10 Filmes Referentes ao Japão

Eis mais um especial sobre o Japão, sede das Olimpíadas de Tóquio; evento que seria realizado neste ano, mas teve de ser adiado para 2021, por conta da epidemia de COVID-19, causada pelo coronavírus. Aqui vamos tratar da sétima arte, que em algumas ocasiões usou o país do sol nascente como inspiração, o tornando um grande atrativo para os seus entusiastas.

É bem verdade que nem sempre se pode confiar em como filmes, seriados ou novelas retratam nações estrangeiras, pois, a maioria expõe visões distorcidas sobre costumes de determinados países, principalmente do extremo oriente (Japão, China, Coréia do Sul…). Sem contar que, para algumas produções do século XX, os cineastas de Hollywood costumavam escalar atores nascido no Havaí (arquipélago que pertence ao governo americano) para interpretar personagens extremo-orientais e muitos deles ganharam popularidade como Tia Carrere, Mark Dacascos e Jason Scott Lee.

Sem mais delongas, vamos à lista dos dez melhores filmes sobre o tema.

Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa (1970)
Direção: Roberto Faria

Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa (1970)

Wanderléa, Roberto e Erasmo Carlos vão passear no Japão. O trio entra em uma loja e a ternurinha fica encantada por uma estatueta que é comprada por Pierre (José Lewgoy). Como havia outro exemplar dela, Wanderléa não perde tempo em adquiri-la. Acreditando que comprou uma estátua errada, Pierre e seus homens vão atrás do trio. Roberto e Erasmo se defendem, enquanto isso, Pierre vai atrás da Wandeca e acaba quebrando a estatueta dela, percebendo que não é a que ele procura. Inconformada, Wanderléa volta para a loja e compra um novo exemplar da imagem, que é semelhante à pedra da Gávea, que fica no Rio.

Sem a ternurinha, o rei e o tremendão viajam para Israel. Mal chegam no país e recebem uma encomenda de Wanderléa. Era a tal estátua, que vem junto de um bilhete pedindo para guardarem o artefato com cuidado. Junto da estatueta, aparece um samurai chamado Eugênio, que protege o trio. A imagem possui também um mapa escrito em fenício. Eles levam a um eremita para que este possa traduzir o mapa para eles, porém, trata-se de Pierre disfarçado que rouba o mapa do trio. Wandeca, Roberto e Erasmo usam da mesma artimanha e recuperam o mapa, que aponta a localização do místico diamante cor de rosa (!).

É o segundo filme da trilogia Jovem Guarda, que sucedeu Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968) e antecedeu Roberto Carlos a 300 Quilômetros Por Hora (1971), ambos dirigidos por Roberto Faria. Foi a única vez que Roberto Carlos fez um filme com Wanderléa e Erasmo Carlos, com quem apresentou o programa Jovem Guarda na TV Record. Interpretada por Roberto Carlos no início do filme, a canção Não Vou Ficar foi composta por Tim Maia, amigo de longa data de Roberto e Erasmo. O próprio Tim a regravou no seu segundo disco, em 1971. Outra marcante canção presente no filme trata-se de É Preciso Saber Viver, que seria regravada pelo Titãs no disco Volume Dois (1998).

A Fúria do Dragão (1972)
Direção: Lo Wei

A Fúria do Dragão (1972)

Para a ignorância ocidental, Japão e China são a mesma coisa. Esse pensamento distorcido não vale para os entusiastas das culturas de ambos os países. Eis uma produção hong-konguesa e que traz o seu maior astro: Bruce Lee. O filme, inspirado em fatos, é ambientado na década de 1910 e retrata o auge da histórica rivalidade asiática entre China e Japão. Bruce Lee dá vida a Cheng Zhen, que chega de viagem e vê que em sua academia de kung fu em Xangai, na China, ocorre o velório de seu mestre. Ao saber que os médicos constataram que o professor teria morrido de pneumonia, Cheng não acredita, pois sabe que o seu mestre era saudável.

Dois dias depois do enterro do mestre, dois representantes da academia japonesa, junto de seu tradutor, e a mando de Suzuki (Riki Hashimoto), trazem para a academia chinesa um quadro com uma escrita ofensiva aos chineses. Enfurecido, Chen Zhen vai para a academia japonesa devolver o quadro e lutar contra o dojo inteiro. Ao descobrir que o cozinheiro da sua academia é japonês e envenenou os biscoitos consumidos pelo seu mestre, Cheng mata a ele e seu comparsa, pendurando os seus cadáveres em um poste elétrico. Em seguida, torna-se um foragido e promete se vingar de todos os japoneses. Mas Cheng decide agir disfarçado de várias maneiras a fim de descobrir os planos de seus inimigos. Um deles, a amizade com o lutador russo Petrov (Robert Baker).

