Previsões Oscar 2021 – Vencedores

No domingo, 24 de abril, finalmente se encerra a temporada de premiações e conheceremos os vencedores do Oscar 2021. O prêmio, que se encontra em sua 93ª edição, realizará a entrega das estatuetas em uma cerimônia integralmente presencial no Dolby Theatre e na Union Station de Los Angeles, seguindo as normas e protocolos da  Organização Mundial da Saúde (OMS) de modo a assegurar a saúde dos participantes.

Abaixo, você confere nossas apostas para os vencedores do maior e mais importante prêmio da indústria cinematográfica:

Melhor Filme: Nomadland
Possibilidade: Os 7 de Chicago

Considerações: Nomadland praticamente gabaritou a temporada, acumulando tantos prêmios de Melhor Filme (Globo de Ouro, BAFTA, Critics Choice Award, diversos prêmios da crítica) que é até difícil imaginar outro título levando o Oscar. Porém, trata-se de um ano atípico e os votantes da Academia não puderam ver muitas coisas… Os 7 de Chicago levou o prêmio principal de Melhor Elenco no SAG, mas nem sempre o SAG é um termômetro efetivo (na maioria das vezes, não é). De qualquer forma, parece ser a alternativa mais segura a Nomadland para uma possível vitória. Espero que não. E do jeito que a Academia vem tentando surpreender nos últimos anos, quem sabe o prêmio não vá para algum longa totalmente inusitado, como Bela Vingança ou Minari? Nomadland saiu vitorioso no PGA (Prêmio do Sindicato dos Produtores da América) que costuma ser um indicativo mais certeiro de Oscar – apesar de ter premiado 1917 no ano passado…

Melhor Diretor: Chloe Zhao (Nomadland)
Possibilidade: Ninguém, não…

Considerações: A diretora de Nomadland também levou todos os prêmios possíveis na categoria de direção. As apostas são praticamente unânimes. Que venha o Oscar.

Melhor Atriz: Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)
Possibilidade: Carey Mulligan (Bela Vingança)

Considerações: Viola Davis pode parecer a favorita, mas apostar nessa categoria está mais complicado do que se imagina. De um lado, temos Mulligan, vencedora do Critics Choice; de outro, Frances McDormand, que ganhou o BAFTA por Nomadland, mas já tem dois Oscars no currículo por Fargo (1997) e por aquela coisa abjeta chamada Três Anúncios Para Um Crime (2018); ainda temos Andra Day correndo por fora com The United States vs. Billie Holiday e convém lembrar que a atriz levou o Globo de Ouro por essa performance. Viola venceu o SAG, não foi lembrada no BAFTA e conquistou alguns prêmios da crítica. Veremos no domingo.

Melhor Ator: Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)
Possibilidade: Anthony Hopkins (Meu Pai)

Considerações: Riz Ahmed também esteve brilhante em O Som do Silêncio, com um personagem repleto de nuanças e camadas, mas acho que apenas Anthony Hopkins representa uma ameaça muito pequena à vitória póstuma de Chadwick. Diria que Hopkins tem 10% de chances de ganhar do franco favorito. A Academia adora dar prêmios póstumos (boceja). Pessoalmente, acho que Chadwick está bem em A Voz Suprema… mas um pouco acima do tom, muito por conta da dificuldade da direção em distanciar o longa de sua origem teatral. A atuação de Hopkins me comoveu como poucas em anos. Mas ok. Prêmio do Chadwick. Um merecido tributo pelo seu legado, praticamente um Oscar pelo conjunto da obra. Saudade…

Melhor Atriz Coadjuvante: Yuh-Jung Youn (Minari)
Possibilidade: Nope.

Considerações: Desculpa, Glenn Close, mas não é dessa vez. Interessante que Close foi indicada, ao mesmo tempo, a Melhor Atriz no Oscar por Era Uma Vez um Sonho e Pior Atriz no Framboesa de Ouro pelo mesmo filme. A veterana Yuh-Jung Youn venceu o SAG, BAFTA (onde aproveitou para alfinetar os britânicos) e diversos prêmios dos críticos.

