Nas Prateleiras: Lançamentos de Livros – Maio (2021)

Maio traz uma ótima variedade de títulos literários para os amantes da literatura. A gente começa com a editora Companhia das Letras que publica o finalista do Man Booker Prize e best-seller do New York Times, considerado o Dom Quixote da era moderna: Quichotte de Salman Rushdie. Para os fãs de Anne Shirley, a Autêntica lança o quinto romance da saga, A Casa Dos Sonhos De Anne, assinado por Lucy Maud Montgomery. A Principis traz um kit com dois livros de A Velha Loja de Curiosidades de Charles Dickens (também é possível adquirir os volumes separadamente). A Record apresenta A Rainha dos Funerais da escritora Madeleine Wickham, antes de ela adotar o pseudônimo que todo mundo conhece: Sophie Kinsella. A Verus publica Positiva de Camryn Garrett, sobre uma garota que muda de escola e faz o possível para manter seu diagnóstico de HIV positivo em segredo diante de seus novos amigos e interesse amoroso, até se ver no meio de uma trama que envolve chantagem e preconceito. Pela Todavia sai Diários: 1909-1923 de Franz Kafka, que mergulham profundamente na mente brilhante e torturada do autor, revelando uma abrangência de registros pessoais e conteúdo inédito de sua obra. A Arqueiro publica Lua No Céu De Cabul de Nadia Hashimi, um drama emocionante e inquietante sobre refugiados na Europa. A mesma editora ainda apresenta A Mulher na Janela, livro que inspirou o filme homônimo da Netflix, de autoria de A. J. Finn. Finalista do International Booker Prize 2020 e do National Book Awards 2019 e traduzido para inúmeros idiomas, A Polícia da Memória da aclamada Yoko Ogawa chega ao Brasil pela Estação Liberdade. E, para completar, a Rocco aproveita o embalo recente do Oscar e publica Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no Século XXI de Jessica Bruder, o livro que inspirou o filme de Chloé Zhao, vencedor do prêmio principal da Academia em 2021, de Melhor Filme.

Abaixo, você confere as capas e sinopses dos destaques do universo literário do mês de maio. Os títulos com asterisco na frente são aqueles que irão integrar a nossa biblioteca pessoal.

Quichotte
Salman Rushdie
Companhia das Letras

Finalista do Man Booker Prize e best-seller do New York Times, este é um Dom Quixote para a era moderna, um épico engraçado, crítico e pleno de empatia, narrado no melhor estilo de Salman Rushdie. Inspirando-se no clássico de Cervantes, o escritor medíocre de romances policiais Sam DuChamp cria Quichotte, um vendedor cortês e caótico que se apaixona por uma estrela de TV. Ao lado do filho (imaginário), Sancho, Quichotte parte em uma busca picaresca pelos Estados Unidos para provar ser digno da mão da mulher inatingível, enfrentando com galhardia os perigos tragicômicos de uma época em que “tudo pode acontecer”. Enquanto isso, seu criador, em plena crise da meia-idade, tem seus próprios desafios igualmente urgentes. Assim como Cervantes escreveu Dom Quixote para satirizar a cultura de seu tempo, Rushdie conduz o leitor por um país à beira do colapso moral e espiritual. Com o tipo de narrativa encantatória que é marca registrada do escritor, as vidas imaginadas de DuChamp e Quichotte se entrelaçam em uma busca profundamente humana pelo amor, ao mesmo tempo que revelam um retrato irônico e inteligente de uma época na qual tantas vezes não conseguimos discernir o que é fato e o que é ficção.

A Casa Dos Sonhos De Anne
Lucy Maud Montgomery
Autêntica

Quinto romance da saga de Anne Shirley, este livro narra o início da vida de casados de Anne e Gilbert Blythe. Logo após o casamento no pomar de Green Gables, os dois se mudam para a “casa dos sonhos” – uma casinha que Gilbert encontrou em Four Winds Point, no litoral, onde ele deve assumir a clínica médica de seu tio. A casa é velha e pequena, e eles vão apenas alugá-la. Mesmo assim, Anne tem convicção de que aquela será a casa dos seus sonhos, especialmente quando Gilbert conta sobre o terreno ao redor, com muitas árvores grandes e antigas e um riacho que atravessa a propriedade, além dos jardins que os proprietários anteriores cultivavam. Anne renuncia à viagem de lua de mel: para ela, a melhor lua de mel é mesmo estar com Gilbert em seu novo lar. O livro acompanha Anne dos 25 aos 27 anos em sua nova vida, na qual, como é de seu feitio, encontra pessoas interessantes, se envolve com várias delas, ajuda a resolver problemas e ganha novos amigos e admiradores. Para Anne Shirley, a vida parece perfeita e continua cheia de possibilidades. Mas então uma tragédia acontece e, com ela, uma enorme dor de cabeça para o jovem casal, que precisa de toda a sua coragem e seu amor para superá-la.

Os Melhores Romances de Lucy Maud Montgomery – Kit com 3 livros
Lucy Maud Montgomery
Principis

Conheça Lucy Maud Montgomery além de Anne de Green Gables com os livros: O Caminho Alpino: a História da Minha Carreira, Kilmeny do Pomar, Jane de Lantern Hill e O Castelo Azul.

Paris é Para Sempre *
Ellen Feldman
Vestígio

Durante a Segunda Guerra Mundial, Charlotte vive em Paris com a filha, Vivi, e trabalha em uma livraria. Como milhares de parisienses sob a ocupação alemã, ela enfrenta toda sorte de dificuldades para sobreviver e alimentar sua criança, nascida no início do conflito. Uma série de acontecimentos – e uma história de amor impensável – alteram sua rotina na loja. Com a vitória dos Aliados e a retirada dos alemães, ela se muda para a América como judia exilada e inicia uma nova vida em uma típica editora nova-iorquina. Alternando entre a Paris do tempo da guerra e a Nova York dos anos 1950, Paris é Para Sempre, de Ellen Feldman, conta uma história extraordinária de resiliência, amor e escolhas impossíveis, escolhas que podem sempre cobrar um preço alto. A guerra acabou, mas o passado nunca passa. Um belo romance que revela diversas nuances de cada personagem, de suas relações, de suas opções e impossibilidades, desconstruindo julgamentos precipitados e penetrando fundo nos limites de cada um.

A Velha Loja De Curiosidades – Kit com 2 livros
Charles Dickens
Principis

A história foi publicada em série durante dez meses em um jornal, e ele estava atormentado com o final planejado, incapaz de escrevê-lo. No fundo do prédio de uma loja moram um velho e sua neta, Nell, que cuida do avô com extrema dedicação. Um vício, a dívida a um agiota, a mercadoria quase sem valor, os móveis antigos, os brinquedos estranhos e as estátuas horríveis são o ponto de partida da trama, que combina sarcasmo, ironia, forte senso de justiça, mas também de absurdo, que captura a imaginação do leitor desde as primeiras páginas.

Caixa Ficção e História – V. S. Alexander
V. S. Alexander
Gutenberg

Nesta caixa, selecionamos o melhor da ficção histórica escrita por V. S Alexander. Em seus livros podemos conhecer importantes fatos da história mundial sob o ponto de vista de personagens marcantes e narrativas inspiradoras.

A Traidora de Hitler

Em 1942, quando a Segunda Guerra eclodia na Europa, manifestações contra atrocidades nazistas começam a acontecer em Munique. Os responsáveis são um grupo de jovens alemães que arrisca tudo para resistir à guerra. Mas, quando o perigo surge, todos precisam fazer escolhas para sobreviver.

As Garotas Madalenas

O ano é 1962. Em Dublin, no convento das Irmãs da Sagrada Redenção, opera uma das Lavanderias Madalena. Outrora um lugar de refúgio, as lavanderias agora eram reformatórios de trabalhos forçados. É pra lá que a jovem Teagan Tiernan é levada após se envolver com um jovem e belo padre.

Um Banquete Para Hitler

Unindo a História e a ficção, Um Banquete Para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Führer, expondo os dilemas morais da guerra em uma história emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança.

