X-Men: Fênix Negra – A Saga dos Mutantes na Fox

“McAvoy ou Stewart? Essas linhas temporais são tão confusas” (Deadpool, 2016)

Desordem cronológica

Em uma das tiradas mais certeiras do primeiro filme do Deadpool, o carismático anti-herói alude à bagunçada cronologia da saga mutante nos cinemas. De maneira bem-humorada, é como se o próprio estúdio sintetizasse em uma linha de diálogo e admitisse seu maior problema com relação aos filmes dos X-Men, mas o tratasse como mero inconveniente ou impasse, não se preocupando em fazer nada de efetivo para consertar a falha. Justamente a linha cronológica da franquia é o que mais afeta seus longas, pois a Fox nunca olhou com mais cuidado e atenção para esse item de suma importância. O ápice dessa patacoada do estúdio é X-Men: Fênix Negra que estreou no último dia 6 de junho no Brasil. Essa é a deficiência mais visível do capítulo que encerra a saga de vinte anos e dez filmes da série X-Men na 20th Century Fox. Mas, infelizmente, está longe de ser a única.

Para surpresa de muitos na época (inclusive a minha), a primeira cena de X-Men: Primeira Classe, de 2011, já deixava nítido o desejo em conectar a nova série de longas mutantes à antiga trilogia que compreende os filmes lançados entre 2000 e 2006, ao invés de apenas investir em um reboot. Louvável, além de mostrar o respeito pelo legado que X-Men já havia construído até ali – de grande relevância para as produções baseadas em HQs como um todo. O problema é como isso foi executado. A falta de planejamento da Fox resultou em uma linha temporal incompreensível e incoerente. E quando tomamos conhecimento dos rumos que Matthew Vaughn (diretor de Primeira Classe) pretendia seguir com a franquia, só nos resta sentar e lamentar o fato de seus planos não terem se concretizado.

Fênix Negra é situado em 1993, isto é, três décadas se passaram desde os eventos retratados em Primeira Classe… E os personagens permanecem com a mesma aparência de 1960. Lembrando que o primeiro filme dos X-Men se passava em um futuro não muito distante, não exatamente definido, mas Jean Grey (Famke Janssen), Ciclope (James Marsden) e Tempestade (Halle Berry) aparentavam estar na casa dos trinta anos. Se eles eram adolescentes em Apocalipse, que se passa nos anos 1980, significa que, em Fênix Negra, já devem ter quase a mesma idade que tinham no primeiro X-Men, não? Mas, aparentemente, somente Charles Xavier (Patrick Stewart) e Erik Lehnsherr (Ian McKellen) envelheceram de modo drástico na época em que se passa a trama do primeiro filme. E para qual futuro exatamente Logan (Hugh Jackman) retornou ao final de Dias de um Futuro Esquecido, uma vez que, nele, Jean ainda está viva e o Professor Xavier não se aposentou? É uma linha temporal alternativa? Acharam mesmo que ninguém iria notar? Isso é que chamamos de subestimar a inteligência e, de quebra, a paciência do público.

Mutantes na Fox: X-Men longe de casa

Ao contrário da Marvel Studios, a Fox visa resultados imediatos e altas cifras em bilheterias, não se importando realmente em construir, de maneira gradativa e cuidadosa, enredos sólidos. A sorte do estúdio – e, por tabela, dos fãs dos heróis mutantes – é que os filmes sempre contaram com diretores e roteiristas competentes e até inspirados que conseguiam tirar água de pedra ao saber trabalhar com prazos apertados impostos pelo estúdio; fazer algo decente ainda que a toque de caixa; contornar com sabedoria as dificuldades enfrentadas nos sets de filmagens que não raramente surgiam devido ao planejamento parco da Fox. E talvez por isso mesmo, como espectadora e fã de longa data dos mutantes, eu não consigo simplesmente desgostar de um filme dos X-Men, porque, por mais que os interesses do estúdio limitem-se ao retorno financeiro e à soberba de seus produtores, os longas ainda assim são cheios de boas intenções.

