Favoritos de 2017 – Filmes

Mais um ano termina e chega a hora de fazer um balanço de 2017. Gostaríamos de agradecer a comunidade blogueira do wordpress que segue nos dando muito apoio e compartilhando nossas publicações internet afora. Abaixo, listamos nossos filmes favoritos – e não-favoritos – de 2017 que foi, sim, um ano pródigo para o cinema, felizmente. Lembrando que a lista compreende apenas os longas lançados em território nacional no ano de 2017 e que listas são, por essência, subjetivas. Portanto, concordem ou discordem, estes são os nossos selecionados 😉

Melhores Filmes:

COLUMBUS
Diretor: Kogonada

columbus

Em uma das cenas mais belas do ano, Casey (Haley Lu Richardson), a protagonista de Columbus expressa sua paixão para um ouvinte que não compactua da mesma fascinação que ela nutre por arquitetura. No entanto, mais do que técnica e intelecto, ele quer compreender e conhecer as emoções que a guiam por essa obsessão que tornam seus dias menos sombrios e sua falta de rumo e perspectiva algo mais suportável diante da grandeza e beleza dos prédios que ela lista como favoritos. Nós, espectadores, não podemos ouvir seu discurso. Entre lágrimas e com a música incidental suprimindo o som de sua voz, ela discorre o que a emociona naquele prédio em particular que ela assume como seu favorito. Jin (John Cho) a ouve atentamente, interessado, ainda que pareça ter certa aversão ao assunto em questão. Columbus é um filme que dialoga com o espectador através da estética, mesmo que conte com diálogos sublimes. Os enquadramentos inusitados, a cenografia arrebatadora e direção de fotografia cuidadosa e precisa legitimam uma narrativa construída com extrema delicadeza, focada em uma das personagens mais sensíveis e interessantes de 2017.

MOONLIGHT
Diretor: Barry Jenkins

moonlight

Segundo longa do jovem cineasta e roteirista Barry Jenkins, Moonlight acerta ao centrar sua trama no indivíduo, em seu universo particular, em sua melancolia e solidão. Evitando enveredar pelo caminho óbvio ou apresentar estereótipos, o filme narra a história de Chiron (interpretado por Alex Hibbert na infância, Ashton Sanders na adolescência e Trevante Rhodes na fase adulta), um garoto com uma vida complicada que vive na periferia de Miami e tenta resistir ao mundo fácil da criminalidade. Alvo de preconceito e bullying por conta da mãe viciada em drogas e que se prostitui para sustentar o vício, Chiron tem de lidar com os rompantes da mãe dentro de casa e com o constante abuso dos colegas na escola. Dividido em três atos distintos que focam na fase da infância, adolescência e maturidade do protagonista, Moonlight não se limita a contar uma história manjada sobre um garoto que superou barreiras e transmitir uma mensagem edificante ao final. É uma trama intimista centrada em um indivíduo que tenta encontrar não apenas o seu lugar no mundo, como a si mesmo. Essa busca pela sua identidade compõe uma das melhores histórias contadas em 2017, vencedor do Oscar de Melhor Filme.

BOM COMPORTAMENTO
Diretor: Safdie Brothers

good time

Bom Comportamento, com sua aura junkie e suja, ao retratar a caótica atmosfera noturna e as vidas degradadas pelo crime e pela falta de oportunidade na periferia de Nova York, se apresenta com um thriller de perseguição, um drama bem estruturado e instigante, um exercício de estilo admirável e oferta ao espectador exatamente aquilo que propõe o irônico título original: a good time. Destaque para as performances impressionantes de Robert Pattinson e Ben Safdie que também dirige o filme.

