Meu Pai

Nos planos iniciais de Meu Pai, acompanhamos Anne (Olivia Colman) caminhando apressada pelas ruas, adentrando um edifício e subindo as escadas correndo, embalada por uma música catártica. Ao entrar no apartamento do pai (Anthony Hopkins) e chamar diversas vezes por ele, enfim o encontra, sentado em uma poltrona. A música passa de som não diegético para diegético, escapando pelos fones de ouvido de Anthony (sim, personagem e ator partilham do mesmo nome). E esse é só um dos exemplos de brilhantes transições com os quais nos deparamos ao longo do filme. O recurso é simbólico, pois ilustra perfeitamente a proposta do longa assinado por Florian Zeller – que chega hoje, 8 de abril, às plataformas digitais  – uma vez que nós, espectadores, nos vemos por diversas vezes tão confusos quanto Anthony ao tentar compreender o que faz parte ou não de sua realidade.

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