[O que ver na quarentena] Quicksand – e uma reflexão sobre os casos de massacres em escolas

20 de abril de 1999. Dylan Klebold e Eric Harrys, 17 e 18 anos, respectivamente, entraram armados em uma escola no Colorado, Estados Unidos, e dispararam contra estudantes e docentes. Mataram 13 alunos e um professor, trocaram tiros com policiais que chegaram ao local e se suicidaram durante o confronto. Tornou-se um dos casos de massacres em escolas mais emblemáticos da história americana, mas, infelizmente, não foi o último.

Ocorreram casos semelhantes na Virginia, também nos Estados Unidos, em 2007, sendo um dos mais sangrentos, executado pelo estudante sul-coreano Seung Hui Cho, que assassinou 32 pessoas; em Winnenden, na Alemanha, em 2009, cujo autor era um antigo estudante da escola e vitimou 16 pessoas; e no Realengo, Rio de Janeiro, em 2011,  quando Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos também ex-aluno, armado com dois revólveres, matou 12 estudantes, em sua maioria meninas, e terminou por dar um tiro na própria cabeça. Mais recentemente tivemos outros dois trágicos episódios ocorridos no Brasil. Em março de 2019, em Suzano, na Grande São Paulo, dois jovens armados entraram em um colégio, fazendo cerca de oito vítimas e ferindo outras nove pessoas. Em novembro do mesmo ano, um estudante de 17 anos de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, invadiu a escola em que estudava, trajado de preto da cabeça aos pés, armado com uma garrucha e um facão, ateou fogo a mochilas de colegas e disparou contra os alunos, ferindo dois deles.

E quando crimes como esses ocorrem, a tendência da mídia e do público (geralmente pautado pela primeira) é a de procurar culpados que nunca são, de fato, os atiradores. A culpa, não raramente, recai sobre jogos violentos, o excesso de violência em filmes e programas de televisão, a péssima influência exercida pelo conteúdo que jovens absorvem na internet. É próprio do ser humano terceirizar até mesmo a culpa. A responsabilidade é sempre de fatores externos, quando, na verdade, creio que é preciso um olhar mais atento e cuidadoso para o interior dos jovens.

Continuar lendo [O que ver na quarentena] Quicksand – e uma reflexão sobre os casos de massacres em escolas