Favoritos 2019 – Cinema

Chegou a hora de elencar os melhores filmes que invadiram as telonas ou as plataformas de streaming neste ano que está chegando ao fim. Abaixo, você confere os favoritos da equipe do Bloggallerya no quesito Cinema em 2019. Lembrando que a lista compreende apenas os longas lançados em território nacional neste ano e que listas são subjetivas. Podem concordar e discordar à vontade 😉

Gostaríamos de aproveitar o momento para agradecer por todas as visitas, visualizações, curtidas e compartilhamentos. Nosso número de leitores só vem aumentando, portanto, obrigada!

E que venha 2020! 🙂

Melhores Filmes:

PARASITA
Direção: Bong Joon-ho

Apesar de refletir uma realidade sul-coreana, o drama vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2019 é universal. Parasita é brilhante, surpreendente e um verdadeiro soco no estômago. O título do longa não poderia ser mais oportuno. É como parasitas que uma família, cujos membros estão todos desempregados, se infiltra na rica e abastada mansão do clã Park, lançando mão de sua sagacidade, ardis e de um impressionante dom para a vigarice. Mas, ao abordar os vínculos de dependência e dominação e a total ausência de gratidão da família Park por aqueles que os servem, o diretor Bong Joon-ho propõe um questionamento: quem são os verdadeiros parasitas nessa história?

BACURAU
Direção: Kleber Mendonça Filho

Quem nasce em Bacural é gente. Kleber Mendonça Filho é um diretor que surpreende a cada novo trabalho. Mantém sua assinatura e elementos caros de sua obra, mas jamais cai na repetição, investindo em histórias contundentes que desafiam o espectador. Como um exemplo, o clima de suspense, tão característico de sua filmografia, aqui é potencializado, indo a extremos. A sensação de perigo é iminente e real. Ao mesmo tempo em que delimita geograficamente o espaço de sua narrativa, torna sua obra universal. Sempre investindo em uma ampla galeria de personagens bem construídos e de notável personalidade, apostando em um humor refinado, em tiradas irônicas espertas. Em meio a passagens de ação, gore e violência que em nada ficam defendo a longas hollywoodianos, há uma mensagem forte sobre a opressão, domínio, genocídio de nosso povo e colonização de nosso território por estrangeiros. A metáfora dos drones, muito similares a discos voadores alienígenas, é inteligente e precisa. A gente de Bacurau resiste à invasão daqueles que se consideram uma raça mais avançada e superior. Essa é a palavra de ordem: resistência.

HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
Direção: Noah Baumbach

Noah Baumbach dirigiu um dos meus filmes favoritos da década passada: A Lula e a Baleia. Um longa que também versava sobre uma família disfuncional, a qual assistíamos se desestruturar e despedaçar gradualmente na tela. Em História de um Casamento, ele adentra novamente o mesmo território e explora basicamente o mesmo tema. Mas nada aqui soa como repetição ou revival. O casamento termina, o relacionamento tem um ponto final, o amor pode acabar, mas não se pode acabar o respeito. É por conta do filho que um ex-casal procura equilibrar e harmonizar sua relação tentando superar as adversidades e percalços oriundos do término de seu casamento. Os laços perduram. Nada apaga os anos de convivência lado a lado. É necessário trabalhar isso. Impressionante como Baumbach desmistifica e desromantiza a instituição do matrimônio sem, no entanto, apresentar um olhar cético. Muito pelo contrário. O cineasta analisa a situação sob uma ótica sensível. Atuações poderosas de Scarlett Johansson e Adam Driver nos papéis principais, que defendem seus protagonistas de maneira irrepreensível. Os coadjuvantes Laura Dern e Alan Alda estão ótimos também. Especialmente a primeira que, em uma das melhores cenas do ano, reflete sobre o modo como a sociedade enxerga uma mãe solteira. Ray Liotta é outro que surpreende. Um dos grandes filmes do ano.

ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD
Direção: Quentin Tarantino

A notícia de que o diretor responsável por clássicos cultuados como Pulp Fiction e Kill Bill abordaria em seu nono filme a noite perturbadora em que Sharon Tate, então grávida de oito meses do cineasta Roman Polanski, foi assassinada por um grupo de discípulos de Charles Manson soou, no mínimo, inusitada na época de sua divulgação. Quentin Tarantino dirigindo um filme baseado em fatos? Aquela noite se tratou, sem dúvida, de um filme de terror para os envolvidos, mas infelizmente muito real. E o cineasta, acostumado à violência gráfica em profusão em seus longas, teria um prato cheio para explorar esse cruel e terrível episódio na tela. No entanto, o que vemos em Era Uma Vez… em Hollywood é algo que passa bem longe de fidelidade aos eventos como estes se desenrolaram naquela noite fatídica. O longa se concentra nos antecedentes do crime, focando em histórias distintas que se entrelaçam, envolvendo um astro combalido, um dublê com má reputação, uma estrela em ascensão, um diretor prestigiado e uma comunidade hippie que, por acaso, é a família Manson. Não é o melhor filme de Quentin Tarantino, mas é bem-vindo especialmente aos fãs que identificam seu estilo de imediato. Vale a pena ver, afinal, transformar um crime brutal em um conto sobre a era de ouro de Hollywood e ainda no melhor estilo western, exige um talento singular para contar uma história que, sem dúvida, o cineasta já mostrou que possui. Concedendo a si mesmo a autoridade e o poder de subverter eventos históricos, o realizador confere à trágica história real um final mais feliz, ainda que totalmente nonsense. O resultado é ousado e, como não poderia deixar de ser, controverso. Tarantinesco – para se utilizar um neologismo bem apropriado.

O IRLANDÊS
Direção: Martin Scorsese

A saga do irlandês Frank Sheeran, um personagem real, veterano da Segunda Guerra Mundial e assassino profissional, é contada nessa grandiloquente produção de mais de três horas de duração assinada por Martin Scorsese. O diretor reúne dois monstros sagrados da atuação – Robert de Niro e Al Pacino (ambos atuaram em O Poderoso Chefão, clássico de Francis Ford Coppola, com o qual este guarda paralelos) – em um território que lhes é familiar e consagrou suas carreiras no passado. O universo da máfia e crime organizado também não é uma novidade para Scorsese, bem como o ambiente ítalo-americano tão bem explorados em obras como Os Bons Companheiros e Cassino. Mas não é apenas por conta do elenco escalado e por se ambientar em um cenário já conhecido pelo diretor que o longa é funcional. Impressiona a riqueza de detalhes, os movimentos de câmera, o pleno domínio da mise-en-scène, a reconstituição da época, a maneira como Scorsese conduz sua narrativa e esmiúça essa história real sem jamais torná-la cansativa ou arbitrária, a despeito das mais de três de duração. E o olhar do diretor é meticuloso, até mesmo técnico, seco e brutal sobre o tema e a história que está contando na tela. Mas, nem por isso, desprovido da inegável paixão que o cineasta nutre pelo ofício que exerce com tanto zelo. Outro grande trabalho para figurar na galeria de obras primas do diretor.

Melhores Filmes Não Falados em Língua Inglesa:

