Go Back (1988) – Titãs

Data de lançamento: Outubro de 1988
Duração: 50:41
Faixas: 13 faixas
Estilo: BRock
Produção: Liminha
Gravadora: Warner Music

Lado A
Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas
Nome Aos Bois
Bichos Escrotos
Pavimentação
Diversão
Marvin
AA UU

Lado B:
Go Back
Polícia
Cabeça Dinossauro
Massacre
Não Vou Me Adaptar
Lugar Nenhum

Produção: Liminha
Gravadora: Warner Music
Capa: (da esquerda para a direita em sentido horário) Nando Reis, Sérgio Britto, Tony Bellotto e Paulo Miklos

Nesse mês de outubro completam 30 anos de Go Back, o primeiro disco ao vivo do Titãs. Entre os anos de 1986 até 1990 representaram o auge da trajetória artística do octeto paulista. O Titãs começou a ter atenção do grande público com o terceiro disco intitulado Cabeça Dinossauro, que já foi mencionado aqui. O álbum seguinte, Jesus Não Tem Dentes no País do Banguelas (1987), veio para sacramentar a titãmania no Brasil, tanto que o chefão da Warner no Brasil, André Midani, declarou, na época, que o Titãs era a coisa mais importante na MPB desde a Tropicália. O mais conhecido show da turnê desse disco foi na segunda edição do festival Hollywood Rock, que ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Titãs tocou na mesma noite com os conterrâneos do Ira! e os ingleses do The Pretenders. A primeira edição do Hollywood Rock foi em 1975, no estádio General Severiano, no Rio de Janeiro, e contou apenas com atrações nacionais.

Nesse embalo o Titãs foi convidado para tocar na 22ª edição do Montreux Jazz Festival, que ocorreu no Cassino da cidade de Montreux, na Suíça. Nessa mesma edição do evento também se apresentaram Alcione, Martinho da Vila, Rita Lee e Lulu Santos. O octeto tocou na noite dedicada ao rock marcado para o dia 8 de Julho de 1988, mas sem o clima agitado que se via nas apresentações no Brasil. Mesmo assim, a banda resolver gravar, nesse festival, o seu primeiro disco ao vivo. Antes do Titãs, outros ícones brasileiros já haviam gravado disco ao vivo no mesmo festival suíço como a Beth Carvalho (Ao Vivo em Montreux em 1987), Pepeu Gomes (Ao Vivo em Montreux em 1980) e Os Paralamas do Sucesso (D em 1987).

Um mês antes, a banda foi para Londres, capital da Inglaterra, ensaiar junto do produtor Liminha no estúdio Nomies Complex, que fica perto da estação de trem Olympia. Dali o Titãs foram para a Suíça e depois para Portugal, onde abriram três shows da banda Xutos & Pontapés, com quem iniciaram uma amizade que dura até hoje. Em território português, o grupo foi recebido calorosamente pelo público, que ainda gritou “Liminha! Mutantes!”. O Titãs regravou, do grupo português, Circo de Feras no disco As Dez Mais (1999). Titãs e Xutos se apresentaram juntos no Palco Sunset no festival Rock in Rio em 2011. Esse show resultou no CD e DVD ao vivo, além da dose ter sido repetida na edição portuguesa do festival e no mesmo Palco Sunset em 2012.

Voltando ao assunto Go Back, a noite do rock, em que o Titãs se apresentou, teve mil mumificados e foi encerrada pelo grupo americano de Southern Rock, Georgia Satellites. Os Titãs chegaram na Suíça no dia de sua apresentação e os roadies ainda não haviam chegado do Brasil. Um outro grupo entrou no horário de ensaio do Titãs, que só pôde passar o som por 15 minutos, resultando em uma apresentação tensa no Cassino de Montreux. Charles Gavin tocou uma bateria emprestada, pra piorar, na terceira canção do show, pifou o amplificador do produtor Liminha (que fazia a terceira guitarra em algumas canções no show). O octeto chegou a desistir de lançar o disco ao vivo após ouvir a fita da apresentação.

A imprensa brasileira, na época, divulgou que o Titãs desagradou em Montreux. Ainda mais quando um jornalista brasileiro voltou de lá (para onde foi a convite da Warner) com uma fitinha do show pirateada, que acabou virando especial em uma FM carioca. A decepção só passou quando, no dia seguinte, ao show o octeto foi ver um vídeo da sua performance, sem edição, na casa de Claude Nobs, organizador do Festival de Jazz. O vídeo virou especial na extinta TV Manchete, dirigido por Branco Mello e o áudio virou Go Back. Claude Nobs cederia o mesmo Cassino para os ingleses do Deep Purple gravarem o seu badalado disco Machine Head (1972). Mas o local pegou fogo após um espectador soltar fogos durante um show do Frank Zappa lá dentro. O episódio resultou na canção Smoke On The Water, o maior sucesso do Deep Purple, uma das influências musicais do Titãs.