Melhor Ator Coadjuvante: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
Possibilidade: Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago)

Considerações: Cohen é, de longe, dos aspectos mais positivos do longa de Sorkin, mas Kaluuya gabaritou a temporada. Globo de Ouro, SAG, BAFTA, Critic’s Choice Awards… Agora só falta o Oscar.

Melhor Roteiro Adaptado: Nomadland
Possibilidade: Meu Pai

Considerações: Um toma como base um livro, o outro tem sua origem nos palcos. Nomadland, no entanto, usa o livro mais como ponto de partida, não se restringindo a ser uma transposição do texto literário para as telas. Muito do que ocorre no longa tratou-se de improviso, tendo boa parte de seu texto sido escrita na estrada, enquanto era rodado, valendo-se de situações que aconteciam em tempo real. Mas não há como descartar o fator surpresa: vai que Borat 2 ganha? É uma alternativa a se considerar.

Melhor Roteiro Original: Bela Vingança
Possibilidade: Os 7 de Chicago

Considerações: Apesar de gostar do filme por razões explicitadas na minha review, não acho que Bela Vingança tem um grande roteiro a ponto de ser premiado, mas como eu também mencionei na resenha, ninguém pode acusá-lo de falta de originalidade. Minha escolha pessoal ainda seria O Som do Silêncio, mas ok. Eu nunca vou entender filmes baseados em fatos nessa categoria, como é o caso de Os 7. Para mim, eles são adaptados de uma situação real.

Melhor Animação: Soul
Possibilidade: Wolfwalkers

Considerações: Dels, que preguiça eu tenho de animações! Pra variar, não assisti a nenhuma. Nem mesmo a da Pixar (cujas produções eu costumo simpatizar). Soul não tem um rival de peso este ano e deve garantir mais uma estatueta para a coleção da Disney/Pixar.

Melhor Filme Internacional: Druk (Another Round)
Possibilidade: Quo Vadis, Aida?

Considerações: O elogiado Druk – Mais Uma Rodada é ameaçado de leve – bem de leve – pelo bósnio Quo Vadis, Aida. Mas o longa dinamarquês do ótimo Thomas Vinterberg é apontado como favorito para vencer o Oscar. Druk saiu vitorioso no BAFTA e no César (considerado o Oscar francês), além de ter arrematado outros prêmios da crítica. O filme é ótimo e vale a pena ser visto. Particularmente, espero que saia vitorioso nessa categoria.

Melhor Documentário: Professor Polvo
Possibilidade: Time / Crip Camp

Considerações: Para o bem ou para o mal, muito tem se falado de Professor Polvo da Netflix que documenta a improvável amizade entre um cineasta e um polvo em uma floresta de algas na África do Sul. Trata-se de um assunto leve, tendo em vista os documentários de cunho social e político que venceram em edições pregressas do Oscar. Venceu o BAFTA e o PGA. Crip Camp: Revolução Pela Inclusão venceu recentemente o Independent Spirit Awards, no que foi considerada uma das grandes surpresas da premiação, mas creio que Time teria mais possibilidades (ainda que ínfimas) de derrubar o Professor Polvo.

Cinematografia: Nomadland
Possibilidade: Mank

Considerações: O diretor de fotografia, Joshua James Richards, fez um belíssimo trabalho em Nomadland, conferindo uma aura documental ao longa, captando a beleza majestosa das paisagens que serviram de cenário ao filme de Zhao e compondo frames intimistas verdadeiramente tocantes. Fotografia premiada com o BAFTA, Critics Choice Award, Spirit Awards e o American Society of Cinematographers. Eu apontei os problemas da fotografia de Mank que acabam me tirando um pouco da imersão que David Fincher pretendia com seu longa. É uma fotografia bonita, sim. Mas o intuito era emular a de Cidadão Kane e o trabalho ficou pela metade. Mas como a Academia ou não se importa com isso, ou não presta atenção, é possível que tenha chances de derrotar Nomadland.