UM HOMEM FIEL
Direção: Louis Garrel

Esse delicioso filme francês dirigido e estrelado por Louis Garrel é algo bem sui generis. Uma história estranha, mas nem por isso desinteressante. O longa gira em torno de quatro personagens cujas vidas se interligam após uma morte. Marianne abandona o namorado Abel, com quem vive há três anos, por Paul, melhor amigo dele. Pior: ela está grávida. Alguns anos depois, Paul morre e Abel e Marianne reatam. Isso desperta tanto os ciúmes do filho de Paul e Marianne, Joseph, quanto da irmã de Paul, Éve, que nutre uma paixão secreta por Abel desde a infância. Um Homem Fiel é uma dramédia totalmente fora dos padrões hollywoodianos, com uma pitada de suspense e policial. Os personagens são todos intrigantes e repletos de nuanças que vão sendo reveladas conforme a história se desenrola na tela. É uma delícia de acompanhar uma trama que se ampara em uma premissa tão simples, partindo do típico mote do triângulo amoroso (ou seria círculo?), e estruturando-se de maneira inventiva, com cada personagem narrando seu ponto de vista. O personagem de Louis Garrel é um homem muito fiel e totalmente dominado pelas mulheres de sua vida. Soa bastante questionável e até irreal, mas não compromete a narrativa. O curioso é que, apesar de sua estranheza, dá muita vontade de ver de novo.

ASSUNTO DE FAMÍLIA
Direção: Hirokazu Koreeda

Desde os primeiros fotogramas exibidos na tela, o longa de Hirokazu Koreeda, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2018, mas que só chegou às telas brasileiras neste ano, surpreende. A narrativa é centrada em uma família japonesa que vive em condições precárias e habituada a pequenos furtos, fraudes e outros subempregos em ordem de sobreviver. Após presenciarem uma garotinha chorando e tomarem conhecimento das agruras e dificuldades vivenciadas por ela em sua própria casa – um ambiente aparentemente hostil – decidem acolhê-la, escondendo-a de forma que os verdadeiros pais não descubram seu paradeiro. Aos poucos, os mistérios envolvendo os integrantes dessa peculiar família vão sendo revelados. Há toda uma natureza ambígua que cerceia esses personagens. Por mais que haja sentimentos nobres como companheirismo, cumplicidade, compaixão e empatia em sua relação, suas atitudes não deixam de ser questionáveis. O fato de a família “adotar” a garotinha desamparada e que vivia em um ambiente violento, mudando seu nome e aparência, não deixa de configurar sequestro. Bem como treinar o garoto mais velho para cometer furtos em estabelecimentos comerciais denota o quão pouco interessados estão os integrantes da família em transmitir bons exemplos para seus supostos filhos. De qualquer modo, Koreeda não se abstém de injetar humanidade nas figuras que tomam parte em sua história, apresentando momentos frívolos e familiares extremamente tocantes e proporcionando aos espectadores um final que impacta e faz refletir. Até que ponto atos inconsequentes de amor são passíveis de perdão?

Melhor Blockbuster:

VINGADORES: ULTIMATO
Direção: Joe e Anthony Russo

Não teve pra ninguém! Assim como Guerra Infinita, Ultimato é um filme bem resolvido, que se fecha em si mesmo, apara arestas, proporciona um encerramento digno para alguns personagens, enquanto aponta futuros promissores para outros e representa nada menos do que um dos mais grandiosos blockbusters de todos os tempos. A produção assume riscos e os defende com dignidade e sabedoria. Entrega um final feliz, mas melancólico. Contraditório, eu sei. Todavia, depende do ângulo pelo qual você o analisa. É agridoce, pois tem sabor de missão cumprida, mas também de despedida. Leva às lágrimas, embora também renove as esperanças. Surpreende, mas não se poderia imaginar outro encerramento que não aquele que vemos na tela. Não deixa pontas soltas, porém, o futuro ainda nos reserva algumas surpresas e respostas. Muito mais do que simplesmente realizar filmes-eventos, o MCU transportou para a tela toda a energia, a dinâmica, a ação e o carisma de personagens lendários das HQs, concretizando o sonho de todo leitor de quadrinhos e fãs de longa data desses magníficos e nobres heróis que sempre desejaram vê-los no cinema.