Go Back abre com Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, que foi interpretada pelo baixista Nando Reis. A segunda faixa é Nome Aos Bois, do mesmo disco citado e também interpretada por Nando. A terceira faixa é Bichos Escrotos, êxito de Cabeça Dinossauro e seu vocalista foi Paulo Miklos. Aliás há uma história curiosa sobre essa versão ao vivo que falarei mais pra frente. Para esse disco, o grupo resolveu ressuscitar faixas que não emplacaram nos dois primeiros álbuns, dando a elas novos arranjos. Por exemplo, a quarta faixa Pavimentação, que pertence ao Televisão (1985), segundo disco do octeto e cantada por Paulo Miklos. A quinta faixa é Diversão, sucesso de Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas e cujo interprete também é Miklos.

Bichos Escrotos em Montreux:

A penúltima faixa do lado A é Marvin, na voz de Nando Reis, versão que o Titãs fez de Patches, do grupo de soul americano Chairmen On The Board, para o seu primeiro disco em 1984. Sua versão ao vivo acabou conquistando o público. O lado A do vinil é encerrado com AA UU, outro êxito de Cabeça Dinossauro e interpretada pelo tecladista Sérgio Britto.

O lado B abre com a faixa que dá título ao disco, lançada no primeiro álbum. Interpretada por Sérgio Brito, Go Back havia sido gravada tendo como base Stir It Up, sucesso de Bob Marley, outra influencia da banda. Para o disco ao vivo, a sua base foi mudada, sem esquecer da influência do reggae. A segunda faixa do lado B é Polícia, outro sucesso de Cabeça Dinossauro e também com a voz de Sérgio Britto. Interpretada por Branco Mello, a citada Cabeça Dinossauro vem logo em seguida.

Videoclipe de Marvin:

A quarta faixa é Massacre, que é a primeira canção em língua estrangeira (misto de italiano com alemão) gravada pelos Titãs e resgatada do segundo disco, Televisão. Na sua primeira versão, fora interpretada por quatro dos cinco vocalistas dos Titãs, porém, nessa versão ao vivo, contava unicamente com a voz de Branco Mello. A penúltima faixa é Não Vou Me Adaptar, que vem também de Televisão, interpretada por Arnaldo Antunes. O disco é encerrado com Lugar Nenhum, mais um êxito de Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas. No final desta, o seu intérprete, Arnaldo Antunes, agradeceu em francês (merci), um dos idiomas falados na Suiça, além do alemão e do italiano.

A capa e a contra-capa traz os oito integrantes na infância. Na certa, eles queriam mostrar para o Brasil que já foram crianças na década que representava o auge da música infantil. O octeto, na fase adulta, estava mesmo no encarte que veio dentro da capa. Em um dos lados do encarte, haviam seis fotos da banda, as letras das canções e créditos do disco, acompanhado da proibição da execução da faixa Bichos Escrotos, devido à ensura que vigorava na época. Go Back foi lançado, oficialmente, na última semana de outubro de 1988 e, no dia 5 do citado mês, foi promulgada a Constituição Federal (chamada por muitos de Constituinte), dando por encerrado os trabalhos da Censura.

Videoclipe da versão remix da faixa-título:

Em um mês, o LP vendeu 100 mil cópias e um remix de cinco minutos da faixa-título foi muito bem encaminhada para as rádios. Em 1988, o CD chegou ao mercado brasileiro – na época, era chamado de disc laser. Go Back ganhou a sua versão em CD e com duas faixas bônus, as versões remix de Marvin e Go Back. Essa última com direito a videoclipe dirigido por Branco Mello e Jodele Larcher, que era bastante conhecido por assinar videoclipes brasileiros nos anos 1980.

Go Back se tornou um dos maiores discos ao vivo da história do rock brasileiro juntamente de Radio Pirata Ao Vivo (1986) do RPM, Alívio Imediato (1989) do Engenheiros do Hawaii, Viva (1986) do Camisa de Vênus, O Tempo Não Para (1988) de Cazuza e o citado D (1987) d’Os Paralamas do Sucesso. Vendeu cerca de 360 mil cópias, se tornando o disco dos Titãs com o maior número de vendagens. Passados nove anos, a liderança de Go Back foi tomada pelo Acústico MTV (1997), que vendeu 2 milhões de cópias.

Windson Alves

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