Star Wars: Os Últimos Jedi

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Alvo de controvérsias, a ponto de fãs criarem uma petição para remover o filme do canon, Star Wars: Os Últimos Jedi, é inteligente e emocionante; não tem medo de assumir riscos e subverter expectativas, jamais traindo a mitologia da série. E é isso que se espera de um bom entretenimento: que fuja, sabiamente, da zona de conforto, sem subestimar a inteligência dos espectadores.

Na trama, o principal antagonista, Kylo Ren (Adam Driver), ao lado do General Hux (Domhnall Gleeson), lideram a Primeira Ordem em um ataque inclemente contra a Princesa Leia Organa (Carrie Fisher) e a Resistência, na busca pelo poder absoluto sobre a galáxia. Ao mesmo tempo em que a jovem Rey (Daisy Ridley) parte a bordo da espaçonave outrora pilotada por Han Solo (Harrison Ford), a Millenium Falcon, juntamente a Chewbacca e R2-D2 para o planeta Ahch-To, que serve de retiro para um “aposentado” Luke Skywalker (Mark Hamill).

Instigada por sua aspiração em se tornar uma Jedi, Rey deseja ter o lendário e glorioso herói da rebelião como seu mestre. Apesar de mostrar uma inabalável relutância a princípio, Luke decide guiá-la ao perceber o quão sensível ela é à Força. Mas não deixa de notar, com preocupação, a influência do lado sombrio na jovem. E, de maneira inesperada e surpreendente, Rey descobre que possui um elo psíquico com Kylo Ren que pode vir a ter um papel vital na batalha decisiva entre a Primeira Ordem e a Resistência.

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Muitas das teorias propagadas internet afora não se concretizaram, mas, de forma nenhuma, isso tornou o longa decepcionante. O importante é respeitar o passado, mas compreender que a era é outra. Olhar com carinho e saudosismo para todo o legado dos personagens dos filmes clássicos é uma delícia, porém, olhar para frente, construir novas histórias e personagens e se aprofundar em novos conceitos, é fundamental para a permanência e evolução da franquia no cinema. Não dá para viver só de nostalgia. É necessário deixar o velho morrer – essa frase é bastante dita ao longo da trama.

O trio de protagonistas da nova geração, composto por Rey, o ex-stormtrooper Finn (John Boyega) e o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), além do antagonista Kylo Ren, funcionam muito bem na tela e apresentam uma dinâmica inigualável, mesmo que suas ações se desenvolvam em espaços diferentes dentro daquele universo durante a maior parte do longa – repare como eles apresentam uma boa química mesmo quando não dividem a tela. E, de fato, eles se situam separadamente até o clímax do filme.

E, parafraseando um personagem de uma outra saga bastante popular, há força e escuridão dentro de todos nós. O importante é alcançar o equilíbrio. Aqui, a velha dicotomia mocinhos e vilões não funciona mais e, realmente, não faz sentido. E aí consiste outro dos acertos do longa que é explorar e se aprofundar na natureza dúbia dos personagens (algo que já havia sido concebido no excelente Star Wars: Rogue One).

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A atmosfera de tensão e o clima frenético perduram durante toda a trama. O clímax e o epílogo se prolongam além do necessário, mas sem comprometer efetivamente o ritmo do longa, mérito da ótima montagem de Bob Ducsay. A Space Opera de Lucas, dessa vez dirigida por Rian Johnson, e contando com a impressionante cinematografia de Steve Yedlin, continua primorosa em termos de desenho de produção e efeitos visuais, deliciando os fãs com impressionantes batalhas espaciais e a arquitetura de um universo minuciosamente elaborado e visualmente criativo.

Não se trata do melhor filme da saga, afinal esse crédito ainda pertence a Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca de 1980, mas é um blockbuster digno, dinâmico e inteligente que não ofende a inteligência do público ou a sensibilidade dos fãs e nem se rende à condição inglória de caça-níquel. É com sabedoria que Star Wars: Os Últimos Jedi escapa da artimanha do maniqueísmo e mostra que a nova geração de personagens tem fôlego, energia e carisma para segurar a franquia enquanto os antigos se despedem.

★★★ ½

Andrizy Bento

2 comentários em “Star Wars: Os Últimos Jedi”

  1. Andrizy: GENERAL Leia Organa. Vamos lá. hahaha
    Eu gostei demais do filme e fico com dó das pessoas muito obcecadas que criam/assinam petições querendo extinguir o longa.
    E como sempre, um texto excepcional escrito pela mestre Andrizy ❤

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