Foi o segundo filme de Bruce Lee em Hong Kong, onde se tornou um astro do cinema com o filme anterior, O Dragão Chinês. Intérprete de Petrov, Robert Baker era o guarda-costas de Bruce Lee, que mal podia sair de casa e era alvo da perseguição de seus admiradores hong-kongueses. O sucesso de A Fúria do Dragão causou filas quilométricas nos cinemas de Singapura, fazendo com que o governo do país cancelasse as suas sessões. Em 1994, A Fúria do Dragão ganhou a sua primeira dublagem no Brasil, sendo exibido pela primeira vez em território nacional dentro da clássica sessão de filmes Tela Quente da Rede Globo. Ainda naquele ano, o cinema hong-konguês produziu um remake desse filme com o título de Lutar ou Morrer, tendo Jet Li no papel de Cheng Zhen.

Kagemusha – A Sombra do Samurai (1980)
Direção: Akira Kurosawa

Kagemusha - A Sombra do Samurai (1980)

É ambientado durante o Período Sengoku, no século XIV, quando ocorreram inúmeras guerras civis no Japão. No longa, é nesse período que há um duelo de três líderes de clãs, que querem conquistar Kyoto – na época, capital do Japão. Eles são Shingen Takeda (Tatsuya Nakadai), Nobunaga Oda (Daisuke Ryu) e Ieyasu Tokugawa (Masayuki Yui). Em 1572, Shingen (leia-se shinguen) parte para Kyoto, enquanto que Nobunaga e Ieyasu unem esforços para impedi-lo, mas são repelidos. Shingen cerca o forte de Ieyasu, o castelo Noda.

Por querer presenciar a queda do castelo Noda, Shingen é alvejado por um rifle, ficando gravemente ferido. Logo, surgem boatos de seu falecimento e, de quebra, os aliados de Shingen conhecem um ladrão muito parecido com ele fisicamente. Durante o tratamento de sobrevivência, Shingen pede aos seus conselheiros, caso venha a falecer, que a sua morte seja ocultada e que esse sósia ocupe o seu lugar por três anos. Tudo para que os domínios deles sejam guardados, tendo o cuidado de nunca se deslocar, temendo o fim do clã Takeda. Seus exércitos abandonam o cerco e durante o regresso, Shingen morre no caminho. Para que seus inimigos não ataquem e as tropas se mantenham motivadas, seu sósia assume seu lugar. Porém, não será fácil manter esse segredo, pois o sósia comete alguns deslizes.

É considerada a obra-prima do aclamado cineasta Akira Kurosawa (capa desse artigo), maior ícone da sétima arte japonesa. Kagemusha (leia-se kaguemusha) rendeu ao cineasta a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França. O filme recebeu duas indicações ao Oscar, de melhor filme estrangeiro e melhor direção de arte. A história de Shingen Takeda foi mencionada em Jiraya – O Incrível Ninja, no 31º episódio: A Espada de Shingen. Nele, é relatado que uma espada, que teria sido de Shingen, foi encontrada em um museu de Paris, na França, após anos dada como perdida. Cada vez que o trono do império japonês muda de dono, é dado a ele o nome de um período (ou era). Por exemplo, em 2019 foi encerrado o Período Hensei (1989-2019), quando Akihito, em vida, passou o posto de imperador para o filho Naruhito, que deu início a Era Reiwa.

Gaijin – Caminhos da Liberdade (1980)
Direção: Tizuka Yamazaki

Gaijin - Caminhos da Liberdade (1980)

Obra dirigida por Tizuka Yamazaki, a japonesa mais brasileira de todas. O filme relata a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, em 1908, e mostra o ponto de vista de Titoe (Kyoko Tsukamoto), que narra a história. Em virtude de haver muita miséria no Japão, vários japoneses emigraram em busca de oportunidades. Porém, a companhia de emigração só aceitava grupos familiares que tivessem, pelo menos, um casal. Assim Yamada (Jiro Kawarazaki) e Kobayashi (Ken Kaneko), que são irmãos, vêem como única solução que o primeiro se case com a adolescente Titoe.

