[Especial] Teledramaturgia – Parte 5: Novelas Que Não Tiveram Fim

Calma! Não estamos falando daquelas produções que nunca acabam como Malhação e, sim, de novelas que foram interrompida antes de conhecerem um desfecho.

Atualmente, se uma telenovela não anda muito bem de audiência, o autor trata de fazer mudanças na história na esperança de salvar o folhetim, ou dá um jeito de resolver todos os seus arcos rapidamente, antecipando a conclusão dos personagens de modo a não ficar nenhuma lacuna.

Mas já aconteceu  de não haver meios de salvar a telenovela e cancelaram a trama sem concluir o enredo, deixando a produção sem um desfecho (caso comum entre os seriados norte-americanos). Mas a questão do fracasso de audiência não pode ser atribuída a todas as novelas que foram cortadas antes de serem finalizadas, mas também ao fechamento e falência da emissora que a transmitia.

Vejam abaixo quatro casos de novelas de novelas que não chegaram a terminar.

Como Salvar Meu Casamento – Rede Tupi (1979 – 1980)

Com a falência da Rede Tupi, Como Salvar Meu Casamento foi uma das últimas telenovelas da emissora. Apesar de ter começado com uma baixa audiência – que mais tarde começou a subir elevando o folhetim à liderança em São Paulo, conquistando a atenção do público – saiu do ar faltando apenas vinte capítulos para o seu fim, deixando órfãos seus telespectadores, que não chegaram a conhecer a conclusão da trama.

Nos anos 1990, as emissoras SBT e Rede Globo disputaram a produção de um remake de Como Salvar Meu Casamento, mas nenhuma das emissoras levou o projeto para frente. Boatos de que Carlos Lombardi um dos autores originais e que atualmente é contratado da Rede Record, tem cogitado, há algum tempo, a ideia de um remake, mas sem previsão de se concretizar.

A história girava em torno do casal de classe média, Dorinha e Pedro, casados há 23 anos e cujo relacionamento começava a ficar abalado após o marido se apaixonar por uma moça mais jovem. A mulher, contudo, procurava recursos para que a união dos dois não chegasse ao fim.

Novela escrita por Edy Lima, Ney Marcondes e Carlos Lombardi. Um trio de autores iniciantes foi a aposta do diretor Walter Avancini para esse projeto. A direção ficou a cargo de Atílio Riccó. Protagonizaram a novela, os atores Nicette Bruno e Adriano Reis.

Drácula, Uma Historia de Amor – Rede Tupi (1980)

Outra novela que teve o mesmo problema com a falência da TV Tupi, a diferença é que essa tinha recém-começado na emissora paulista, tendo apenas quatro capítulos exibidos e dez já escritos. Mas, ao contrário da novela citada anteriormente, três dias após o fechamento da Rede Tupi, a Rede Bandeirante decidiu resgatar a obra e chamar o elenco e autores de Drácula, Uma História de Amor para a emissora, agora com o nome de Um Homem Muito Especial, com os dez primeiros capítulos reescritos, e os quatro já exibidos, regravados. As cenas ficaram mais fortes, novos capítulos foram escritos e, dessa vez, ela foi exibida até o fim. Pena que a novela foi um fracasso, apesar da boa intenção da TV Bandeirantes de dar uma nova chance à trama na TV brasileira.

A trama conta uma história alternativa da famosa figura da literatura, o Conde Drácula. Na história, ele deixa a Transilvânia e vem para o Brasil em busca de seu filho, Rafael. Ainda pequeno, o menino havia sido trazido para o país por Hanna, sua ama. Quando encontra Rafael, Drácula conhece a namorada de seu filho, Mariana, que ele acredita ser a reencarnação de um antigo amor. A partir daí, nasce um triângulo amoroso.

