan não realizou cenas de luta.

Windson Alves

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