Melhor Filme Nacional:

BINGO: O REI DAS MANHÃS
Diretor: Daniel Rezende

bingo

O excelente roteiro de Luiz Bolognesi somado à direção inventiva de Rezende se amparam na memória afetiva do público e recriam o cenário cultural brasileiro da década de 1980, quando a televisão e o culto telemaníaco ainda imperavam. As referências são deliciosas e a paródia bem humorada de programas, emissoras e figuras icônicas daquela década é precisa e inteligente. Bingo: O Rei das Manhãs funciona como um resgate da boa e velha infância, ao mesmo tempo em que se mostra um fascinante estudo de personagem. Vladimir Brichta, possivelmente no papel de sua vida, representa na tela uma figura de tantas nuances, que é impossível ficar indiferente. Ele expressa sua paixão em atuar e compor um personagem baseado em Arlindo Barreto (o Bozo original) em cada frame do longa. Vai do encanto quase místico de um palhaço cuja identidade é enigmática até a melancolia e fúria do homem que não sabe lidar com a pressão, o sucesso e os excessos que a vida artística acarreta. É mágico e também assustador. Uma cinebiografia não-oficial que, curiosamente, é uma dos raros casos em que o gênero funciona em se tratando de cinema nacional – tão acostumado a glorificar e conceder uma aura mítica irreal aos seus cinebiografados. Esse, felizmente, não é o caso de Bingo.

Melhor Filme Não Falado Em Língua Inglesa:

MONSIEUR & MADAME ADELMAN
Diretor: Nicolas Bedos

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A partir de um artifício narrativo muito simples – a viúva de um aclamado escritor é abordada por um jornalista durante o funeral do marido a fim de revelar detalhes e segredos que permearam seu relacionamento – acompanhamos a trajetória de Sarah (Doria Tillier) e Victor Adelman (Nicolas Bedos) no decorrer de quatro décadas de casamento, em uma narrativa dividida em episódios e despindo um relacionamento duradouro da aura de romantismo e da ilusão de perfeição. Há falhas, desvios de caráter, ciúmes e traição. Mas não há dúvida de que se trata de uma história de amor. Monsieur & Madame Adelman é uma produção francesa maravilhosa e apaixonante. Um dramédia sobre o casamento, o amor, o sexo, a infidelidade, a literatura e a burguesia. A direção de arte é uma das mais lindas do ano; a maquiagem é excepcional ao ilustrar a passagem de tempo nos rostos e corpos dos protagonistas. O trabalho de envelhecimento de ambos é cuidadoso e surpreendente. Outro item que vale destacar é a montagem ágil que jamais deixa a história se tornar enfadonha. A trilha sonora é só a cereja no topo do bolo, ou melhor, de um longa delicioso que dá vontade de assistir mais vezes.

Melhor Blockbuster:

STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI
Diretor: Rian Johnson

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Alvo de controvérsias a ponto de fãs criarem petição para remover o filme do canon, Star Wars: Os Últimos Jedi é inteligente e emocionante, sem medo de assumir riscos e subverter expectativas, jamais traindo a essência e a mitologia da série.  E é isso que se espera de um bom entretenimento: que fuja da zona de conforto. Muitas das teorias propagadas internet afora não se concretizaram, mas de forma nenhuma, isso tornou o longa decepcionante. O importante é respeitar o passado, mas compreender que a era é outra. Olhar com carinho e nostalgia para todo o legado dos personagens dos filmes clássicos é uma delícia, mas olhar para frente, construir novas histórias e personagens e se aprofundar em novos conceitos, é fundamental para a permanência e evolução da franquia no cinema. Não dá para viver só de nostalgia. É necessário deixar o velho morrer – essa frase é bastante dita ao longo da trama. O trio de protagonistas da nova geração, composto por Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), além do antagonista Kylo Ren (Adam Driver), funcionam muito bem na tela e apresentam uma dinâmica inigualável, mesmo que suas ações se desenvolvam em localizações diferentes dentro daquele universo durante a maior parte do longa. E, parafraseando um personagem de uma outra saga bastante popular, há força e escuridão dentro de todos. O importante é alcançar o equilíbrio. Aqui, a velha dicotomia mocinhos e vilões não funciona mais e, realmente, não faz sentido. É com sabedoria que Os Últimos Jedi escapa da artimanha do maniqueísmo e mostra que a nova geração de personagens tem fôlego, energia e carisma para segurar a franquia enquanto os antigos se despedem.

GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
Diretor: James Gunn

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Para além da aventura espacial e de toda a pirotecnia, Guardiões da Galáxia Vol. 2 revela-se uma fábula sobre a importância da família e a força da amizade. Nós esperamos tanto por um filme que soubesse retratar bem a dinâmica de uma família de super poderosos, esperando que Quarteto Fantástico fosse este representante (e vacilando duas vezes em seu intento) e foi um grupo de heróis praticamente desconhecido do grande público que acabou por oferecer isso aos espectadores dos filmes da Marvel; um bando de desajustados espaciais que desenvolveram um vínculo sólido e belo, tanto entre eles próprios quanto com a audiência. Ao invés de um simples mais do mesmo, o cineasta James Gunn surpreendeu mais uma vez.

