Lady Bird – A Hora de Voar

Greta Gerwig tem um jeito único de retratar o fracasso. Com desenvoltura e humor, temperados por uma melancolia genuína, ela apresenta sua relação com o mundo ingrato que não parece reconhecer seus talentos, valorizá-la devidamente e que se mostra sempre disposto a lhe dar uma nova rasteira ao invés de uma nova chance. Contudo, não há espaço para vitimismo; ela parece rir de sua própria desgraça. Como atriz e roteirista, já havia nos brindado com uma série de desventuras no excelente Frances Ha (2012). Agora, acumulando as funções de roteirista e diretora, presenteia o espectador com um texto esperto recheado de diálogos brilhantes e intensos, fugindo – ainda que não completamente, mas com sabedoria – das artimanhas de uma autobiografia. A própria Gerwig assume que se espelhou em trechos de sua vida para compor Lady Bird – A Hora de Voar. Mas isso não significa que o filme seja necessariamente baseado em suas frustradas experiências ao longo da vida. Continuar lendo Lady Bird – A Hora de Voar