O primeiro X-Men foi um êxito inesperado e o filme responsável por ressuscitar um gênero que andava combalido em Hollywood: os filmes baseados em quadrinhos de super-heróis. Esse fato já foi comentado inúmeras vezes por aqui e a verdade é que a Fox acertou pontualmente com alguns filmes da série, como é o caso do próprio X-Men de 2000, que era bem competente e respeitava a essência dos quadrinhos, ainda que munido de licenças poéticas; os inteligentes e sofisticados X-Men 2 e X-Men: Primeira Classe; e o divertido, dinâmico e praticamente completo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Contudo, também entregou filmes feitos de maneira apressada e que atravessaram diversos problemas de bastidores. X-Men: O Confronto Final foi o primeiro deslize do estúdio, mas ainda assim possui suas qualidades; X-Men: Apocalipse, embora divertido, é imemorável; isso sem falar no primeiro e segundo longas do Wolverine que não merecem mais do que uma linha de comentários aprofundados.

É bem provável que se os primeiros filmes dos X-Men fossem lançados hoje, não contassem com a aclamação da crítica e público como na ocasião de seus respectivos lançamentos. Afinal, tratavam-se de bons filmes, mas discutíveis enquanto adaptações. Funcionavam ao assumir a tônica de ficção científica, mas não exatamente como produções baseadas em quadrinhos de super-heróis. Incomodavam principalmente os mais puristas, pois, mantinham o espírito das HQs, mas não apresentavam fidelidade extrema ao cânone do material de origem.

Em 2008, a Marvel Studios surgiu com Homem de Ferro e, à medida que o universo de Vingadores ia se expandindo nas telonas, as coisas passaram a ficar mais difíceis para as demais companhias que detinham os direitos de outros personagem da editora, como a Fox e a Sony. A estratégia era emular os quadrinhos, unindo seus principais heróis em uma mesma franquia, apostando no conceito de universo compartilhado após introduzi-los devidamente ao público por meio de filmes solo de origem. Dispensável dizer que a Marvel foi extremamente bem sucedida em seu intento. A Fox tentou manter o Quarteto Fantástico e errou. Duas vezes. Deslizou feio já com o primeiro Demolidor e praticamente desistiu. Porém, soube sustentar bem a sua galinha dos ovos de ouro, os X-Men. Feliz ou infelizmente.

A saga mutante na Fox tinha o trunfo de ser a responsável pela explosão das adaptações cinematográficas de HQs e o estúdio resolveu explorar os mutantes o máximo que pôde, até esgotar seus últimos resquícios de energia. Para o bem ou para o mal, foi o único que deu certo na Raposa, pois, independente dos problemas de execução, os exemplares mutantes nas telonas sempre garantiram um bom retorno financeiro e se consagraram como sucessos de crítica e bilheteria. Digo para o bem ou para o mal porque, em primeiro lugar, tratava-se de uma concorrência saudável para a Marvel Studios – foi o último pilar a resistir fora desta – ao mesmo tempo em que servia para alimentar o ego e ambição dos produtores que não mostravam o mínimo de paixão pelo projeto, só se interessavam com o fato de este ser rentável o suficiente. Até que a Disney comprou a Fox e a produtora finalmente foi obrigada a abrir mão dos mutunas e passar o bastão para a Marvel Studios que, hoje, como todos já sabem, é propriedade da Disney.

Fracasso anunciado

Em cada quadro de X-Men: Fênix Negra, é possível notar a ânsia da Fox por encerrar a série de uma vez, de maneira desleixada mesmo, já que os personagens estão prestes a retornar para sua antiga casa. Mais uma vez, assim como em X-Men: O Confronto Final, os problemas de bastidores se refletem no resultado. Fênix Negra é rasteiro, superficial, apressado e o exemplar que mais deixa evidente a falta de cuidado e atenção da Fox com a cronologia da série. Com o perdão do trocadilho infame, não foi desta vez que a Fênix renasceu das cinzas.

O lançamento parecia mesmo fadado ao fracasso e os atrasos constantes atestavam isso. A princípio, o longa deveria estrear em 21 de dezembro de 2018 – curioso, uma vez que os filmes da franquia sempre estrearam durante o verão americano – no entanto, precisou passar por refilmagens de última hora já durante a fase de pós-produção, devido a uma série de motivos. O que alterou drasticamente elementos da trama, incluindo até mesmo a raça alienígena que deveria aparecer na produção de modo a evitar paralelos com um lançamento recente da Marvel Studios, Capitã Marvel. No lugar dos Skrull, entram os D’Bari. Vários personagens tiveram cenas cortadas, batalhas colossais foram limadas, o tom do filme mudou. Logo, a data de estreia foi adiada para garantir algumas melhorias antes de o longa ser apresentado ao público – primeiramente para 14 de fevereiro de 2019 e, então, para 6 de junho do mesmo ano. Mas, no ano de estreia de Vingadores: Ultimato, o lançamento de Fênix Negra parecia suicídio de qualquer forma.

