[O Que Rolou] Bienal de Quadrinhos de Curitiba Online

Entre os dias 20 e 23 de agosto, outro evento realizado de maneira totalmente virtual foi a Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Para quem acompanha o site, sabe que nós somos verdadeiros entusiastas da Bienal, sempre marcando presença nas edições físicas do evento que prestigia a cena local, nacional e mundial de quadrinhos. Infelizmente, por conta do momento pandêmico e de distanciamento e isolamento social que atravessamos, a Bienal aconteceu de forma online e, mesmo diante da impossibilidade de trocar figurinhas ao vivo e a cores com outros quadrinhófilos, conferir nossos artistas favoritos de perto, assistir às performances de cosplayers, visitar e fotografar as exposições, adquirir novos exemplares e, de quebra, aproveitar para conhecer novos talentos nos stands, deu para matar um pouquinho da vontade de Bienal de Quadrinhos assistindo às mesas e painéis com grandes nomes dos quadrinhos. Deu aquele aperto no peito, a princípio, especialmente por se tratar de uma edição cujo tema é quadrinhos e música, duas das artes mais celebradas por aqui. Mas os realizadores do evento garantiram que essa edição online se tratou apenas de um aperitivo para a edição física do evento programada para o ano que vem. Sim, 2021 promete uma Bienal de Quadrinhos presencial com o tema Quadrinhos e Música!

Neste ano, contudo, o maior evento de HQs do sul do Brasil promoveu palestras, debates, oficinas, exposições virtuais e conversas musicadas nos canais da Bienal na internet e em seu site oficial durante manhã, tarde e noite. A Bienal também prestou um tributo ao cartunista Rodrigo Belato, falecido em junho deste ano. A exposição Punk Afonso, contando com 21 releituras de seu principal personagem, foi organizada pela Gibiteca de Curitiba e está em cartaz no site do evento.

A Bienal contou com o incentivo da Copel e foi realizada com o apoio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE) – Secretaria de Comunicação Social e da Cultura – Governo do Paraná. Preservando uma das tradições mais notáveis da Bienal de acessibilidade e promoção da democratização da cultura, todas as atividades foram gratuitas.

Para quem ainda não pode assistir a todo o conteúdo da Bienal Online, os painéis estão disponíveis nas redes sociais oficiais do evento, sendo possível conferi-los no Youtube e Facebook. E, aproveitando que estamos falando de mídias sociais, aproveitem para seguir o perfil da Bienal no Instagram.

A vinheta de abertura ficou lindíssima:

O homenageado da edição que celebrou os diálogos possíveis e impossíveis entre as duas formas de expressão, quadrinhos e música, foi Luiz Gê. O paulistano iniciou sua carreira nos anos 1970, quando cursava arquitetura, ao criar um título imprescindível para a cena underground de quadrinhos brasileira, a revista Balão. Ao longo das décadas, o quadrinista foi colaborador de diversos veículos de renome nacional, como O Pasquim, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Isto É e Placar, sempre cultivando sua essência e mantendo a verve experimental. Luiz Gê se destaca como um dos artistas que mais explorou as conexões entre a música e os quadrinhos, compondo trabalhos fundamentais nesse sentido. Ao lado de seu parceiro de criações, o músico Arrigo Barnabé, elevou o diálogo entre as artes a um novo patamar. O disco Clara Crocodilo de 1980 experimenta a intersecção da música com outras mídias e tem a capa produzida por Gê. Outra de suas colaborações, a célebre Tubarões Voadores trata-se de uma HQ que virou obra musical. Em um bate-papo delicioso mediado por Guilherme Caldas, Gê e Arrigo fizeram um balanço de suas carreiras e discutiram seu legado. E como todos os painéis online da Bienal, esse contou com a tradução em libras, dando foco para uma das características essenciais do evento: a inclusão e acessibilidade.

O painel Humor, Jazz e Censura reuniu em uma só tela figuras lendárias: os cartunistas Adão Iturrusgarai e Benett, mestres em desafiar a censura; e o desenhista do Pasquim, músico, humorista e estrela do extinto Casseta e Planeta, Reinaldo Figueiredo em um debate contundente com mediação de Maria Clara Carneiro sobre as semelhanças entre o período de censura de outrora e o período de censura atual. Eles ainda reservaram espaço para discutir o papel do humor, o cenário político e destilar toda a sua ironia, bem como seu amor por jazz e quadrinhos.

Outra atração de destaque do evento, sem dúvidas, foi o painel que trouxe o artista multifacetado André Abujamra (músico, compositor, ator, cineasta, dentre outras funções) e o quadrinista Luciano Lagares em uma Conversa Musicada moderada por Vadeco Schettini, na qual os artistas tocaram e contaram mais sobre o projeto produzido em parceria por ambos, Emidoinã, o álbum sucessor de Omindá. Trata-se de um trabalho audaz e ambicioso, sendo música/trilha sonora/show a cargo de André e com animação de Luciano. Durante o painel, foi exibido um teaser fantástico do projeto! Vale a pena dar uma olhada e fazer campanha para Netflix ou outro serviço de streaming comprar a ideia e exibirem pra gente, pois a prévia deixa qualquer fã de universos fantásticos salivando de ansiedade.

E como a edição reuniu essas duas paixões, quadrinhos e música, não tem como não mencionar o perfil da Bienal de Quadrinhos no Spotify. Na plataforma digital, está disponível uma série de playlists de artistas convidados, da curadoria do evento e outras em homenagem a músicos que faleceram em 2020, como Moraes Moreira, Aldir Blanc e Ennio Morricone. Confere lá.

A próxima Bienal de Quadrinhos Presencial está agendada para o primeiro semestre de 2021.

Andrizy Bento

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