Montagem: O Som do Silêncio
Possibilidade: Os 7 de Chicago

Considerações: A montagem de Alan Baumgarten salva Os 7 de Chicago diante da direção deficiente de Sorkin, a falha construção espaço-temporal e o excesso de idas e vindas na narrativa. O bastante para ser premiada? A edição de O Som do Silêncio, a cargo de Mikkel E.G. Nielsen, premiada com o BAFTA e o Critics Choice Award (onde empatou com Os 7 de Chicago) é a minha aposta, mas estou pronta para errar nesta.

Design de Produção: Mank
Possibilidade: A Voz Suprema do Blues

Considerações: A reconstituição de época de Mank é perfeita e este deve ser o único prêmio concedido ao longa de Fincher. A Voz Suprema também é ótimo nesse quesito, mas creio que não o suficiente para derrotar o favorito.

Figurino: A Voz Suprema do Blues
Possibilidade: Emma

Considerações: Ann Roth venceu o BAFTA, o Critics Choice e vários prêmios da crítica nessa mesma categoria. Alexandra Byrne fez um trabalho excepcional nesse quesito em Emma, mas dificilmente tira o Oscar de Roth

Maquiagem: A Voz Suprema do Blues
Possibilidade: Hillbilly Elegy

Considerações: Particularmente, achei a maquiagem de A Voz Suprema exagerada demais. Especialmente a de Viola. Sei que faz sentido em relação à proposta da narrativa e à composição da própria personagem, também tenho conhecimento de que a maquiagem está bem condizente com o período que o longa retrata, mas achei incômoda. De qualquer forma, acho muito improvável algum dos outros indicados derrotar A Voz Suprema nessa categoria, como Hillbilly Elegy ou Mank.

Mixagem de Som: O Som do Silêncio
Possibilidade: Soul?

Considerações: A categoria perfeita para o longa de Darius Marder levar. O som é um dos artigos de luxo do filme e não é o único

Trilha Sonora: Soul
Possibilidade: Mank

Considerações: Trent Reznor e Atticus Ross sairiam vencedores em qualquer das duas alternativas. Em Soul, eles ainda contam com a parceria de Jon Batiste. São duas partituras poderosas, mas Soul deve levar até porque dizem se tratar de um elemento fundamental na narrativa.

Canção Original: Speak Now (Uma Noite em Miami)
Possibilidade: Husavik Eurovision (Song Contest)

Considerações: Belíssima canção de Uma Noite em Miami, composta por Leslie Odom Jr. e Sam Ashworth performada pelo primeiro, é a aposta para vencer na categoria.

Efeitos Visuais: Tenet
Possibilidade: The Midnight Sky

Considerações: O único prêmio que Tenet vai levar das duas únicas categorias às quais foi indicado. Vamos ver se depois dessa, Christopher Nolan deixa de ser tão pretensioso. Seu longa prometia. Até disseram que iria salvar os cinemas (ou as salas de cinema), ainda mais em um período de pandemia, mas acabou figurando como uma imensa decepção. De qualquer forma, pelo menos os efeitos visuais devem ser premiados. E assim espero. Midnight Sky tem um VFX respeitável, mas o filme de George Clooney é tão ruim que eu espero que passe em branco.

Curta-Metragem: Two Distant Strangers
Possibilidade: The Letter Room

Considerações: Não assisti aos curtas indicados, então minha aposta na categoria é apenas protocolar.

Curta de Animação: Se Algo Acontecer… Te amo
Possibilidade: Burrow

Considerações: Essa pequena animação da Netflix é capaz de provocar grandes reflexões e emoções. Lindíssima e tocante, consegue abordar com poucas imagens, em curta duração e sem falas um problema tristemente recorrente nos Estados Unidos. O curta foca no luto de um casal pela sua filha, morta em um tiroteio na escola.

Documentário em Curta-Metragem: A Love Song for Latasha
Possibilidade: A Concerto Is a Conversation

Considerações: Como no caso da categoria de curtas, também protocolar.

A gente se vê amanhã 😉 boa festa!

Andrizy Bento

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