Por incrível que pareça, o filme começa bem. Toda a sequência que se passa no espaço é digna de nota e até parece prometer uma produção interessante. Os efeitos visuais empregados nessa cena específica, por exemplo, estão surpreendentemente competentes (perdoem a cacofonia) para um filme que precisou de tantos reparos. Mas acaba por aí. Fênix Negra desanda a partir do momento em que o grupo retorna para a Terra. O roteiro derrapa tanto que a tentativa de elencar as suas falhas é árdua, complexa e, confesso, cansativa. Mas vamos tentar do início:

As cinzas de O Confronto Final

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Após os eventos de Dias de um Futuro Esquecido e Apocalipse, pela primeira vez, os mutantes são vistos e tratados como heróis pela sociedade, com direito a crianças vestidas como eles enquanto aguardam o retorno da equipe do espaço… O que, por si só, já fere a essência do que os mutantes sempre representaram no universo cinematográfico da Fox, mas até aí faz sentido. Em um mundo que aceita tão bem heróis como Vingadores, por que os mutantes sempre tem quer ser vistos como párias? Afinal, eles possuem poderes sobrenaturais, atuam na salvação de humanos indefesos e causam os mesmos prejuízos que Tony Stark, Capitão América, Hulk e companhia limitada, convém dizer.

Mas voltando ao filme: o governo, agora, conta com o auxílio dos X-Men. Aliás, vemos o Presidente dos Estados Unidos em pessoa utilizar uma linha telefônica direta para se comunicar com Charles Xavier (James McAvoy). Ele solicita a presença dos heróis mutantes no espaço para o resgate dos astronautas de um ônibus espacial Endeavour, gravemente danificado após uma explosão solar. Aludindo aos primeiros longas mutunas, vemos novamente o X-Jato decolar da quadra de basquete e a equipe liderada por Mística (Jennifer Lawrence) e Fera (Nicholas Hoult), composta pelos jovens Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner), Noturno (Kodi Smit-McPhee), Mercúrio (Evan Peters) e Tempestade (Alexandra Shipp) parte rumo ao espaço exterior. Durante a missão de salvamento do ônibus espacial, Jean Grey entra em contato com uma força cósmica indestrutível, de poder incomensurável e impossível de controlar: a Fênix. E é aí que os dias de paz e heroísmo dos X-Men terminam.

O roteiro até que se esforça em apresentar algumas boas ideias.  A metáfora da caneta, utilizada pelo professor Xavier, sobre como esta pode ser tanto um instrumento de expressão de criatividade quanto uma arma, fazendo referência aos poderes mutantes que podem ser utilizados para o bem ou para o mal, é fantástica. Bem como toda a desmitificação da figura de protetor de Charles Xavier, trazendo à tona a ambiguidade, frieza e o tamanho do ego do personagem, tornando-o ainda mais verossímil e interessante. A batalha de poderes entre Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) e Jean Grey, lá pelas tantas, é sensacional. Aliás, outro dos acertos do longa é retratar um Magneto mais humano e com motivações, embora deponha contra sua natureza ajudar humanos quando ele sempre pregou que o Homo sapiens era a escória da humanidade e defendeu o ideal de supremacia mutante. De qualquer maneira, um dos principais méritos da produção é não recorrer ao maniqueísmo. Mística declarando que os X-Men deveriam mudar de nome para X-Woman é outro ótimo momento do longa. Há uma breve aparição de Cristal (Halston Sage), a mutante estrela da música, que, ainda que despropositada, é divertida para os fãs que adoram pescar referências. E o elenco, afinado para variar, sempre vale o ingresso.

Mas, no geral, o outrora histórico arco dos quadrinhos, A Saga da Fênix Negra, é novamente diluído, soando como um remake de O Confronto Final, só que ainda mais raso. Pode-se acusar O Confronto Final de absolutamente tudo: há muitas tramas paralelas, excesso de personagens despejado na tela, uma mudança considerável e inadequada da tônica de ficção científica para um filme de ação genérica… Mas, pelo menos, bastava que o espectador atento mantivesse os olhos na estrada para conseguir apontar quando um personagem entrava e saía de cena e qual era sua função na trama, ainda que praticamente nula. A montagem, também, era competente. Em Fênix Negra, sequer conseguimos lembrar quais personagens estão na ativa e quais já desapareceram do enredo. A impressão que o longa transmite é que o diretor Simon Kinberg, chateado pelo que teve de ser excluído do tratamento final do roteiro da outra vez, resolveu reaproveitar neste as ideias que deveriam ter sido utilizadas originalmente em Confronto Final.