Para Todas as Pessoas Resilientes
Iandê Albuquerque, Zebradaa (Ilustrações)
Outro Planeta

“Eu já me machuquei muito pelos outros. mas a única certeza que eu tenho, no fim de tudo, é de que o tamanho dos destroços é igual ao tamanho do amor que precisaremos pra se reconstruir. essa é a parte forte de tudo isso. isso é o que importa. a resiliência. Eu amo a minha capacidade de ser resiliente, de resistir a tantas relações que me magoaram, de ressurgir ainda mais forte, de emergir ainda mais intenso, de entrar dentro de mim pra trocar de casca e me vestir de amor próprio pra continuar em frente. Eu quero dizer pra você que se maltrata, se culpa, duvida da sua capacidade de ser resiliente, de sobreviver às quedas e voltar melhor que antes. você que acolhe os outros mas esquece a si mesmo e depois se questiona por que a vida tem sido tão dura com você: comece sendo menos duro consigo mesmo. Saiba respeitar o seu tempo. Pode ser que amanhã as coisas não fiquem cem por cento melhores, mas amanhã ficará melhor que hoje, e o agora talvez já seja melhor do que o ontem. Se curar é um processo. Resiliência é um processo. resistência é um processo. E você vai aprender a se refazer. Eu só te peço pra tomar cuidado e continuar sendo resiliente, porque a vida costuma machucar a gente, e quando não é a vida, é alguém que machuca.”

Crônicas de Petersburgo
Fiódor Dostoiévski
Editora 34

Há muitas maneiras de ler este livro. Uma delas é reconhecer no texto que Dostoiévski redigiu na juventude para anunciar a revista de humor O Trocista (logo interditada pela censura) e nos folhetins publicados no jornal Notícias de São Petersburgo, em 1847, alguns traços de estilo ― a dicção veloz, a mescla de registros, a aguda análise psicológica ― que mais tarde se tornariam marcas inconfundíveis do autor de Crime e Castigo. Outra é simplesmente se deliciar com estas Crônicas de Petersburgo e se deixar levar pelas mãos do genial escritor, que apresenta ao leitor a sua cidade. Como diz Fátima Bianchi, professora da Universidade de São Paulo, que traduziu e apresenta este volume, Petersburgo aqui não é apenas o lugar da ação, mas sim a grande protagonista. Com um senso de observação fora do comum, o narrador destes folhetins ― talvez “o único flâneur nascido em solo petersburguense”, diz ele ― mergulha intensamente na alma da cidade e de seus moradores, no período que vai do final do inverno à chegada do verão. Em uma escrita ágil, que combina uma ironia afiada e um lirismo comovedor, Dostoiévski nos introduz a uma metrópole caótica, inconstante, repleta de construções incongruentes, uma verdadeira miscelânea, mas onde, “em compensação, tudo é vida e movimento”.

Os Segredos de Baker Street – Box com 3 Livros: Sherlock Holmes e os Irregulares de Baker Street
Arthur Conan Doyle
Tricaju

Holmes é chamado para solucionar o caso de um homem que foi encontrado morto, com uma expressão de terror, mas que não apresenta ferimentos, apenas manchas de sangue pelo corpo. Holmes é procurado por Mary Morstan para descobrir o que aconteceu com seu pai que morreu há dez anos. Começa uma investigação, e, acompanhado do Dr. Watson Holmes se depara com curiosas pistas. Sherlock Holmes é um detetive britânico enigmático e pedante do final do século XIX e início do século XX. Ele utiliza a metodologia científica e a lógica dedutiva para solucionar seus casos e conta com a ajuda de seu fiel amigo e parceiro Dr. Watson. Memórias de Sherlock Holmes é o último livro em que o doutor Watson narra os misteriosos casos solucionados pelo famoso detetive. O livro conta com onze histórias envolventes e enigmáticas em que vemos Holmes e Watson em ação.

Por Entre Janelas
Clarisse Scofield
Chiado Editora

Ninguém esperava aquilo para o ano de 2020. Quem imaginaria que aquelas duas famílias tão distintas teriam as vidas entrelaçadas pelo temido coronavírus? Ana acabou os anos de escola e precisa trabalhar para ajudar a família. Não demora muito e logo consegue uma vaga de emprego inusitada na casa de um velhinho. De forma repentina, inicia-se a quarentena e todos devem ficar dentro de suas casas. Uma família tão simples desmancha-se em dores e preocupações. Do outro lado da cidade, o idoso Osmar. Em meio a pandemia, ele dentro de sua enorme casa sozinho. Suas filhas e sua neta estão distantes. Ele precisa enfrentar a solidão, o silêncio e as saudades do passado. Nesse contexto tão dolorido, com realidades tão opostas, estão as vidas de Osmar e de Ana. Inicia-se a busca por respostas de uma jovem geração atormentada pela falta de sentido da própria vida e questiona-se o valor do matrimônio. As duas famílias enfrentam os desafios da convivência: as dificuldades da solidão, os problemas financeiros, o tédio, a melancolia, o desespero e o desencanto. Estariam as respostas na vida ordinária? Na renúncia de si mesmos? Nos sorrisos entre lágrimas? Viviam por entre janelas, por entre paredes, mas com o coração para o lado de fora, em busca de ressignificados.

A Origem da Espécie: O Roubo do Fogo e a Noção de Humanidade
Alberto Mussa
Record

Mitos pertencem, sobretudo, ao campo da etnologia. São ainda objeto da filosofia, da história das religiões, da sociologia, da psicologia, da psicanálise, de outros ramos do conhecimento. Que faz, então, um romancista, um contador de histórias como Alberto Mussa, no terreno do mito? Ele responde: “Mitos são, no fim das contas, apenas mais um gênero de narrativa; embora seja, para mim, o gênero por excelência ― o mais exuberante, o mais perfeito entre todos, por condensar o máximo de conteúdo com um mínimo de expressão.” A origem da espécie é um ensaio literário que reconstitui as personagens e o arcabouço da trama original do Mito do Roubo do Fogo ― um poderoso programa ideológico, um código dos valores fundamentais da humanidade primordial, que inclui: o alimento cozido; a caça como expressão da inteligência; o tabu do incesto; e o poder “xamânico”, segundo o qual “ser plenamente humano é não ser apenas humano”. Assim reconstituído e interpretado, o Mito do Roubo do Fogo ainda lança luz sobre a polêmica questão da origem da linguagem, provavelmente surgida em hominídeos mais antigos que o Homo sapiens. À semelhança de um filólogo que estuda e compara diversos manuscritos antigos e anônimos de um mesmo poema ou narrativa, Alberto Mussa escreve aqui, em sua obra mais radicalmente pessoal, o que pensa ― ou o que sente ― sobre o roubo do fogo, assim como sobre a compreensão da verdadeira noção de humanidade, concebida no paleolítico, ou a de sociedade, como existe hoje. Nas palavras do autor: “Mitos, na verdade, são mais velhos que línguas; são mais antigos que populações. Já passa da hora de dar voz a eles”.

O Cigano e Outras Histórias
D. H. Lawrence
José Olympio

Coletânea exclusiva de contos do autor de O Amante de Lady Chatterley. Nesta coletânea exclusiva, estão incluídos os seguintes contos: “As Filhas do Pastor”, “O Espinho na Carne”, “Um Estilhaço de Vitral”, “O Oficial Prussiano” e “O Cigano”. Este último, que dá título ao livro, surpreende pela lucidez do ponto de vista do autor, ainda na década de 1920. É por meio da história da jovem Yvette, filha do vigário, oprimida pela avó e pelas tias e pressionada pelo homem que quer lhe desposar, que Lawrence questiona o posicionamento da sociedade. Quando a moça sai de sua rotina e permite-se ter sentimentos por um misterioso cigano que cruzou seu caminho, suas crenças são colocadas em xeque e ela compreende ser protagonista de sua própria vida. O desejo permeia todas as histórias, aparecendo como importante direcionamento na vida dos personagens. Lawrence retrata o sexo como algo natural, parte da essência humana e que conecta o homem à natureza, tendo por isso sido considerado imoral pela sociedade da época. Sua obra, muito mais profunda do que a obscenidade à que foi reduzida então, traz ainda questionamentos de caráter social e o contraste da industrialização com a vida no campo e com as tradições. Mesmo tendo sido escrita no início do século XX, a obra de D. H. Lawrence permanece atual e instigante.