Após 52 dias de viagem no navio Kasato-Maru, os japoneses chegam ao Brasil e vão trabalhar na Fazenda Santa Rosa, em São Paulo, de propriedade de Heitor (Carlos Augusto Strazzer). Todavia, eles se deparam com um capataz que os trata hostilmente, exigindo constantemente que trabalhem à exaustão. Os únicos que tratam os japoneses com respeito são Tonho (Antônio Fagundes), Ceará (José Dumont) e o imigrante italiano Enrico (Gianfrancesco Guarnieri). No decorrer, Tonho sente uma atração por Titoe, sem saber que ela é casada com Yamada e com quem teve uma filha. Além da exploração dos seus superiores, os imigrantes japoneses são vítimas de uma doença misteriosa e muitos deles acabam morrendo.

A princípio, fui informado que a palavra da língua japonesa gaijin significa estrangeiro. Mas, depois, eu descobri que é um termo jocoso, pelo qual os japoneses costumavam se referir aos estrangeiros com quem não simpatizavam. A palavra certa para estrangeiro é gaikokujin.

O personagem Yamada foi dublado, aqui no Brasil, por Carlos Takeshi, o mesmo que dublou Jaspion e o Hayate em Changeman. Além de filmes, Tizuka Yamazaki também coleciona trabalhos na televisão, tendo dirigido a minissérie O Pagador de Promessas (1988) da TV Globo e as novelas Kananga do Japão (1989) e Amazônia (1992), ambas na extinta TV Manchete. Voltando ao cinema, Tizuka celebrou as bodas de prata de Gaijin, dando uma continuação chamada Gaijin – Ama-me Como Sou (2005), na qual retrata as dificuldades do legado da imigração japonesa no Brasil. Poucos sabem que o Brasil é o país que mais recebe imigrantes do extremo oriente no mundo.

Karatê Kid 2 – A Hora da Verdade Continua (1986)
Direção: John G. Avildsen

Karatê Kid II (1986)

Segundo filme da saga cinematográfica iniciada em 1984. Passados seis meses do torneio em que se sagrou campeão, Daniel Larusso (Ralph Macchio) passa a morar no quarto que seu mestre Miyagi (Pat Morita) ergueu em sua casa para ele. Em seguida, Miyagi recebe uma carta informando que seu pai está entre a vida e a morte e decide voltar para sua terra natal, a ilha de Okinawa, no Japão. No momento do embarque, e para a sua surpresa, Daniel aparece de última hora, querendo viajar e conhecer o local de nascença de seu mestre. No desembarque, Miyagi reencontra com um antigo conhecido chamado Sato (Danny Kamekona), tomado de rancor pelo fato de o primeiro ter fugido de uma luta contra ele pelo amor de Yukie (Nobu McCarthy), no passado. A citada Yukie é quem cuida do pai de Miyagi e divide a casa com a sua sobrinha Kumiko (Tamlyn Tomita), por quem Daniel se apaixona.

Antes de morrer, o pai de Miyagi tenta promover a reconciliação entre o filho e Sato, mas é em vão. No período em que esteve ausente, Miyagi descobriu que Sato se tornou um rico industrial, cujas empresas monopolizam a produção de peixes da região, empobrecendo os outros aldeões, obrigando-os a alugar suas propriedades para morar – fruto de seu rancor no passado. Para piorar, em uma feira livre da aldeia, Daniel expõe os trambiques de Chozen (Yuji Okumoto), sobrinho de Sato, que jura limpar sua honra com sangue, assim como o seu tio quer fazer com Miyagi. No entanto, no dia da luta entre Miyagi e Sato, um tufão devasta a vila e todos se escondem em um abrigo. Miyagi e Daniel salvam Sato dos escombros, fazendo o último rever sua postura. Mas Chozen não se esquece do acerto de contas com Daniel, em ordem de vingar sua honra.

Foi nesse filme que surgiu a canção mais popular da trilha sonora da saga, The Glory of Love de Peter Cetera. Karatê Kid 2 também inspirou o desenho animado, lançado pela NBC em 1989, exibido no Brasil no ano seguinte, pela Globo. As cenas de Okinawa foram filmadas na ilha de Oahu, no Hawaii, Estados Unidos. A atriz Tamlyn Tomita é natural de Okinawa e atuou no mencionado filme brasileiro Gaijin – Ama-me Como Sou (2005), no papel de Maria Yamashita. Como foi dito no artigo Os Melhores Filmes de 1984, a saga Karatê Kid ganhou continuidade na série de internet Cobra Kai (2018), que está disponível no Youtube. Para a terceira temporada, neste ano, foi prometido que Daniel voltaria para Okinawa.