Falando em Kinberg, apesar de ter assinado os roteiros de boa parte dos longas do grupo de mutantes e feito um ótimo trabalho no tocante aos textos, não é um cineasta muito talentoso. Há várias passagens que denunciam seu amadorismo na direção. Iniciar a carreira de realizador já com um longa dessa estirpe e com tanta responsabilidade sobre os ombros não foi mesmo uma boa ideia. A sorte do sujeito é que por conhecer a franquia e os personagens pelos anos em que vem trabalhando com eles, evita que o longa seja um desastre completo.

O que mais incomoda é que, para quem conhece a Fênix de sua mídia original, sabe que não só a sua história era fantástica, como a personagem complexa e eximiamente bem trabalhada. O arco da Fênix Negra transformou a, outrora Garota Marvel, namoradinha do Ciclope em uma das figuras mais atraentes de X-Men e na mutante mais forte do universo Marvel. Além de uma vilã inclemente que devorava sóis e destruía planetas nas horas vagas. E era vilã suficiente para sustentar um filme. Não era necessário incluir uma subtrama envolvendo a raça alienígena D’Bari, liderada por Vuk, que resultou apenas em um desperdício de cast no caso de Jessica Chastain.

E embora eu tenha dito que o elenco ainda vale a pena, muitos dos atores são igualmente desperdiçados. Finalmente a relação entre Jean Grey e Scott Summers soa crível – apesar de ganhar poucos minutos de tela e desenvolvimento (muitas das cenas deles juntos foram deletadas no corte final). Ainda assim, nesse quesito, supera o casal de atores anterior que não exibiam a menor química. Contudo, os personagens não foram devidamente explorados nos longas anteriores para que cheguemos a nos importar com eles. Tye Sheridan provavelmente não teve dificuldade nenhuma para decorar seu texto, uma vez que suas falas se resumem a proferir o nome de Jean continuamente. O mesmo vale para a Tempestade que nunca teve seu devido espaço na série e sua irrelevância persiste em Fênix Negra. Eu não me lembro de nenhuma de suas falas, só sei que ela mal aparece utilizando seus poderes. Mercúrio, que até ganhou certo destaque nos predecessores, aqui é reduzido ao papel de alívio cômico, desaparece de cena antes da metade da projeção e o fato de ser filho de Lehnsherr nem sequer é mencionado. Se não era para abordar esse tema, por que diabos foi citado nos outros filmes da série? E já que estamos nesse tópico, convém apontar que, além da desordem cronológica, outro dos graves problemas da franquia mutante na Fox é justamente os personagens que foram escolhidos para protagonizá-la.

Excesso de protagonismo

X-Men: Primeira Classe é um dos melhores filmes da série, em termos narrativos e estéticos. Contudo, não alcançou o sucesso almejado pela Fox. Talvez, por isso, tenha-se optado por não seguir os planos originais de Vaughn para a franquia e dado outro rumo para ela. Na época, justificou-se a bilheteria aquém do esperado com a ausência de Wolverine. Essa dependência do personagem interpretado por Hugh Jackman foi algo criado pela própria equipe criativa contratada pela Fox, devido ao fato de que o velho Wolvie era o personagem mais popular dos quadrinhos e o ator que o vivia, extremamente carismático. No entanto, uma coisa é ser popular e outra é ter personagens outrora tão importantes apenas coadjuvando um protagonista que ofuscava os demais.

Já a nova quadrilogia peca na importância demasiada e incompreensível concedida à Mística de Jennifer Lawrence, atriz cara e oscarizada, que deu vida a uma Raven Darkholme totalmente distinta à dos quadrinhos e – pior! – dos demais filmes da série. Primeiramente, Mística sempre foi melhor trabalhada como vilã. Em segundo lugar, as horas intermináveis de maquiagem pesada a que Rebecca Romijn (intérprete da primeira Mística) era submetida sem reclamar, foram substituídas por um traje especial, simulando escamas (que, por vezes, soava aparente e artificial) e alguma pintura complementar. Não só as horas de aplicação e a própria maquiagem foram reduzidas, como o tempo de tela em que Lawrence aparecia com a aparência original da personagem.