A Rainha dos Funerais
Sophie Kinsella, Madeleine Wickham
Record

Fleur Daxeny possui o talento de entrar de penetra em funerais à caça de milionários a quem pode conquistar, limpar a conta bancária e descartar. Mas, dessa vez, as coisas não saem exatamente como o planejado. “Você provavelmente já ouviu falar de Sophie Kinsella, um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea. Mais de 40 milhões de exemplares vendidos em 60 países consagraram Kinsella como a rainha absoluta do gênero em que escreve. O que você talvez não saiba é que essa trajetória brilhante começou um pouco antes de o pseudônimo Sophie Kinsella existir, quando a autora assinava suas obras com seu verdadeiro nome. Como Madeleine Wickham, a inglesa escreveu seis romances, entrando para a lista de mais vendidos logo na estreia, um sucesso imediato tanto de crítica quanto de público. A autora reafirma sua versatilidade e seu brilhantismo com narrativas completamente diferentes das que escreve como Sophie, mais ácidas, irreverentes, porém igualmente apaixonantes. Em A Rainha dos Funerais, ela explora a vida de Fleur Daxeny, uma mulher viciada em chapéus de grife, cartões de crédito ilimitados e homens ricos. Nem anjo nem demônio, a bela e sedutora heroína se esforça para sustentar seu estilo de vida. Que melhor local para garantir a próxima conquista do que num funeral? Afinal, um recém-viúvo está sempre precisando de um ombro amigo. Parecia o plano perfeito… exceto que seus interesses materiais entram em conflito com os do coração ao conhecer Richard Favour, um homem doce e amoroso, ainda tentando superar a morte da esposa. Fleur se flagra desejando ser mais que uma amiga para ele. O único problema é a conta bancária de Richard… Em A Rainha dos Funerais, com um texto envolvente e inebriante tendo como cenário a maluca década de 1990, Madeleine Wickham brinca com as nuances da psique humana de cada personagem e de suas idiossincrasias, e nos faz refletir sobre a maneira como nos relacionamos, o perpétuo idealismo em justaposição com a sólida realidade, sem jamais perder de vista que, por trás da montanha de desespero, a esperança sempre continua a brilhar.”Carina Rissi

Frida Kahlo e As Cores da Vida: Uma História de Arte, Amores e Revoluções
Caroline Bernard
Tordesilhas

México, 1925: Frida quer se tornar médica, mas um terrível acidente põe fim a seu sonho. Anos mais tarde, ela se apaixona pelo grande sedutor e pintor Diego Rivera e ao lado dele mergulha de vez no cobiçado mundo das artes. Sempre assombrada por problemas de saúde e sabendo que sua felicidade poderia ser passageira, Frida se entrega à vida e descobre como trilhar o próprio caminho. Com roupas de cores vibrantes e postura de divindade asteca, a artista cria uma aura particular e se torna uma das pintoras mais cultuadas de nossos tempos. Frida Kahlo e as cores da vida é um romance contundente sobre feminilidade, história, arte e liberdade a partir da trajetória de Frida Kahlo.

Positiva *
Camryn Garrett
Verus

Simone Garcia-Hampton está em uma nova escola, e desta vez as coisas vão ser diferentes. Ela está fazendo amigos de verdade, envolvida com a turma do teatro e interessada em Miles, o cara que a faz derreter só de olhar para ela. A última coisa que Simone quer é que saibam que ela tem HIV, porque da última vez… Bem, da última vez as coisas ficaram feias. Manter a carga viral sob controle é fácil, mas manter o diagnóstico em segredo não é tão simples assim. Quando Simone e Miles começam a namorar ― e os beijos tímidos se transformam em algo mais ―, as sensações vão muito além de um frio na barriga. Ela sabe que precisa abrir o jogo, mas tem medo de como ele vai reagir. Até encontrar um bilhete anônimo em seu armário: ou ela para de sair com Miles, ou a escola inteira vai saber que ela é HIV positiva. O primeiro instinto de Simone é proteger seu segredo a todo custo, mas, à medida que vai entendendo melhor as raízes do preconceito e do medo em sua comunidade, ela começa a se perguntar se a única maneira de superar tudo isso não seria enfrentar os inimigos de cabeça erguida… Poderoso e inspirador, Positiva vai agradar os fãs de Angie Thomas e Nicola Yoon.

Chão em Chamas
Juan Rulfo
José Olympio

“Aqui a gente fala, e as palavras ficam quentes dentro da boca por causa do calor que faz lá fora, e vão se ressecando na língua da gente até a gente ficar sem fôlego.” Assim iniciada a jornada de Chão em Chamas que guia o leitor através da árida paisagem do estado de Jalisco, oeste mexicano. Ambientados nesse lugar da primeira infância de Juan Rulfo, os escritos aqui reunidos transitam entre a crueza de um realismo e a fantasia própria da existência latino-americana. A construção deste livro foi por si só foi uma peregrinação. Os primeiros contos de Rulfo foram publicados nas revistas literárias Pan e América e, graças a sua qualidade, o autor logrou receber uma bolsa do Centro Mexicano de Escritores, quando escreveu mais sete histórias, e assim publicou a primeira versão de Chão em Chamas em 1953. Ainda não satisfeito, Rulfo impôs ao livro mais revisões, adições e cortes, tanto de trechos e como de contos, até que, em 1970, assumiu uma forma final – sendo esta a versão a considerada para a presente edição brasileira. Nas palavras do amigo e tradutor Eric Nepomuceno: “Juan Rulfo era um obcecado pelo corte, pelo polimento final, pelo secar de um texto até reduzi-lo à mais rigorosa exatidão.” Tanto zelo e precisão são tão trabalhados que quase passam despercebidos ao leitor. Os contos de Chão em Chamas são repletos de marcas de oralidade, de introspecção ao ambiente agreste e duro, mas mesmo assim, encantador de Jalisco. Considerado uma obra regionalista, a realidade mexicana pode fazer soar como a brasileira e reverbera a condição humana universal e ao mesmo tempo que os dramas particulares latino-americanos. A morte, o conflito de terras, o amor, a doença, a sexualidade, a miséria, a fé, a violência, a injustiça e a indignação, são alguns temas que os personagens de Rulfo, homens e mulheres brutos, inflamados ou melancólicos, conduzem o leitor e se misturam em meio de desertos e chuvas da imensa chapada. Chão em Chamas é o primeiro e único de livro de contos de Juan Rulfo, este escritor mexicano maior, referenciado por nomes como Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges e Susan Sontag. Obra aparentemente simples, porém, sem dúvida, profundamente desconcertante. Em sua unidade formal repousa uma grande diversidade de linguagens, registros e tons com os quais Rulfo aborda o problema de uma violência multifacetada – ora desencadeada, ora insidiosa –, a tal ponto naturalizada que não é mais reconhecida como tal.

Atlas Galactico Star Wars *
Tim Mcdonagh
Culturama

Este Atlas ricamente ilustrado traz histórias épicas, criaturas estranhas, planetas como Endor, Naboo e Tatooine e imagens incríveis de uma galáxia muito, muito distante. Com dezenas de mapas, gráficos, perfis de personagens e uma linha do tempo da saga inteira, este é o guia perfeito para qualquer explorador.

Calibre 22
Rubem Fonseca
Nova Fronteira

Em Calibre .22, Rubem Fonseca traz de volta um personagem marcante de sua trajetória literária, o detetive Mandrake, contratado para desvendar quem está por trás de uma série de assassinatos envolvendo o editor de uma famosa revista feminina. Além dessa, a coletânea reúne outras narrativas mais curtas, em que temas caros ao autor voltam à cena, entre eles a desigualdade social e suas consequências muitas vezes trágicas; a violência motivada por racismo, misoginia, homofobia e outros preconceitos; a crítica velada ou escancarada a dogmas religiosos; as atitudes imprevisíveis de mentes psicopatas. Tiros certeiros de um autor do mais alto calibre.

Box Os Bridgertons: 9 títulos da série + livro extra de crônicas + caderno de anotações
Julia Quinn
Editora Arqueiro

A série de livros que inspirou Bridgerton, o megasucesso da Netflix. Queridos e respeitados pela sociedade britânica, os membros da família Bridgerton se amam e se protegem. A série tem oito livros, cada um protagonizado por um dos irmãos, e um nono volume com segundos epílogos para os livros anteriores e um conto sobre Violet, a matriarca. Além dos 9 livros originais, este box inclui o livro Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown (192 páginas) com os divertidos contos O Primeiro Beijo e Trinta e Seis Cartões de Amor de Julia Quinn, que foram publicados nas coletâneas Lady Whistledown Contra-Ataca e Nada Escapa a Lady Whistledown + caderno de anotações.