Melhor Animação:

TOY STORY 4
Direção: Josh Cooley

Confesso que estava desacreditada quanto a este quarto capítulo da saga dos brinquedos. Acreditava que toda a mitologia de Toy Story já havia se esgotado no terceiro longa. Eis que mais uma vez, Woody, Buzz e companhia protagonizam uma aventura emocionante, capaz de levar às lágrimas até mesmo o espectador mais casca dura, mostrando que ainda têm folego para novas produções. Na trama, Woody vem sendo preterido por sua nova dona, Bonnie, que continuamente vem elegendo outros brinquedos para seus jogos e deixando o carismático cowboy de lado. Woody mostra toda a sua nobreza ao, ainda assim, se infiltrar secretamente na mochila de Bonnie enquanto ela parte para uma nova escola, uma vez que a garotinha encontra-se insegura e com medo de não se adaptar. Lá, ela cria um novo brinquedo feito de materiais descartáveis. Por isso mesmo, Forky, como ela o batiza, insiste em recusar sua condição de brinquedo, convicto de que ele é apenas lixo. Devido a essa relutância, por várias vezes, ele se perde de sua dona durante uma viagem, armando fugas em direção a lixeiras. Mas devido ao apego de Bonnie por Forky, Woody faz de tudo para que ele finalmente aceite que é o novo brinquedo favorito de Bonnie. Nessa trajetória ao infinito e além, Woody ainda reencontra uma antiga companheira: Betty (Bo Peep). Outra vez, Toy Story utiliza o seu teor lúdico para nos transmitir importantes mensagens acerca de aceitação, imperfeição, conflitos de identidade e a implacável passagem do tempo.

Gratas Surpresas Cinematográficas:

TURMA DA MÔNICA: LAÇOS
Direção: Daniel Rezende

Mais um que integra a lista: eu não acreditava que iria funcionar. Turma da Mônica em live-action foi algo com o qual eu demorei a me acostumar. Nem sei explicar o motivo. Afinal, ver super-heróis ganhando versões em carne e osso na tela não é algo bastante comum e bem aceito há décadas? Mas fico feliz em dizer que o resultado final desse longa é bastante positivo. Não me decepcionou e ainda conseguiu me surpreender. A produção dirigida por Daniel Rezende adapta a graphic novel homônima de Vittor e Lu Caffagi para o cinema e resgata o espírito das HQs clássicas da turminha, além de trazer um bem-vindo e delicioso sentimento de nostalgia para quem cresceu acompanhando as aventuras do grupo do bairro do limoeiro. Para os fãs, a inserção de referências é puro deleite. É admirável a maneira como Rezende explora a mitologia e o universo de mais de 50 anos de história de Mônica e seus amigos. Fica evidente o apreço dos realizadores pelo material de origem. Os personagens estão bem caracterizados, graças ao cuidado em preservar a essência e a personalidade deles sem desfigurá-los na tela – há fidelidade até mesmo aos detalhes como as cores de suas roupas. E Maurício de Sousa ainda faz uma participação na maior vibe Stan Lee. Sem dúvida, é um ótimo pontapé inicial para as aventuras da Turma da Mônica no grande ecrã.

PODERIA ME PERDOAR
Direção: Marielle Heller

O maior trunfo de Poderia Me Perdoar, com certeza, é seu elenco, encabeçado por Melissa McCarthy e Richard E. Grant, ambos em ótimo momento. A cinebiografia baseada nas memórias da escritora norte-americana Lee Israel, acompanha um momento delicado na vida da profissional. Lee encontra-se com problemas financeiros, solitária e dividindo seu apartamento apenas com o gato. Há muito, a escritora de biografias de celebridades não consegue mais ser publicada, pois seu estilo soa ultrapassado. Para sair dessa situação, ela resolve falsificar cartas de personalidades famosas faturando altas cifras com a atividade fraudulenta. Ressaltando a melancolia urbana, munida de planos inspirados e quotes brilhantes, a tragicomédia assinada pela cineasta Marielle Heller exala paixão por literatura, o ritmo inquietante do jazz e o vigor das noites boêmias por todos os poros, atribuindo uma aura agridoce, tão sombria e decadente quanto charmosa e sofisticada a essa poderosa e cativante crônica sobre a ruína e a solidão.