Melhor Adaptação Cinematográfica de HQ:

MULHER-MARAVILHA
Diretora: Patty Jenkins

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A Mulher-Maravilha já era um dos maiores (e talvez um dos poucos) acertos de Batman Vs Superman. A cena em que ela surgia para lutar ao lado dos heróis, trajada pela primeira vez com o figurino da princesa guerreira e ainda embalada pelo seu poderoso tema musical, era emocionante e arrebatadora. E seu filme solo é um deleite e alívio para espectadores que ainda nutriam esperanças em relação ao Universo Estendido da DC no cinema. O cânone e a essência foram respeitados, bem como todo o simbolismo inerente à heroína. Sem dúvida, uma das melhores traduções de uma personagem dos quadrinhos para as telas e um dos filmes de origem mais satisfatórios da história das adaptações cinematográficas de HQs.

Uma Grata Surpresa Cinematográfica:

BABY DRIVER
Edgard Wright

baby driver

Assinado pelo estiloso cineasta Edgard Wright, o longa tem como base um videoclipe dirigido pelo próprio. Baby Driver soa como o trabalho de sua vida, a obra que Wright sempre buscou realizar como diretor, só precisava de um orçamento melhor. Daí o resultado apaixonado que faz deste um dos títulos mais atraentes do ano. A história de Baby, um jovem com problemas de audição, que ouve música constantemente em seus fones de ouvido e trabalha como motorista em assaltos cuidadosamente planejados e fazendo verdadeiros malabarismos na estrada, se desenrola de maneira simples, mas impulsionada pela ação desenfreada, perseguições e fugas alucinantes, diálogos inteligentes e uma trilha sonora fantástica que não desempenha mera função ilustrativa, como dá o tom à trama. Baby Diver é frenético como as batidas do coração durante uma fuga em alta velocidade ou uma audição de Brighton Rock do Queen a qualquer hora do dia.

CORRA!
Diretor: Jordan Peele

corra

A princípio, Corra! se estrutura como qualquer outro filme de horror convencional, mas utiliza sabiamente os clichês do gênero apostando em uma narrativa ousada e lançando luz sobre um problema real que aterroriza mais do que qualquer monstro. Em um suspense psicológico inteligente e bem orquestrado, o racismo é o principal vilão. E ainda traz uma das performances mais inspiradas do ano a cargo de Daniel Kaluuya, que interpreta o jovem fotógrafo aterrorizado pela família aparentemente pacata da namorada.

O Que Poderia Ter Sido e Não Foi:

LIGA DA JUSTIÇA
Diretor: Zack Snyder

liga da justiça

Liga da Justiça foge da identidade sombria dos longas que o precederam na cronologia do universo cinematográfico da DC, também dirigidos por Snyder – O Homem de Aço e Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, que se levavam a sério demais. Isso pode até ser um demérito em termos de estilo e continuidade para os defensores da proposta de DCEU/Snyder. Porém, engrosso o coro daqueles que acreditam ser bem-vinda a mudança de tom, pois Liga da Justiça é um filme divertido e dinâmico de se assistir, ao contrário do modorrento Batman Vs Superman. Embora não se pareça com um legítimo exemplar de Snyder em seu resultado final, os principais vícios do cineasta estão presentes: o slow motion excessivo e exaustivo, as cenas catárticas, os diálogos expositivos, o visual extasiante em detrimento da narrativa. Porém, a leveza, o bom-humor e a cartela de cores, bem como a inserção de momentos mais corriqueiros e triviais entre o supergrupo, suaviza a trama e torna o produto mais modesto e sem afetações. Tem suas falhas, mas não é tão ruim quanto se clama por aí. Infelizmente, não atinge todo o seu potencial, ficando em um meio-termo entre o ótimo e o decepcionante.