Nunca Diga Não a um Duque
Madeline Hunter
Charme

Da autora best-seller do New York Times, Madeline Hunter, chega o fabuloso final da trilogia The Decadent Dukes Society, sobre três duques indomáveis e as mulheres fortes e atraentes que incendeiam seus desejos extravagantes. Uma mulher busca recuperar as terras que ela acredita terem sido injustamente retiradas de sua família pelo duque, que agora se recusa a devolvê-las. Uma clássica e engenhosa batalha de vontades se inicia, da forma como apenas Madeline Hunter sabe narrar. Ele é o último duque que resta… O único solteiro remanescente dos três autoproclamados duques decadentes. No entanto, as razões de Davina MacCallum para procurar o belo duque de Brentworth não têm nada a ver com casamento. Terras escocesas foram injustamente confiscadas de sua família pela Coroa e dadas à dele. Um homem razoável com vastas propriedades poderia certamente abrir mão de uma propriedade trivial, especialmente quando Davina pretende dar um bom uso a essas terras. No entanto, é tão difícil persuadir Brentworth quanto resistir a ele. A discrição e o controle de aço do duque de Brentworth o tornam um enigma até mesmo para seus melhores amigos. As mulheres, em especial, o consideram inescrutável e inacessível — mas também irresistivelmente magnético. Portanto, quando Davina MacCallum não mostra sinais de estar nem um pouco impressionada por ele, ele fica intrigado. Até que descobre que a missão dela em Londres envolve reivindicações contra sua propriedade. Logo os dois estão envolvidos em uma competição que não permite concessões. Quando o dever e o desejo entram em choque, os melhores planos estão prestes a sofrer uma guinada escandalosa — para o próprio âmago da paixão…

Herdeira em Seda Vermelha (Herdeiras do Duque Livro 2)
Madeline Hunter
Charme

Nesta série brilhante de Madeline Hunter, autora best-seller do New York Times, um misterioso legado traz uma vida totalmente nova ― e um amor totalmente novo ― a três mulheres desavisadas… Com um golpe inesperado de sorte, a vida de Rosamund Jameson se transforma. De lojista batalhadora, ela se torna uma herdeira ― e coproprietária de um novo negócio. Não apenas sua fortuna repentina permitirá que ela mude sua chapelaria para a moderna Londres, como Rosamund será capaz de proporcionar a sua irmã mais nova uma entrada adequada na sociedade. O único obstáculo para a engenhosa Rosamund é seu parceiro de negócios arrogante e irritantemente bonito… Kevin Radnor está chocado que seu falecido tio, o duque de Hollinburgh, deixou metade de sua empresa para uma estranha ― pior, uma beldade sedutora que só pode atrapalhar seu empreendimento. Mas Rosamund insiste em uma sociedade ativa e igualitária, então Kevin embarca em um plano: um jogo sedutor que levará a um casamento de conveniência, o que confere a Rosamund o status social de que ela precisa e garante a ele uma parceria de negócios com uma sócia silenciosa, como ele deseja. No entanto, quando esse cavalheiro carismático lança mão de seu habilidoso flerte, ele começa a se perguntar quem está seduzindo quem ― e se ele pode aprender a se doar, mente e corpo, sem perder o coração…

Diários: 1909-1923 *
Franz Kafka
Todavia

“Tudo que não é literatura me entedia e eu detesto”, anota Franz Kafka em certo dia de 1913. A essa altura, o advogado judeu era funcionário de um instituto de seguros trabalhistas e começava a receber uma modesta atenção como o autor da novela O Veredicto. Mas a glória nas letras seria póstuma e por obra de seu amigo Max Brod. E tudo para Kafka era metabolizado em literatura. A prova disso são estes Diários, um dos monumentos literários do século XX traduzido integralmente pela primeira vez no Brasil por Sergio Tellaroli. São páginas assombrosas. Constituem aquilo que o escritor argentino Ricardo Piglia qualificou como o “laboratório do escritor”: o espaço em que o autor de A Metamorfose experimentava e afiava a sua escrita em meio a comentários sobre sua época, suas leituras, suas decepções amorosas, rascunhos de cartas, relatos de sonhos, começos encantadores de obras literárias jamais concluídas, bem como diversas histórias acabadas. Datados de 1909 a 1923, os Diários abrem uma porta não apenas para o homem de carne e osso que foi Franz Kafka. Apresentam também o percurso através da mente brilhante e algo torturada de um artista sem rivais. Este volume, que segue as edições mais completas dos registros pessoais do autor, disponibiliza pela primeira vez uma reconstrução abrangente das entradas dos Diários e fornece novo conteúdo substancial, incluindo detalhes, nomes, obras literárias e passagens de natureza sexual que foram omitidas nas primeiras edições. Das caminhadas por Praga às idas ao teatro, da relação tempestuosa com sua herança religiosa à sua visão da Primeira Guerra ― passando pelas mulheres, a família, a doença e a vida literária. Cada página destes Diários oferece uma jornada pela luta pessoal de um homem em busca de si mesmo.

Atos Humanos
Han Kang
Todavia

Em maio de 1980, na cidade sul-coreana Gwangju, o exército reprimiu um levante estudantil, causando milhares de mortes. O evento de trágicas consequências foi transfigurado nesta ficção extraordinária, poética, violenta e repleta de humanidade. Construindo um mosaico de vozes e pontos de vista daqueles que foram afetados, Atos humanos é a demonstração dos poderosos recursos literários de Han Kang, uma das autoras mais importantes da cena contemporânea.

As Cartas Que Eu Não Mandei
Veronica Stivanim
Chiado Editora

A vida é uma experiência única e cada um absorve suas vivências de acordo com suas particularidades, e é sobre o que todos entendem, mas nem sempre explicam que esse livro fala. O que diria para si mesmo sobre a vida, o amor e o destino? O que diria para um amigo que compartilhou uma experiência? O que diria para os sentimentos, momentos, sensações? O que deixaria escrito para uma pessoa que não acredita ou para si mesmo e para as suas resistências? Uma criança encontra um baú de cartas numa casa abandonada. As cartas são direcionadas para pessoas, sentimentos e situações de uma vida inteira, mas não estão assinadas. São conselhos, sentimentos, vivências, aprendizados. As Cartas Que Eu Não Mandei é uma obra sobre situações e emoções humanas que certamente, fazem parte da jornada de todos nós nessa passagem pela vida. Se identifique com as cartas que não foram enviadas, mas estão prontas para serem lidas por você e tenha uma visão diferente sobre suas impressões e sentimentos, afinal, o que diria para si mesmo?

Realidade Inesperada
Kaylee Ryan
Allbook Editora

Da autora best-sellers do New York Times e do USA Today, Kaylee Ryan, um romance emocionante sobre um homem que de repente aprende a viver como pai solteiro. Espere o inesperado. É o que dizem, mas é mais fácil falar do que fazer. Como esperar uma mudança tão grande que afeta todo o seu mundo? Como se preparar para um acontecimento que transformará você para sempre? Uma respiração. Um segundo. Um minuto. Uma hora. Um dia por vez, e você aprende a viver com sua realidade inesperada.

A Rosa de Ninguém (Die Niemandsrose)
Paul Celan
Editora 34

A Rosa de Ninguém, publicado originalmente em 1963, é um dos principais livros de Paul Celan (1920-1970), escritor cuja vida e obra foram profundamente marcadas pela experiência da Shoah e que é hoje reconhecido como um dos poetas mais importantes de língua alemã. Mais divulgado entre nós através de antologias, aqui o leitor brasileiro terá a oportunidade de encontrar um livro inteiramente concebido pelo autor, com as sequências de poemas e reverberações entre eles formando um todo maior que as partes. Nesta edição bilíngue, testemunhamos a força de sua poesia de resistência e afirmação radical da vida, aqui belamente recriada na tradução de Mauricio Mendonça Cardozo.

A História do Senhor Sommer
Patrick Süskind
Editora 34

Ambientada no interior da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, esta novela de Patrick Süskind (autor do best-seller O Perfume), com ilustrações coloridas de Sempé (criador de O Pequeno Nicolau), acompanha com muito humor e delicadeza os anos de formação de um rapaz, marcados pelas aparições acidentais, e decisivas, de um enigmático andarilho, o senhor Sommer. Este, com mochila às costas e cajado em punho, anda por toda parte sem propósito aparente. Aos poucos, ao sabor dos encontros entre os dois, nas vilas, campos ou lagos da região, vai se revelando para o jovem algo do segredo de Sommer, ao mesmo tempo que vai descobrindo alguma coisa das maravilhas e agruras que a vida reserva para cada um de nós.