Melhores Adaptações de HQs:

CORINGA
Direção: Todd Phillips

Esta não se trata de uma produção baseada nas histórias em quadrinhos de Batman pura e simplesmente, passando longe do padrão estabelecido para adaptações cinematográficas de HQs de heróis, mostrando como esse universo se expandiu nas telonas. Coringa é sombrio, furioso, violento, anárquico, perturbador. Exatamente como se esperava que fosse um filme sobre o personagem. Coringa se destaca como um magistral estudo de personagem em toda a sua complexidade. Uma bem-sucedida leitura do tipo criado por Bob Kane e Bill Finger (ainda que carregada de licenças poéticas). Um pontual exercício de construção de um vilão. E não se trata de qualquer vilão, mas de um dos mais icônicos da cultura pop. E a despeito dos temores de alguns, ele funciona muito bem em um filme solo. Brilhante desempenho de Joaquin Phoenix na pele do Coringa.

HOMEM ARANHA: LONGE DE CASA
Direção: Jon Watts

Segunda aventura do Homem-Aranha produzida pela Marvel Studios traz frescor e uma leveza bem-vinda ao Universo Cinematográfico da Marvel, após os eventos trágicos do melancólico Vingadores: Ultimato, não economizando em cenas de comédia e sequências de ação hiperbólicas. Contudo, não escapa do padrão estabelecido pelo estúdio, de aventuras solo frívolas estreladas pelos heróis da casa. Não é o melhor filme do aracnídeo. Longe, muito longe disso. Esse crédito ainda pertence a Homem-Aranha 2 de 2004 e à recente animação Homem-Aranha no Aranhaverso. De qualquer forma, é um filme bem leve, repleto de dinamismo e de tiradas cômicas espertas, amparado pelo carisma de Tom Holland e que certamente valeu a sessão.

O Que Poderia Ter Sido e Não Foi:

O MISTÉRIO DO GATO CHINÊS
Direção: Chen Kaige

O exuberante longa chinês de 2017 só tomou as telas nacionais em julho deste ano. Embora o primor dos fotogramas e o appeal da história sejam itens a se considerar, o filme decepciona em alguns quesitos que acabam por comprometer o saldo final e o equilíbrio do todo. Algumas escolhas estéticas são questionáveis, por exemplo, a câmera em constante movimento que resulta em travellings horizontais e close-ups em profusão; a montagem com inúmeras transições abruptas de cena; e, embora, parta de uma premissa instigante e envolvente, várias passagens do longa são bem cansativas. É de maneira psicodélica e apostando em uma atmosfera onírica que a lenda ganha corpo na tela. O filme não desagrada, mas infelizmente não chega a ser memorável. Não incomoda, mas também não causa comoção.

MIB: HOMENS DE PRETO INTERNACIONAL
Direção: F. Gary Gray

Novo longa da franquia MIB: Homens de Preto reinventa com alguma imaginação e energia o plot da saga, fazendo a narrativa refletir um contexto atual e trazendo mais representatividade à série. No entanto, não é o suficiente para cativar a atenção do espectador, passando longe do tom estiloso do longa que o originou. MIB: Internacional apenas se apropria do legado, mas não traz nenhum frescor, tampouco algum ineditismo para a série. Talvez seja melhor os fãs revisitarem o longa de 1997 e curtirem a nostalgia, relembrando a deliciosa safra de sci-fis daquela geração, do que se desapontarem com esse quarto filme da saga. A verdade é que não se faz mais ficção científica como nos anos 1990.