Me corrijam se eu estiver errada, mas enquanto Rebecca portava o tipo, nunca foi canônico no universo dos filmes que Lady Mystique tinha uma aparência humana fixa. Por que nos novos filmes a Mística sempre tem a cara da Jennifer Lawrence mesmo? Ela aparece mais com a aparência humana do que com a original, o que por si só já contradiz o discurso dos primeiros filmes e uma das cenas mais interessantes de X-Men 2 – o diálogo com Noturno (Alan Cumming), no qual ele questiona por que, já que Mística é uma transmorfa, ela não permanece com a aparência humana o tempo inteiro, de modo a se parecer com todos os demais. Simples, concisa e objetiva, a personagem responde “porque não deveríamos ter de fazer isso”. Isto é, os mutantes precisam ser aceitos como são e não se adequar para que se encaixem na sociedade. Eles merecem o seu lugar, não mediante exigências e condições estabelecidas pelos humanos comuns. O final de Primeira Classe até dava a entender que Mística havia se aceitado, mas não foi o que vimos nos filmes subsequentes. Decerto, por decisão da própria atriz… E por último, mas não menos importante, convém salientar que a personagem nunca foi uma heroína idolatrada pelas massas e, mesmo como vilã, nunca lhe foi atribuída tal importância nos quadrinhos como nos filmes da Fox.

Veredito

As falhas, equívocos e defeitos não ficam por aí. Há linhas de diálogos de uma obviedade ululante; batalhas que não empolgam, nem divertem; um visual extremamente artificial (como se praticamente todo o orçamento houvesse sido utilizado na sequência que se desenrola no espaço); a trama é rápida, subaproveitada, mal resolvida e conclui-se de modo simplista; o clímax é arrastado e apático; o senso de aventura é nulo; o diretor não soube situar seus atores nas cenas de ação; e, para uma produção ambientada na década de 1990, não há nada de muito efetivo que a identifique como tal. A reconstituição de época – um dos itens mais bem cuidados dos longas que precedem Fênix Negra – praticamente inexiste desta vez. Outro grave problema é que nunca se tem a impressão de que os X-Men são, de fato, uma equipe, pois a dinâmica de grupo é ausente na maior parte do tempo. É como se cada um lutasse por si próprio e não em conjunto. X-Men Apocalipse tinha seus problemas, mas ainda era um filme assistível. Fênix Negra mal pode ser considerado um filme. Parece mais o esboço de um projeto que não deu certo. Um remake mal engendrado e executado de O Confronto Final que não respeita nem seus predecessores e muito menos as HQs.

Apesar de toda a deficiência de conceito, há de se citar um mérito: a ideia de finalizar a série com uma cena entre Xavier e Magneto é não apenas acertada como digna. Ainda mais com a derradeira partida de xadrez entre os dois personagens – uma das metáforas mais emblemáticas da franquia desde o primeiro longa dos mutantes. Charles e Erik foram os dois pilares que sustentaram a nova série de filmes e os dois grandes destaques das produções. Particularmente, a dicotomia entre os personagens e sua amizade que resiste aos embates ideológicos sempre foi um dos aspectos que mais me atraiu em X-Men em todas as suas versões. E fico feliz de ver o quanto isso foi bem realizado e interpretado, tanto com Patrick Stewart e Ian McKellen quanto com James McAvoy e Michael Fassbender. Todos os quatro atores irrepreensíveis em seus papéis.

No mais, a franquia deveria ter encerrado mesmo com Dias de um Futuro Esquecido, um filme redondo e que representava um digno desfecho aos X-Men da Fox, além de soar como um tributo aos mutantes da velha guarda. Contudo, optou-se por um encerramento melancólico e decepcionante com Fênix Negra. De qualquer modo, como a própria narração no final do longa faz questão de nos informar, este não é o fim, mas um novo começo para os mutantes. E a mudança de estúdio pode beneficiá-los e muito. Afinal, mutação é a chave para nossa evolução. Foi como evoluímos de um organismo unicelular para uma espécie dominante do planeta – ou, pelo menos, melhor planejada -, a Marvel Studios. O processo é lento e gradativo e, naturalmente, deve levar alguns anos. Mas, a cada período de tempo, a evolução dá um salto. E é o que esperamos. Um salto qualitativo na futura produção estrelada pelos nossos queridos mutantes dos X-Men no MCU.

Como fã, guardarei com carinho a lembrança dos filmes produzidos pela Fox. Bons ou ruins, representaram o ponto de partida para os filmes de super-heróis como conhecemos hoje e, portanto, sua relevância é indiscutível.

Andrizy Bento

 

2 comentários em “X-Men: Fênix Negra – A Saga dos Mutantes na Fox”

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