A Metade Perdida
Brit Bennett
Intrínseca

Novo livro de autora best-seller explora questões familiares e preconceito em narrativa sobre gêmeas idênticas que se encontram em lados opostos de uma sociedade racista. As irmãs Vignes são gêmeas idênticas. Quando, aos 16 anos, resolvem fugir de casa, elas não fazem ideia de como isso vai alterar suas trajetórias. Mais de uma década depois, uma delas volta para a cidade natal ― uma comunidade negra no sul dos Estados Unidos obcecada por novas gerações de pele cada vez mais clara ―, e o choque não poderia ser maior. Porque ela não apenas chega sem a irmã, mas com uma criança. Uma criança de pele muito escura. Para as gêmeas, a separação não significou apenas o rompimento de um laço sanguíneo. Elas se encontram em pontos muito distantes em uma sociedade racista: enquanto uma se casa com um homem negro e é obrigada a retornar ao lugar de onde escapou tantos anos antes, a outra é vista como branca, e o marido branco não faz ideia de seu passado. Ainda que separadas por milhares de quilômetros ― e incontáveis mentiras ―, o destino das duas permanece interligado. E o que acontecerá quando os caminhos de suas filhas acabarem se cruzando também? Ao reunir diversos núcleos e gerações de uma mesma família, do extremo sul dos Estados Unidos à Califórnia, entre os anos 1950 e 1990, Brit Bennett constrói uma história emocionante, que também analisa de forma brilhante conceitos como passabilidade e colorismo. A Metade Perdida trata de questões raciais, explora a influência duradoura do passado em nossas vidas ― seu poder de moldar decisões, desejos e expectativas ― e apresenta as razões pelas quais algumas pessoas se sentem compelidas a se afastar de suas origens.

Lua No Céu De Cabul
Nadia Hashimi
Arqueiro

Em uma narrativa emocionante, que mostra de maneira vívida o drama dos refugiados na Europa, Nadia Hashimi cria uma história épica sobre uma família que enfrenta as adversidades sem nunca recuar, buscando um lugar onde possam reconstruir suas vidas. Casada com um engenheiro completamente apaixonado por ela, Fereiba leva uma vida feliz em seu mundo de classe média, no Afeganistão. Porém, tudo isso implode quando o país é imerso na guerra e o Talibã assume o poder. Seu marido vira alvo do novo regime fundamentalista e é assassinado. Forçada a fugir de Cabul com os três filhos, Fereiba só tem uma esperança de sobreviver: atravessar a Europa até a casa da irmã, na Inglaterra. Contando com documentos falsos e a bondade de estranhos que conhece pelo caminho, ela tem que fazer a perigosa passagem para o Irã sob o véu da escuridão. Exaustos, eles conseguem chegar à Grécia, mas, numa reviravolta apavorante, seu filho adolescente, Salim, some. Será que Fereiba terá coragem de seguir viagem com a filha e o bebê e deixar o menino para trás, no mundo obscuro dos refugiados que vagam pelas ruas europeias?

Romance: História de uma Ideia
Julián Fuks
Companhia das Letras

O premiado autor de A Resistência faz uma revisão crítica da trajetória do gênero romance ao longo de seus supostos quatro séculos de existência. Para abarcar algo tão vago e tão vasto quanto a história de um gênero literário, Julián Fuks definiu como objeto deste livro ensaístico não o romance em si, mas a ideia abstrata de romance, tal como proposta por uma série de romancistas canônicos em ensaios, prefácios, cartas, biografias, testemunhos, entrevistas e em algumas passagens de suas ficções. Defoe, Prévost, Fielding, Goethe, Flaubert, Dostoiévski, Proust, Joyce, Woolf, Beckett, Macedonio Fernández, Cortázar, García Márquez, Vargas Llosa, Coetzee e Sebald são alguns dos nomes revisitados. A obra se estrutura numa sequência de ensaios que passam pela duvidosa ascensão do gênero, em um tempo exato e espaço restrito, pelo seu questionável apogeu, seguido da tão falada crise do romance, para, enfim, chegar nas marcas já perceptíveis de uma reascensão. Fuks não pretende aqui escrever a (impossível) história do romance, mas sim a fazer “o comentário possível sobre uma história que outros já tentaram contar algumas vezes”.

A Mulher na Janela
A. J. Finn
Editora Arqueiro

O livro que inspirou o filme homônimo da Netflix, com Amy Adams, Julianne Moore e Gary Oldman. Mais de um milhão de exemplares vendidos no mundo. Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… Espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Certa noite, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas aquilo aconteceu mesmo? O que é realidade? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. A Mulher na Janela é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

Todas as Suas Faces: Envolvente. Manipuladora. Vulnerável. Por Qual Delas Ele Vai Se Apaixonar?
Valentina k. Michael
Astral Cultural

Luke estava acostumado a ser desejado por todas as mulheres e não se interessar por nenhuma delas. Até que uma desconhecida aparece em um bar e chama a sua atenção. A atração dos dois é arrebatadora, assim como a noite que tiveram. Ele só não imaginava que, no dia seguinte, encontraria a mesma mulher ― mas, desta vez, na casa de seu pai, sendo apresentada como Lua, a futura esposa dele. Lua é uma mulher forte e envolvente, com um único objetivo: resgatar seu irmão das garras do pai, que está preso, mas que ainda comanda os capangas de dentro da cadeia por dinheiro. A vítima da vez é o milionário Luke. Para atingi-lo, o pai de Lua pretende usá-la como isca. O que ela nem Luke esperavam é que de uma vingança de ambos os lados e de uma rede de mentiras e falsas personalidades nasceria uma paixão.

A Polícia da Memória *
Yoko Ogawa
Estação Liberdade

A Polícia da Memória, finalista do International Booker Prize 2020 e do National Book Awards 2019, foi traduzido em diversos idiomas e, mais uma vez, marca o talento da escritora contemporânea Yoko Ogawa. Neste romance que chega agora ao Brasil, pela Estação Liberdade, em prosa ao mesmo tempo insólita e sensível, o leitor é conduzido ao mundo das memórias perdidas. Uma ilha é vigiada pela “polícia secreta”, que busca e elimina vestígios de lembranças. Objetos, espécies e até famílias inteiras somem sem deixar traços, sem que as pessoas sequer se atentem, ou percebam os desaparecimentos, pois as recordações furtivamente também já se foram. Na trama, uma escritora tenta manter intactos resquícios de histórias, de algo que possa permanecer. Não é fácil, já que tudo ao redor desaparece, e ela não pode contar sequer com a própria memória. O leitor é convidado, instintivamente, a acessar o seu próprio arcabouço de lembranças e percorre uma jornada de recordações que também gostaria de preservar. Algo que tem se tornado familiar na atualidade, e a todos que têm criado um novo mundo, já que o anterior, pré-pandemia, não mais existe, e nunca será como antes. Acessar as memórias é acessar, também, o que criamos e o que se mistura ao real. E ler A Polícia da Memória é embarcar no mais profundo do ser. Há uma pergunta que circunda toda a narrativa: se pudesse, o que você preservaria intacto, e não perderia da memória?

Fogo Morto
José Lins Rego
Global Editora

Lançado em 1943, Fogo Morto é considerado por muitos críticos a obra-prima de José Lins do Rego. O livro encerra o que se convencionou denominar, dentro da obra do escritor paraibano, o “ciclo da cana-de-açúcar”, série iniciada pelo romance Menino de Engenho, de 1932. A obra é dividida em três partes, cada uma delas dedicada a um personagem específico. Na primeira parte do livro, conhece-se as agruras de José Amaro, mestre seleiro que habita as terras pertencentes ao seu Lula, protagonista da parte seguinte da obra e homem que se revela autoritário no comando do Engenho Santa Fé. O terceiro e último segmento de Fogo Morto centra-se na trajetória de Vitorino Carneiro da Cunha, que vive em situação econômica complicada, perambulando a cavalo sempre pronto a lutar com suas forças contra injustiças à sua volta. A edição de Fogo Morto ora publicada pela Global traz dois textos – um de Mário de Andrade e outro de Gilberto Freyre – publicados pouco tempo depois do lançamento da obra-prima de José Lins do Rego. As análises destacam a posição de destaque que o livro adquiria na história da literatura brasileira.