A LAVANDERIA
Direção: Steven Soderbergh

Cada frame de A Lavanderia de Steven Soderbergh grita “queria ser dirigido pelo Adam McKay”. E como não foi, não tem o mesmo impacto, o mesmo estilo e nem as mesmas qualidades narrativas dos filmes de McKay. Tenta ser cool, mas é apenas irregular como toda a filmografia de Soderbergh. Com uma narrativa caótica e desprovida de escopo, o longa ainda sofre com a falta de equilíbrio entre as subtramas e os elementos dramáticos. Ótimos atores como Gary Oldman e Antonio Banderas no momento e no filme errado. Meryl Streep é a única do elenco que escapa ilesa, mesmo que tenha passado raspando.

Filmes Mais Subestimados:

ALITA: ANJO DE COMBATE
Direção: Robert Rodriguez

Apesar de um aspecto por vezes kitsch e uns entrechos cafonas, Alita é um filme agradável. O longa narra a história de uma ciborgue com habilidades notáveis de luta em busca de desvendar o seu passado. O elenco é interessante, tem movimentos de câmera bem legais, as cenas de luta são bem resolvidas (embora algumas sejam mais óbvias do que outras) e, apesar de um tanto brega, alguns momentos que sublinham as relações entre os personagens são bastante genuínos. O desenho de produção e a montagem são outros itens de destaque. Falha um pouco na edição de som, mas nada que comprometa efetivamente. Alita é escapista, bebe da fonte de O Exterminador do Futuro, Blade Runner e até Matrix (não no conceito, convém dizer, mas visualmente). De qualquer forma, é uma produção divertida e um ótimo jeito de se passar duas horas.

SHAZAM
Direção: David F. Sandberg

Clássico herói dos quadrinhos, ganhou uma adaptação em live-action fiel ao espírito de seu material de origem, que soube utilizar sabiamente os clichês ao seu favor, diverte sem ser infantilóide e emociona sem ser piegas. Mas, infelizmente, não ganhou tanto espaço quanto os filmes da Marvel e foi rejeitado até mesmo por DCnautas que curtem e defendem o tom sombrio e carregado de seriedade de Homem de Aço e Batman Vs Superman. Tem seus problemas? Óbvio que tem. Mas é um filme bastante simpático e despretensioso. Uma aventura cômica e exuberante sobre a amizade, família, partilha e crescimento.

Filmes Mais Superestimados

CAPITÃ MARVEL
Direção: Anna Boden e Ryan Fleck

A tática da Marvel Studios é aquela mesma empregada nos quadrinhos da época em que as adquiríamos nas bancas por meio de formatinhos, com papel de qualidade ínfima, aqui no Brasil: produzir várias aventuras isoladas e triviais que soam como um fragmento de algo maior até culminar em um grande evento de proporções épicas e que realmente vale a pena enquanto obra cinematográfica. Assim, fatura várias cifras com entretenimentos menores. O filme, dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck, se destaca como a primeira produção da Marvel Studios protagonizada por uma super-heroína e, nestes tempos sombrios, é de uma importância inquestionável por mostrar ao mundo, através das telonas, que a personagem mais forte do MCU trata-se de uma mulher. Para a cultura geek, é de relevância histórica, mas quando analisado pelo ponto de vista cinematográfico, é um filme que deixa bastante a desejar. O que prejudica mesmo o longa é a falta de profundidade do texto. A obra se empenha em expressar os conceitos de representatividade, liderança e força feminina, mas, na maior parte do tempo, é apenas superficial.

ROCKETMAN
Direção: Dexter Fletcher e Matthew Vaughn

Rocketman pode ser definido como uma cinebiografia que mescla elementos de fantasia com musical. Transitando entre a realidade e o delírio, apostando em um visual de cores vivas e vibrantes, o filme baseado na história de Elton John não é ruim. Longe disso. Trata-se de um tributo exaltado e apaixonado à carreira do talentoso artista, sem dúvidas, além de bastante honesto em suas intenções. Mas é imperfeito. Não é a oitava maravilha que alardearam por aí. Vale pela atuação de Taron Egerton em momento inspirado – embora o ator se exceda em alguns momentos, acerta o tom na maior parte das cenas. Para quem esperava ver mais da história do músico retratada na tela, periga se desapontar, pois várias das passagens mais interessantes de sua vida ficam de fora da dramatização.