Rubens Ewald Filho foi o encarregado de escrever o folhetim. A idéia partiu de Walter Avancini, que foi demitido da Tupi antes da estréia da novela. A direção foi de Atílio Riccó e supervisionada por Álvaro Moya. Escalado para o elenco principal, Rubens de Falco, Carlos Alberto Riccelli, Bruna Lombardi e Cleyde Yáconis.

Renúncia – Rede Bandeirantes (1982)

Anúncio da novela Renúncia (Reprodução)

Baseada no romance homônimo do médium Chico Xavier, e tendo exibidos apenas os 12 primeiros capítulos, a TV Bandeirantes tirou o folhetim do ar com a transmissão da propaganda eleitoral gratuita da época, colocando a produção em hiato. Porém, após o fim das eleições, a novela acabou não voltando à grade de programação e a emissora sequer apresentou alguma explicação a respeito. Dizem que é porque a Bandeirantes não estava satisfeita com a baixa audiência da trama e usou o hiato da novela para retirá-la definitivamente do ar, o que é estranho já que a novela tinha recém-estreado e poderia ter uma chance de angariar melhores números nos capítulos seguintes. Outro motivo pode ter sido a crise inflacionária da época que impediu a emissora de continuar com as gravações, levando ao cancelamento da trama. Essa foi a única tentativa de se adaptar o livro na história da dramaturgia.

A história se passava em Paris no século XIX, época dos famigerados casamentos de conveniência. Claro que o enredo se tratava disso. Nele, Cirilo Davemport estava prometido à Suzana, mas vivia um amor proibido com Madalena Vilamar.

A adaptação do roteiro para a TV ficou a cargo do dramaturgo Geraldo Vietri, que também dirigiu o folhetim. Nos papéis principais estavam os atores Fúlvio Stefanini, Berta Zemel e Georgia Gomide.

Brida – Rede Manchete (1998)

Imagem relacionada

Esse é um dos casos mais lembrados na história da teledramaturgia nacional. A Rede Manchete – que já caminhava à beira do fim de suas atividades em razão da queda de audiência e das imensuráveis dívidas financeiras no final da década de 1990, tendo problemas cada vez maiores com sua programação – tentou investir em uma nova e ousada trama, a novela Brida, baseada em um best-seller do famoso escritor Paulo Coelho. Resultado: não chegou perto nem da baixa expectativa de cinco pontos que a emissora planejara, atingindo pífios dois pontos na grande São Paulo e fazendo com que a trama mudasse seu horário, das 19hs para as 22hs20, alterando o roteiro e investindo em cenas de erotismo que sempre representaram a marca registrada da teledramaturgia da Manchete.  Enfim, a emissora percebeu que não tinha mais salvação. O jeito foi tirá-la do ar antes do fim. No capítulo 54, exibido em 23 de outubro de 1998, uma narração em off acompanhada de cenas esparsas que ainda viriam a ser transmitidas, contavam o destino final de cada personagem para os poucos telespectadores que restaram. Após esse desastre que custou caríssimo, a Manchete fechou de vez.

O enredo era centrado em uma jovem comum de família abastada, Brida, que descobria ser a reencarnação de uma poderosa bruxa que viveu 300 anos antes, na Irlanda, e que passa a ser perseguida pelo feiticeiro rival, Vargas, assessor de seu pai e presidente da empresa Aurea. A partir daí, ela começava a usar suas habilidades com a magia para derrotar o feiticeiro, também iniciando um triângulo amoroso com seu noivo Lorens e o mago Mariano.

A adaptação do romance era uma ideia da divisão de teledramaturgia da emissora e ficou a cargo de Jaime Camargo, Sônia Mota e Angélica Lopes e colaboração de Ana Fadigas e Samy Wurman. Direção de Walter Avancini (que também cuidou da direção geral), Sergio Mattar, Lizânias Azevedo e Luiz Antônio Pilar. A novela foi estrelada por Carolina Kasting, Leonardo Vieira, Rubens de Falco e Augusto Xavier nos papéis principais.

Adryz Herven

 

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