Grandes Obras de Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski
Nova Fronteira

Fiódor Dostoiévski é um dos maiores romancistas da história e escreveu algumas das obras mais influentes do século XIX. Neste box, estão reunidos três livros essenciais de sua prolífica e formidável carreira. Notas do Subsolo, que abre caminho para a fase de maturidade do escritor, traz o relato de um anti-herói que, diante das utopias do mundo, reflete sobre a própria liberdade. Já Crime e Castigo narra a história de um jovem que comete um assassinato por uma recompensa ridícula e acaba vivendo atormentado por sua consciência. Fechando a tríade, a obra máxima de Dostoiévski: Os Irmãos Karamázov. O romance parte da história de um assassinato em família para traçar um retrato contundente da Rússia do século XIX, além de levar aos leitores um mosaico dos dramas universais. Três histórias fascinantes e atemporais que são um passeio e tanto pelo melhor da literatura russa.

Clássicas do Pensamento Social: Mulheres e Feminismos no Século XIX
Verônica Toste Daflon, Bila Sorj
Rosa dos Tempos

Clássicas do Pensamento Social é uma coletânea de textos de oito pensadoras, de diferentes localidades, entre os séculos XIX e XX, que obtiveram nenhuma ou pouca circulação no Brasil. Clássicas do Pensamento Social responde, em primeiro lugar, a uma necessidade histórica: recuperar para o cânone das ciências sociais as ideias, a visão crítica e as elaborações teóricas de mulheres que não entraram para a história do pensamento social, cuja bibliografia, como acontece em tantas outras áreas de saber, é formada apenas por homens. Em provocação (e certa ironia), as organizadoras Verônica Toste Daflon e Bila Sorj tecem comentários e, ao mesmo tempo, questionam o que define um “clássico”, retirando da marginalidade mulheres cientistas sociais ainda hoje muito relevantes. As autoras aqui retomadas – Harriet Martineau, Anna Julia Cooper, Pandita Ramabai Sarasvati, Charlotte Perkins Gilman, Olive Schreiner, Alexandra Kollontai, Ercília Nogueira Cobra e Alfonsina Storni – viveram entre o final do século XIX e o início do século XX. São herdeiras dos ideais das mulheres que estiveram na revolução francesa lutando por cidadania e que foram precursoras das sufragistas, que conquistaram o direito ao voto. Clássicas do Pensamento Social exerce com maestria uma espécie de arqueologia epistêmica dessas mulheres que, mesmo atuando na periferia do saber, conseguiram enfrentar os imensos obstáculos de seu tempo, mas ficaram à margem.

Cartas a Cristina: Reflexões Sobre Minha Vida e Minha Práxis
Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire
Paz & Terra

Em Cartas a Cristina, Paulo Freire volta-se para o mais profundo de seu ser com a intenção de analisar crítica e filosoficamente sua própria vida, suas ações, seus sentimentos, suas frustrações e tristezas. Quando Paulo Freire vivia no exílio, em Genebra, recebeu cartas de uma sobrinha pedindo que lhe contasse como tinha se tornado um educador famoso. Ela, Cristina, começava os estudos universitários e lendo os livros de Freire queria unir o tio amoroso de sua infância com o arguto filósofo que lutava contra as relações opressoras que caracterizavam as sociedades. O tio lhe prometera algumas cartas, que, na realidade, diante da vida atribulada de viagens e trabalhos no Conselho Mundial das Igrejas, jamais foram escritas. Somente mais de uma década depois, após 1988, já vivendo no Brasil, a promessa nunca esquecida começou a tomar corpo em um livro, este livro, que alcançaria não somente a sobrinha, mas todos os leitores interessados nos seus afetos e realizações. Publicado originalmente em 1994, Cartas a Cristina reúne dezoito cartas de Paulo Freire à sua sobrinha e uma correspondência dela ao tio. Recapitula a experiência de vida e de prática transformadora como educador. Com seu texto prazerosamente próximo ao leitor, Freire construiu um livro de memória e de análise de sua trajetória como homem e pensador no mundo. A edição foi organizada e anotada por Ana Maria Araújo Freire. O prefácio é de Adriano S. Nogueira. “Se, porém, você que me lê agora, me perguntar se tenho receita para a solução, lhe direi que não a tenho, que ninguém a tem. Uma coisa, contudo, eu sei e digo porque a história nos tem ensinado, a história dos outros e a nossa, que o caminho não é o do fechamento antidemocrático, dos regimes de exceção, de governos sectários, intolerantes e messiânicos, de direita ou de esquerda. O caminho é o da luta democrática pelo sonho possível de uma sociedade mais justa, mais humana, mais decente, mais bonita, por tudo isso.”

Três Irmãs e um Recomeço
Susan Mallery
Harlequin Books

Elas são tão diferentes quanto poderiam ser, mas o que têm em comum não pode ser quebrado. Finola, uma famosa apresentadora de um programa matutino de TV, vê seu mundo desabar quando descobre minutos antes de entrevistar uma estrela pop que a jovem em questão é amante do seu marido… Zennie nem estava tão a fim do cara com quem vinha saindo, mas, depois que ele termina o relacionamento, ela decide parar de insistir em encontros sem sentido. Livre, leve e solta, quando sua melhor amiga pede para Zennie ser sua barriga solidária, ela pensa: por que não? A caçula Ali nunca foi a mais alta, a mais bonita ou a mais bem-sucedida, mas pelo menos tem o que mais importa: um noivo que a ama como ela é. Ou pelo menos tinha, até ele resolver cancelar o casamento, mandando o recado pelo irmão mais novo e carrancudo dele. Lado a lado, mas nem sempre na mesma página, as três irmãs deixam suas vidas antigas para criar novas. Só que a jornada não vai ser tão fácil quanto imaginam, e elas vão precisar olhar para dentro si mesmas para avançar, correndo o risco de não gostarem do que veem. Uma história calorosa sobre irmandade, amor e amizade sob o sol radiante da Califórnia.

O Caderno Rosa de Lori Lamby
Hilda Hilst
Companhia das Letras

Polêmico, subversivo e implacável da primeira à última página, este livro deu início à fase obscena da autora de Júbilo, memória, noviciado da paixão. Aos sessenta anos de idade, quatro décadas depois de estrear como poeta e inconformada com a tímida recepção de sua obra, Hilda Hilst tomou uma atitude radical. Em 1990, com O Caderno Rosa de Lori Lamby, resolveu se despedir da “literatura séria” e se dedicar a escrever “adoráveis bandalheiras”. A narradora, Lori, é uma menina de oito anos que decide se prostituir, com o consentimento dos pais, e registrar tudo ― tudo mesmo ― em seu diário. Com humor ácido e autoconsciência brutal, ela relata os desenlaces da sedução e o prazer que o dinheiro lhe traz. Não à toa, a premissa escandalosa rendeu as mais diversas e enfáticas interpretações dos críticos e continua despertando a ávida curiosidade dos leitores. No posfácio a esta edição, a psicanalista Vera Iaconelli destaca como Hilda Hilst, ao questionar nossas certezas e ultrapassar o limite da razão, escreveu uma obra que impressiona pela ousadia e atualidade.

O Último Trem Para Londres *
Meg Waite Clayton
HarperCollins

Para Stephan Neuman ― um adolescente de 15 anos que faz parte de uma família judia rica e influente e que sonha em se tornar dramaturgo ―, os nazistas não passam de valentões chatos e irritantes. Sua melhor amiga é a brilhante Žofie-Helene, uma menina cristã e filha da editora de um jornal antinazista. Entretanto, a inocência sem preocupações deles é abalada quando os nazistas chegam ao poder. Há uma esperança, porém. Truus Wijsmuller, que participa da resistência, arrisca sua vida levando crianças judias para fora do território nazista, transportando-as para outros países. É uma missão que se torna ainda mais perigosa depois que a anexação da Áustria pela Alemanha é declarada e à medida que nações começam a fechar suas fronteiras para o crescente número de refugiados desesperados para escapar. Truus está determinada a salvar quantas crianças puder. Quando o Reino Unido aprova uma medida para aceitar refugiados que correm risco de vida no Reich, ela se atreve a se aproximar de Adolf Eichmann, o homem que mais tarde ajudaria a desenvolver a “solução final” para a questão judaica. Logo, Truus se encontra em uma corrida contra o tempo para resgatar Stephan, Žofie-Helene e diversos outros jovens em uma perigosa jornada rumo à Inglaterra.

