Coelho Osvaldo (Oswald the Lucky Rabbit)

Ao iniciar sua carreira no ramo das animações, Walt Disney, obviamente, ainda não possuía um estúdio que levava seu nome, o tornando imensamente popular e conhecido ao redor do mundo e que se converteu em um império multimilionário. Em suma, ainda não havia criado o Mickey Mouse. O artista trabalhava para a Winkler Pictures de Margareth Winkler e Charles B. Mintz e, nessa época, ele criou o personagem Oswald the Lucky Rabbit (conhecido no Brasil como Coelho Osvaldo), em parceria com o seu amigo, o desenhista UB Iwerks.

Muito antes do Pernalonga, esse outro coelho estreou nos cinemas em 1927 com o curta, Trolley Troubles, fazendo um enorme sucesso. Naquele mesmo ano, Disney produziu mais oito curtas estrelados pelo Coelho Osvaldo. No ano seguinte, mais 17 curtas, sendo o último intitulado Hot Dog. Mas, infelizmente, após uma viagem a Nova York em 1928, o artista foi pego de surpresa: uma vez que ele não assinou suas criações, seu patrão, Charles Mintz, assumiu os direitos sobre o personagem, bem como sobre sua equipe de desenhistas e suas encomendas – tanto do Coelho Osvaldo, como de Alice (uma garota em carne e osso que atuava em um cenário e personagens animados).

A partir daí, com a Universal assumindo totalmente os curtas de Osvaldo, o personagem ficou nas mãos de George Winkler, cunhado de Mintz. Nesse novo ciclo, o coelho retornou aos cinemas com High Up. Foram produzidos 26 curtas, sendo nove em 1928 e 17 em 1929; o último intitulado Saucy Sausages.

Ainda em 1929, Mintz perdeu o contrato do personagem para Walter Lantz, iniciando-se uma era de ouro para o coelho. O primeiro curta produzido por Lantz nessa nova fase foi Race Riot. Além disso, o personagem passou a estrelar histórias em quadrinhos e também passou, posteriormente, por mudanças e reformulações nos traços – de preto e branco, tornou-se bege com barriga branca. Esse novo design do personagem foi elaborado por Manuel Moreno, da equipe de Lantz, em 1935.

Chegando à década de 1940, o coelho foi perdendo cada vez mais sua popularidade. Lantz criou e passou a dar atenção a vários novos personagens com o passar do tempo e a trajetória de Osvaldo nos cinemas teve um encerramento em 1938, com Happy Scouts. Apesar de se passarem cinco anos sem que mais nenhum curta estrelado pelo personagem fosse produzido, ele tornou a aparecer em um único filme, realizado em 1943, intitulado The Egg Cracker Suite, que fez parte da série Sinfonia Balançada, e mostrava os coelhos trabalhando em época de Páscoa, distribuindo os ovos ao redor do mundo. Quando o show do Pica-Pau foi parar na televisão, alguns dos curtas de Osvaldo da era Lantz passaram a ser exibidos no programa.

A participação do personagem com material inédito nos estúdios de Walter Lantz ficou limitada aos quadrinhos da Turma do Pica Pau e dois novos personagens foram acrescidos às histórias de Osvaldo: seus filhos, conhecidos como Bunny Children. Em 1951, o coelho ainda teve uma breve aparição no início do curta, Woodpecker Polka (A Polka do Pica-Pau) ao lado de Andy Panda e o galo Carlinhos.

Em 2006, após lutar por muitos anos para readquirir os direitos do personagem, os estúdios Disney conseguiram recuperar o Coelho Osvaldo, além de alguns de seus antigos curtas produzidos por Walt Disney entre 1927 e 1929. 

Muitas novidades relacionadas ao coelho surgiram no século XXI juntamente com o personagem que retornou ao seu design original. Uma delas foi sua aparição no jogo Epic Mickey de 2010, como líder da Terra dos Desenhos, e em Epic Mickey 2: The Power of Two de 2012, em que aparece como um novo aliado de Mickey Mouse. Outra aparição do personagem que vale destacar é uma ponta no curta Get a Horse de 2013.

Também curtas considerados perdidos reapareceram, como Hungry Hobos de 1928, encontrado em um acervo de filmes no Reino Unido em 2011; o curta natalino Empty Shocks, de 1927, achado na Noruega; Sleigh Bells, de 1928, que foi descoberto em 2015, nos arquivos da Cinemateca Britânica; e, em 2018, no Japão, foi encontrado Neck ‘n’ Neck de 1928.

No Brasil, pelo fato de o personagem ser muito antigo, não há muitos registros de sua passagem por aqui. Até onde se sabe, foram exibidos apenas dois episódios estrelados por ele no show do Pica Pau transmitido na televisão brasileira, sendo eles: Toyland Premiere (O Desfile de Natal), de 1934, e o já citado The Egg Cracker Suite (esse eu mesma cheguei a ver um dia na TV), ambos disponíveis no youtube com a dublagem brasileira original, comprovando o relato de telespectadores do programa que afirmam ter visto os episódios sendo exibidos no SBT durante a década de 1980.

No mais, o coelho é bem lembrado pelos quadrinhos da Turma do Pica Pau, em edições que circularam por aqui e que, na maioria das vezes, contavam com suas aventuras. Pode ser que também que o personagem tenha dado as caras em nosso país na era em que o cinema era o veículo de comunicação audiovisual dominante, lá pelas idos de 1920 e 1930, porém, infelizmente não há registros e nem relatos sobre o assunto.

Agradecimentos especiais aos amigos: Willian Fernandes, Alexandre Marques e Emílio Pacheco pelas informações a respeito da exibição de produções estreladas pelo personagem na TV Brasileira.

Adryz Herven

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