Melhor Sequência:

BLADE RUNNER 2049
Diretor: Denis Villeneuve

blade runner 2049

Também um dos melhores filmes do ano, Blade Runner 2049 é uma sequência digna de seu antecessor; faz justiça ao longa de Scott em todos os sentidos. Sejam eles técnicos, estéticos ou narrativos. Villeneuve foi a escolha certeira para conduzir a produção, afinal respeita o cânone do original, além de amplificar seus conceitos na tela. Felizmente, não se rende à pura condição de caça-níquel, apresentando uma excelente história, bem estruturada – apesar da longa duração – e cujos elementos dramáticos são bastante equilibrados, sem necessidade de impelir comoção ao público e recorrendo à catarse somente no clímax do filme. Uma curiosa, impressionante e muito bem-vinda revisita ao colossal universo do longa de 1982 e um dos melhores títulos a chegar às telas em 2017.

Filme Mais Superestimado:

LOGAN
Diretor: James Mangold

Logan

A proposta de Logan é ser mais realista em suas intenções, ainda que se trate de uma ficção sobre pessoas com poderes especiais, apostando em uma carga dramática contundente e impondo seriedade em sua narrativa. Não à toa, desde o título, a produção se concentra no homem Logan e não no anti-herói Wolverine. Este se trata da despedida final e melancólica de atores que vêm nos acompanhando desde 2000. James Mangold se preocupou mais em homenagear westerns e fazer uma despedida trágica e brutal do personagem do que realmente explorar uma história interessante – e, sim, a história é interessante, o problema é que, findado o filme, fica a impressão de que faltou algo na forma como ela foi contada. Contudo, na perspectiva da exploração do personagem, Hugh Jackman se despede deixando a sensação de dever cumprido, sendo o responsável por uma das melhores traduções de um personagem dos quadrinhos para as telas.

Pior Filme:

GHOST IN THE SHELL
Diretor: Rupert Sanders

ghost in the shell

Adaptação em live action do clássico anime de 1995 dirigido por Mamoru Oshii, Ghost in the Shell se esforça bastante para se passar por um Blade Runner wannabe, no entanto, decepciona em seu intento e em todos os outros aspectos. As questões existencialistas e filosóficas do original são diluídas em clichês abomináveis e discursos aberrantes repletos de frases feitas. Tóquio é retratada repleta de cores e publicidade excessiva em outdoors digitais no alto de gigantescos edifícios. Porém, a dimensão da megalópole não é contemplada apropriadamente. Na tela, Tóquio parece ínfima, restrita, diminuta. Além da direção de fotografia descuidada, os efeitos visuais são extremamente feios. O propósito de um sci-fi é investir em um ambiente futurístico, mas que soe palatável, plausível, possível. Mas o longa não economiza em artificialidade. O clímax conta com um dos piores CGI de que se teve notícia este ano, soando como o visual de um jogo de videogame mal elaborado. Ghost in the Shell é de doer os olhos e desperdiça elenco interessante. Os atores parecem estar todos no piloto automático. Sem falar no erro de casting – que vai muito além de uma Scarlett Johansson sem traços orientais…

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM
Diretor: Mel Gibson

até o último homem

Seguindo uma fórmula saturada, o filme de Gibson acaba caindo em todas as armadilhas dessa fórmula e, para completar, ainda conta com a mão pesada e os vícios narrativos de seu diretor, que nunca fez questão de sutilezas, como é possível conferir em suas incursões anteriores como cineasta. Até o Último Homem conta a história real (mas, aqui, cerceada de romantismo e floreios) de Desmond T. Doss (Andrew Garfield), o chamado primeiro Opositor Consciente da história dos Estados Unidos. Doss se alista durante a Segunda Guerra Mundial, com o único objetivo de atuar como médico do exército americano. Seguindo à risca o quinto mandamento “Não matarás”, Doss se recusa veementemente a pegar em armas e matar inimigos, o que gera situações violentas e traumáticas durante o treinamento militar. Para além das obviedades que dominam a tela somente nos primeiros dez minutos de projeção, há um diretor que imprime um tom ufanista e religioso em cada fotograma com tamanha convicção, que não parece haver outro objetivo que não seja o de impor sua visão e convencer o espectador de que aquela é a verdade pura e incontestável. Até o Último Homem é um melodrama de guerra tipicamente hollywoodiano e com o plus de ser assinado por Mel Gibson. E isso está longe de ser um elogio.

Andrizy Bento
Kaio Dantas

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