Nada Vai Acontecer Com Você
Simone Campos
Companhia das Letras

Ao se dar conta do sumiço da irmã, Lucinda não vai medir esforços para descobrir seu paradeiro. Mas, nessa busca atribulada, ela vai encontrar muito mais do que estava procurando. Um suspense de tirar o fôlego sobre intimidade, segredos, violência e falsas aparências. É uma sexta-feira como outra qualquer. Até o instante em que Lucinda recebe uma mensagem misteriosa perguntando se sabe onde está Viviana, sua irmã. Deve ser alarme falso, pensa. Contudo, o insistente silêncio da caçula desperta um pressentimento, e pouco a pouco a preocupação se revela legítima. Lucinda dá início a uma desesperada busca por pistas. Quando ela mergulha na intimidade da irmã, descobre muito mais do que poderia supor. Neste romance eletrizante, Simone Campos nos apresenta a duas personagens que, durante toda a vida, dividiram a mesma casa, o mesmo gosto musical, o mesmo humor e até certa inadequação social. Em algum momento, no entanto, a cumplicidade foi deixada de lado e suas vidas seguiram rumos diferentes. Nada Vai Acontecer Com Você é um suspense psicológico sobre como um segredo é capaz de transformar a relação entre duas irmãs.

O Último Gozo do Mundo
Bernardo Carvalho
Companhia das Letras

A história de uma professora de sociologia que vê seu casamento desmoronar pouco antes do início de uma pandemia global. Uma distopia com ares de fábula e manifesto. As distâncias e os pontos de contato entre o pessoal e o coletivo, entre a narrativa individual e a histórica, ocupam o centro de O Último Gozo do Mundo, décimo terceiro livro de Bernardo Carvalho publicado pela Companhia das Letras. Presa de um tempo em que “a leitura do mundo tornou-se descontínua e episódica”, a protagonista desta novela parte, com o filho pequeno, numa jornada para um retiro no interior profundo do Brasil. Lá, mora um homem que passa a prever o futuro depois de ter sobrevivido ao vírus ameaçador. Entre lembranças obliteradas, encontros e desencontros e vidas até então previsíveis modificadas radicalmente, um rastro de perplexidade e de perguntas sem respostas vai sendo deixado para trás, em uma narrativa enigmática, eletrizante e que se torna mais e mais perturbadora. Podemos distinguir as causas dos efeitos? Como damos sentido a uma narrativa? O que restou de humanidade num Brasil dominado pela morte? Podemos ter um projeto comum de futuro sem um relato coerente do passado?

Assassinato Como Obra de Arte Total *
Guillaume Apollinaire, Thomas Penson De Quincey, José Fernández Bremón, Robert Desnos, Alcebiades Diniz Miguel
Perspectiva

Crimes de assassinato causam horror e aguçam a curiosidade. Por quê? Como? Aonde? Quais circunstâncias? Quando juntamos num mesmo balaio nossos fantasmas confrontados com eventos reais, adicionando ainda uma boa prosa, inteligente e investigativa, já curtida pela passagem do tempo, que nos transporta a um passado não tão distante, mas bem diferente, chegamos a Assassinato Como Obra de Arte Total, em que reportagem, investigação e fatos terríveis se unem e transformam o horror e a perversidade em literatura de alta qualidade.

Ada ou Ardor: Crônica de Uma Família
Vladimir Nabokov
Alfaguara

Ada ou Ardor é um dos romances mais ambiciosos de Vladimir Nabokov. Com uma narrativa de fôlego, carregada de lirismo, o autor arquiteta uma história complexa e fluida, que nos leva através das lembranças de Van Veen em sua tentativa de reconstruir a história de amor que viveu com a prima, Ada. Ada ou Ardor reconta a duradoura relação de amor entre dois primos, Ada e Van, desde o primeiro encontro na Mansão de Ardis, em uma “América de sonho”, e ao longo de oitenta anos de arrebatamento, viagens através de continentes, separações e recomeços. Ao narrar essa história trágica e idílica, Nabokov reinventa a própria vida. Não estamos mais na Terra, mas na Antiterra, uma espécie de espelho distorcido de nossa realidade. No mundo nabokoviano, entre outras coisas, fala-se russo nos Estados Unidos, e os telefones são movidos a água, depois de o uso da eletricidade ter sido proibido. Nessa realidade recriada, Nabokov mescla uma série de referências e estilos para narrar uma história de amor interdita, emocional, que foge a todos os padrões convencionais.

Coração das Trevas
Joseph Conrad, Braziliano Braza (Ilustrações)
Darkside

Em meados da década de 1870, o rei Leopoldo XX da Bélgica passou a promover supostas expedições humanitárias e científicas para “civilizar os selvagens” que habitavam o Congo. No entanto, o monarca apenas explorava o país: escavava o ouro, abatia elefantes em busca do marfim, promovia caçadas esportivas e devastava a floresta nativa. A riqueza produzida seguia diretamente para os cofres pessoais do rei. Além disso, essa exploração era realizada por meio de crueldades com os habitantes nativos, que morriam de fome, de doenças e por excesso de trabalho, ou sofriam torturas, estupros e massacres perpetrados pelos europeus. No ano de 1890, quase no fim de sua carreira marítima, o polonês Joseph Conrad desceu o rio Congo como capitão de uma embarcação a vapor. A experiência viria a marcá-lo pelo resto da vida. Ao chegar no Congo, Conrad encontrou apenas o horror em suas diversas facetas, o horror praticado pelos agentes da civilização, o horror absoluto. Ele rompeu o contrato de três anos e retornou à Inglaterra depois de apenas seis meses. Anos depois, baseando-se na experiência, escreveu o romance Coração das Trevas, em que o capitão Marlow relata sua viagem pelo grande rio africano para o resgate de um gerente de posto de comércio chamado Kurtz. Mais que simplesmente um relato de viagem, Coração das Trevas é também “uma obra metafórica, simbólica, que durante todo o século gerou interpretações psicanalíticas, políticas, filosóficas, de estudos de gênero, culturais, pós-coloniais”, como afirma o tradutor Paulo Raviere na introdução do volume. Seu estilo vivaz, exuberante e revolucionário o transformou em um clássico moderno, um dos livros mais importantes do século XX. Além disso, Coração das Trevas foi também uma das primeiras denúncias do genocídio belga. Não por acaso, décadas depois o diretor Francis Ford Coppola se inspiraria nele para narrar as tragédias da Guerra do Vietnã (1955–1975), no filme Apocalypse Now (1979). A edição especial da DarkSide® Books é enriquecida pelas belas ilustrações de Braziliano Braza, e conta ainda com os Diários do Congo, nos quais Conrad se baseou para a escrita do romance, um ensaio de Virginia Woolf sobre o autor, e um posfácio do pesquisador Carlos da Silva Jr., no qual ele discorre sobre os resquícios coloniais que persistem ainda hoje. “Na África, na Europa ou nas Américas, a disputa pela memória continua viva, vibrante, e a nova edição de Coração das Trevas nos ajuda a lembrar desse episódio sangrento e cruel na história da humanidade”, afirma o pesquisador. Como todo clássico digno desse nome, Coração das Trevas é um daqueles livros que sempre projetam luzes sobre as sombras incessantes que nos espreitam.