A História de Hachiko (1987)
Direção: Seijiro Koyama

A História de Hachiko (1987)

Eis mais um filme japonês na lista e também inspirado em fatos, assim como Kagemusha. Em 1924, o professor Hidesaburo Ueno (Tatsuya Nakadai) traz para casa um cachorro da raça Akita e o batiza com o nome Hachiko. O cão divide o lar com a família do professor, que é casado com Shizuko (Kaoru Yashigusa), com quem tem uma filha chamada Chizuko (Mako Ishino). Vira rotina o cão acompanhar o seu dono até a estação de Shibuya diariamente, onde o professor pega o trem para trabalhar.

Hachiko esperava na mesma estação até o dono aparecer e voltar para a casa. Em 1925, o professor Ueno teve um AVC durante uma aula e morreu. Porém, Hachiko não deixou de ir a estação de Shibuya todos os dias, acreditando que o seu dono iria voltar, retornando lá diariamente até o seu falecimento em 1935, aos 11 anos. O drama de Hachiko foi comentado por todos que passavam pela estação de trem, até que chegou aos ouvidos da imprensa e acabou publicado nos jornais.

Em sua homenagem, Hachiko ganhou uma estátua feita por Tern Ando em frente à estação de trem de Shibuya, em 1934. A raça Akita virou patrimônio histórico no Japão, sendo proibida a sua comercialização para fora do país. O cão pode ser visto empalhado no Museu Nacional de Ciência do Japão. Seus ossos foram sepultados em um canto do túmulo do professor Ueno. Em 1944, a estátua de Hachiko foi retirada pelo exército imperial do Japão e derretida para a fabricação de armas para a Segunda Guerra Mundial. Em 1948, a estátua foi reconstruída por Takeshi Ando (filho de Tern) no mesmo lugar da original. Hachiko só ficou conhecido mundialmente com o remake americano do longa, Sempre Ao Seu Lado (2009), que trazia Richard Gere no papel do dono do cão.

Wasabi (2001)
Direção: Gerard Krawczyk

Wasabi

É uma produção conjunta entre França e Japão. Nela, o policial francês Hubert Fiorentini (Jean Reno) é muitas vezes advertido por seus superiores devido aos constantes abusos de autoridade que pratica. Por conta disso, o seu chefe lhe dá férias forçadas. Certo dia, ele recebe um telefonema de um advogado no Japão, avisando que Miko (Yuki Sakai) faleceu misteriosamente. Miko foi o único amor na vida de Hubert, a quem não a via há 20 anos. Então, o policial francês parte para o Japão. Mal chega ao citado país e já enfrenta problemas sérios com o agente da alfândega no aeroporto de Tóquio. Lá, ele reencontra um velho conhecido, o também policial Momo (Michel Müller).

Hubert descobre que Miko deixou para ele uma herança de 200 milhões de dólares e uma filha adolescente, Yumi (Ryoko Hirosue), que não sabe do grau de parentesco que possui com o francês. Durante o velório de Miko, Hubert corta da finada fios de cabelo e unhas para Momo analisar. Mais tarde, por telefone, ele fica sabendo por Momo que Miko foi envenenada. Os capangas da Yakuza (a máfia japonesa) tentam raptar Yumi enquanto ela faz compras no shopping e se diverte com os amigos, mas Hubert rapidamente dá cabo deles. Em uma partida de golfe, a citada quadrilha, junto do seu chefe, Takanawa (Yoshi Oida), vão até Hubert. Eles sequestram Yumi para que ela deposite os 200 milhões de dólares na conta da Yakuza. Porém, eles não contavam com a astúcia de Hubert e Momo, que os espera no banco.

Para quem não sabe, wasabi é uma pasta verde utilizada na culinária japonesa, feito da planta wasabia japonica. Por ser mais temperada do que pimenta, wasabi é muitas vezes chamada de raiz forte no Brasil. O filme é todo falado em língua francesa e a atuação de Ryoko Hirosue no longa, fez com que se tornasse muito popular na França. Do elenco japonês, há um conhecido no Brasil: Kazuoki Takahashi, lembrado por estas bandas por ter vivido o mulherengo Shou Hayate/Change Griphon em Changeman. No filme em questão, ele interpreta um dos capangas da Yakuza, abatido por Hubert na sequência do shopping. Em 2015, o ator Yoshi Oida esteve no Brasil, onde palestrou na Escola Livre de Teatro em Santo André, no ABC paulista.

