Homem-Formiga e a Vespa

Muito se especulou acerca do paradeiro do Homem-Formiga durante os eventos de Vingadores: Guerra Infinita. Afinal, ele não participa da ação juntamente com os demais heróis e, considerando o final trágico do filme dos irmãos Joe e Anthony Russo, ficou no ar a indagação acerca do destino do personagem. Teria Scott Lang (Paul Rudd) sucumbido ao estalar de dedos do poderoso Thanos (Josh Brolin)? O elenco de Guerra Infinita em peso até mesmo gravou um vídeo divertido perguntando por onde andava o personagem:


Para quem aguardou ansiosamente pela resposta na segunda aventura solo (em termos) do herói, a obteve, mas não de maneira muito satisfatória: Homem-Formiga e a Vespa se situa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil e só linka mesmo com Guerra Infinita em sua cena pós créditos. Aliás, a cena extra é, talvez, o momento mais interessante do longa dirigido por Peyton Reed – que novamente ocupa a cadeira de diretor do Formiga. Não que o filme seja ruim, muito longe disso. É uma divertida aventura de fim de semana, despretensiosa, leve, bem humorada, repleta de cenas de ação e cuja sintonia do elenco é notável. Mas, assim como o primeiro, limita-se a ser um filme destinado para a toda família em seu tom, estilo e narrativa.

De fato, não se trata de um demérito. Porém, o que era funcional no primeiro filme – pois tratava-se da origem e da introdução daqueles personagens e de seu universo nas telonas – acaba soando como mera repetição nesta sequência, com o diferencial de contar com a Vespa (Evangeline Lilly) protagonizando a ação ao lado do Formiga. E, após filmes mais maduros como Pantera Negra e o próprio Guerra Infinita, este acaba não gerando grande  impacto, com uma história simples e trivial, desprovida da densidade dramática dos dois citados e que não exerce a menor influência na dinâmica do todo, isto é, do MCU em geral.

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Na trama, Scott Lang encontra-se em prisão domiciliar após violar o Tratado de Sokovia ao ajudar o Capitão América durante um confronto entre as duas frentes opostas de Vingadores, como visto em Guerra Civil. Para quem não se lembra, o grupo de heróis se dividiu por conta de um embate, a princípio, ideológico, que colocava em cheque a responsabilidade sobre o uso de superpoderes, uma vez que algumas de suas batalhas acabaram por ferir e vitimar diversos civis. Lang, aparentemente, leva uma vida pacata, distante de qualquer elemento de sua vida super-heróica.

Hank Pym (Michael Douglas), o Homem-Formiga original, e sua filha, Hope Van Dyne, assumindo o traje de Vespa que, um dia, pertenceu à sua mãe, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), ressurgem em sua vida com uma nova missão após algum tempo sem fazer nenhuma questão de contatá-lo: trabalhar em um meio de entrar no Reino Quântico Subatômico, no qual Janet ficou presa em 1987, durante uma missão ao lado do marido, Hank. Em meio a isso, surge A Fantasma, Ava Starr (Hannah John-Kamen), uma mulher que apresenta instabilidade quântica devido a um acidente que tirou a vida de seus pais no passado, e rouba o laboratório portátil de Hank Pym na tentativa de se curar. Bill Foster (Laurence Fishburne), conhecido pelos fãs dos quadrinhos como Golias Negro, também dá as caras como um ex-parceiro de Pym, a quem ele, relutantemente, recorre procurando por ajuda. Em um plot twist, descobrimos a natureza ambígua de Foster: ele é aliado de Ava.

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Lang se esforça para conciliar sua vida doméstica – o que implica suas obrigações como pai divorciado – com sua função como super-herói, além de tentar driblar as autoridades de modo que não descubram que ele voltou a atuar como Homem-Formiga.

Resumo da ópera: Homem-Formiga e a Vespa trata-se de uma aventura isolada, com uma trama que fica pelo meio do caminho e, talvez, tivesse mais sentido se fosse lançada antes de Guerra Infinita. Embora com um senso de diversão acima da média e sequências de ação mirabolantes, o roteiro apresenta diversas fragilidades. Uma das mais evidentes compreende a figura dos vilões: genéricos, como de costume, e com propósitos genéricos. Alguns elementos interessam mais aos fãs e leitores ávidos de quadrinhos – a produção está repleta de easter eggs -, mas não surtem nenhum efeito no público mais leigo que tem acompanhado apenas os filmes nos últimos dez anos e não conhece muito acerca dos personagens em sua mídia original. O longa se sustenta a partir de muitos fatores que soam convenientes, tendo como sua maior aliada a suspensão da crença, comum quando o espectador se vê diante de um filme desse porte, o que contribui bastante – ainda que, por vezes, patinando no gelo fino – para que a produção funcione.

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O design de produção continua sendo o grande achado. Combinado à direção de fotografia, não perde nenhuma oportunidade de brincar com a redução e o aumento de estatura de personagens e até de edifícios inteiros. A distinção de tamanho entre Formiga, Vespa e o ambiente ao redor, torna-se até mesmo crível dada a eficiência do emprego do CGI. Ágeis e divertidas, as cenas de ação não ficam devendo em nada às outras produções da Marvel, mesmo que esta seja centrada em um personagem menor. O Reino Quântico é visualmente esplêndido e testemunhar a imersão de Hank Pym nesse universo que dá as caras pela primeira vez (mas, com certeza, não a última) nas telas, é um deleite. Contudo, para um elemento que pode ser vital no próximo filme da franquia Vingadores, faltou conferir a ele um maior senso de importância.

Homem Formiga e a Vespa distancia-se e muito da profundidade e da carga emocional de Guerra Infinita, mas alivia um pouco a tensão pós-tragédia causada por Thanos. O que não impede que a cena pós-créditos nos traga o mesmo aperto no peito que sentimos com as consequências da instauração do equilíbrio do universo trazido pelo Titã Louco ao adquirir as Jóias do Infinito em sua totalidade. Contudo é, também, um dos únicos aspectos que contribuem para que o novo longa do Formiga não seja de todo imemorável, rasteiro e superficial.

Andrizy Bento

 

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