Butcher Boy: Infância Sangrenta *
Patrick McCabe
Darkside

A infância é um período de descobertas, em que a imaginação corre solta. Em suas mentes, as crianças dão contornos de fantasia até mesmo aos aspectos mais monótonos e indigestos de sua realidade e, assim, transformam sua vida em aventura. Francis “Francie” Brady, o protagonista de Butcher Boy: Infância Sangrenta, tem essa imaginação poderosa que pode temperar a vida de uma criança, mas também algo a mais. Por trás de uma presumida fachada de inocência, se esconde um coração que pulsa com violência, revolta e indignação. Neste perturbador romance, o escritor irlandês Patrick McCabe nos oferece uma reflexão sobre o poder insidioso do ambiente na construção da ética infantil. Submetido à uma situação opressiva devido a sua classe social, sua condição familiar e sua religião, o jovem Francie prova que as crianças, definitivamente, não ficam imunes ao mundo no qual estão inseridas. Assim como clássicos sobre a maldade infantil, O Senhor das Moscas, de William Golding, Menina Má, de William March, e Fábrica de Vespas, de Iain Banks, Butcher Boy: Infância Sangrenta nos leva para um universo onde a crueldade e a sociopatia não são prerrogativas dos adultos. Butcher Boy: Infância Sangrenta é um retrato panorâmico na história desse menino que acabou trabalhando no açougue abatendo porcos. O que seriam traquinagens e peças pregadas por crianças levadas aumentam o tom da falta de empatia quando executadas por Francis Brady. Patrick McCabe entende a importância de dar voz aos excluídos, como o seu protagonista. Narrado em primeira pessoa pelo próprio Francie, o romance é um retrato panorâmico da vida, dos pensamentos e dos atos desse menino. Desprovido de empatia, mas não de humor, o fluxo de pensamentos de Francie guia o leitor pela Irlanda dos anos 1960, costurando passado e presente em uma trama que se constrói junto da personalidade do seu narrador. Adaptado para o cinema pelo cineasta Neil Jordan, o filme de 1998 recebeu no Brasil o título de Nó na Garganta. A edição DarkSide® Books traz também uma análise do contexto histórico do romance, assinada pelo pesquisador de literatura Luiz Gasparelli. Com poderosa reconstrução de época, aliadas a uma prosa que emula o sotaque do personagem, Butcher Boy é um livro pungente, sangrento, divertido e aterrador. Ele nos lembra que os sonhos de infância também podem ser pesadelos aterrorizantes. Como sabemos, os verdadeiros demônios moram dentro de nós.

Sabor Amargo *
James Hannaham
Darkside

Um homem sem as duas mãos dirige desesperado, tentando fugir de um lugar que não reconhece. Assim começa Sabor Amargo, aclamado romance de James Hannaham. A cada capítulo que passa saberemos mais sobre quem é esse homem, do que fugia e o que fazia nesse lugar que parece tão assustador. O leitor vai tendo acesso a uma história atravessada pela escravidão contemporânea, preconceito e dependência, que se costura enquanto um filho, Eddie, busca por sua mãe, Darlene. Ela teve sua vida transformada pela brutalidade do racismo, do abuso e do vício em drogas. Darlene tem uma relação tão profunda com o crack que a própria droga, chamada Scotty, narra alguns dos capítulos. Ao mesmo tempo, acompanhamos como Eddie tenta sobreviver e vai em busca da mãe. Cativa na fazenda misteriosa por seus empregadores ― e pelos próprios demônios ―, Darlene luta para retornar à companhia do filho adolescente nesse romance singular sobre liberdade, perseverança e sobrevivência. Por meio da sua apavorante luta e dos esforços de ambos para triunfarem sobre as pessoas que os escravizam, e da voz irreverente e maliciosa da droga que narra os descaminhos de Darlene, a prosa ousada e inventiva de Hannaham infunde graça e humor a essa experiência tenebrosa. O papel de James Hannaham em seu Sabor Amargo é justamente o de abrir os olhos das pessoas para o fato de que a escravidão não apenas existe, como está em toda parte. Em matéria para a iniciativa Free the Slaves, o autor afirma: “Combater a escravidão é importante para mim porque eu gostaria de viver a vida sabendo que não estou contribuindo para o abuso ou a tortura de outras pessoas”. Ele ainda assinala que a escravidão é um dos “problemas mais escondidos e, ainda assim, um dos mais predominantes do mundo atualmente”. Para ele, uma obra de ficção consegue proporcionar um envolvimento emocional que nem sempre os fatos alcançam. Sabor Amargo venceu o Pen/Faulkner Award e o Hurston/Wright Legacy Award, e foi considerado um dos romances do ano de 2015 pela Publisher’s Weekly. Ao longo do livro, experimentamos a força de uma narrativa ao mesmo tempo urgente e histórica, que enfrenta questões atemporais de amor e liberdade, perda e redenção, tenacidade e ânsia de sobrevivência.

Entrelaçadas
Kanae Minato (Autor), Jefferson José Teixeira (Tradutor)
Gutenberg

Rika, Miyuki e Satsuki estão entrelaçadas como em um bonito arranjo de flores – suas particularidades formam um mosaico de cores e detalhes diversos. Aos poucos, somos envolvidos por suas histórias e seus dramas, que enredam uma trama de mistérios herdada por gerações. Entrelaçadas conta a história dessas três mulheres. Uma narrativa fascinante que revela como o tempo e o silêncio podem encobrir segredos do passado. De forma magistral, Kanae Minato constrói delicadamente um paralelo entre personagens e flores, imergindo os leitores em um cenário envolvente ao oferecer um retrato emocionante e verdadeiro da realidade das mulheres e das famílias japonesas.

Cinco – Edição Especial Limitada
Lily White
The Gift Box

Esta não é uma história de amor comum… Todos os homens desejam Rainey, assim que a conhecem. Levando uma vida com sexo, drogas e joguinhos de manipulação, ela é uma tentação com muitos segredos. Quando o psicólogo Justin Redding foi designado para o seu caso, ele não fazia ideia da história de devassidão que encontraria. Em um caminho distorcido de amor, perdas e assassinato, Rainey guia Justin através dos eventos de sua vida. A morte a segue… Justin luta para descobrir os seus segredos… Mas ele descobrirá o que o misterioso número CINCO significa a tempo de resistir à última sedução de Rainey? Aviso: Este livro trata de assuntos sensíveis que podem ser perturbadores para alguns leitores.

Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no Século XXI
Jessica Bruder
Rocco

O livro que inspirou o filme dirigido por Chloé Zhao estrelado por Frances McDormand, vencedor do Oscar 2021 de melhor filme, melhor atriz em papel principal e melhor direção, também vencedor do Globo de Ouro nas categorias melhor filme de drama e melhor direção. Dos campos de beterraba da Dakota do Norte aos acampamentos da Floresta Nacional de San Bernardino, na Califórnia, empregadores descobriram uma nova força de trabalho educada, disposta e de baixo custo, composta em sua maioria por norte-americanos mais velhos e sem endereço fixo. Muitos deles estão afundados em dívidas, sem poder pagar um aluguel ou uma hipoteca, com uma aposentadoria que mal dá para o básico. Resultado da grande recessão econômica de 2008, essa parcela invisível da sociedade ganhou as estradas em RVs, trailers, ônibus e vans, formando uma crescente comunidade de nômades, que não aceitam o rótulo de “sem-teto”, são simplesmente “sem-casa”. Eles têm um lar e este está sobre quatro rodas, acompanhando-os para onde forem (geralmente o próximo trabalho mal remunerado, sem direitos trabalhistas e em condições duvidosas). Nesta reportagem sensível e impressionante, que expõe o fim do “sonho americano”, Jessica Bruder segue as rotas mais usadas dos que trabalham em empregos temporários e conhece gente de todo tipo: um ex-professor, um executivo do McDonald’s, um ministro de igreja, um policial aposentado e veteranos de guerra, entre muitos outros. Inclusive e principalmente sua irrepreensível protagonista / garçonete / caixa de loja de departamento / empreiteira / avó Linda May. Em um veículo de segunda mão que Bruder apelida de “Van Halen””, a jornalista pega a estrada para ver de perto e viver como vivem os objetos do seu estudo, transformados em personagens na película de Chloé Zhao, estrelada por Frances McDorman. No filme, McDorman interpreta protagonista, mas a miséria, a solidão e a injustiça social desconhecem os limites entre realidade e ficção, e o drama das telas não é diferente do que se encontra nestas páginas. Acompanhando Linda May e os demais em limpezas de banheiros, armazéns repletos de mercadorias e reuniões no deserto, Bruder nos conta uma história reveladora de um lado sombrio da economia estadunidense _ um lado que prevê o futuro precário que pode estar à espera de muitos de nós. Ao mesmo tempo, ela celebra a excepcional resiliência e criatividade desses cidadãos, que contribuíram para a economia ao longo da vida, e tiveram que abrir mão de suas raízes para sobreviver. No entanto, como Linda May, que sonha em encontrar a terra onde possa construir sua “Earthship” sustentável, eles não deixaram de ter esperança.”

Andrizy Bento

2 comentários em “Nas Prateleiras: Lançamentos de Livros – Maio (2021)”

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