O Último Samurai (2003)
Direção: Edward Zwick

O Último Samurai (2003) - parte 3

A produção retrata a dificuldade que o Japão teve de se modernizar próximo ao fim do século XIX. Em 1876, após ser dispensado da companhia de armas americana Winchester, o capitão do exército americano Nathan Algren (Tom Cruise) é contratado pelo Primeiro Ministro japonês, Omura (Masato Harada), para treinar o exército imperial do Japão. Algren parte para a Terra do Sol Nascente de navio junto do sargento Zeb (Billy Connolly) e do coronel Bagley (Tony Goldwyn). Ambos são recebidos no porto de Yokohama pelo fotógrafo e historiador inglês Simon Graham (Timothy Spall), que atua como intérprete deles no Japão. Ele leva Algren e Bagley para conhecerem o Imperador Meiji (Shichinosuke Nakamura), que tem a intenção de modernizar o país.

No treino, Algren encontra dificuldades. Uma delas é que os soldados convocados não estão prontos para uma batalha. O segundo problema é que não consegue informações sobre os inimigos que vão enfrentar, os samurais, que não vêem com bons olhos a chamada ocidentalização do Japão na era Meiji. Na primeira luta de Algren no Japão, os samurais saem vitoriosos. O americano tem a sua vida poupada e é capturado pelos samurais, pois sua fibra impressiona o líder, Katsumoto (Ken Watanabe), que o leva para a aldeia, onde permanece em cativeiro durante o inverno. Os homens mais confiáveis de Katsumoto são o seu filho arqueiro Nobutaba (Shin Koyamada) e o instrutor de espadas Ujio (Hiroyuki Sanada). Algren dorme na casa de Taka (Koyuki Kato), irmã de Katsumoto, que trata dos ferimentos deles. Conforme vai convivendo com os samurais, Algren se apaixona pela cultura japonesa e pelos valores dos samurais, passando para o lado deles na luta contra o exército imperial.

O filme foi inspirado na Rebelião Satsuma, liderada por Saigõ Takamori (representado no filme por Katsumoto). Nessa rebelião, o ocidental que se aliou aos samurais foi o soldado francês Jules Brunet (Nathan Algren no filme). O filme é falado nas duas línguas, inglês e japonês. Tom Cruise e o Timothy Spall são os atores ocidentais que falam em japonês durante o filme. O Último Samurai foi o passaporte para dois atores japoneses em Hollywood. Ken Watanabe atuou depois em Batman Begins, Memórias de Uma Gueixa, Cartas de Iwo Jima e A Origem. Quanto a Hiroyuki Sanada… Bem, eu já falei acerca de seus trabalhos em Hollywood no artigo sobre o Jaspion. Só me esqueci de mencionar que ele atuou com Hikaru Kurosaki (o intérprete de Jaspion) nos filmes japoneses Hero Tekken (1982) e Igano Kabamaru (1983).

Memórias de Uma Gueixa (2005)
Direção: Rob Marshall

Memórias de Uma Gueixa (2005)

Inspirado no livro escrito pelo americano Arthur Golden, em 1997. Nos anos que antecedem a Segunda Guerra Mundial, uma menina chamada Chiyo (Suzuka Ohgo) é vendida pelo seu pai pescador (Mako Iwamatsu) para uma okya (casa de gueixas). As donas do local se impressionam com os olhos azuis dela e a apelidam de “menina com olhos cor de chuva”. Durante os primeiros anos, ela fica destinada a trabalhos domésticos e, muitas vezes, é destratada pela temperamental Hatsumomo (Gong Li). Em um dado momento, a menina se cansa e a dedura. Chiyo (leia-se Tio) ainda alimenta a esperança de encontrar sua irmã, sem entender o sentido da vida que estava levando. Até que conhece Iwamura (Ken Watanabe), conhecido como “presidente” e por quem se apaixona. Ela muda de idéia e passa a aceitar a nova vida.