GREEN BOOK
Direção: Peter Farelly

O road movie sobre uma amizade inusitada, aprendizado mútuo e respeito às diferenças se lança em uma onda de lugares-comuns constantemente perpetuados em tramas do gênero. O filme limita-se a ser um melodrama edificante, de cunho motivacional bem do estilo que a Academia ainda, infelizmente, adora consagrar. Mais uma narrativa sobre um white savior. Como se precisássemos…

Piores Filmes

X-MEN: FÊNIX NEGRA
Direção: Simon Kinberg

Nada me dói mais do que listar um filme dos X-Men na lista de piores do ano. Mas não houve como fugir. Em cada quadro de X-Men: Fênix Negra, é possível notar a ânsia da 20th Century Fox por encerrar a série de uma vez, de maneira desleixada mesmo, já que os personagens estão prestes a retornar para sua verdadeira casa, a Marvel Studios. Mais uma vez, assim como em X-Men: O Confronto Final, os problemas de bastidores se refletem no resultado. Fênix Negra é rasteiro, superficial, apressado e o exemplar que mais deixa evidente a falta de cuidado e atenção da Fox com a cronologia da série. Com o perdão do trocadilho infame, não foi desta vez que a Fênix renasceu das cinzas. No geral, o outrora histórico arco dos quadrinhos, A Saga da Fênix Negra, é novamente diluído, soando como um remake de O Confronto Final, só que ainda mais raso. A franquia deveria ter encerrado mesmo com Dias de um Futuro Esquecido, um filme redondo e que representava um digno desfecho aos X-Men da Fox, além de soar como um tributo aos mutantes da velha guarda. Contudo, optou-se por um encerramento melancólico e decepcionante com Fênix Negra. Uma pena.

AFTER
Direção: Jenny Gage

Não intriga o fato de fanfics, uma atividade muito saudável desempenhada por fãs, ainda ser alvo de tanto criticismo e preconceito, quando os exemplares de maior destaque do gênero são histórias como a famigerada 50 Tons de Cinza e esta, After, um fenômeno da plataforma Wattpad, publicada primeiramente como fanfic de One Direction e, posteriormente, como um original, com os nomes dos personagens tendo sido alterados para a versão em livro físico. Assim como 50 Tons, esta percorreu o caminho bem-sucedido da literatura para as telas de cinema. Por favor, acreditem em mim quando digo que há muitas fanfics boas sendo escritas por autoras talentosas. Basta garimpar um pouco. Mas, infelizmente, são algumas das piores, das safras das mais mal escritas que se tornam famosas, viram livros e filmes. Este aqui é um exemplo. No filme de Jenny Gage, baseado na fanfiction de Anna Todd, Tessa Young é uma jovem universitária, com um futuro promissor e blahblahblah, cuja vida muda após conhecer o misterioso e sombrio Hardin Scott que despreza e desdenha da garota a princípio, até que eles começam a se envolver e todo o romance é ameaçado pelas pessoas ao redor e pela descoberta de um segredo cruel que o rapaz carrega. Mais clichê, mais chato, mais arrastado, mais morno e com a trilha sonora mais insuportável do ano, After é um desperdício enorme de minutos preciosos que você poderia utilizar vendo qualquer outro filme dessa lista. Até mesmo Fênix Negra. Na verdade, Fênix Negra é quase uma obra prima perto do desastre fílmico que é After. E o que é uma das minhas atrizes favoritas de adolescência, Selma Blair, pagando mico nesse filme? Ela merecia coisa bem melhor.

Andrizy Bento

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