A, agora adulta, Chiyo (Zhang Ziyi) reencontra o presidente que a reconhece e, em segredo, decide ajudá-la a se tornar uma gueixa. Para isso, ele conta com a ajuda de Mameha (Michelle Yeoh), uma gueixa mais experiente. Mameha consegue transformar Chiyo em uma gueixa e a rebatiza com o nome Sayuri. Ela passa a ser cortejada por vários homens ricos do Japão, como, por exemplo, o Barão (Cary-Hiroyuki Tagawa). O auge de Sayuki é quando ganha o direito de ser a estrela principal de uma encenação teatral. Porém, a Segunda Guerra Mundial (em que o Japão foi aliado dos nazistas) alcança seu auge e o presidente ajuda Sayuki a se afastar da área de conflito, indo para o interior.

Para interpretar Chiyo/Sayuri, Zhang Ziyi teve que usar lentes de contato. Apesar de ser um primor para os entusiastas da cultura japonesa, o filme foi reprovado (e com razão) pela crítica e pelo público no Japão. Primeiro, o filme é falado todo em inglês. Segundo, tanto no livro quanto no filme, as gueixas são retratadas como prostitutas, ao invés de artistas (que é a verdadeira função delas). Em terceiro, as gueixas principais são interpretadas por atrizes não japonesas, como é o caso da malaia Michelle Yeoh e as chinesas Gong Li e Zhang Ziyi. A crítica da China também reprovou a escolha das atrizes, muito em virtude da já mencionada rivalidade histórica com o Japão. Rolou até um boato de que Zhang Ziyi teria cassada a sua cidadania chinesa pelo então presidente Hu Jintao. Tanto o governo chinês quanto a atriz desmentiram. Zhang Ziyi foi uma das personalidades de seu país que carregou a tocha olímpica nos Jogos Olímpicos na capital chinesa, Pequim, em 2008.

Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio (2006)
Direção: Justin Lin

Velozes e Furiosos - Desafio em Tóquio (2006)

Em Oro Valley, no estado americano do Arizona, o aluno do ensino médio, Sean Boswell (Lucas Black), participa de um pega para conquistar o afeto de Cindy (Nikki Griffin), namorada de seu maior rival, Clay (Zachery Bryan). Vindo de famílias ricas, Cindy e Clay escapam de serem autuados pela polícia, mas Sean acaba detido. Após conseguir ser libertado por sua mãe (Lynda Boyd), o jovem é enviado para Tóquio, no Japão, para morar com o pai, o major Boswell (Brian Goodman), um ex-oficial da marinha americana.

Na capital japonesa, Sean faz amizade com Twinke (Bow Wow), que o apresenta no Japão às corridas de drift, cujo rei é Takashi (Brian Tee). Sean começa a dar em cima de Neela (Nathalie Kelley), a namorada de Takashi, que, irritado, o desafia a uma corrida de drift. Sean corre com o veículo que pertence a Han Lue (Sung Kang) e perde feio, batendo com o carro devido à sua inexperiência no drift. Para pagar a sua dívida, Sean ajuda Han a reformá-lo. A rivalidade entre Sean e Takashi aumenta por conta da proximidade de Neela com o primeiro. Sem contar que Takashi possui ligação com a Yakuza, pois o chefe, Tamada (Sonny Chiba), é tio dele.

É o terceiro filme da saga iniciada em 2001, entretanto, não conta com o elenco dos dois primeiros longas, a não ser por uma rápida participação. No final do filme, Toreto (Vin Diesel), personagem clássico da franquia, aparece disputando um pega com Sean. As cenas do drift não aconteceram no Japão, mas, sim, em um estacionamento de um shopping abandonado no sul de Los Angeles, nos Estados Unidos. É também em Los Angeles que está localizado o armazém que serviu de cenário para a oficina do personagem Han, assim como também o porto onde o Han ensina Sean a fazer drift. O primeiro carro que Sean pilotou no Japão tratava-se de um Nissan Silvia S15 Spec-S. O carro que o Han ensina Sean a fazer drift é um Mitsubishi Lancer Evolution IX. Sung Lang voltou a interpretar Han nos filmes seguintes da saga, principalmente em Velozes e Furiosos – Operação Rio (2011), onde viveu um par romântico com Gal Gadot (Mulher Maravilha).

Menções honrosas: Chuva Negra, Massacre no Bairro Japonês, As Tartarugas Ninjas 3, Kill Bill, Cartas de Iwo Jima, 47 Ronin, Massacre no Bairro Chinês, Encontros e Desencontros.

Windson Alves

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